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A anatomia e a botânica da cannabis

A anatomia e a botânica da cannabis

Você lida, ou pretende lidar, de alguma forma com o cultivo de cannabis? Então precisará, antes de mais nada, conhecer alguns termos técnicos e botânicos desta planta. Em países nos quais ela ainda não foi totalmente regulamentada, como o Brasil, falar sobre seu cultivo pode parecer um assunto de outro mundo. Mas a verdade é que, embora ela exija alguns cuidados especiais, trata-se simplesmente de mais uma espécie vegetal.

Família Divertida

A Cannabis faz parte da família das Cannabaceae, a qual também inclui o lúpulo, utilizado na produção da cerveja. As plantas desse grupo possuem algumas características únicas. Essa família é, por sinal, bem divertida!

Planta Dióica

A Cannabis é dióica, ou seja, as plantas masculinas e femininas são diferentes. Existem casos de plantas hermafroditas, que apresentam os dois gêneros em um único vegetal. Essas espécies, muitas vezes, nascem ou se desenvolvem devido a diferente fatores, como o estresse. 

É comum que as plantas do sexo masculino tenham um desenvolvimento mais precoce do que as plantas femininas. Elas também costumam ser mais altas, o que favorece a polinização já que o pólen, na sua queda, encontra as plantas femininas e os grãos se espalham sobre elas. A polinização é feita por fatores abióticos, ou sem vida, como o vento. Ou por fatores bióticos, aqueles com vida, através de insetos polinizadores (abelhas, vespas, borboletas e pássaros).

A Escolha para Cultivo

O importante aqui é determinar qual será o objetivo do cultivo. Para quem deseja produzir flores, o que interessa são as plantas do sexo feminino. Nesta produção é preciso ter muita atenção para que plantas masculinas e femininas não fiquem próximas. Isso porque o pólen de uma planta masculina pode viajar muitos quilômetros e acabar polinizando uma planta feminina. Com isso, em vez de gerar flores, serão originadas sementes.

Ciclo Anual

A Cannabis é uma planta anual, ou seja, tem seu ciclo de vida completo em menos de 365 dias. É uma herbácea, com caules rígidos, porém não lenhosos. É aqui que os ramos, com folhas opostas e dispostas em pares alternados, se suportam. As folhas são persistentes, ou seja, elas não caem e estão presentes durante todo o ciclo. Sua germinação é epígea, na qual os cotilédones (2 folhas ovais) se erguem acima do solo.

Raízes e Folhas

Como não podia ser diferente, as raízes da Cannabis são partes essenciais da planta. O sistema radicular hidrata, alimenta e ajuda a manter em pé a planta, além de várias outras funções vitais. A Cannabis tem sua base aprumada, profunda e revestida por outras pequenas raízes, o que facilita a busca e absorção de nutrientes. Por isso é essencial um solo vivo e bem fertilizado – mas este é um tema que abordaremos em profundidade no futuro próximo. 

A planta apresenta porte ereto. As folhas, normalmente, possuem cinco pontas. Elas são serrilhadas e em formato de lança. Em sua grande parte possuem uma coloração verde escura, mas algumas plantas podem ter tons mais claros dependendo da nutrição, condições climáticas e fitossanitárias.

As plantas são seres autotróficos, ou seja, produzem seu próprio alimento. É como  aprendemos nas aulas de ciência da escola: o alimento e a energia das plantas é “criado” graças ao processo da fotossíntese, e as folhas são os “painéis” responsáveis pela nutrição dos vegetais. Agora já é possível entender porque não se pode arrancar as folhas da planta, apesar de, algumas vezes, ser necessário podá-las.

Facilidade de Adaptação

Nativa da Ásia, a Cannabis está hoje espalhada por todos os continentes. É uma planta de notável facilidade de adaptação. Não à toa que, em inglês, é conhecida como “weed” ou, em tradução livre, erva-daninha. Onde plantar, cresce, desde que o solo não seja muito úmido. 

Indica, Sativa e Ruderalis

Atualmente, existem três variedades de Cannabis na natureza: Indica, Sativa e Ruderalis. Essa última, hoje popularizada como cânhamo industrial, é uma espécie de “prima careta”, que contém baixos níveis de THC. Apresenta, no entanto, importância fundamental para a humanidade. O cânhamo é uma das plantas mais antigas domesticadas pelo homem. Aliás, foi com a ajuda desta variedade que os portugueses conseguiram fazer suas grandes navegações, no século 15, quando velas e cordas das caravelas eram feitas com estas fibras.  

Por falar em cânhamo, essa planta tem mais de 25 mil utilidades citadas, podendo até mesmo substituir o plástico. Em outros tempos, como consta no livro do etnólogo português Celestino Graça, A Cultura do Cânhamo, de 1943, os franceses tinham um ditado: “Se queres pão, cultiva cânhamo”. Isso porque os agricultores daquele país sabiam que a planta tinha o poder de melhorar os solos. E, após sua retirada da terra, a cultura do trigo era semeada e as colheitas costumavam ser bem melhores e maiores.

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