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A Cannabis Pode Ajudar a Tratar a Epilepsia?

por Elian Rosenfeld, PhD

Sep 22, 2019

Visão Geral

Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente pelo uso de cannabis no tratamento de distúrbios do sistema nervoso central, como esclerose múltipla, doença de Parkinson e síndrome de Tourette. Além destes, a cannabis também pode tratar a epilepsia, uma doença que afeta mais de 45 milhões de pessoas em todo o mundo. Quase um terço dos pacientes epiléticos continua a ter convulsões apesar de tomar os medicamentos apropriados, tornando as novas terapias ainda mais importantes para a saúde dessas pessoas.

Sistema Endocanabinoide

Nos últimos 30 anos, um crescente número de pesquisas esclareceu a maneira como a cannabis interage com o corpo humano. A cannabis contém centenas de compostos – um tipo de molécula – chamados canabinoides, sendo que aqueles derivados de plantas são conhecidos como fitocanabinoides. Os canabinoides mais comuns e amplamente estudados da cannabis são o tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). Ao contrário do THC, o CBD não possui nenhum efeito psicotrópico, tais como sentimentos de euforia leve ou intoxicação. Pesquisadores da década de 1990 descobriram que os canabinoides também estão presentes no sistema endocanabinoide (SE) do corpo humano. O SE desempenha um papel importante e complexo na manutenção do equilíbrio das funções fisiológicas do corpo, especificamente com relação ao sistema imunológico e o sistema nervoso central. Pesquisas descobriram que pessoas com epilepsia têm falhas em seus sistemas endocanabinoides – portanto, é provável que o SE tenha uma função predominante na restrição ou interrupção das convulsões, e possa ser um alvo terapêutico eficaz.

Dois receptores canabinoides, CB1 e CB2, estão presentes no SE. Esses receptores fazem parte de uma classe de receptores acoplados à proteína G. Os receptores CB1 estão principalmente presentes no sistema nervoso central, enquanto que a maioria dos receptores CB2 se encontra no sistema imunológico. Estudos em animais descobriram que o THC é um agonista parcial de ambos os receptores, o que significa que tem a capacidade de se ligar a eles e os ativar, causando um efeito anticonvulsivo. Embora o CBD não seja um agonista dos receptores CB1 e CB2, também se descobriu que interrompe as convulsões. A maneira exata pela qual o CBD reduz as convulsões não é totalmente compreendida, mas pode estar ligada aos seus efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, além de ser um modulador alostérico positivo dos receptores GABAA. Como resultado disso, os canabinoides podem ser considerados “disjuntores”, interrompendo as convulsões e a morte de células cerebrais associada à epilepsia.

Epilepsia e Cannabis

Desde a década de 1970, existem numerosos estudos observacionais, pesquisas e, mais recentemente, ensaios clínicos randomizados realizados sobre o uso da maconha medicinal na epilepsia. A maioria dos estudos mais recentes é realizada apenas com o CBD, devido à ausência de efeitos psicotrópicos.

Muitos estudos tiveram resultados diversos em relação à eficácia do CBD no tratamento da epilepsia. Várias pesquisas com epilépticos adultos e pais de crianças com epilepsia relataram que o uso de CBD reduziu as convulsões em até 50%, mas outros pacientes não tiveram a mesma redução. Alguns relatos de casos apontaram que o CBD aliviou as crises em alguns pacientes, enquanto outros relataram um aumento em sua gravidade. Quatro estudos realizados nos últimos cinco anos demonstraram resultados basicamente positivos associados ao uso de CBD. O estudo aberto de um medicamento combinado de THC e CBD para crianças com síndrome de Dravet (uma forma de epilepsia iniciada na infância e particularmente difícil de ser controlada efetivamente com as terapias medicamentosas disponíveis) revelou que os participantes tiveram uma redução nas crises e melhora na qualidade de vida. No entanto, nenhum desses estudos foi duplo-cego, controlado com placebo e, portanto, seus resultados devem ser interpretados com cautela.

Recentemente, três ensaios clínicos randomizados, o padrão de excelência em pesquisas médicas, avaliaram o efeito de uma solução oral de CBD chamada Epidiolex na redução de crises convulsivas. 

  • Um estudo de 2017 testou o CBD como forma de tratamento para pacientes com a síndrome de Dravet. Com 120 participantes e idades entre 2 e 18 anos, ele constatou que os que receberam uma dose de 20 miligramas (mg) de CBD por quilograma de peso corporal, além do regime-padrão de medicamentos, tiveram uma redução mediana das crises mensais de 39%, em comparação a 13% no grupo do placebo. 
  • Em 2018, foi realizado um estudo duplo-cego, controlado com placebo, em 30 centros clínicos, com 225 pacientes com síndrome de Lennox-Gastaut, uma forma grave de epilepsia na infância. Este estudo foi realizado com pacientes em idades entre 2 e 55 anos, e adicionou CBD às terapias medicamentosas dos pacientes, constatando que, durante o período de tratamento, aqueles que receberam a dose de 20mg de CBD tiveram uma redução média na frequência de crises de quase 42%; pacientes que receberam dose de 10mg de CBD tiveram uma redução nas crises de 37% e nos do grupo do placebo, a redução foi de 17%.
  • Em 2018, foi realizado um estudo randomizado, duplo-cego e controlado com placebo em 24 locais clínicos na Holanda, Estados Unidos e Polônia, com 171 pacientes em idades entre 2 e 55 anos com síndrome de Lennox-Gastaut. Os participantes que receberam uma dose de 20 mg de CBD por quilo de peso corporal, além do seu regime medicamentoso padrão, tiveram uma redução média de convulsões mensais de 44% em comparação com os 22% do grupo do placebo.

Além disso, esses estudos descobriram que o tratamento com CBD não apenas melhorou significativamente o controle das crises, como também causou forte impacto na qualidade de vida. Muitos pacientes observaram melhorias em seu humor, no sono, habilidades cognitivas e aumento do apetite. Em 2018, com base nos resultados desses ensaios clínicos, a Food and Drug Administration (FDA) norte-americana aprovou o medicamento Epidiolex, baseado em CBD, para tratar pacientes, com idade igual ou superior a dois anos, de epilepsia causada pela síndrome de Lennox-Gastaut ou Dravet. Este foi o primeiro medicamento derivado de cannabis a ser aprovado pela FDA.

Efeitos Colaterais

Acredita-se que a cannabis ofereça um tratamento medicamentoso seguro, uma vez que nenhum estudo sobre ela notificou casos de morte. A maioria dos efeitos colaterais relatados variou de leve a moderado e incluiu fadiga, sonolência, diarreia, vômito, diminuição do apetite e febre.

 

O CBD tem interação medicamentosa com o clobazam, remédio comum para tratar epilepsia. O CBD inibe o metabolismo dessa droga, muitas vezes levando a um aumento da fadiga e sonolência nos pacientes. Muito raramente, os pacientes apresentaram anormalidades nas enzimas hepáticas, sendo isso mais comum nos que tomavam o medicamento valproato, também para epilepsia. Mais pesquisas são necessárias para explorar a interação potencial de outros medicamentos para epilepsia com doses e formas específicas de CBD, bem como quaisquer dos possíveis efeitos colaterais a longo prazo do medicamento. Os efeitos colaterais de curto prazo do THC podem incluir comprometimento da memória, problemas motores e de discernimento. Os efeitos de longo prazo podem incluir comprometimento cognitivo, um pequeno risco de dependência e um aumentado de surgimento de distúrbio psicótico.

Conclusão

As descobertas atuais sobre a marijuana medicinal para a epilepsia são promissoras. São necessários ensaios randomizados adicionais de alta qualidade, com controle de CBD e THC, para o tratamento de outras formas menos graves de epilepsia. No entanto, dadas as evidências existentes dos benefícios terapêuticos da cannabis e os crescentes níveis de interesse e investimento na sua pesquisa, parece provável que mais nações passem a permitir que pacientes tenham acesso à cannabis para tratar a epilepsia intratável. No geral, a cannabis é um medicamento seguro, com riscos relativamente pequenos, com potencial para reduzir significativamente a frequência das convulsões e melhorar a qualidade de vida dos pacientes epiléticos.

Isenção de Responsabilidade

O conteúdo do site The Cannigma tem fins puramente informativos. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Sempre consulte um médico profissional experiente com conhecimento em cannabis antes de iniciar um tratamento.

Sobre a Epilepsia

Visão Geral

A epilepsia é um grupo de distúrbios neurológicos caracterizados por crises conhecidas como convulsões epilépticas. Elas são causadas por atividade cerebral anormal e podem ser acompanhadas por períodos de comportamento incomum e, às vezes, perda de consciência.

No entanto, a marca registrada da epilepsia são as crises recorrentes e não provocadas, que podem variar de períodos breves e quase indetectáveis a longos períodos de agitação vigorosa. Episódios de convulsões podem resultar em queda e, consequentemente, em ferimentos físicos. Uma pessoa é diagnosticada com epilepsia após duas crises não provocadas ou uma crise não provocada com probabilidade de outras, que não tenham sido causadas por outros problemas médicos, como açúcar extremamente baixo no sangue ou envenenamento.

Especialistas dividem a epilepsia em três categorias:

Epilepsia generalizada: nesses casos, as convulsões começam nos dois lados do cérebro (ou afetam rapidamente as redes de células cerebrais nos dois lados). Os tipos de convulsões são:

  • Convulsões motoras generalizadas: fazem com que o corpo se mova incontrolavelmente, e são conhecidas como convulsões clônicas ou tônico-clônicas.
  • Convulsões não-motoras generalizadas: essas são denominadas convulsões de “ausência”, porque muitas vezes parece que a pessoa que as tem não está realmente presente. Ela pode ser pega, por exemplo, olhando para o espaço vazio. Estas convulsões mais comuns em crianças.

Epilepsia focal: nesse caso, as convulsões se desenvolvem em uma área específica de um dos lados do cérebro. É por isso que elas são chamadas de “convulsões parciais”. As convulsões da epilepsia focal ocorrem em quatro categorias:

  • Convulsões parciais simples: nesse tipo de convulsão, a pessoa tem plena consciência do que está acontecendo. Normalmente, apenas um lado do corpo faz movimentos, podendo ser sutis, como espasmos, movimentação de uma mão ou perna.
  • Convulsões parciais complexas: a pessoa passa por alguma mudança em seu estado mental (mas não fica completamente inconsciente). Portanto, o paciente pode estar apenas parcialmente consciente a ponto de perceber o que acontece à sua volta ou compreender que está passando por uma convulsão. Esses tipos de convulsões também podem se apresentar como uma mudança de emoção ou humor, como um princípio repentino de medo. Se a convulsão causar movimentos motores, também o provável é que seja apenas de um lado do corpo, e incontrolável.

 

Epilepsia generalizada e focal: essa categoria combina os dois tipos de convulsões. Alguns pacientes podem ter as crises iniciando em apenas um lado do corpo e sem perder a consciência, mas acabam passando para uma convulsão generalizada.

A epilepsia é considerada um distúrbio neurológico comum. Afeta 65 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais cerca de três milhões vive nos Estados Unidos. Isso representa que cerca de 1% da população convive com convulsões nos EUA. Além disso, cerca de 1 em cada 10 pessoas sofrerá convulsões durante a vida. No entanto, quase 80% dos casos ocorrem no mundo em desenvolvimento. Em 2015, houve 125.000 mortes atribuídas a convulsões.

Qualquer pessoa pode desenvolver a epilepsia, mas ela é mais comum entre crianças pequenas e adultos mais velhos. Também ocorre um pouco mais frequentemente em homens do que em mulheres.

Sintomas

A epilepsia é caracterizada por convulsões que se repetem por um longo tempo. Essas convulsões podem se apresentar de várias maneiras, dependendo da parte do cérebro envolvida e da idade da pessoa. No entanto, o tipo mais comum de convulsões (60%) é a generalizada, o que significa que afetam todo o corpo. 

Todas as convulsões generalizadas envolvem perda de consciência e, geralmente, ocorrem com um alerta prévio. Elas quase sempre duram menos de um minuto. Se durarem mais do que isso, podem ser perigosas e potencialmente fatais. No geral, existem seis tipos principais de convulsões generalizadas:

Tônicas: envolvem súbita rigidez e contração dos músculos. Se a pessoa estiver de pé durante uma crise, pode cair no chão,

Clônicas: geralmente seguem uma convulsão tônica e envolvem espasmos rítmicos e contrações de um ou vários músculos.

Tônico-clônicas: produzem contração constante dos músculos. Elas são mais visíveis quando os membros se contraem, seguidos pela sua extensão e o arqueamento das costas. Após a convulsão, geralmente há um “estado postictal”, no qual o tremor pára e a pessoa leva um pouco de tempo para retornar ao normal.

Mioclônicas: envolvem espasmos dos músculos em poucas áreas ou em todo o corpo.

Ausência: são quase imperceptíveis, uma vez que incluem apenas uma ligeira virada da cabeça, piscar ou olhar para o vazio. Elas são chamadas de “ausência” porque, enquanto duram, a pessoa não responde, embora seja apenas por alguns segundos. Muitas vezes, em casos infantis, o paciente é diagnosticado erroneamente como uma criança “desconectada”.  

Atônicas: estas envolvem a perda de atividade muscular, normalmente em ambos os lados do corpo, por mais de um segundo. 

A epilepsia ocorre com mais frequência com certos distúrbios, dependendo em parte da síndrome da epilepsia presente. Crianças com epilepsia, por exemplo, têm três a cinco vezes mais chances de desenvolver distúrbio de hiperatividade. Além disso, a epilepsia é mais comum em crianças com autismo. 

Causas

A epilepsia é um distúrbio neurológico, ou seja, é causada por atividade anormal do cérebro. Quando os sinais elétricos provenientes do cérebro se embaralham ou criam explosões repentinas de atividade elétrica, ocorre uma convulsão. 

A epilepsia pode ter causas genéticas e adquiridas. Em muitos casos, há uma interação de ambos. As pessoas mais jovens têm maior probabilidade de ter epilepsia devido a condições genéticas ou de desenvolvimento, enquanto as pessoas mais velhas têm mais chances de tê-las em correlação a derrames e tumores cerebrais. No entanto, em cerca de 60% dos casos, a causa é desconhecida. 

Já as causas conhecidas incluem:

Causas genéticas: pesquisadores vincularam alguns tipos de epilepsia a genes específicos, mas esses normalmente não causam epilepsia. No entanto, certos genes podem aumentar a sensibilidade às condições ambientais que desencadeiam convulsões.

A epilepsia ocorre às vezes em família. Ainda assim, o risco de herdar este problema de saúde é considerado baixo (2 a 5%). Em geral, uma em cada cem pessoas epilépticas desenvolve a doença por volta dos 20 anos. O risco é ainda mais baixo quando os pais desenvolveram a epilepsia devido a outro problema de saúde, como um acidente vascular cerebral ou lesão cerebral. Convulsões devido a outras doenças hereditárias, como esclerose tuberosa e neurofibromatose, são as mais prováveis. 

Causas adquiridas: a epilepsia geralmente é resultado de outras doenças que causam danos ao cérebro. O AVC é uma das principais causas de epilepsia em adultos com mais de 35 anos nos EUA. Outras causas comuns são tumores cerebrais e distúrbios do desenvolvimento como o autismo. Mundialmente, a causa mais comum de epilepsia é na verdade um parasita infeccioso chamado neurocisticercose.  

A doença também pode ser causada por lesões, incluindo traumatismo craniano resultante, por exemplo, de acidente automobilístico, bem como lesões pré-natais ou logo após o nascimento. As deficiências de oxigênio, por exemplo, podem terminar em epilepsia ou paralisia cerebral. Outra causa conhecida são as doenças infecciosas, como meningite, AIDS e encefalite viral. 

Fatores de risco

Estes fatores não causam epilepsia, mas aumentam a chance de tê-la ou pioram seus sintomas. Convulsões epilépticas podem ser desencadeadas em função, por exemplo, de:

  • Idade: a epilepsia pode ocorrer em qualquer idade, mas inicialmente costuma atingir mais crianças e idosos.
  • Convulsões na infância: às vezes, febre alta na infância pode estar associada a convulsões. 
  • Condições psicológicas: se alguém que sofre de epilepsia tem muitos estressores que levam à diminuição do sono, isso pode baixar a resistência à convulsão e consequentemente aumentar as chances de sua ocorrência. 
  • Exposição à luz: luz brilhante ou intermitente frequentes, seja ao dirigir ou assistir a filmes, pode desencadear convulsões.
  • Drogas: cafeína, álcool e certos medicamentos afetam o cérebro de forma a desencadear convulsões.

Diagnóstico

O processo de diagnóstico começa com a revisão de sintomas e do histórico médico. O seu médico pode solicitar vários exames para verificar se a epilepsia está causando as convulsões ou outros problemas semelhantes. Eles provavelmente incluirão: 

  • Um exame neurológico: isso testará seu comportamento e função mental para determinar o tipo de epilepsia.
  • Exames de sangue: em busca de sinais de infecções, condições genéticas ou outras causas possíveis associadas a convulsões.
  • Eletroencefalograma (EEG): este é o exame mais comum usado no diagnóstico de epilepsia. É conduzido pela fixação de eletrodos ao couro cabeludo. Em alguns casos, é realizado enquanto você dorme. Os eletrodos são usados para registrar a atividade elétrica do seu cérebro.
  • Exames de imagem: incluídos nesses testes estão as tomografias, ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons (PETs) e tomografia computadorizada por emissão de fóton único. A ressonância magnética é considerada o padrão de excelência para exames cerebrais, incluindo o diagnóstico de epilepsia, e também pode revelar tumores e outras anormalidades no cérebro que, de outra forma, passariam despercebidos.

Tratamento

A base do tratamento da epilepsia são os medicamentos que reduzem as chances de ocorrência de convulsões. Também existem outras formas de tratamento, incluindo estimulação nervosa e, para pacientes elegíveis e com sintomas refratários, a cirurgia às vezes é uma opção. 

Medicação

Muitas pessoas com epilepsia podem se livrar das crises tomando um medicamento anticonvulsivo, também conhecido como antiepiléptico ou antiespasmódico. Em outras, o remédio apenas diminui a frequência das crises convulsivas. Muitas crianças com epilepsia podem vir a parar de tomar medicamentos e viver sem convulsões. 

O medicamento prescrito depende do seu caso, frequência das convulsões, idade e outros fatores. Seu médico também precisa garantir que os medicamentos antiepilépticos não interajam com outros que você esteja tomando. Os medicamentos anticonvulsivos podem ter efeitos adversos, como fadiga, tontura, problemas de fala e de memória. Efeitos colaterais raros e mais graves incluem depressão, erupção cutânea grave e inflamação de certos órgãos, como o fígado. 

Cirurgia de epilepsia

Quando os medicamentos não conseguem controlar as convulsões, a cirurgia pode ajudar, removendo a área do cérebro que as está causando.

Os médicos geralmente realizam cirurgia quando os testes mostram que as convulsões se originam em uma área muito pequena e específica do cérebro, sem interferir em funções vitais como linguagem, visão ou audição. No entanto, mesmo após uma cirurgia bem-sucedida, muitos pacientes precisam continuar tomando medicamentos. A cirurgia possui claramente seus próprios riscos, com possíveis complicações e efeitos adversos.

Terapias

Essas terapias são consideradas uma alternativa às duas opções anteriores. 

  • Estimulação do nervo vago: os médicos implantam um dispositivo “estimulador do nervo vago” no interior do tórax. Este dispositivo envia impulsos elétricos através do nervo vago diretamente para o cérebro; apresenta baixo índice de sucesso, de 20 a 40%, na redução da frequência das crises.
  • Dieta cetogênica: essa dieta rigorosa é rica em gorduras e pobre em carboidratos. Há relatos de que algumas crianças seguidoras da dieta conseguiram reduzir a frequência de suas crises, e até se livraram delas alguns anos depois. Efeitos colaterais incomuns incluem desidratação, constipação e pedras nos rins, como resultado de um acúmulo de ácido úrico no sangue. Se você está procurando uma dieta menos restritiva, também pode considerar a do índice glicêmico e dietas Atkins modificadas.
  • Estimulação cerebral profunda: nesse procedimento, eletrodos são implantados em uma parte específica do cérebro, normalmente o tálamo. Eles estão conectados a um gerador implementado no tórax ou crânio que envia pulsos elétricos ao cérebro para reduzir as convulsões.

Controle da Epilepsia

Compreender sua doença pode ajudá-lo a ter um melhor controle sobre ela. Tome seus medicamentos regularmente e durma o suficiente para evitar a sensibilidade que desencadeia convulsões. Além disso, estude a possibilidade de utilizar uma pulseira médica para ajudar as equipes de emergência a chegarem a tempo e saber como tratá-lo corretamente. Se você testemunhar alguém tendo uma convulsão tônico-clônica ativa, vire a pessoa de lado. Isso deve impedir que líquidos penetrem nos pulmões e causem asfixia com risco de morte. 

Uma convulsão é considerada uma emergência médica se durar mais de cinco minutos ou se a pessoa tiver mais de duas convulsões em uma hora, sem se recuperar entre uma e outra. 

Em certos momentos, convulsões epilépticas podem levar a situações perigosas para você e os outros. Por exemplo, uma queda – risco comum para pessoas epilépticas – pode terminar em ferimentos graves e até em morte. As convulsões também podem ser fatais se você for nadar sozinho (devido ao risco de afogamento) ou dirigir (o que pode resultar em acidentes). É por isso que muitos países regulam a autorização para direção de pessoas epilépticas de acordo com sua capacidade de controlar as convulsões. Evite passar por certas situações físicas nas quais uma convulsão pode ser perigosa. Por exemplo, as práticas de mergulho e paraquedismo são proibidas para os que sofrem de convulsões.

Outro grande risco para as mulheres epilépticas são as complicações da gravidez. Convulsões durante a gestação podem representar perigos para mãe e bebê. Se você é epiléptica e planeja engravidar, consulte seu médico.

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