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mar 18, 2021 5 min de leitura

O bê-a-bá do solo para o cultivo de cannabis

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por Felipe Hanower
Estufa doméstica para cultivo da cannabis

Iniciar o cultivo de cannabis é como começar a construir uma casa: antes de começar a obra, é necessário preparar o solo. A seguir, confira quais as decisões que impactarão seu projeto no que diz respeito à fase inicial de seu projeto: a escolha e preparação de terra, local de cultivo (indoor ou outdoor) e vasos. Mãos à terra! 

Diferenças do Cultivo Indoor e Outdoor

O primeiro passo para iniciar o cultivo é a escolha do local ideal. Se o seu objetivo for o cultivo outdoor, um solo rico em matéria orgânica e com boa quantidade de nutrientes é essencial. Ele precisa estar fofo e aerado. Leve em consideração que sua planta pode atingir altura superior a 1,30 metro. Portanto, fique atento caso seu quintal seja visível a outras pessoas.

Para o cultivo outdoor (em área externa), a consorciação de outras plantas com a Cannabis pode trazer alguns benefícios. Alguns deles são: a melhora da estrutura do solo, a proteção contra pragas e doenças, e uma maior biodiversidade no solo.

A luz do sol é a melhor que a planta pode receber. Aqui vale frisar que, em determinados horários e épocas do ano, essa luz pode até queimar sua cannabis. Por isso, prefira utilizar telas tipo sombrite para protegê-la nas estações mais quentes do ano.

Caso você opte por preparar seu próprio solo ou substrato, lembre-se de que o ideal é deixá-lo pronto um mês antes de acomodar sua planta. Isso vai permitir que os microrganismos comecem a “trabalhar”, de forma que os nutrientes de que a planta precisará já estarão disponíveis, facilitando sua adaptação e crescimento.

Já no cultivo indoor, é necessário um pouco mais de atenção e investimento. Escolha um local com boa ventilação ou onde seja possível instalar sistemas de ventiladores e exaustores. Fique atento à rede elétrica e à fiação, e lembre-se de que é aconselhável que as tomadas fiquem por perto. Aqui vale uma ressalva: a maioria dos equipamentos usados em cultivos internos usam a voltagem de 220v.

As paredes podem ser forradas com material próprio para o cultivo de plantas em ambiente fechado, como o mylar. Caso não tenha acesso a ele, dê preferência para paredes brancas: você pode cobri-las com papel sulfite se for o caso. Nunca use papel-alumínio, pois ele não é tão eficaz e ainda “rebate” o calor, o que pode queimar ou até mesmo matar a planta.

Se você não tiver uma estrutura fixa, como um armário ou quarto, não se preocupe. É possível encontrar em diversas lojas de cultivo estruturas conhecidas como growrooms ou tendas de cultivo, em diversos tamanhos e medidas.

Vasos

Os vasos serão a “casa” de sua planta. Por isso, é preciso prestar atenção ao tamanho adequado para acomodar a cannabis durante todo o seu ciclo de vida. O recipiente deverá ter, no mínimo, capacidade de 8 litros. E quanto maior for o vaso, mais espaço haverá para as raízes e, consequentemente, sua planta poderá se desenvolver melhor. 

Prefira vasos de cor escura, pois as raízes não gostam de luminosidade. Eles também ajudam a armazenar o calor. É possível encontrar vasos de diferentes formatos e materiais. Atenção: aqui, o importante é o recipiente oferecer boa drenagem da água e oxigenação. 

Os potes de plástico são os mais tradicionais e os que têm sido utilizados no cultivo de cannabis há mais tempo. 

Vasos de plástico (fonte: SP Seeds)

Já os smart pots, ou vasos de tecidos, são mais recentes. Eles foram muito bem recebidos pelos cultivadores, pois apresentam vantagens principalmente quando se trata de aeração do sistema radicular, do substrato e da própria planta.

Smart pots (fonte: Aliexpress)

Por último, temos os air pots, vasos que fornecem muito oxigênio para as raízes. O maior problema desse tipo de recipiente é a falta de uma espécie de “alça” para segurá-lo caso seja necessário mover a sua planta de lugar.

Air pots (fonte: Amazon.com)

Tamanho dos Vasos

Pequenos (de 0,5 a 2L): geralmente são usados ​​para o plantio quando as sementes são germinadas ou para o enraizamento de mudas. Assim, eles serão o primeiro pote do ciclo de vida da planta.

Potes de 3,5L: utilizados para a fase de crescimento em ambientes fechados ou após a germinação das sementes no exterior. Uma vez que o sistema radicular tenha ocupado todo o vaso, deve ser transplantada para um de maior capacidade.

Vasos de 5,5L: usados para os primeiros estágios de crescimento.

Vasos de 7L: mais comuns no cultivo indoor, no qual também são usados ​​para o estágio de floração.

Vasos de 11L: tamanho máximo que deve ser utilizado em cultivos de interior.

Vasos de 18, 19 ou 20L: capacidade ideal para o cultivo de variedades autoflorescentes, uma vez que elas não devem ser transplantadas e que portanto oferecem espaço suficiente para o correto desenvolvimento do sistema radicular.

Também é possível encontrar vasos em tamanho maiores, os quais são adequados somente para o cultivo em áreas abertas.

Os vasos podem ser feitos também de outros materiais ou até mesmo improvisados em casa, como latas plásticas de tinta e vasos de barro. O importante é permitir a boa oxigenação, drenagem de água e serem de cor escura. Vasos feitos com materiais como ferro ou alumínio podem prejudicar o crescimento da planta.

Solos

O solo é um fator fundamental para o sucesso do cultivo e da colheita. É através dele que a planta busca os nutrientes para se “alimentar” e, assim, completar o seu ciclo de vida. Ele também é responsável por fornecer água e oxigênio, elementos fundamentais para que a planta sobreviva.

Um solo de qualidade, rico em microrganismos, bem aerado e fofo logo no início do cultivo poderá propiciar uma colheita farta. Os riscos de pragas e doenças diminuem com solos de alta qualidade.

Não se esqueça: suas plantas só crescerão fortes e saudáveis se estiverem em um solo que ofereça boas condições de cultivo.

No mercado já são oferecidos diversos tipos de substratos e terra. Normalmente são misturas de turfas, húmus de minhoca, fibra de coco e, às vezes, materiais sintéticos que ajudam a manter a umidade e o aspecto de esponja. As características de cada terra as fazem mais ou menos aptas para cada tipo ou fase de cultivo das plantas.

Planta de cannabis no solo (fonte: High Supplies)

Nutrientes e Fertilizantes

Apesar dos solos próprios para o cultivo de cannabis serem ricos em nutrientes e microrganismos, às vezes é necessário reforçar esses elementos. 

A cannabis, assim como outras plantas, precisa de três macronutrientes essenciais para o seu desenvolvimento: nitrogênio (N), potássio (K) e fósforo fósforo (P).

Lojas de cultivo vendem diversos tipos de fertilizantes em quantidades diferentes, cada um específico para as diversas etapas de vida da planta. Os produtos podem ser orgânicos, líquidos e sólidos.

Mas, além dos básicos “NPK”, a cannabis também precisa de micronutrientes, como cálcio, magnésio, cobre e ferro. 

Agora, basta utilizar estas dicas para preparar a base completa de seu cultivo. Mãos à terra!

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