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A cannabis É um calmante?

A cannabis É um calmante?

Mulher fuma cannabis na cama

Os anais da história da cannabis certamente estão cheios de discussões entre seus consumidores sobre como classificar a planta. Ela acalma a tensão, mas seria de fato um calmante? Desperta criatividade e acelera a mente, mas pode ser considerado um estimulante? Altera a percepção da realidade, mas é visto como alucinógeno?

Vejamos o que significam essas palavras.

At work with cannabis
Ao tornar as tarefas diárias mais divertidas e fascinantes, pode produzir um aumento de energia que muitos acham motivador. (Shutterstock)

O Que é um Calmante?

Geralmente chamados de “depressores”, os calmantes (ou tranquilizantes) são medicamentos que produzem um efeito relaxante, com a diminuição da função cerebral, sendo usados no tratamento da ansiedade, espasmos musculares, insônia e convulsões.

Os calmantes mais conhecidos são os benzodiazepínicos (os “benzos”), como Valium (diazepam), Xanax (alprazolam) e Rivotril (clonazepam), muito usados ​​em casos de ansiedade e insônia, os antipsicóticos, como Zyprexa (olanzapina) e Haldol (haloperidol), e os barbitúricos, como Nembutal (pentobarbital)  e Seconal (secobarbital), com efeito sedativo mais forte.

Indiscutivelmente, o calmante mais famoso é o álcool, que apresenta muitos dos efeitos colaterais clássicos dos depressores, prejudicando a memória, diminuindo o tempo de reação, relaxando o indivíduo e tornando sua fala arrastada.

Um dos principais tipos de calmante são os opioides, substâncias que interagem com os receptores opioides do corpo, sendo prescritas como analgésicos para anestesiar a dor. Na classe dos opioides, encontram-se medicamentos como Oxycontin (oxicodona), Fentanil (cloridrato de fentanila) e Vicodin (paracetamol e hidrocodona), todos vendidos legalmente, apesar de serem altamente viciantes. Como os opioides, os opiáceos são substâncias derivadas naturalmente da papoula, incluindo a codeína, a heroína e morfina.

Todos os calmantes causam dependência, não somente o álcool, além de apresentarem risco de abuso: só nos Estados Unidos, o número de overdoses de benzodiazepínicos aumentou de 1.135 em 1999 para 11.537 em 2017. O abuso de opioides se tornou motivo de preocupação nacional nos Estados Unidos, onde se registram cerca de 130 mortes por dia devido à overdose dessas substâncias, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Em 2018, houve 10,3 milhões de casos de abuso de opioides controlados e 2 milhões de casos de transtorno por uso de opioides, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Consumo de Drogas e Saúde.

O Que é um Alucinógeno?

Alucinógenos são substâncias que alteram a percepção da realidade, às vezes de maneira bastante intensa. O usuário pode apresentar fortes perturbações visuais, percepção distorcida do tempo e do espaço e, em alguns casos, até alucinações. Existem três tipos de alucinógeno: os psicodélicos, os delirantes e os dissociativos.

Os alucinógenos psicodélicos mais conhecidos são o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), chamado popularmente de “ácido”, a mescalina (encontrada nos botões do peiote e nos cactos de São Pedro), a psilocibina (a substância química ativa dos “cogumelos mágicos”) e a dimetiltriptamina (DMT).

Os alucinógenos dissociativos incluem a fenciclidina (PCP ou “pó de anjo”), a cetamina (“Special K”) e os xaropes para tosse à base de dextrometorfano, quando tomados em altas doses. Essas substâncias produzem uma forte sensação dissociativa em relação ao meio externo.

Os alucinógenos delirantes produzem efeitos semelhantes ao estado de sonambulismo, sendo menos usados ​​para fins recreativos.

As substâncias alucinógenas são bastante conhecidas, devido ao uso em pesquisas e / ou terapias psiquiátricas com drogas como psilocibina (cogumelos), LSD (ácido) e mescalina, todas fabricadas por grandes empresas farmacêuticas até serem classificadas como substâncias controladas em 1967.

Durante séculos, os povos indígenas das Américas usaram os cactos São Pedro e o peiote para fins rituais e medicinais. E embora a cetamina tenha sido originalmente desenvolvida como anestésico, está ganhando popularidade como tratamento para depressão e ansiedade.

Rolling a cannabis joint
Na hora de classificar a cannabis, é necessário levar em consideração o tipo de planta utilizada. (Shutterstock)

O Que é um Estimulante?

Os estimulantes são substâncias que aumentam a energia e a atenção, provocando euforia e, em seguida, queda.

Os estimulantes mais conhecidos são a cocaína, as metanfetaminas, o metilfenidato

 (Ritalina) e a cafeína do dia a dia. Esse tipo de substância causa dependência e pode causarum “colapso” quando os efeitos passam.

Estimulantes como Ritalina e Adderall são comumente prescritos como tratamento para transtorno de déficit de atenção (TDA) e transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), embora também causem dependência, como muitos outros estimulantes.

Então, Onde a Cannabis se Encaixa?

De fato, a cannabis têm os mesmos efeitos dos calmantes, o que talvez explique sua associação com esse tipo de substância.

A planta produz sensação de relaxamento, contribuindo para o alívio da dor e da ansiedade, além de ajudar a combater a insônia e a ter uma boa noite de sono quando consumida antes de dormir. Muitas pessoas gostam de maconha para ficar “chapado” no sofá, “viajando” com seu programa de TV favorito.

A maconha também pode produzir alguns dos efeitos negativos associados aos depressores, incluindo lentidão, perda da memória de curto prazo e desânimo.

No entanto, toda moeda tem dois lados.

A Cannabis Também Pode Ser Um Estimulante

O uso de cannabis pode melhorar o humor, estimular a criatividade e aumentar o interesse por música, filmes e atividades ao ar livre, além de apurar os sentidos e intensificar o prazer sexual. Ao tornar as tarefas diárias mais divertidas e fascinantes, pode produzir um aumento de energia que muitos acham motivador.

Mas a cannabis também pode apresentar alguns dos efeitos negativos dos estimulantes, como ansiedade e paranoia, provocando medo e pânico em casos mais graves, além de aumentar a frequência cardíaca e dificultar o sono (pela aceleração da mente). Como os estimulantes, também causa uma baixa de energia depois que os efeitos passam, produzindo uma espécie de “ressaca de maconha”.

E embora a maconha normalmente não tenha os mesmos efeitos dissociativos e distorcivos associados aos alucinógenos, eles às vezes aparecem. Alguém que toma uma dose muito alta, especialmente de produtos comestíveis de cannabis, pode sentir efeitos semelhantes aos dos alucinógenos, perdendo a noção do tempo, em um estado onírico, no qual a percepção da realidade é distorcida.

Indica x Sativa

Na hora de classificar a cannabis, é necessário levar em consideração o tipo de planta utilizada.

A maioria das cepas de cannabis é classificada como Sativa ou Indica (os híbridos também se tornaram muito comuns). De acordo com a sabedoria popular, as cepas Sativa produzem energia, sendo mais adequadas para uso diurno. Já as cepas Indica produzem sensação de relaxamento, chamada pelos usuários de “chapação”, sendo consideradas mais apropriadas para uso noturno.

Embora essas distinções sejam consideradas uma espécie de dogma dentro da cultura mais ampla da cannabis, não há evidências científicas que as comprovem.

Outro aspecto importante da cannabis é o perfil de terpenos de cada cepa. Os terpenos são responsáveis pelo sabor e aroma da planta, influenciando também sua potência.

Além disso, a quantidade de tetra-hidrocanabinol (THC, o principal canabinoide responsável pelas propriedades psicotrópicas da maconha) em uma cepa específica determinará os efeitos sentidos pelo usuário.

Então, Qual o Veredicto?

Embora as pesquisas digam que não há diferença entre a Indica e a Sativa e não haja nenhuma maneira científica de determinar os diferentes efeitos de cada planta, é difícil argumentar contra as evidências dos relatos informais (a menos que você seja um cientista, claro).

Para alguns usuários, uma determinada cepa produz energia; já para outros, produz sensação de relaxamento. Outro usuário ainda pode experimentar exatamente a mesma cepa e não sentir nem animação nem tranquilidade, mas ansiedade e paranoia ou somente mais fome e um novo interesse por jazz. Se considerarmos ainda a curva de reação bifásica da cannabis, os resultados são ainda mais subjetivos.

Conclusão: a cannabis não pode ser rotulada como calmante, estimulante ou alucinógeno, devendo ser colocada em uma categoria à parte.

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