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set 15, 2019 9 min de leitura

Como o CBD Interage com o Corpo

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por Andrew Ward

O canabidiol, ou CBD, é tema de debate em muitos países do mundo. Pacientes e consumidores estão procurando maneiras de incorporá-lo em sua vida diária, graças aos relatos de que ele pode ajudar em uma série de problemas de saúde, desde dores leves ou crônicas, até lesões e doenças autoimunes como a doença celíaca.

Devido à falta de estudos, porém, os consumidores são obrigados a confiar em informações de laboratórios. Essa falta de dados conclusivos é complementada por um número cada vez maior de relatórios informais.

Considere as seguintes informações para entender melhor o CBD e como ele interage com seu corpo.

Como o CBD Interage com Outras Drogas

O tema das interações medicamentosas, seja no caso do homem ou do animal, sempre gera preocupação, e o CBD não é exceção. O mecanismo de interação do CBD com outros canabinoides, ou as moléculas da planta de cannabis, é igualmente intrigante.

Muitos afirmam, citando estudos e experiências de pessoas comuns, que o CBD é melhor do que os medicamentos que os médicos têm permissão legal para prescrever.

No entanto, diante de tantas descobertas e informações novas, nem todo médico está atualizado em relação aos benefícios do CBD. Portanto, é fundamental que os consumidores entendam seu mecanismo de ação e possíveis interações com outros medicamentos.

Um relatório de 2017, baseado em uma pesquisa abrangente sobre segurança e efeitos colaterais do CBD, realizada por Bergamaschi et al. em 2011, revelou que o CBD tem efeitos colaterais mais leves do que os outros medicamentos estudados.

De acordo com o relatório, são necessárias pesquisas clínicas adicionais sobre a ação do CBD em várias áreas, incluindo “enzimas hepáticas, sistemas transportadores de drogas e interações medicamentosas, para verificar se os efeitos produzidos são positivos ou negativos”.

Entre outras importantes descobertas, o relatório revelou como diversos medicamentos interagem com o corpo e afetam o mecanismo de ação do CBD. Por exemplo, drogas como cetoconazol, itraconazol, ritonavir e claritromicina podem inibir a enzima CYP3A, fazendo com que doses mais altas de CBD se mantenham ativas por mais tempo. Por outro lado, o fenobarbital, a rifampicina, a carbamazepina e a fenitoína reduzem a absorção de CBD estimulando a mesma enzima.

Em suma, se você estiver usando CBD e outros medicamentos, é bom saber como eles interagem entre si, para não precisar de doses adicionais de CBD ao longo do dia.

Outro estudo de 2017, sobre CBD e medicamentos antiepiléticos comuns, mostrou que o Epidiolex, medicamento à base de canabidiol, interagiu dentro de um intervalo terapêutico aceitável nos participantes.

É bom lembrar que cada organismo reage de maneira diferente a diferentes substâncias. O mesmo vale para o CBD. Embora tenhamos informações gerais sobre suas possíveis interações medicamentosas, não podemos afirmar nada no momento. Daí a importância de entendermos o mecanismo de interação do CBD com outros remédios.

Os Possíveis Efeitos Colaterais do CBD

Como no caso das interações medicamentosas, não podemos confiar somente no que o médico ou um amigo nos diz sobre os efeitos colaterais do CBD. Diante de tanta desinformação, o consumidor deve procurar entender o mecanismo de interação do CBD com o corpo, conhecendo sua composição específica.

De um modo geral, todos os medicamentos têm efeitos colaterais. Em alguns casos, esses efeitos são adversos e, em outros, benéficos. No relatório de 2017 da pesquisa de Bergamaschi, muitas indicações de uso e quadros clínicos foram considerados, entre eles problemas mentais, dependência, comprometimento do sistema imunológico e diabetes. Na maioria dos casos, o CBD produziu efeitos colaterais leves ou nulos.

Em alguns casos, como no tratamento de câncer, os medicamentos tradicionais não apresentaram efeitos colaterais com o uso do CBD. Diz o relatório de 2017: “Os medicamentos anticancerígenos tradicionais não apresentaram os efeitos colaterais clássicos, como êmese e toxicidade colateral. Consequentemente, o CBD pode ser uma alternativa a outros inibidores da MMP1, como o marimastat e o prinomastat, que mostraram resultados clínicos decepcionantes devido aos efeitos musculoesqueléticos adversos desses medicamentos”.

Apesar da grande quantidade de informações do relatório de 2017, o mais sensato é adotar a abordagem de um pesquisador e citar várias fontes.

Estudos anteriores respaldam as últimas descobertas. Uma pesquisa de 2005 sobre CBD e epilepsia pediátrica revelou que o canabidiol melhora o quadro clínico, sem efeitos colaterais. Enquanto isso, um estudo de 2012 da King’s College London observou que o CBD não produziu nenhum “efeito colateral significativo”, concluindo: “Em voluntários saudáveis, o THC mostrou efeitos comportamentais e fisiológicos agudos, enquanto o CBD provou ser seguro e bem tolerado”.

Esses resultados podem ajudar a formar uma visão sobre a cannabis, mas devemos nos lembrar de que cada caso é um caso. Os efeitos do CBD em problemas de saúde mental variam bastante. Em alguns casos, seu uso é bastante benéfico, e em outros, ineficaz. Consulte um médico para entender melhor sua situação antes de adicionar CBD ou qualquer outro medicamento ao seu tratamento.

Efeitos Fisiológicos, Neurológicos e Neuropsiquiátricos

Aqueles que afirmam que o CBD ajuda em problemas de saúde mental têm anos de pesquisa como respaldo.

O relatório de 2017 observou que o CBD de baixa dosagem estudado também teve efeitos fisiológicos benéficos, incluindo a capacidade de “promover e manter a saúde, além de efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores”.

De acordo com os estudos, o CBD é um antioxidante neuroprotetor mais eficaz do que as vitaminas C e E.

Diante das descobertas, alguns considerarão a possibilidade de trocar suas vitaminas pelo CBD. De acordo com os estudos, o CBD é um antioxidante neuroprotetor mais eficaz do que as vitaminas C e E.

Quem sofre de transtornos de ansiedade se interessará pelas descobertas sobre a cannabis. O quadro clínico é um dos mais estudados até o momento, fornecendo aos pacientes comprovações sobre o tratamento com CBD. Um estudo holandês mencionado no relatório de 2017 sobre o uso de CBD em altas doses observou que a substância pode “reduzir significativamente os níveis de ansiedade e desânimo”.

Alguns problemas de saúde mental já têm um longo histórico de resultados positivos com o uso de CBD. De acordo com um estudo, o CBD não produziu efeitos adversos já em 1973. O estudo, um experimento de 21 dias, foi repetido em 1980, com resultados semelhantes.

Em relação à ansiedade, diz o relatório de 2017: “Ao que tudo indica, o CBD auxilia na restauração da memória contextual. Nenhum efeito colateral / adverso foi relatado”. O mesmo foi observado em estudos sobre epilepsia: “Além disso, foram realizados exames neurológicos e fisiológicos, que não mostraram sinais de toxicidade do CBD, nem efeitos colaterais graves. De acordo com o estudo, o CBD foi bem tolerado”.

Outros exemplos incluem um ensaio clínico aberto de 2019 sobre CBD, ansiedade e sono, que revelou que o CBD ajuda pessoas com transtornos de ansiedade, e um estudo de 2018, que mostrou que o CBD pode ser usado para tratar depressão e ansiedade sem afetar negativamente o sono.

Proporções e correspondências também devem ser consideradas. Alguns problemas de saúde mental se beneficiam mais das proporções THC:CBD 1:1, enquanto outros apresentam melhores resultados com diferentes relações entre as duas substâncias.

Por exemplo, um estudo de 2018 dos efeitos adversos da cannabis revelou que a combinação de CBD de alta potência / THC de baixa potência foi a que mais diminuiu os níveis de depressão. Outros estudos tiveram resultados semelhantes. Alguns anos antes, em 2011, uma análise sobre transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) declarava: “Na maioria dos casos, foi observada uma melhora significativa na qualidade de vida e na dor dos pacientes, com algumas mudanças positivas na gravidade do transtorno de estresse pós-traumático” quando utilizada uma combinação de THC / CBD.

Embora o CBD não seja a solução definitiva para todos os problemas de saúde mental, estudos mostram seu potencial ao longo das décadas. Aqueles que buscam alívio para certos sintomas e quadros de transtorno mental podem incluir o CBD em seu plano de tratamento. Algumas pessoas usam só CBD, sem nenhum outro medicamento. Em todo caso, consulte seu médico antes de tomar qualquer decisão.

Possíveis Efeitos no Sistema Imunológico

Pacientes que sofrem de câncer ou AIDS defendem o uso da cannabis há muito tempo. Eles foram os pioneiros na legalização da cannabis medicinal nos Estados Unidos. Embora as descobertas médicas tenham sido limitadas por algum tempo, relatórios informais e resultados clínicos mostraram o potencial da cannabis no caso dessas doenças.

Hoje, muitas pessoas com câncer ou AIDS estão usando cannabis para proteger o sistema imunológico e talvez fortalecê-lo.

Existem muitos estudos sobre a ação do CBD no sistema imunológico. Como muitos consideram o canabinoide uma panaceia, é importante entender seu efeito no sistema imunológico. Enquanto não tivermos novos resultados laboratoriais, não podemos afirmar que o CBD é capaz de tratar ou curar qualquer doença.

O relatório de 2017, sobre diversos quadros clínicos e os resultados do uso de CBD nesses casos, revelou potencial para o tratamento da esclerose múltipla, artrite e diabetes. No caso da Doença de Alzheimer, verificou-se que o tratamento com CBD também reduziu a neuroinflamação em ratos.

Pessoas com doenças terminais há muito acreditam que a cannabis também pode ajudá-las. Hoje, aqueles que convivem com doenças outrora fatais já podem considerar o THC e o CBD como parte de seu tratamento diário.

Nos últimos anos, pacientes com AIDS receberam mais uma confirmação de que a cannabis melhora a qualidade de vida. Em 2017, um estudo sobre o uso de marijuana e pessoas negras com HIV revelou que, com o THC, as funções imunológicas não foram reduzidas. Embora o CBD não tenha sido mencionado, as boas notícias servem como impulso para o uso medicinal da planta de cannabis.

Além disso, um estudo de 2018 sobre o uso frequente de cannabis por pessoas com HIV mostrou uma associação entre a cannabis e o fortalecimento do sistema imunológico, embora as implicações clínicas dessa descoberta não sejam claras, segundo o próprio estudo.

Ingestão de Alimentos e Efeitos Glicêmicos

A cannabis pode ajudar em diversos tipos de dieta. Quem precisa comer mais pode ter bons resultados com o THC. Quem precisa comer menos pode ter bons resultados com o CBD ou um dos outros canabinoides da planta.

O relatório de 2017 menciona que o CBD, ao que tudo indica, não produz efeitos adversos em várias funções essenciais do corpo. Além dos pontos acima, outros aspectos são mencionados: “O mesmo vale para o trânsito gastrointestinal, a ingestão de alimentos e a ausência de toxicidade em células não transformadas. O uso contínuo e doses altas (de até 1500 mg por dia) tem demonstrado boa tolerância nos seres humanos”.

Estudos em animais produziram efeitos inconclusivos sobre o CBD e a ingestão de alimentos, mas revelaram efeitos benéficos na hiperglicemia graças à capacidade anti-inflamatória e antioxidante da substância.

Enquanto o THC é conhecido por causar um aumento do apetite, ou “larica”, na linguagem coloquial, estudos indicam o contrário no caso do CBD. Portanto, procure produtos de CBD para evitá-la.

Um estudo de 2012 com ratos observou uma diminuição acentuada na ingestão de alimentos em comparação com outros canabinoides, sendo necessários mais estudos para verificar se o CBD pode ajudar quem deseja perder peso. Enquanto isso, um estudo de 2019 confirmou as hipóteses do relatório de 2012 e de outros estudos, revelando que o CBD reduz a compulsão alimentar e ajuda a diminuir os problemas de obesidade.

Nenhum estudo realizado focou nos efeitos glicêmicos do CBD, de acordo com o relatório de 2017. Uma única pesquisa sobre CBD e apetite mostrou que cepas de cannabis com alto teor de CBD diminuem a fome mais do que cepas de cannabis só com THC.

Outro canabinoide, o THCV, também é uma opção para controle glicêmico, de acordo com um estudo de 2016 sobre indivíduos com diabetes tipo 2. Diz o estudo: “Comparado com os dados iniciais da pesquisa (mas não o placebo), o CBD diminuiu a resistina e aumentou o peptídeo insulinotrópico dependente de glicose. Nenhum dos tratamentos combinados teve um impacto significativo nos resultados finais. O CBD e o THCV foram bem tolerados”.

Outros Problemas de Saúde

A popularidade do CBD se deve, em grande parte, aos relatos informais que preenchem a lacuna existente devido à escassez de estudos ao longo dos anos. Há um número crescente de descobertas, mas ainda não existem evidências concretas da eficácia do CBD em relação a diversos quadros clínicos.

O mesmo pode ser dito a respeito de estudos sobre colite ulcerosa, glaucoma e pressão arterial, para citar alguns. Portanto, indivíduos com doenças não tão comumente ligadas ao CBD devem tomar precauções extras antes de pensar em usá-lo.

Nem todas as doenças terão bons resultados com o uso do CBD. A Doença de Crohn é um exemplo: de acordo com alguns estudos, o CBD, embora seguro, não melhorou o quadro clínico de pacientes com essa enfermidade.

Nos próximos anos, testes de laboratório e estudos adicionais deverão confirmar o mecanismo de ação do CBD em cada quadro clínico. No momento, estamos começando a entender melhor alguns deles, mas ninguém pode afirmar que sabe tudo a respeito de uma determinada determinada doença. Embora estejamos um pouco mais próximos desse ponto, devemos admitir que são necessárias mais pesquisas.

Por conta disso, devemos ter em mente que o CBD não servirá para todos os casos. Embora alguns possam acabar se beneficiando de seu uso, nem todos os quadros clínicos terão resultados positivos. Cada um deve se informar a respeito, para não vir a criar uma possível interação medicamentosa negativa que, de outra forma, não ocorreria.

Dicas de Segurança para Pacientes e Consumidores de CBD

Graças à crescente aceitação global, o mercado de CBD passou da distribuição ilícita a um processo de fabricação bem estruturado, como o de qualquer outro medicamento. Mesmo assim, ainda existem práticas clandestinas em todo o mundo, como os produtos de CBD com rótulos incorretos nos EUA.

É preciso sempre saber exatamente o que estamos comprando. Mesmo que o produto tenha aprovação governamental, não custa nada verificar seus certificados de autenticidade e os resultados de testes laboratoriais, pesquisando na internet o nome do produto e da empresa, junto com termos como “testes laboratoriais”.

A dosagem é outro assunto. Embora seja praticamente impossível ter uma overdose de CBD, o consumo excessivo produz efeitos colaterais adversos, como os mencionados acima. Portanto, talvez seja uma boa ideia seguir o método canábico de “dosagem baixa no início e aumento gradual”. Nesse caso, comece com uma dose baixa de CBD, aguarde de trinta minutos a uma hora e veja como se sente. A partir daí, avalie se é necessário mais e repita as mesmas etapas.

Em suma, lembre-se de:

  • Comprar apenas CBD de fontes confiáveis.
  • Verificar se há certificados de autenticidade ou outra verificação laboratorial.
  • Se a empresa não fornecer essas informações facilmente, pesquisar on-line com termos como “[Nome da empresa] + [Nome do produto] + teste laboratorial”.
  • Depois de comprado, guardar o CBD em uma área escura e fresca, longe do sol.

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