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4 min

Cannabis Pode Ajudar na Dor Crônica?

por Gleb Oleinik

Sep 18, 2019

A dor crônica é a motivação mais comum de pessoas que recorrem à cannabis de uso medicinal. De acordo com um estudo de 2019, dois terços dos pacientes tratados com maconha medicinal nos EUA citaram a dor como sua principal reclamação.

Graças à suspensão das proibições da cannabis e aos avanços nas pesquisas médicas, agora temos um conjunto sólido de evidências clínicas demonstrando que os preparados de cannabis de uso medicinal atuam no combate de vários tipos de dor crônica.

Muitos desses estudos médicos demonstram que a marijuana medicinal representa um tratamento eficaz para a dor crônica proveniente de diferentes condições, desde o câncer, neuropatia, fibromialgia, esclerose múltipla, artrite, enxaqueca e outros.

Por várias razões, essa pesquisa é uma boa notícia para aqueles que sofrem. Em primeiro lugar, dores crônicas nem sempre respondem a tratamentos padrão. Em segundo lugar, a cannabis tem efeitos colaterais menos graves do que muitos medicamentos prescritos contra a dor, incluindo um risco muito menor de dependência e probabilidade quase zero de overdose fatal.

Como Funciona a Cannabis no Combate à Dor Crônica

Cientistas e médicos só começaram realmente a entender como a cannabis interage com o corpo humano nos anos 1990. 

Foi então que pesquisadores descobriram que os canabinoides encontrados na planta de cannabis, compostos químicos como THC e CBD, também são produzidos naturalmente pelo corpo humano.

Em seguida, os cientistas mapearam todo um sistema de receptores no corpo (o sistema endocanabinoide) que reage apenas aos canabinoides, tanto os produzidos por planta (fitocanabinoides) quanto os produzidos pelo organismo (endocanabinoides).

Nos anos seguintes, pesquisadores médicos descobriram que o sistema endocanabinoide desempenha um papel fundamental na regulação das principais funções do corpo, incluindo humor, metabolismo, aprendizado e memória, sono, imunidade – e dor.

Hoje, sabemos que os receptores endocanabinoides estão envolvidos na regulação de dois dos principais tipos de dor e em como nosso corpo os percebe: dor nociceptiva (causada por dano real ao corpo, como uma queimadura) e dor neuropática (causada por dano aos nervos que transmitem sinais de dor).

Os receptores endocanabinoides foram descobertos em várias partes do sistema nervoso periférico e central e em quase todas as partes da via da dor. Verificou-se também que outros receptores endocanabinoides desempenham um papel na redução e regulação da dor inflamatória.

Estudos Médicos Sobre Dor Crônica e Cannabis

Foram realizadas dezenas de estudos sobre como e se a cannabis e os canabinoides oferecem realmente um tratamento eficaz para a dor, incluindo a crônica.

  • Uma revisão sistemática de 28 desses estudos, realizada em 2015, concluiu que “havia evidências de qualidade moderada para apoiar o uso de canabinoides no tratamento da dor crônica”.
  • Um estudo sobre dor oncológica, de 2010, em pacientes que não respondiam aos medicamentos opioides regulares, descobriu que um tratamento combinando CBD e THC resultou em uma redução significativa da dor. Nesse estudo, 43% dos indivíduos relataram uma melhora de 30% ou mais. Esta é uma descoberta especialmente notável porque indica que medicamentos contendo vários canabinoides podem ser mais eficazes do que os ingredientes ativos isolados.
  • Outro estudo bastante citado de 2008, examinando os efeitos de fumar cannabis para a dor neuropática, descobriram que o uso resultou em alívio significativo da dor.
  • Um estudo de 2006 realizado por pesquisadores britânicos sobre os efeitos do Sativex, um medicamento à base de maconha medicinal, revelou que ele provocava uma melhora significativa na dor associada à artrite reumatoide.
  • Outro estudo bastante citado de 2008 abordou o efeito do Nabilone, um medicamento baseado em THC, em pacientes com fibromialgia. Ficou constatado que o tratamento resultou em melhorias significativas na dor e na qualidade de vida.
  • Um estudo de 2016 procurou os benefícios da marijuana de uso medicinal em pessoas com vários tipos de dor crônica resistente a tratamento. Os pesquisadores descobriram que a marijuana diminuiu a dor permitindo que os pacientes reduzissem significativamente o uso dos medicamentos opioides prescritos. 
  • Outro estudo de 2016 analisou o uso de medicamentos prescritos de cannabis em pacientes com dores de cabeça crônicas e enxaqueca. Mais de 85% dos pacientes relataram sofrer menos enxaquecas por mês (média de 10,4, baixando para 4,6).

Para concluir, ainda devem ser feitos mais estudos clínicos, mas há evidências científicas sólidas de que a cannabis medicinal é eficaz no tratamento da dor crônica. Seu baixo perfil de efeito colateral faz dela uma opção atraente.

Efeitos Colaterais

Embora a cannabis tenha sido considerada uma opção de tratamento eficaz para a dor crônica, especialmente nos casos em que não responde à medicina convencional, ela também apresenta desvantagens.

 

O THC, um dos ingredientes terapêuticos ativos, é psicotrópico e pode provocar efeitos colaterais cognitivos, como comprometimento da memória, ansiedade e euforia. Também pode desencadear psicose em alguns indivíduos. Preparados ricos em CBD, como óleo de CBD, no entanto, não são psicoativos.

Os tratamentos à base de maconha também podem causar outros efeitos colaterais, incluindo sonolência, fadiga, boca seca e alterações no apetite.

Em suma, esses efeitos colaterais são mínimos e a cannabis é uma substância consideravelmente segura, em especial quando comparada aos medicamentos normalmente prescritos para tratar a dor. Não foram verificados casos de morte associados à marijuana medicinal.

Ao considerar o uso de cannabis para dor crônica ou qualquer outro problema de saúde, é importante consultar seu médico antes de iniciar o tratamento.

Isenção de Responsabilidade

O conteúdo do site The Cannigma tem fins puramente informativos. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Sempre consulte um médico profissional experiente com conhecimento em cannabis antes de iniciar um tratamento.

Sobre a dor crônica

Estima-se que 100 milhões de pessoas sofram de dores crônicas na Europa. Só no Reino Unido, 28 milhões sofrem deste mal; entre eles, 62% têm mais de 75 anos.

Enquanto a dor aguda vai e vem em alguns segundos, minutos, horas ou dias, a dor crônica é uma condição que permanece por um longo período de tempo. Como resultado, pode ter um tremendo impacto na qualidade de vida, influenciando todos os aspectos da rotina.

Muitas vezes, está relacionada a distúrbios de longa duração, como artrite e fibromialgia, mas também pode se desenvolver após uma lesão ou problema de saúde – mesmo aqueles que foram tratados. A dor crônica pode surgir repentinamente ou se desenvolver gradualmente ao longo do tempo, e se apresenta em qualquer parte do corpo.

É importante observar que a dor crônica e a síndrome da dor crônica (SDC) são verdadeiras e causam sofrimento real. Embora outras pessoas possam não ser capazes de realmente “ver” a dor, ela pode estar sempre presente e não deve ser descartada como algo que é “só  coisa da sua cabeça”.

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