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dez 19, 2019 8 min read

A Cannabis Pode Tratar a Doença de Lyme?

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by Emily Earlenbaugh, PhD.
Revisão médica realizada por Roni Sharon, MD

Visão Geral

A cannabis está sendo apontada como uma grande promessa para o tratamento da doença de Lyme. No entanto, uma vez que as pesquisas ainda são muito limitadas, é difícil tirar conclusões definitivas sobre sua eficácia.

Embora existam evidências preliminares indicando a conexão entre a doença de Lyme e o sistema endocanabinoide, não há nenhum estudo voltado especificamente para o uso da planta no tratamento dessa doença. Sabe-se, no entanto, que a cannabis é capaz de aliviar muitos dos sintomas associados a ela, tais como dor, inflamação, ansiedade e depressão.

Como a Cannabis Funciona no Caso da Doença de Lyme

O sistema endocanabinoide (SE), presente em todo o corpo humano e ativado tanto por canabinoides naturais quanto por aqueles produzidos pela maconha, é responsável por manter a homeostase interna, sendo composto de três partes: endocanabinoides (substâncias naturais produzidas por nosso corpo), receptores de canabinoides, como CB1 e CB2 (que são ativados por endocanabinoides), e enzimas (que metabolizam e eliminam canabinoides do nosso organismo).

Esse sistema regula grande parte de nossas principais funções corporais, como dor, humor, energia, sono, inflamações e resposta imunológica. Em condições normais, o sistema funciona automaticamente, com nossos endocanabinoides ativando os receptores para manter a homeostase do organismo; quando há disfunções nesse sistema, podem surgir distúrbios e desequilíbrios.

No caso do tratamento da doença de Lyme, temos evidências limitadas de que ela pode provocar alterações no sistema endocanabinoide. Em um estudo sobre o perfil metabólico da doença de Lyme, os pesquisadores descobriram que seus portadores apresentavam níveis elevados de duas moléculas que interagem com o sistema endocanabinoide. Uma delas, a N-palmitoiletanolamida (PEA), que tem efeitos anti-inflamatórios, não interage diretamente com o CB1 ou CB2, mas melhora a atividade da anandamida, um dos principais endocanabinoides existentes.

Sabemos também que o sistema endocanabinoide exerce enorme influência sobre alguns dos sintomas associados à doença de Lyme, aliviando a dor, suprimindo respostas inflamatórias e controlando a depressão e a ansiedade.

Diante desses fatores, existe a possibilidade de que o uso da marijuana medicinal seja benéfico no alívio dos sintomas da doença de Lyme.

Estudos Médicos Sobre Cannabis e Doença de Lyme

Embora existam evidências preliminares de que o sistema endocanabinoide está relacionado à expressão da doença de Lyme, isso não significa necessariamente que a maconha medicinal pode ajudar no tratamento da doença, pois ainda não foi realizada nenhuma pesquisa com portadores para comprovar a hipótese. Mas há muitas indicações que suas propriedades antibacterianas e capacidade de aliviar a dor, debelar inflamações e controlar a depressão e a ansiedade podem ajudar aos pacientes que sofrem deste mal.

Os cinco principais canabinoides, THC, CBD, CBG, CBC e CBN, demonstraram grande eficácia contra uma variedade de cepas resistentes do MRSA (sigla de Methicillin-resistant Staphylococcus aureus, Staphylococcus aureus resistente à meticilina), uma infecção bacteriana difícil de tratar. Embora ainda não haja comprovação científica de que algum desses canabinoides pode combater a infecção bacteriana da doença de Lyme, futuras pesquisas deverão investigar essa possibilidade.

Canabinoides como o THC e o CBD também são potentes agentes anti-inflamatórios. Embora não tenha sido avaliada quanto à redução da inflamação na doença de Lyme, a marijuana medicinal foi estudada em outros quadros inflamatórios, como asma, diabetes, esclerose múltipla, artrite reumatoide e colite. Em todos esses casos, os canabinoides foram capazes de reduzir a inflamação, levando a melhora dos sintomas da doença (impedindo, às vezes, seu avanço).

A cannabis é também um potente analgésico, principalmente para pacientes com dor crônica. Os autores de uma meta-análise e revisão sistemática (2017) da bibliografia sobre cannabis voltada para pesquisas sobre o uso de marijuana medicinal em vários tipos de dor crônica, incluindo neuropatia (a qual pode ocorrer na doença de Lyme), relataram que há evidências substanciais de que a maconha medicinal é um tratamento eficaz para todos os tipos de dor crônica.

A cannabis também pode ajudar na ansiedade. Estudos demonstram que a ingestão de cannabis pode realmente acalmar as reações de estresse de pessoas expostas a situações estressantes.

A marijuana medicinal também ajudou pessoas com depressão. Em uma revisão da bibliografia sobre o assunto, os pesquisadores encontraram nove estudos sobre o uso da cannabis no combate da depressão. Sete desses estudos mostram que o uso da maconha medicinal produziu melhoras em seus sintomas.

Em resumo, embora as evidências para o uso da cannabis como tratamento da doença de Lyme sejam ainda extremamente escassas, algumas pesquisas apontam para sua capacidade de aliviar alguns dos sintomas associados à doença de Lyme, como dor, inflamação, ansiedade e depressão.

Aguardam-se mais pesquisas para verificar se a cannabis ajudará no tratamento da doença de Lyme da mesma maneira que o fez com outras doenças. Os cientistas certamente têm bons motivos para investigar essa oportunidade mais a fundo.

Efeitos Colaterais

A marijuana medicinal produz uma série de efeitos colaterais capazes de afetar o tratamento da doença de Lyme. Sabe-se, no entanto, que eles são leves e incluem sintomas como tontura, dificuldade de concentração e memória, taquicardia, boca seca, náuseas e fadiga.

Isenção de Responsabilidade

O conteúdo do site The Cannigma tem fins puramente informativos. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Sempre consulte um médico profissional experiente com conhecimento em cannabis antes de iniciar um tratamento.

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