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Cannabis e Sistema Imunológico: Qual a Relação?

A cannabis afeta diretamente nosso sistema imunológico, uma vez que ela interage diretamente com o sistema endocanabinoide, o qual ajuda a regular nossa resposta imunológica. No entanto, não está provada sua eficiência quando se trata de combater vírus como o COVID-19 e outros patógenos.

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Parte do papel do sistema endocanabinoide é manter a homeostase e o equilíbrio do sistema imunológico. (Dmitry Tishchenko/123rf)

O Que a Cannabis Proporciona ao Corpo Humano

Elementos químicos da planta de cannabis como THC e CBD, denominados canabinoides, interagem diretamente com o sistema endocanabinoide de nossos organismos. Estes “imitam” elementos químicos naturais produzidos pelo corpo, os quais podem desencadear diferentes efeitos em funções vitais como sono, fome e humor.

Parte do papel do sistema endocanabinoide é manter a homeostase (ou seja, o equilíbrio) do sistema imunológico. Embora a literatura médica apresente algumas contradições sobre como isso funciona exatamente, este sistema está sendo considerado como um “guardião” do sistema imunológico. Ele atua impedindo o organismo de provocar respostas inflamatórias importantes.

Suprimir o sistema imunológico pode ser útil para situações em que a resposta imunológica torna-se um inimigo do paciente. São nesses casos que os canabinoides têm de fato uma função positiva. Afinal, muitas doenças autoimunes, como artrite reumatoide, esclerose múltipla e diabetes, foram vinculadas, em pesquisas, à desregulação do sistema endocanabinoide.

Ainda assim, em casos de infecção por patógenos, a exemplo, do COVID-19, os pesquisadores alertam que esses efeitos imunossupressores podem ser negativos. Isso acontece porque eles são capazes de suprimir as respostas imunológicas naturais e necessárias do corpo.

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Muito embora os pesquisadores tenham descoberto diferenças imunológicas no tocante ao uso de cannabis por seres humanos, eles não confirmaram que usuários da planta ou de seus extratos possam ser mais ou menos suscetíveis a infecções. (Viacheslav Iakobchuk / 123rf)

Pesquisas Sobre a Cannabis e o Sistema Imunológico

Embora nossa compreensão teórica a respeito do sistema endocanabinoide aponte para o fato de que a maconha medicinal possa suprimir importantes respostas imunológicas, aumentando assim nossa suscetibilidade a doenças infecciosas, as pesquisas apresentam um quadro mais complexo.

Além de ajudar no tratamento de doenças autoimunes, a supressão das respostas do sistema imunológico é importante também para algumas outras situações que envolvem determinadas infecções. Quando está sob ataque de um organismo estranho, nosso corpo por vezes entra em um quadro denominado sepse. A sepse produz uma resposta inflamatória sistêmica que pode levar à morte. Reduzir as chances dessa ocorrência pode salvar vidas.

Pesquisas realizadas em animais mostram que estimular receptores endocanabinoides com canabinoides provenientes da cannabis pode reduzir a inflamação relacionada à infecção e, em alguns casos, também reduzir a taxa de mortalidade geral. Alguns estudos também mostraram melhora na recuperação de infecções como a malária.

Em alguns experimentos com animais, a redução da estimulação desses mesmos receptores levou a uma maior sobrevivência da infecção. Já em outros, o estímulo desses receptores diminuiu a resposta imunológica contra infecções como cândida, legionella pneumophila e influenza.

Esses estudos em animais apresentam um quadro um tanto conflituoso; já os estudos em humanos têm sido extremamente limitados.

Benefícios e Malefícios da Cannabis para o Sistema Imunológico

É interessante notar que, apesar dos dados de estudos com animais, aqueles realizados em humanos com dupla ocultação, controlados por placebo, não mostraram alterações imunológicas com a utilização do THC. Mais tarde, porém, alguns efeitos imunossupressores foram encontrados na pesquisa em humanos. Importante atentar, porém, ao fato de que, nesse mesmo estudo, esse efeito foi capaz de reverter o quadro de dois pacientes que tiveram exposição à cannabis por um longo período. Portanto, é possível que os efeitos no longo prazo da cannabis possam diferir do uso agudo no tocante a respostas imunológicas.

Ainda assim, mesmo que os pesquisadores tenham encontrado sinais de que a cannabis afeta a sistema imunológico em humanos, eles não confirmaram que essas alterações tornam os usuários de cannabis mais suscetíveis à infecção. Ou seja: embora de alguma maneira os canabinoides possam ser úteis para o tratamento de infecções virais (como a redução da sepse), eles também representam riscos, como suprimir as respostas imunológicas necessárias.

Conclusão

Os pesquisadores relatam que os canabinoides constituem um tratamento em potencial para doenças infecciosas, mas reforçam que são necessárias muito mais pesquisas para que se aprenda exatamente como usá-los de forma a garantir que eles reduzam, e não aumentem, nossa possibilidade de infecção. Até que mais pesquisas sejam feitas, não podemos afirmá-lo com segurança.

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