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A Cannabis Pode Ajudar no Tratamento da Depressão?

O Sistema Endocanabinoide

Quando se trata de depressão, os cientistas notaram que o sistema endocanabinoide pode desempenhar um papel importante na regulação do nosso humor. Esse sistema é encontrado em todo o corpo humano, assim como em outros mamíferos, ajudando-o a manter a homeostase – um estado saudável de equilíbrio interno. 

O sistema endocanabinoide consiste em diferentes componentes combinados. Primeiro, os produtos químicos naturais produzidos pelo corpo humano chamados endocanabinoides. Estes então se ligam aos receptores CB1 e CB2 para ativar e modular uma variedade de funções como:

  • Sono
  • Dor 
  • Inflamação
  • Fome
  • Energia
  • Controle muscular
  • Resposta ao estresse
  • Construção de memória
  • Humor

As enzimas, a última peça deste importante sistema, quebram os endocanabinoides para que possam ser eliminados do corpo, evitando seu acúmulo.  

Embora esse sistema interno seja completamente funcional em humanos saudáveis e em outros mamíferos, ele também pode ser estimulado por alguns dos produtos químicos ativos da cannabis, especificamente canabinoides como o THC ou o CBD. Esses produtos químicos possuem uma impressionante semelhança, em termos de sua estrutura química, com nossos endocanabinoides naturais. Portanto, quando ingeridos, esses produtos químicos também se ligam ao CB1 e CB2 na ativação dos efeitos do sistema endocanabinoide. É por isso que a cannabis tem uma variedade tão ampla de usos medicinais. Na verdade, ela estará estimulando um sistema natural que modula esses efeitos. 

Pesquisas sugerem que a ativação desses receptores endocanabinoides pode ser particularmente útil em relação à depressão, isso porque o sistema endocanabinoide está envolvido na regulação de nosso humor, e os cientistas acreditam que os receptores CB1, em particular, desempenham um grande papel na ocorrência da depressão. 

Existem algumas razões pelas quais os pesquisadores acreditam nessa tese. Por um lado, existem receptores CB1 distribuídos em todas as partes do cérebro associadas à depressão. Além disso, estudos em animais observaram que pacientes com depressão apresentaram comprometimento no funcionamento do sistema endocanabinoide. Estudos com roedores, por exemplo, revelaram que o bloqueio da ativação do receptor CB1 leva ao aumento dos sintomas depressivos.

Resultados semelhantes também foram encontrados nos testes em humanos. O Rimonabant, por exemplo, é um medicamento comercializado na Europa como inibidor de apetite e atua bloqueando a atividade do receptor CB1. Como este receptor está associado com a nossa resposta à fome, os cientistas esperavam poder reduzir o apetite bloqueando-o. A droga teve que ser retirada do mercado porque muitos dos pacientes que a utilizavam desenvolveram sintomas depressivos e de ansiedade. Portanto, bloquear o CB1 em animais e humanos parece produzir um mesmo efeito de alteração no humor: aumento da depressão. 

A partir disso, os pesquisadores passaram a estudar se a estimulação do CB1 poderia ter propriedades semelhantes aos antidepressivos. Um estudo com roedores revelou que doses baixas de uma substância ativadora de CB1 aumentavam a atividade antidepressiva e as respostas à serotonina em faixas semelhantes a um antidepressivo ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina). No entanto, o mesmo estudo constatou que doses altas tiveram efeito oposto. Segundo os autores deste estudo, isto confirma o fato de que o CB1 deve ser um alvo para o desenvolvimento de novos antidepressivos e que fitocanabinoides podem constituir um tratamento útil. Afinal, o CB1 pode ser estimulado por canabinoides. 

Ainda assim, dada a complexa relação entre dose, ativação do CB1 e depressão, são necessárias muito mais pesquisas para confirmar a teoria de que a cannabis pode ajudar na depressão.

Pesquisa

É forte a evidência de que o humor e a depressão, pelo menos parcialmente, são regulados pelo sistema endocanabinoide. Ainda assim, precisamos examinar as pesquisas mais profundamente para entender como os tratamentos com cannabis podem afetar as pessoas com depressão – tanto a curto como a longo prazo. 

Para começar, está claro que muitos pacientes já estão usando a cannabis para tratar a depressão. Por exemplo, uma pesquisa no Reino Unido, de 2002, revelou que 22% das pessoa com depressão estavam recorrendo à planta. Outro estudo, com pacientes de cannabis de uso medicinal, de 2016, no Estado de Washington, atestou que metade dos entrevistados relatou usar a cannabis contra a depressão. Em geral, esses pacientes mencionaram que ela os ajudava com seus sintomas depressivos. 

Enquanto pacientes usuários da cannabis relatam melhora de seu quadro depressivo, a pesquisa científica sobre esse tópico ainda está em estágios muito iniciais e, até agora, tem sido bastante inconclusiva. Ainda assim, certamente existem alguns estudos que apoiam a tese de que a cannabis pode ajudar pessoas com depressão. 

Um estudo de cannabis entre casais heterossexuais descobriu que aqueles que a usavam eram mais propensos a fazê-lo pela manhã caso se sentissem mal-humorados ao acordar. O uso de cannabis melhorou seu humor, com um efeito mais positivo imediatamente após o uso. Isso sugere que o consumo da cannabis pode ajudar aqueles que precisam de um impulso positivo no humor de curto prazo, especialmente quando estão presos em um estado depressivo. 

Outro estudo, analisando especificamente o CBD, sugeriu que ele poderia ser de ajuda particularmente na depressão. Este estudo analisou os efeitos do CBD no combate à depressão em roedores e constatou que uma dose única poderia induzir a rápidos e sustentados efeitos do tipo antidepressivo

Um artigo de 2016 constante da literatura relativa ao uso de cannabis na depressão também relatou resultados positivos. Seus pesquisadores descobriram nove estudos sobre o uso de cannabis para depressão, com sete deles mostrando que o seu uso causou melhorias dos sintomas. Ainda assim, os autores notaram que essas melhorias foram observadas principalmente em estudos de pacientes com outros problemas de saúde, nos quais a depressão era comórbida. Portanto, não está claro se a mudança de quadro está relacionada às outras condições médicas e não diretamente à depressão.  

Um outro estudo analisou dados de um aplicativo desenvolvido para ajudar os pacientes a acompanhar os efeitos de seu tratamento com cannabis. Usando dados de 3.151 sessões, os autores descobriram que seus usuários notaram uma redução de 50% em seus sintomas. Apenas duas baforadas de cannabis foram suficientes para produzir alívio da depressão, e o efeito foi mais pronunciado em pacientes que usavam cannabis com alto CBD e baixo THC. Esses efeitos percebidos não diminuíram com o uso contínuo. 

Ainda assim, apesar dos resultados positivos, os pesquisadores também descobriram que, com o uso de cannabis, os sintomas depressivos tendem a piorar com o tempo. Esse resultado também foi observado em outros estudos, com o uso prolongado de cannabis associado ao agravamento dos sintomas depressivos. Além disso, um estudo clínico descobriu que reduzir o uso de cannabis pode resultar em menos sintomas de depressão.

Mas nem todos os estudos mostram essa correlação: um amplo estudo sueco descobriu que a associação entre cannabis e depressão desapareceu quando fatores de confusão foram contabilizados. Um estudo israelense encontrou resultados similares, relatando que essa associação pode ser devida mais a fatores sociodemográficos e clínicos do que ao uso de cannabis. 

Além disso, a pesquisa sugere que, no caso de depressão, pacientes que usam a cannabis sentem-se melhor do que aqueles que recorrem a opioides. Para aqueles que tratam depressão e dor crônica, a cannabis parece ser a opção com menos efeitos colaterais depressivos.

Tratamento com Cannabis

Com base na pesquisa citada acima, há uma boa chance de que o uso de canabinoides para ativar o seu sistema endocanabinoide possa ajudar a aliviar temporariamente os sintomas de depressão. Opções de doses altas de CBD podem ser particularmente úteis para isso, mas tanto o THC quanto o CBD parecem oferecer aumentos de curto prazo na positividade e alívio dos sintomas de depressão. Ainda assim, é importante observar que as pesquisas sugerem que esses efeitos dependem da dose. Doses baixas podem melhorar a depressão, enquanto doses altas podem exacerbá-la.

Além disso, algumas pesquisas apontam para a possibilidade de que o uso prolongado de cannabis leve ao agravamento dos sintomas de depressão. Embora haja uma inconsistência entre os resultados desses estudos e eles possam estar relacionados a outros fatores que não a cannabis, ainda é muito cedo para afirmar que o uso de cannabis não acarretará agravamento dos sintomas de depressão. 

Ainda assim, se você tiver outros problemas de saúde relacionados à sua depressão, a cannabis pode ser uma opção de tratamento melhor do que as outras. Pacientes com dor crônica, por exemplo, podem obter melhores resultados em relação à depressão com o uso de cannabis do que com opioides.

Sobre a Depressão

Visão Geral

A depressão clínica, também chamada de Transtorno Depressivo Maior, é uma doença comum e incapacitante que afeta o modo como você se sente, como pensa e como age, e afeta praticamente todos os aspectos da sua vida.  

Muitas pessoas acham que depressão é sinônimo de se sentir triste ou “para baixo”, mas depressão clínica vai além da mera tristeza. É importante saber que a depressão não é algo de que você possa “sair” ou se curar apenas com força de vontade, embora seja possa ser tratada. 

Há vários tipos de depressão clínica:

  • Transtorno depressivo persistente, ou distimia, é um tipo de depressão que dura mais de dois anos, embora às vezes você possa sentir que os sintomas são menos graves. 
  • Depressão pós-parto (DPP) é um grande ataque depressivo experimentado pelas mulheres após o parto. As pessoas com DPP sentem-se muito mais tristes, ansiosas e exaustas do que as mulheres com “baby blues” regulares. Diferentemente destes, a DPP pode não desaparecer sozinha.
  • Depressão psicótica é uma forma de depressão acompanhada de sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações. 
  • Transtorno afetivo sazonal (TAS) é um tipo de depressão que afeta você apenas durante parte do ano. A maioria das pessoas com TAS só sente sintomas no inverno, devido à falta de luz solar. 

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão, e que 1 em cada 6 pessoas sofrerá um episódio depressivo em algum momento de suas vidas. Geralmente, a maioria das pessoas que se sente deprimida tem sua primeira experiência depressiva entre o final da adolescência e os 20 anos. 

Qualquer pessoa pode experimentar depressão, mas ela afeta mais as mulheres do que os homens. De acordo com alguns estudos, 1 em cada 3 mulheres sentirá depressão em algum momento da vida. 

Sintomas

Quando você sofre de depressão, sentirá alguns ou todos esses sintomas seguintes diariamente e durante a maior parte do dia. É importante saber que uma pessoa que sofre de depressão pode ter vários episódios de depressão ao longo da vida. Neles, você sentirá sintomas mais graves; haverá também eventos em que os sintomas se fazem presentes, embora sejam mais leves ou quase imperceptíveis.

Os sintomas de depressão podem incluir:

  • Sentir-se triste e choroso
  • Sentir-se ansioso e inquieto
  • Sentir-se vazio, desvalorizado e desesperançado
  • Acessos de irritação e raiva por motivos insignificantes
  • Não ter mais prazer naquilo de que costumava gostar
  • Mover-se, falar e pensar mais devagar que o normal
  • Problemas de sono, seja por dormir demais ou dificuldades para adormecer
  • Cansaço e falta de energia, mesmo depois de dormir muitas horas
  • Perda de peso e falta de apetite
  • Ter problemas para se concentrar, focar no trabalho ou tomar decisões
  • Problemas de memória
  • Pensar em morte ou suicídio, ou tentar o suicídio

Ao sofrer de depressão, você também pode sentir sintomas físicos como dores nas articulações, dores nas costas e problemas digestivos. 

Observação: A depressão não é o mesmo que a tristeza que você sente após luto, perda do emprego ou fim de um relacionamento, mesmo que as pessoas costumem dizer que se sentem deprimidas. Se você está sofrendo, sua tristeza e sentimentos dolorosos geralmente surgem em ondas, misturados com lembranças felizes e pensamentos positivos. Devido ao luto, você também geralmente não sente falta de autoestima, a qual tende a acompanhar a depressão. 

No entanto, o luto pode desencadear a depressão, o que torna importante prestar atenção aos sintomas e procurar o médico caso você ou alguém próximo sentir que a tristeza está levando à depressão. 

Crianças e adolescentes podem apresentar sintomas ligeiramente diferentes, incluindo:

  • Recusa de ir à escola e/ou ter um mau desempenho nos estudos
  • Perder ou não ganhar peso
  • Demonstrar irritação, ficar agarrado e ansioso
  • Queixas de dores em geral
  • Comer ou dormir muito ou pouco
  • Abusar de drogas ou álcool
  • Automutilar-se
  • Evitar socializar e outras atividades normais

 

A depressão passa frequentemente despercebida em adultos, pois os sintomas podem ser menos óbvios. Sinais de depressão em idosos incluem:

  • Mudanças de personalidade
  • Dificuldade de lembrar das coisas
  • Cansaço excessivo
  • Perda de apetite
  • Insônia e dificuldade em geral para dormir
  • Perda de interesse por sexo
  • Tornam-se reclusos e evitam socializar ou sair de casa
  • Pensamentos suicidas

Quando Consultar um Médico?

Sentir-se triste e “pra baixo” é uma parte normal da vida e, assim, pode ser difícil saber quando consultar um médico. Além disso, alguém depressivo pode não perceber que seus sentimentos de tristeza, raiva ou baixa autoestima não são normais. Assim, é importante que amigos e familiares percebam esses sintomas. Normalmente, você deve ir ao médico se sentir pelo menos 5 dos sintomas listados acima e se eles durarem 2 semanas ou mais. Pensamentos suicidas necessitam de cuidados emergenciais.

Diagnóstico

Para diagnosticar a depressão, seu médico geralmente irá conversar com você sobre seus sintomas e realizar testes para descartar outras causas ou problemas físicos paralelos. Você provavelmente passará por:

  • Exame físico, para verificar que você não tem nenhum problema físico paralelo.
  • Exames de sangue, para verificar outros problemas de saúde que também podem apresentar sintomas semelhantes, como disfunção da tireoide ou deficiência vitamínico. 
  • Avaliações: questionários para verificar a existência dos sintomas acima, os quais podem indicar depressão ou ansiedade.

Causas

É quase impossível identificar causas específicas da depressão. Pode afetar qualquer pessoa e a qualquer momento, mas existem certos fatores de risco que aumentam a probabilidade de você experimentá-la. 

  • Bioquímica e outras diferenças biológicas: pesquisas descobriram que pessoas que sofrem de depressão apresentam diferenças nas substâncias químicas do cérebro que controlam seu humor. 
  • Genética e hereditariedade: a depressão tende a ocorrer na família. Se você tem um familiar que teve depressão, problemas de alcoolismo, transtorno bipolar ou tem um histórico de tentativas de suicídio, é mais provável que também sofra de depressão. 
  • Hormônios: alterações hormonais, como as vivenciadas após o parto, após a menopausa ou devido a problemas na tireoide, podem causar episódios depressivos.
  • Personalidade: pessoas pessimistas, têm problemas para lidar com o estresse, têm baixa autoestima e/ou são altamente dependentes ou autocríticas têm mais probabilidades de ficarem deprimidas. 
  • Ambiente: pessoas que vivem em meio à violência, abuso, negligência ou pobreza severa têm maior probabilidade de desenvolver depressão.
  • Trauma: incidentes traumáticos como luto, abuso, perda de emprego ou sérios problemas financeiros podem desencadear depressão.
  • Um distúrbio de saúde mental em separado: isso inclui distúrbios alimentares, distúrbios de ansiedade ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
  • Alguns medicamentos: remédios como pílulas para pressão sanguínea e para dormir podem às vezes causar depressão. 
  • Abuso de álcool e drogas: pessoas que abusam de álcool e drogas frequentemente sofrem de depressão.
  • Doenças crônicas sérias: câncer, doença cardíaca, dor crônica ou derrames podem levar à depressão.
  • Conflitos pelo fato de ser homossexual, bissexual, transgênero ou intersexo: a falta de apoio e compaixão da família e da sociedade pode levar os membros da comunidade LGBTI à depressão.

Tratamento

A boa notícia é que a depressão é um dos distúrbios de saúde mental mais facilmente tratáveis. Cerca de 80-90% das pessoas com depressão respondem bem ao tratamento e quase todas sentem algum nível de alívio dos seus sintomas. O tratamento para a depressão inclui medicamentos, psicoterapia e terapias de estimulação cerebral e de autoajuda, além da adoção de mudanças no estilo de vida. 

Medicação

De forma geral, após o diagnóstico, os médicos costumam receitar antidepressivos. Existem alguns tipos diferentes de medicação, incluindo ISRSs como Prozac, IRSNs como Cymbalta e outros medicamentos como Wellbutrin. Eles causam menos efeitos colaterais, e por isso são os primeiros a serem sugeridos pelo  médico. 

Se esses medicamentos não funcionarem, seu médico poderá prescrever antipsicóticos atípicos como Abilify, antidepressivos tricíclicos como Elavil ou Norpramin, ou inibidores da monoamina oxidase (IMAOs) como Nardil ou Marplan. Esses medicamentos têm efeitos colaterais mais graves e alguns IMAOs podem até ser fatais se ingeridos com determinados alimentos ou combinados a outros medicamentos. 

Os antidepressivos levam um tempo para começarem a agir, geralmente entre 3 e 6 semanas, e apenas na dose certa. É importante que você dê-lhes esse tempo necessário. Você sentirá que sintomas como problemas de sono e apetite, além da dificuldade de concentração, melhoram antes de você começar a notar mudanças em seu humor. 

Depois de encontrar um medicamento que funcione para você, é melhor continuar tomando-o por outros 6 ou 12 meses, mesmo depois de seus sintomas melhorarem. Você nunca deve interromper o uso de antidepressivos abruptamente, pois isso pode causar sérios problemas de abstinência. Em vez disso, deve diminuir lentamente a dose seguindo o conselho do seu médico.

Medicamentos e Suplementos Naturais 

Alguns medicamentos e suplementos de ervas, como a erva-de-são-joão (hipérico), ácidos graxos ômega-3 e S-adenosilmetionina (SAM) tornaram-se populares no tratamento da depressão. Embora algumas pessoas acreditem que sejam eficazes, elas não foram aprovadas para tratamento pela FDA. Por isso, é importante ter muito cuidado ao tomá-las, e sempre consultar seu médico. A erva-de-são-joão, em particular, pode interagir mal com certos medicamentos. 

Psicoterapia 

A psicoterapia, ou a terapia da fala, pode ser eficaz contra a depressão, isoladamente ou em conjunto com a medicação. Existem algumas psicoterapias específicas para a depressão, as quais incluem a terapia cognitivo-comportamental (TCC), terapia interpessoal e terapia de solução de problemas. A psicoterapia pode ser individual ou em grupo, e pode incluir terapia familiar e terapia de casal. Muitas pessoas acham que a psicoterapia melhora sua depressão após 10 a 15 sessões. No entanto, pode levar mais tempo. 

TEC e Terapia Neuromodulatória

Se você teve depressão grave e não melhorou com medicamentos ou psicoterapia, seu médico pode sugerir algum tipo de terapia de estimulação cerebral. Isso inclui terapia eletroconvulsiva (TEC), estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) ou estimulação do nervo vago (ENV). 

A TEC não é dolorosa e é bastante segura. De fato, muitas vezes você não sente nada. Você pode esperar submeter-se à TEC duas ou três vezes por semana, por até quatro semanas. Podem surgir alguns efeitos colaterais, como problemas de memória, desorientação e confusão, geralmente resolvidos rapidamente. 

Autoajuda e Mudanças no Estilo de Vida

As mudanças no estilo de vida desempenham um papel central e importante no tratamento da depressão. Por exemplo, o exercício aeróbico em particular pode aumentar a produção de muitos neurotransmissores, como a serotonina, os quais faltam em quem sofre de depressão. Redução do estresse, técnicas de relaxamento, sono adequado, dieta saudável, atividades estimulantes e uma rede de apoio são essenciais no tratamento da doença.

Home > Quadros Clinicos > Depressão
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10 min

A Cannabis Pode Ajudar no Tratamento da Depressão?

por Emily Earlenbaugh, PhD

Sep 22, 2019

Sistema Endocanabinoide

Quando se trata de depressão, os cientistas notaram que o sistema endocanabinoide pode desempenhar um papel importante na regulação do nosso humor. Esse sistema é encontrado em todo o corpo humano, assim como em outros mamíferos, ajudando-o a manter a homeostase – um estado saudável de equilíbrio interno. 

O sistema endocanabinoide consiste em diferentes componentes combinados. Primeiro, os produtos químicos naturais produzidos pelo corpo humano chamados endocanabinoides. Estes então se ligam aos receptores CB1 e CB2 para ativar e modular uma variedade de funções como:

  • Sono
  • Dor 
  • Inflamação
  • Fome
  • Energia
  • Controle muscular
  • Resposta ao estresse
  • Construção de memória
  • Humor


As enzimas, a última peça deste importante sistema, quebram os endocanabinoides para que possam ser eliminados do corpo, evitando seu acúmulo.  

Embora esse sistema interno seja completamente funcional em humanos saudáveis e em outros mamíferos, ele também pode ser estimulado por alguns dos produtos químicos ativos da cannabis, especificamente canabinoides como o THC ou o CBD. Esses produtos químicos possuem uma impressionante semelhança, em termos de sua estrutura química, com nossos endocanabinoides naturais. Portanto, quando ingeridos, esses produtos químicos também se ligam ao CB1 e CB2 na ativação dos efeitos do sistema endocanabinoide. É por isso que a cannabis tem uma variedade tão ampla de usos medicinais. Na verdade, ela estará estimulando um sistema natural que modula esses efeitos. 

Pesquisas sugerem que a ativação desses receptores endocanabinoides pode ser particularmente útil em relação à depressão, isso porque o sistema endocanabinoide está envolvido na regulação de nosso humor, e os cientistas acreditam que os receptores CB1, em particular, desempenham um grande papel na ocorrência da depressão. 

Existem algumas razões pelas quais os pesquisadores acreditam nessa tese. Por um lado, existem receptores CB1 distribuídos em todas as partes do cérebro associadas à depressão. Além disso, estudos em animais observaram que pacientes com depressão apresentaram comprometimento no funcionamento do sistema endocanabinoide. Estudos com roedores, por exemplo, revelaram que o bloqueio da ativação do receptor CB1 leva ao aumento dos sintomas depressivos.

Resultados semelhantes também foram encontrados nos testes em humanos. O Rimonabant, por exemplo, é um medicamento comercializado na Europa como inibidor de apetite e atua bloqueando a atividade do receptor CB1. Como este receptor está associado com a nossa resposta à fome, os cientistas esperavam poder reduzir o apetite bloqueando-o. A droga teve que ser retirada do mercado porque muitos dos pacientes que a utilizavam desenvolveram sintomas depressivos e de ansiedade. Portanto, bloquear o CB1 em animais e humanos parece produzir um mesmo efeito de alteração no humor: aumento da depressão. 

A partir disso, os pesquisadores passaram a estudar se a estimulação do CB1 poderia ter propriedades semelhantes aos antidepressivos. Um estudo com roedores revelou que doses baixas de uma substância ativadora de CB1 aumentavam a atividade antidepressiva e as respostas à serotonina em faixas semelhantes a um antidepressivo ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina). No entanto, o mesmo estudo constatou que doses altas tiveram efeito oposto. Segundo os autores deste estudo, isto confirma o fato de que o CB1 deve ser um alvo para o desenvolvimento de novos antidepressivos e que fitocanabinoides podem constituir um tratamento útil. Afinal, o CB1 pode ser estimulado por canabinoides. 

Ainda assim, dada a complexa relação entre dose, ativação do CB1 e depressão, são necessárias muito mais pesquisas para confirmar a teoria de que a cannabis pode ajudar na depressão.

Pesquisa

É forte a evidência de que o humor e a depressão, pelo menos parcialmente, são regulados pelo sistema endocanabinoide. Ainda assim, precisamos examinar as pesquisas mais profundamente para entender como os tratamentos com cannabis podem afetar as pessoas com depressão – tanto a curto como a longo prazo. 

Para começar, está claro que muitos pacientes já estão usando a cannabis para tratar a depressão. Por exemplo, uma pesquisa no Reino Unido, de 2002, revelou que 22% das pessoa com depressão estavam recorrendo à planta. Outro estudo, com pacientes de cannabis de uso medicinal, de 2016, no Estado de Washington, atestou que metade dos entrevistados relatou usar a cannabis contra a depressão. Em geral, esses pacientes mencionaram que ela os ajudava com seus sintomas depressivos. 

Enquanto pacientes usuários da cannabis relatam melhora de seu quadro depressivo, a pesquisa científica sobre esse tópico ainda está em estágios muito iniciais e, até agora, tem sido bastante inconclusiva. Ainda assim, certamente existem alguns estudos que apoiam a tese de que a cannabis pode ajudar pessoas com depressão. 

Um estudo de cannabis entre casais heterossexuais descobriu que aqueles que a usavam eram mais propensos a fazê-lo pela manhã caso se sentissem mal-humorados ao acordar. O uso de cannabis melhorou seu humor, com um efeito mais positivo imediatamente após o uso. Isso sugere que o consumo da cannabis pode ajudar aqueles que precisam de um impulso positivo no humor de curto prazo, especialmente quando estão presos em um estado depressivo. 

Outro estudo, analisando especificamente o CBD, sugeriu que ele poderia ser de ajuda particularmente na depressão. Este estudo analisou os efeitos do CBD no combate à depressão em roedores e constatou que uma dose única poderia induzir a rápidos e sustentados efeitos do tipo antidepressivo

Um artigo de 2016 constante da literatura relativa ao uso de cannabis na depressão também relatou resultados positivos. Seus pesquisadores descobriram nove estudos sobre o uso de cannabis para depressão, com sete deles mostrando que o seu uso causou melhorias dos sintomas. Ainda assim, os autores notaram que essas melhorias foram observadas principalmente em estudos de pacientes com outros problemas de saúde, nos quais a depressão era comórbida. Portanto, não está claro se a mudança de quadro está relacionada às outras condições médicas e não diretamente à depressão.  

Um outro estudo analisou dados de um aplicativo desenvolvido para ajudar os pacientes a acompanhar os efeitos de seu tratamento com cannabis. Usando dados de 3.151 sessões, os autores descobriram que seus usuários notaram uma redução de 50% em seus sintomas. Apenas duas baforadas de cannabis foram suficientes para produzir alívio da depressão, e o efeito foi mais pronunciado em pacientes que usavam cannabis com alto CBD e baixo THC. Esses efeitos percebidos não diminuíram com o uso contínuo. 

Ainda assim, apesar dos resultados positivos, os pesquisadores também descobriram que, com o uso de cannabis, os sintomas depressivos tendem a piorar com o tempo. Esse resultado também foi observado em outros estudos, com o uso prolongado de cannabis associado ao agravamento dos sintomas depressivos. Além disso, um estudo clínico descobriu que reduzir o uso de cannabis pode resultar em menos sintomas de depressão.

Mas nem todos os estudos mostram essa correlação: um amplo estudo sueco descobriu que a associação entre cannabis e depressão desapareceu quando fatores de confusão foram contabilizados. Um estudo israelense encontrou resultados similares, relatando que essa associação pode ser devida mais a fatores sociodemográficos e clínicos do que ao uso de cannabis. 

Além disso, a pesquisa sugere que, no caso de depressão, pacientes que usam a cannabis sentem-se melhor do que aqueles que recorrem a opioides. Para aqueles que tratam depressão e dor crônica, a cannabis parece ser a opção com menos efeitos colaterais depressivos.

Tratamento com Cannabis

Com base na pesquisa citada acima, há uma boa chance de que o uso de canabinoides para ativar o seu sistema endocanabinoide possa ajudar a aliviar temporariamente os sintomas de depressão. Opções de doses altas de CBD podem ser particularmente úteis para isso, mas tanto o THC quanto o CBD parecem oferecer aumentos de curto prazo na positividade e alívio dos sintomas de depressão. Ainda assim, é importante observar que as pesquisas sugerem que esses efeitos dependem da dose. Doses baixas podem melhorar a depressão, enquanto doses altas podem exacerbá-la.

Além disso, algumas pesquisas apontam para a possibilidade de que o uso prolongado de cannabis leve ao agravamento dos sintomas de depressão. Embora haja uma inconsistência entre os resultados desses estudos e eles possam estar relacionados a outros fatores que não a cannabis, ainda é muito cedo para afirmar que o uso de cannabis não acarretará agravamento dos sintomas de depressão. 

Ainda assim, se você tiver outros problemas de saúde relacionados à sua depressão, a cannabis pode ser uma opção de tratamento melhor do que as outras. Pacientes com dor crônica, por exemplo, podem obter melhores resultados em relação à depressão com o uso de cannabis do que com opioides.

Sobre a Depressão

Visão Geral

A depressão clínica, também chamada de Transtorno Depressivo Maior, é uma doença comum e incapacitante que afeta o modo como você se sente, como pensa e como age, e afeta praticamente todos os aspectos da sua vida.  

Muitas pessoas acham que depressão é sinônimo de se sentir triste ou “para baixo”, mas depressão clínica vai além da mera tristeza. É importante saber que a depressão não é algo de que você possa “sair” ou se curar apenas com força de vontade, embora seja possa ser tratada. 

Há vários tipos de depressão clínica:

  • Transtorno depressivo persistente, ou distimia, é um tipo de depressão que dura mais de dois anos, embora às vezes você possa sentir que os sintomas são menos graves. 
  • Depressão pós-parto (DPP) é um grande ataque depressivo experimentado pelas mulheres após o parto. As pessoas com DPP sentem-se muito mais tristes, ansiosas e exaustas do que as mulheres com “baby blues” regulares. Diferentemente destes, a DPP pode não desaparecer sozinha.
  • Depressão psicótica é uma forma de depressão acompanhada de sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações. 
  • Transtorno afetivo sazonal (TAS) é um tipo de depressão que afeta você apenas durante parte do ano. A maioria das pessoas com TAS só sente sintomas no inverno, devido à falta de luz solar.

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão, e que 1 em cada 6 pessoas sofrerá um episódio depressivo em algum momento de suas vidas. Geralmente, a maioria das pessoas que se sente deprimida tem sua primeira experiência depressiva entre o final da adolescência e os 20 anos. 

Qualquer pessoa pode experimentar depressão, mas ela afeta mais as mulheres do que os homens. De acordo com alguns estudos, 1 em cada 3 mulheres sentirá depressão em algum momento da vida. 

Sintomas

Quando você sofre de depressão, sentirá alguns ou todos esses sintomas seguintes diariamente e durante a maior parte do dia. É importante saber que uma pessoa que sofre de depressão pode ter vários episódios de depressão ao longo da vida. Neles, você sentirá sintomas mais graves; haverá também eventos em que os sintomas se fazem presentes, embora sejam mais leves ou quase imperceptíveis.

Os sintomas de depressão podem incluir:

  • Sentir-se triste e choroso
  • Sentir-se ansioso e inquieto
  • Sentir-se vazio, desvalorizado e desesperançado
  • Acessos de irritação e raiva por motivos insignificantes
  • Não ter mais prazer naquilo de que costumava gostar
  • Mover-se, falar e pensar mais devagar que o normal
  • Problemas de sono, seja por dormir demais ou dificuldades para adormecer
  • Cansaço e falta de energia, mesmo depois de dormir muitas horas
  • Perda de peso e falta de apetite
  • Ter problemas para se concentrar, focar no trabalho ou tomar decisões
  • Problemas de memória
  • Pensar em morte ou suicídio, ou tentar o suicídio

Ao sofrer de depressão, você também pode sentir sintomas físicos como dores nas articulações, dores nas costas e problemas digestivos. 

Observação: A depressão não é o mesmo que a tristeza que você sente após luto, perda do emprego ou fim de um relacionamento, mesmo que as pessoas costumem dizer que se sentem deprimidas. Se você está sofrendo, sua tristeza e sentimentos dolorosos geralmente surgem em ondas, misturados com lembranças felizes e pensamentos positivos. Devido ao luto, você também geralmente não sente falta de autoestima, a qual tende a acompanhar a depressão. 

No entanto, o luto pode desencadear a depressão, o que torna importante prestar atenção aos sintomas e procurar o médico caso você ou alguém próximo sentir que a tristeza está levando à depressão. 

Crianças e adolescentes podem apresentar sintomas ligeiramente diferentes, incluindo:

  • Recusa de ir à escola e/ou ter um mau desempenho nos estudos
  • Perder ou não ganhar peso
  • Demonstrar irritação, ficar agarrado e ansioso
  • Queixas de dores em geral
  • Comer ou dormir muito ou pouco
  • Abusar de drogas ou álcool
  • Automutilar-se
  • Evitar socializar e outras atividades normais

 

A depressão passa frequentemente despercebida em adultos, pois os sintomas podem ser menos óbvios. Sinais de depressão em idosos incluem:

  • Mudanças de personalidade
  • Dificuldade de lembrar das coisas
  • Cansaço excessivo
  • Perda de apetite
  • Insônia e dificuldade em geral para dormir
  • Perda de interesse por sexo
  • Tornam-se reclusos e evitam socializar ou sair de casa
  • Pensamentos suicidas

Quando Consultar um Médico?

Sentir-se triste e “pra baixo” é uma parte normal da vida e, assim, pode ser difícil saber quando consultar um médico. Além disso, alguém depressivo pode não perceber que seus sentimentos de tristeza, raiva ou baixa autoestima não são normais. Assim, é importante que amigos e familiares percebam esses sintomas. Normalmente, você deve ir ao médico se sentir pelo menos 5 dos sintomas listados acima e se eles durarem 2 semanas ou mais. Pensamentos suicidas necessitam de cuidados emergenciais.

Diagnóstico

Para diagnosticar a depressão, seu médico geralmente irá conversar com você sobre seus sintomas e realizar testes para descartar outras causas ou problemas físicos paralelos. Você provavelmente passará por:

  • Exame físico, para verificar que você não tem nenhum problema físico paralelo.
  • Exames de sangue, para verificar outros problemas de saúde que também podem apresentar sintomas semelhantes, como disfunção da tireoide ou deficiência vitamínico. 
  • Avaliações: questionários para verificar a existência dos sintomas acima, os quais podem indicar depressão ou ansiedade.

Causas

É quase impossível identificar causas específicas da depressão. Pode afetar qualquer pessoa e a qualquer momento, mas existem certos fatores de risco que aumentam a probabilidade de você experimentá-la. 

  • Bioquímica e outras diferenças biológicas: pesquisas descobriram que pessoas que sofrem de depressão apresentam diferenças nas substâncias químicas do cérebro que controlam seu humor. 
  • Genética e hereditariedade: a depressão tende a ocorrer na família. Se você tem um familiar que teve depressão, problemas de alcoolismo, transtorno bipolar ou tem um histórico de tentativas de suicídio, é mais provável que também sofra de depressão. 
  • Hormônios: alterações hormonais, como as vivenciadas após o parto, após a menopausa ou devido a problemas na tireoide, podem causar episódios depressivos.
  • Personalidade: pessoas pessimistas, têm problemas para lidar com o estresse, têm baixa autoestima e/ou são altamente dependentes ou autocríticas têm mais probabilidades de ficarem deprimidas. 
  • Ambiente: pessoas que vivem em meio à violência, abuso, negligência ou pobreza severa têm maior probabilidade de desenvolver depressão.
  • Trauma: incidentes traumáticos como luto, abuso, perda de emprego ou sérios problemas financeiros podem desencadear depressão.
  • Um distúrbio de saúde mental em separado: isso inclui distúrbios alimentares, distúrbios de ansiedade ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
  • Alguns medicamentos: remédios como pílulas para pressão sanguínea e para dormir podem às vezes causar depressão. 
  • Abuso de álcool e drogas: pessoas que abusam de álcool e drogas frequentemente sofrem de depressão.
  • Doenças crônicas sérias: câncer, doença cardíaca, dor crônica ou derrames podem levar à depressão.
  • Conflitos pelo fato de ser homossexual, bissexual, transgênero ou intersexo: a falta de apoio e compaixão da família e da sociedade pode levar os membros da comunidade LGBTI à depressão.

Tratamento

A boa notícia é que a depressão é um dos distúrbios de saúde mental mais facilmente tratáveis. Cerca de 80-90% das pessoas com depressão respondem bem ao tratamento e quase todas sentem algum nível de alívio dos seus sintomas. O tratamento para a depressão inclui medicamentos, psicoterapia e terapias de estimulação cerebral e de autoajuda, além da adoção de mudanças no estilo de vida. 

Medicação

De forma geral, após o diagnóstico, os médicos costumam receitar antidepressivos. Existem alguns tipos diferentes de medicação, incluindo ISRSs como Prozac, IRSNs como Cymbalta e outros medicamentos como Wellbutrin. Eles causam menos efeitos colaterais, e por isso são os primeiros a serem sugeridos pelo  médico. 

Se esses medicamentos não funcionarem, seu médico poderá prescrever antipsicóticos atípicos como Abilify, antidepressivos tricíclicos como Elavil ou Norpramin, ou inibidores da monoamina oxidase (IMAOs) como Nardil ou Marplan. Esses medicamentos têm efeitos colaterais mais graves e alguns IMAOs podem até ser fatais se ingeridos com determinados alimentos ou combinados a outros medicamentos. 

Os antidepressivos levam um tempo para começarem a agir, geralmente entre 3 e 6 semanas, e apenas na dose certa. É importante que você dê-lhes esse tempo necessário. Você sentirá que sintomas como problemas de sono e apetite, além da dificuldade de concentração, melhoram antes de você começar a notar mudanças em seu humor. 

Depois de encontrar um medicamento que funcione para você, é melhor continuar tomando-o por outros 6 ou 12 meses, mesmo depois de seus sintomas melhorarem. Você nunca deve interromper o uso de antidepressivos abruptamente, pois isso pode causar sérios problemas de abstinência. Em vez disso, deve diminuir lentamente a dose seguindo o conselho do seu médico.

Medicamentos e Suplementos Naturais 

Alguns medicamentos e suplementos de ervas, como a erva-de-são-joão (hipérico), ácidos graxos ômega-3 e S-adenosilmetionina (SAM) tornaram-se populares no tratamento da depressão. Embora algumas pessoas acreditem que sejam eficazes, elas não foram aprovadas para tratamento pela FDA. Por isso, é importante ter muito cuidado ao tomá-las, e sempre consultar seu médico. A erva-de-são-joão, em particular, pode interagir mal com certos medicamentos. 

Psicoterapia 

A psicoterapia, ou a terapia da fala, pode ser eficaz contra a depressão, isoladamente ou em conjunto com a medicação. Existem algumas psicoterapias específicas para a depressão, as quais incluem a terapia cognitivo-comportamental (TCC), terapia interpessoal e terapia de solução de problemas. A psicoterapia pode ser individual ou em grupo, e pode incluir terapia familiar e terapia de casal. Muitas pessoas acham que a psicoterapia melhora sua depressão após 10 a 15 sessões. No entanto, pode levar mais tempo. 

TEC e Terapia Neuromodulatória

Se você teve depressão grave e não melhorou com medicamentos ou psicoterapia, seu médico pode sugerir algum tipo de terapia de estimulação cerebral. Isso inclui terapia eletroconvulsiva (TEC), estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) ou estimulação do nervo vago (ENV). 

A TEC não é dolorosa e é bastante segura. De fato, muitas vezes você não sente nada. Você pode esperar submeter-se à TEC duas ou três vezes por semana, por até quatro semanas. Podem surgir alguns efeitos colaterais, como problemas de memória, desorientação e confusão, geralmente resolvidos rapidamente. 

Autoajuda e Mudanças no Estilo de Vida

As mudanças no estilo de vida desempenham um papel central e importante no tratamento da depressão. Por exemplo, o exercício aeróbico em particular pode aumentar a produção de muitos neurotransmissores, como a serotonina, os quais faltam em quem sofre de depressão. Redução do estresse, técnicas de relaxamento, sono adequado, dieta saudável, atividades estimulantes e uma rede de apoio são essenciais no tratamento da doença.

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