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As Diversas Maneiras de Consumir Cannabis Para Uso Medicinal

O aspecto mais importante no consumo de cannabis medicinal é, sem dúvida, a sua qualidade.

Garantir que a sua cannabis seja pura (cultivada organicamente, extraída eticamente, processada de maneira limpa etc.) é fundamental para qualquer um que queira consumir a planta com o objetivo de se sentir bem. Quando esses elementos estão presentes, a cannabis é capaz efetivar a intenção da natureza: comunicar-se com o sistema endocanabinoide e seus receptores para promover a homeostase e a saúde.

Por mais eficaz que a cannabis para uso medicinal possa ser, no entanto, existe uma desvantagem potencial: a biodisponibilidade.

Se você fuma um grama de cannabis, por exemplo, poderá receber apenas os canabinoides ativos de um décimo de grama na corrente sanguínea. Em outras palavras, a biodisponibilidade de fumar cannabis é frequentemente de apenas 10%, mas pode variar muito entre “2 e 56%, devido em parte à variabilidade intra e inter-individual na  dinâmica do fumo”.

Isso não é necessariamente algo ruim. A entrega de ingredientes ativos da cannabis através do fumo tem seu próprio conjunto de benefícios. Mas para pacientes que necessitam de doses grandes e específicas, podem haver melhores opções.

Soluções: 3 Categorias, Produtos Sem Fim

Existem três categorias principais nas quais as formas de administração da cannabis se enquadram. Ela pode ser inalada, ingerida ou aplicada topicamente. Cada um desses três métodos tem seus próprios prós e contras, e cada um oferece a oportunidade de utilizar diferentes produtos.

Inalação

A inalação é a solução mais popular por um bom motivo: é conveniente, simples e provê uma experiência completa. De fato, a sensação que acompanha o simples ato de queimar algo é desfrutado desde os tempos antigos.

Quando a cannabis é inalada, seus gases entram diretamente nos pulmões, sendo absorvidos pela corrente sanguínea. Todo esse processo acontece quase instantaneamente, uma conveniência que torna a inalação quase universalmente popular.

Produtos para inalação: como a inalação é muito popular, existem vários produtos específicos para fazê-la. Esses produtos podem ser divididos em duas categorias principais: produtos para fumar e produtos para vaporizar.

Os métodos usados para fumar a maconha são os mais antigos entre as duas categorias e talvez também sejam mais diversos. Ela pode ser fumada de várias maneiras: embrulhada com papel de enrolar, colocada no bowl de um cachimbo ou bong, entre outros. Geralmente, a flor da cannabis é dividida em pequenos pedaços (separados manualmente, com tesoura ou com um moedor específico) antes de ser colocada no equipamento escolhido e queimada.

Fumar cannabis pode ser um método um tanto agressivo para os pulmões ao longo do tempo. Ao contrário do tabaco, a fumaça da cannabis não foi apontada como fator de risco para câncer de pulmão, embora um estudo tenha encontrado uma forte correlação entre os dois. Ainda que os agentes cancerígenos presentes na fumaça da cannabis possam ser neutralizados pelas propriedades antitumorais do THC, provavelmente existam escolhas mais saudáveis. É aí que entra a vaporização.

Na última década, a popularidade da vaporização de cannabis explodiu. Hoje, podem-se encontrar grandes vaporizadores portáteis bem como outros menores, chamados canetas vaporizadoras. Ambos os tipos funcionam como uma pequena estufa, na qual se aquece gradualmente a flor da cannabis a uma temperatura alta o suficiente para liberar canabinoides, terpenos e compostos vegetais, e ao mesmo tempo controlada de forma a evitar a combustão rápida. Comparada ao fumo, a vaporização da cannabis resulta em uma experiência geralmente mais suave.

Outra opção possível: os concentrados de cannabis também podem ser fumados e/ou vaporizados. De fato, há uma diversidade de produtos para atender a essa proposta. Os bongs geralmente são cobertos com placas de aquecimento projetadas especificamente para queima de óleos e ceras de cannabis.

Farmacologia da inalação: embora a experiência seja suave, a vaporização é, na verdade, o método de inalação mais eficiente por apresentar maior biodisponível. Vários estudos mostram que a vaporização pode fornecer pelo menos 34% dos ingredientes ativos da cannabis medicinal (ou seja, canabinoides e terpenos) para a corrente sanguínea. De acordo com o livro Cannabis Therapeutics in HIV / AIDS, do Dr. Ethan Russo, a biodisponibilidade de muitos terpenos é equivalente aos seus homólogos canabinoides. No mundo da farmacologia da cannabis, essas são taxas excelentes.

Quando esses 30-50% chegam à corrente sanguínea, eles atravessam rapidamente a barreira hematoencefálica, onde canabinoides como o THC e o CBN causam um efeito cerebral estimulante. O aumento da ligação aos receptores CB1 no cérebro pode causar sensações de calma e felicidade. Não é de admirar que a inalação, seja por fumo ou por vaporização, seja uma experiência tão relaxante.

Ingestão

A ingestão é o segundo entre os principais métodos de administração da maconha, no qual a cannabis é absorvida pelo trato gastrointestinal. Oferece duas opções: a ingestão da cannabis medicinal e seus derivados ou por via sublingual. Por esse motivo, a ingestão é provavelmente o mais diversificado de todos as formas de administração.

Ambos os tipos de ingestão estão sujeitos ao lento processo do metabolismo humano, de modo que fazem efeito demoradamente e proporcionam benefícios duradouros à saúde. No entanto, ambos também estão sujeitos ao metabolismo hepático do fígado, o que reduz significativamente suas taxas de absorção. Falaremos mais sobre isso a seguir.

Produtos ingeríveis: este método de administração inclui comestíveis, pílulas, cápsulas, pós e comprimidos. Os produtos comestíveis da cannabis, em particular, surgiram nos últimos anos. Hoje, tudo está disponível, desde brownies ricos em THC até bebidas com infusão de canabinoides – as combinações são quase infinitas.

Embora os produtos psicotrópicos comestíveis sejam frequentemente usados ​​de forma recreativa ou para alívio da dor, também existe um mercado crescente de opções “mais suaves” baseadas em CBD. Alimentos saudáveis ​​ricos em canabidiol estão começando a se consoldiar como um nicho próprio. Pelo fato de atletas profissionais atestarem os benefícios do CBD (eles estão até lançando suas próprias marcas de CBD), esse mercado parece propenso a crescer com o tempo.

Quando se trata de produtos comestíveis ricos em THC, pode ser necessário algum cuidado. Não se esqueça que comestíveis de qualquer tipo fazem efeito muito lentamente, o que significa que é praticamente impossível dosá-la com base nos efeitos iniciais. Os comestíveis estão mais relacionados ao aumento das visitas às salas de emergência. A melhor medida de cautela é simplesmente verificar o rótulo nutricional de seu comestível quanto ao teor de canabinoides e garantir que você não exceda sua dose habitual. Como o Estado do Colorado incentiva: “Comecem com pouco e prossigam devagar”.

Uma maneira de se proteger contra imprecisões na dosagem é através do uso de pílulas, cápsulas ou comprimidos. Esses produtos vêm pré-embalados com suas dosagens individuais especificadas; por exemplo, uma marca pode produzir cápsulas de óleo de cannabis que contenham 4 mg de THC e 1 mg de CBD cada. Embora os tempos de início de ação mais demorados desses produtos dificultem a dosagem, sua padronização mais do que compensa esse fato. Cápsulas e comprimidos com cannabis também têm a vantagem potencial de atingir o sistema digestivo mais intactos, e portanto podem ser ideais para pacientes com SII, Doença de Crohn, Síndrome de Supercrescimento Bacteriano etc.

Claro, você também pode ingerir produtos de cannabis de forma mais direto. Comer folhas de cannabis cruas é uma maneira comprovada através dos anos para conseguir levar canabinoides para seu sistema. Embora compostos como CBDA e THCA não sejam tão ativos no sistema endocanabinoide, eles têm seus próprios conjuntos de benefícios à saúde.

Por exemplo, estudos mostraram que o CBDA (a forma ácida não aquecida do CBD) pode ativar diretamente os tipos de receptores de serotonina que reduzem o estresse e a ansiedade. A cannabis crua também é fortemente antimicrobiana. Infelizmente, as restrições atuais ao cultivo de cannabis fazem com que as folhas e flores de cannabis cruas não estejam disponíveis para todos. Se você tiver acesso a elas, vá em frente.

Os concentrados de cannabis também podem ser consumidos diretamente; de fato, esse tipo de ingestão pode ser a mais tradicional da história. Na Índia, Egito e Oriente Médio, a resina concentrada, conhecida como haxixe, foi especialmente popular. Fumar cannabis, apesar de trivial hoje em dia, não era comum até os anos 1500.

Essa solução é um pouco menos habitual atualmente. Mas a ingestão de concentrados como haxixe, pó de cannabis cristalino ou até o óleo de Rick Simpson ainda pode ser benéfica para pacientes que desejam uma solução de saúde muito simples e forte. O relato de um caso em 2013 documentou como a resina de cannabis estilo RSO funcionava como “um tratamento eficaz para LLA” (leucemia linfoblástica aguda) de uma maneira “rápida e dose-dependente”. Embora todos os pacientes tenham experimentado efeitos colaterais como aumento do estado de alerta, diminuição da memória e aumento da fome, a cannabis reduziu repetidamente a contagem de células blásticas, um dos sinalizadores da leucemia.

Não se esqueça do segundo tipo de produtos ingeríveis: os sublinguais. Esta categoria inclui tinturas, óleos e sprays feitos com alguma combinação de extrato de cannabis e óleo transportador. Como você deve ter intuído, as tinturas devem ser tomadas sublingualmente, ou seja, mantidas sob a língua.

A partir de 2019, os óleos de cannabis tornaram-se mais populares do que nunca. Isso não pode ser mais verdadeiro do que no caso dos óleos de CBD, cuja previsão é atingir US$ 22 bilhões em vendas anuais até 2022. As misturas de THC + CBD também estão disponíveis no mercado atual.

Você pode até obter misturas de CBD:THC com proporções específicas. Do ponto de vista médico, essa perspectiva é bastante empolgante. É provável que diferentes proporções funcionem melhor para determinadas condições de saúde; por exemplo, uma proporção de 20:1 CBD:THC parece eficaz em casos de epilepsia pediátrica, enquanto uma proporção de 1:1 parece promissora para condições auto-imunes como a EM.

Farmacologia ingerível: vejamos primeiro a variedade sublingual de ingeríveis e sua farmacologia. A história das tinturas é surpreendentemente rica, uma vez que aquelas à base de álcool chegaram às prateleiras das farmácias há mais de 100 anos. Agora, os produtos sublinguais estão ressurgindo por um simples motivo: eles funcionam.

Quanto mais tempo um óleo é mantido sob a língua, maior a sua taxa de absorção. Isso ocorre porque a própria boca contém vasos sanguíneos que servem como alvos que são facilmente acessados pelos canabinoides. Isso permite que a biodisponibilidade das tinturas atinja 30-40%.

Alguns pacientes preferem uma tintura de cannabis pulverizável à base de álcool em lugar dos convencionais, à base de óleo. É provável que essas formulações alcoólicas contenham mais ingredientes de marijuana solúveis em água (como clorofila e glicosídeos) do que outras opções, o que pode se adequar melhor às necessidades bioquímicas de certos pacientes.

Para aqueles que desejam uma taxa de absorção ainda maior, o óleo de cannabis pode ser utilizado como um supositório. Embora não seja convencional, esse método fornece a rápida absorção da vaporização e o alívio duradouro dos produtos comestíveis.

Supositórios de cannabis medicinal podem ser uma solução ideal para pacientes com câncer, que consideram que esse método permite que doses ultra-altas de THC sejam tomadas sem efeitos psicotrópicos excessivos. De acordo com o médico e especialista em cannabis Dr. Allan Frankel, a eficácia dos supositórios de cannabis não é comprovada, mas a experiência dos pacientes mostra benefícios de saúde distintos.

A farmacologia dos produtos comestíveis, por outro lado, é muito menor. Eles são totalmente suscetíveis ao metabolismo hepático mais lento que ocorre quando os canabinoides ingeridos são processados ​​pelo trato digestivo e pelo fígado. Isso significa que suas taxas de absorção são drasticamente mais baixas, pairando em torno de 10%.

Ainda assim, os comestíveis configuram uma ótima opção, uma vez que são convenientes e discretos e, com a prática, são realmente muito fáceis de dosar. Os produtos comestíveis podem ser ideais para pessoas com problemas de saúde intestinal, como SIBO, Doença de Crohn ou Síndrome do Intestino Irritável. Há até evidências iniciais de que os canabinoides podem ajudar a fortalecer e “selar” os revestimentos intestinais atingidos.

Aplicação Tópica

A aplicação tópica é a terceira e última solução de nossa lista. Embora um pouco mais simples do que as outras duas categorias, até o mundo dos tópicos de cannabis se diversificou nos últimos tempos. Os tópicos também deram um salto quântico em termos de tecnologia.

Os produtos tópicos incluem bálsamos, pomadas e cremes. Geralmente, são produzidos com a combinação de extrato / concentrado de cannabis com uma base de cera de abelha, manteiga de karité ou óleo de coco. Os tópicos variam em textura e consistência; geralmente são encontrados em frascos de 28,35 gramas com cerca de 250 miligramas de canabinoides. Isso é ótimo para as pacientes comuns; no entanto, para aqueles que sofrem de dores intensas, talvez seja difícil encontrar algo que seja forte o suficiente para seu caso.

Para esses pacientes, obter cannabis para uso medicinal na forma de um adesivo transdérmico pode ser a melhor opção. Recentes avanços na tecnologia permitiram a produção de adesivos transdérmicos ricos em canabinoides que duplicam a eficiência dos tópicos.

A farmacologia dos tópicos: os tópicos têm baixas taxas de absorção e geralmente não atravessam as camadas dérmicas para chegar na corrente sanguínea. No entanto, eles ativam os receptores endocanabinoides CB2 na pele de forma a fornecer um poderoso alívio localizado. Isto acontece especialmente com transdérmicos de liberação lenta, que podem saturar os receptores endocanabinoides cada vez mais ao longo do tempo. Também há evidências, como mostra um estudo de 2004, de que os tópicos de CBD são melhor absorvidos do que os que contêm THC.

Lembre-se de que os tópicos, assim como outras soluções “não queimadas”, precisam ser descarboxilados antes do uso. Os tópicos também combinam canabinoides e terpenos específicos de óleos essenciais para aumentar sua absorção. É possível que a baixa massa molecular de certos terpenos os ajude a permear melhor a pele – trazendo canabinoides como THC e CBD com eles – no que é conhecido como efeito entourage.

No geral, os tópicos são ideais para quem não quer que a intoxicação afete sua vida cotidiana. Sua capacidade de fornecer alívio sem euforia também pode ser um benefício para os pacientes que já se encontram saturados com sua dose atual de CBN ou THC.

Praticamente qualquer um pode usar um tópico combinado a seu tratamento normal com cannabis. Até os atletas estão começando a reconhecer sua utilidade quando se trata de reduzir a inflamação e a dor muscular. Nem é necessário dizer, mas vale mencionar, que os tópicos também são ótimos para a pele.

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