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A Cannabis Pode Ajudar a Tratar a Doença de Crohn?

Visão Geral

A terapia convencional com esteroides, fármacos modificadores de doenças e drogas biológicas continua sendo a pedra angular do tratamento para pacientes com Doença de Crohn (DC). Infelizmente, nem todos os pacientes reagem a esses medicamentos: alguns desenvolvem efeitos colaterais graves, enquanto outros experimentam apenas remissão parcial, levando-os a buscar ansiosamente outras opções de tratamento.

Nos últimos anos, vem aumentando a pesquisa das possíveis propriedades terapêuticas da cannabis em pacientes com DC, trazendo resultados promissores e possibilitando aos pacientes um caminho para melhorar sua qualidade de vida.

Reduzir a inflamação gastrointestinal (IG) é crucial no tratamento da Doença de Crohn. Novas descobertas sobre o efeito do SE (Sistema Endocanabinoide) na inflamação gastrointestinal e na pesquisa clínica atual nos levam a concluir  que a cannabis pode reduzir a IG e melhorar a qualidade de vida de pacientes com DC, embora sejam necessárias mais pesquisas clínicas para chegarmos a resultados mais claros e conclusivos.

A cannabis é recomendada para pacientes adultos com DC com o objetivo de aliviar a dor e os sintomas, e pode ser usada como tratamento suplementar a um custo relativamente baixo, com alto perfil de segurança e em sinergia com a terapia convencional para a redução da inflamação.

A cannabis não é recomendada para crianças, de acordo com a Associação Canadense de Gastroenterologia, devido a possíveis alterações estruturais do cérebro em desenvolvimento.

Prós

  • Atua como analgésico: na terapia convencional, o tratamento da inflamação da DC pode levar tempo, exigindo o uso de analgésicos para alívio imediato da dor aguda.
  • Náusea, inchaço e diarreia: a cannabis tem sido usada para aliviar muitos dos sintomas de que sofrem os pacientes de Crohn.
  • Aumenta o apetite: pacientes com DC sofrem de diminuição do apetite, geralmente devido a náusea.
  • Segurança: a cannabis é considerada segura. Efeitos adversos graves são raros e nunca houve fatalidades registradas diretamente relacionadas a seu uso.
  • Custo: embora o custo da cannabis de uso medicinal varie de acordo com o país e a espécie, seu preço é geralmente inferior ao de medicamentos para DC, como as drogas biológicas, por exemplo. É importante ter em mente que, atualmente, a cannabis é usada como tratamento suplementar.

Contras

  • Alteração da mente: a capacidade de resolução de problemas, a memória e o equilíbrio são comprometidos no curto prazo e, possivelmente, no longo prazo também.
  • Doença pulmonar e das vias aéreas induzida por fumo: qualquer tipo de fumo traz danos ao pulmão, traqueia e boca. Isso pode ser evitado usando outras formas de apresentação que não sejam o fumo, como produtos comestíveis ou óleos.
  • O risco de ataque cardíaco, tosse crônica e transtornos mentais é aumentado.
  • Possível dependência: o uso crônico e intensivo de cannabis pode levar ao vício e à dependência.

O Sistema Endocanabinoide

O Sistema Endocanabinoide (SE) é composto por canabinoides, seus receptores e certas enzimas metabólicas. Ele participa de inúmeros processos biológicos e é um elemento importante na regulação de diferentes funções corporais, como a atividade cerebral normal, sono e digestão, entre outros.

O SE é um coadjuvante importante na regulação do trato gastrointestinal (GI), desde o simples controle da taxa de digestão às interações complexas com a flora intestinal e as células do sistema imunológico. A parede do trato gastrointestinal está saturada de receptores de canabinoides, e agora sabemos que muitos distúrbios gastrointestinais estão ligados à desregulação do SE, na maioria das vezes associada a uma redução nos endocanabinoides.

A capacidade do SE de interagir com o microbioma intestinal, as células imunes e o epitélio funcional permitem que ele participe do processo de inflamação gastrointestinal (IG).

Os estudos sobre animais e a pesquisa observacional destacaram a importância da desregulação do SE na doença inflamatória intestinal (DII), como a Doença de Crohn (DC). Também elucidaram os benefícios obtidos com a suplementação de canabinoides, os quais atuaram como anti-inflamatórios. 

Crohn e Cannabis

A cannabis é conhecida há muito tempo por seu valor terapêutico no tratamento de vários sintomas e doenças, muitos dos quais relacionados ao trato gastrointestinal. Os efeitos da planta são devidos a canabinoides que atuam como um suplemento externo e exercem um efeito inibitório em muitos processos metabólicos, como a supressão de náusea, regulação da motilidade intestinal, redução da contração muscular involuntária e no controle da acidez de secreções. 

A ideia de que a cannabis pode combater a inflamação na DC decorre de experimentos pré-clínicos que investigaram o efeito da perda de receptores canabinoides, a atividade de antagonistas dos receptores de canabinoides (bloqueadores) e o efeito do número reduzido de endocanabinoides. Todos provocaram o aumento da atividade do sistema imunológico relacionada à inflamação gástrica.

Uma série de estudos pré-clínicos demonstraram os efeitos protetores da cannabis na inflamação intestinal.

  • Embora se acredite que os receptores canabinoides “padrão” sejam exclusivamente os receptores CB1 e CB2, agora há evidências de que os canabinoides também podem interagir com outros receptores, como por exemplo o GPR55, responsável pela inflamação intestinal. 
  • A cannabis demonstrou ter efeito protetor contra a inflamação intestinal, pois atua como um inibidor desses importantes reguladores da inflamação intestinal. 
  • Os canabinoides ajudam a manter a integridade da barreira intestinal, tornando-a menos permeável a elementos estranhos.

A cannabis também mostrou sua eficácia em estudos clínicos; infelizmente, no entanto, a maioria deles é insignificante em termos estatísticos devido ao número pequeno de participantes. 

Crianças e Cannabis

Um artigo de 2019 publicado pela Associação Canadense de Gastroenterologia fez uma forte recomendação contra o uso de cannabis no tratamento da DC em casos pediátricos. Segundo especialistas, embora a cannabis esteja associada a vários benefícios no tratamento dessa doença, a evidência foi inconclusiva. Além disso, os riscos associados ao uso de cannabis durante a adolescência e seus efeitos sobre o cérebro em desenvolvimento superam o benefício potencial em crianças.

Sobre a Doença de Crohn Visão Geral

Visão Geral

A doença de Crohn é um tipo elevado e mais intenso de Doença Inflamatória Intestinal (DII), a qual causa inflamação no trato digestivo. A inflamação causada pela doença de Crohn pode afetar qualquer área do trato digestivo do corpo, desde o ânus até a área da boca. Os sintomas variam de leve a grave, provocando desde pequenos incômodos digestivos e dores crônicas até cirurgias e completa incapacidade digestiva. 

Também chamada de ileíte ou enterite, a Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do intestino. Na maioria dos casos, no entanto, atinge a área inferior do intestino delgado, denominada íleo. Essa doença pode afetar todas as camadas do tecido intestinal, da superficial à profunda. Outro problema de saúde da família dos DII é chamado colite ulcerativa (UC), e afeta apenas o intestino grosso.

Uma nova estimativa divulgada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) afirma que cerca de 780 mil norte-americanos sofrem de Crohn nos Estados Unidos. Prevê-se que dois em cada três indivíduos com Crohn serão diagnosticados antes dos 40 anos. A doença é tão predominante nos homens quanto nas mulheres, mas os fumantes têm duas vezes mais chances de serem acometidos por ela. Cerca de 11% dos pacientes com Crohn experimentam sintomas ativos e crônicos, o que significa que sofrerão sintomas graves por um longo período.

Sintomas

Sintomas

A Doença de Crohn apresenta uma grande variedade de sintomas, variando de leve a grave, os quais se desenvolvem com o passar do tempo. Os sintomas mais comuns são a dor abdominal, a diarreia e a constipação. Outros sinais e sintomas da doença são:

  • Diarreia
  • Febre
  • Fadiga
  • Aftas
  • Apetite reduzido
  • Sangue nas fezes

 

Em casos graves, os pacientes também podem desenvolver:

  • Inflamação hepática ou nos ductos biliares
  • Inflamação da pele, olhos ou articulações
  • Nas crianças, crescimento retardado

Indivíduos com a Doença de Crohn são mais propensos a desenvolver infecções intestinais por vírus, bactérias e fungos, o que pode resultar em mais complicações de seu problema de saúde. Além disso, infecções fúngicas são comuns e podem ter um efeito negativo no trato intestinal e nos pulmões. 

O sangramento retal causado por Crohn pode levar a fissuras anais, além de anemia. Os doentes também podem experimentar perda de peso como resultado da redução do apetite e diarreia, além de outras inflamações (nos olhos, pele, fígado ou ducto biliar). Muitas vezes, as pessoas com Crohn também apresentam doenças autoimunes concomitantemente.  

Você deve consultar um médico após qualquer mudança persistente em sua rotina intestinal ou em caso de dor abdominal, sangue nas fezes, febre inexplicável que dura mais de um dia ou diarreia contínua que não responde a medicamentos vendidos sem prescrição.

Causas

Causas

Nenhuma das teorias sobre o que causa a Doença de Crohn foi comprovada. No entanto, os cientistas associam esse problema de saúde a um certo gene envolvido no modo como o corpo reage a alguns micróbios. Se o gene “se enganar” na reação devido a uma mutação ou outro tipo de alteração, o corpo poderá reagir aos micróbios de maneira anormal. De acordo com as pesquisas, o gene mutado ocorre duas vezes mais em doentes de Crohn do que nas outras pessoas. No entanto, não está claro se o mal afeta o gene ou se o gene defeituoso contribui para o seu desenvolvimento. 

Os cientistas acreditam que a Doença de Crohn é causada por uma combinação de fatores:

  • Problemas do sistema imunológico, segundo os quais o organismo elimina acidentalmente micróbios considerados úteis para a digestão como se fossem infecções. A resposta causa inflamação na área “infectada”, a qual pode ser crônica e levar a úlceras e outras lesões no intestino.
  • Genética, já que um ou dois em cada 10 indivíduos com Crohn têm pelo menos um membro da família com a mesma doença. As chances aumentam para 70% no caso de gêmeos idênticos. Este problema de saúde é mais comum entre judeus e, geralmente, é mais prevalente em caucasianos.
  • Fatores ambientais, uma vez que elementos comestíveis ou respiráveis, bem como o fumo, podem ser desencadeadores em potencial de um surto de Crohn. Outros possíveis causadores podem ser micróbios infecciosos, como bactérias ou vírus (a exemplo do E. coli).

Diagnóstico

Diagnóstico

Nenhum exame isolado pode diagnosticar Crohn com segurança, mas existem testes que indicam se você tem a doença. Caso o médico considere essa opção, ele começará excluindo outras causas possíveis para seus sintomas e procurará sinais reveladores da doença. O processo inclui testes como: 

  • Exame de sangue: verifica anemia, infecção, deficiências de vitaminas, anormalidades metabólicas ou outros problemas de saúde. 
  • Exame de sangue oculto nas fezes: usado para verificar se há sangue nas fezes.
  • Colonoscopia: permite ao médico visualizar o final do íleo (íleo terminal), bem como o cólon. Este procedimento pode incluir uma biópsia (tecido de amostra) para confirmar o diagnóstico. 
  • Endoscopia superior: semelhante a uma colonoscopia, só que realizada apenas através da boca, permite a visualização do esôfago, estômago e início do intestino delgado.
  • Tomografia computadorizada (TC): um aparelho de raios-X mais orientado a detalhes, a tomografia computadorizada mostra mais  detalhes importantes de todo o intestino do que um raio-X comum. Também pode visualizar tecidos que estão fora do intestino.  
  • Ressonância magnética (RM): um scanner de ressonância magnética cria imagens detalhadas de órgãos e tecidos, usando um campo magnético e ondas de rádio.
  • Cápsula de endoscopia – o paciente engole uma cápsula com uma câmera mínima, a qual faz fotos do intestino delgado. As imagens capturadas são exibidas em uma tela e inspecionadas. 
  • Enteroscopia com balão: o médico poderá examinar o intestino delgado até onde os endoscópios padrão não alcançam. Isso é feito com um endoscópio que contém um balão em sua extremidade.

O médico também examinará cuidadosamente seu histórico médico, prestando atenção especial à árvore genealógica e à ocorrência de doenças com sintomas semelhantes e que podem ser hereditárias.

Tratamento

Tratamento

Atualmente, não há cura conhecida para Crohn e, portanto, não existe um tratamento padrão. O método atual busca reduzir a inflamação que desencadeia os sintomas e a supressão do sistema imunológico.

Os tratamentos médicos incluem:

  • Drogas anti-inflamatórias, incluindo corticosteroides e 5-aminossalicilatos orais.
  • Supressores do sistema imunológico, cujo objetivo é reduzir a inflamação e atingir o sistema imunológico como um todo, uma vez que é ele quem produz as substâncias que causam a inflamação.
  • Terapias biológicas imunossupressoras, que geralmente são ministradas por injeção e infusão. Elas visam trabalhar sobre as vias imunológicas específicas envolvidas na doença de Crohn.  
  • Antibióticos, que são usados para reduzir a necessidade de drenagens, e que por vezes pode curar fístulas e abscessos. 
  • Outros medicamentos – os médicos podem recomendar antidiarreicos, analgésicos (não o ibuprofeno ou naproxeno sódico, que provavelmente agravam os sintomas), suplementos de ferro, doses de vitamina B-12 (no caso de anemia), suplementos de cálcio e vitamina D (para reduzir o risco da osteoporose).

Além do exposto acima, os médicos costumam recomendar uma dieta pobre em fibras, a fim de reduzir o risco de obstrução intestinal. Os médicos também recomendam evitar alimentos que possam causar inflamação. Isso inclui condimentados, álcool e possíveis alérgenos. Recomenda-se evitar produtos lácteos devido à intolerância à lactose, que é bastante comum e que pode agravar os sintomas.

Cirurgia 

Se os sintomas continuarem ou piorarem apesar de todos os tratamentos citados acima, a cirurgia pode ser indicada para reparar ou remover o tecido digestivo doente. Quase metade dos portadores da Doença de Crohn necessitará de cirurgia em algum momento. Com ela, busca-se remover a porção danificada do trato digestivo e reconectar as áreas saudáveis. Infelizmente, às vezes a doença permanece nas seções do tecido adjacente ao local onde a cirurgia foi realizada. O risco de recorrência após a cirurgia pode ser minimizado com medicação. 

Mudanças no estilo de vida e hábitos saudáveis são a base da vida de que sofre com a Doença de Crohn. Há outros hábitos que podem ajudar significativamente a lidar com a doença: 

  • Controle do estresse: evite situações estressantes o máximo possível e use exercícios, em especial os respiratórios, para controlar os níveis de estresse.
  • Beba bastante água 
  • Considere a medicina alternativa: embora sua eficiência não seja apoiada pela ciência, muitos pacientes com Crohn se beneficiam de suplementos de ervas e nutricionais, probióticos, óleo de peixe, acupuntura e prebióticos.
  • Exercício: exercícios moderados podem ajudar a lidar com praticamente todas as doenças crônicas, incluindo Crohn.
  • Grupos de apoio: aprender e se comunicar com outras pessoas que sofrem de Crohn também pode ajudar a lidar com a doença e melhorar a qualidade de vida.
  • Procure ajuda: mesmo que seus sintomas sejam leves, a doença de Crohn é uma doença difícil de ser controlada. Mantenha-se informado sobre a pesquisa, participe de um grupo de apoio e converse com um terapeuta, se necessário.
Home > Quadros Clinicos > Doença de Crohn
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10 min

A Cannabis Pode Ajudar a Tratar a Doença de Crohn?

por Yair Tzikinovsky

Sep 24, 2019

Visão Geral

A terapia convencional com esteroides, fármacos modificadores de doenças e drogas biológicas continua sendo a pedra angular do tratamento para pacientes com Doença de Crohn (DC). Infelizmente, nem todos os pacientes reagem a esses medicamentos: alguns desenvolvem efeitos colaterais graves, enquanto outros experimentam apenas remissão parcial, levando-os a buscar ansiosamente outras opções de tratamento.

Nos últimos anos, vem aumentando a pesquisa das possíveis propriedades terapêuticas da cannabis em pacientes com DC, trazendo resultados promissores e possibilitando aos pacientes um caminho para melhorar sua qualidade de vida.

Reduzir a inflamação gastrointestinal (IG) é crucial no tratamento da Doença de Crohn. Novas descobertas sobre o efeito do SE (Sistema Endocanabinoide) na inflamação gastrointestinal e na pesquisa clínica atual nos levam a concluir  que a cannabis pode reduzir a IG e melhorar a qualidade de vida de pacientes com DC, embora sejam necessárias mais pesquisas clínicas para chegarmos a resultados mais claros e conclusivos.

A cannabis é recomendada para pacientes adultos com DC com o objetivo de aliviar a dor e os sintomas, e pode ser usada como tratamento suplementar a um custo relativamente baixo, com alto perfil de segurança e em sinergia com a terapia convencional para a redução da inflamação.

A cannabis não é recomendada para crianças, de acordo com a Associação Canadense de Gastroenterologia, devido a possíveis alterações estruturais do cérebro em desenvolvimento.

Prós

  • Atua como analgésico: na terapia convencional, o tratamento da inflamação da DC pode levar tempo, exigindo o uso de analgésicos para alívio imediato da dor aguda.
  • Náusea, inchaço e diarreia: a cannabis tem sido usada para aliviar muitos dos sintomas de que sofrem os pacientes de Crohn.
  • Aumenta o apetite: pacientes com DC sofrem de diminuição do apetite, geralmente devido a náusea.
  • Segurança: a cannabis é considerada segura. Efeitos adversos graves são raros e nunca houve fatalidades registradas diretamente relacionadas a seu uso.
  • Custo: embora o custo da cannabis de uso medicinal varie de acordo com o país e a espécie, seu preço é geralmente inferior ao de medicamentos para DC, como as drogas biológicas, por exemplo. É importante ter em mente que, atualmente, a cannabis é usada como tratamento suplementar.

Contras

  • Alteração da mente: a capacidade de resolução de problemas, a memória e o equilíbrio são comprometidos no curto prazo e, possivelmente, no longo prazo também.
  • Doença pulmonar e das vias aéreas induzida por fumo: qualquer tipo de fumo traz danos ao pulmão, traqueia e boca. Isso pode ser evitado usando outras formas de apresentação que não sejam o fumo, como produtos comestíveis ou óleos.
  • O risco de ataque cardíaco, tosse crônica e transtornos mentais é aumentado.
  • Possível dependência: o uso crônico e intensivo de cannabis pode levar ao vício e à dependência.

O Sistema Endocanabinoide

O Sistema Endocanabinoide (SE) é composto por canabinoides, seus receptores e certas enzimas metabólicas. Ele participa de inúmeros processos biológicos e é um elemento importante na regulação de diferentes funções corporais, como a atividade cerebral normal, sono e digestão, entre outros.

O SE é um coadjuvante importante na regulação do trato gastrointestinal (GI), desde o simples controle da taxa de digestão às interações complexas com a flora intestinal e as células do sistema imunológico. A parede do trato gastrointestinal está saturada de receptores de canabinoides, e agora sabemos que muitos distúrbios gastrointestinais estão ligados à desregulação do SE, na maioria das vezes associada a uma redução nos endocanabinoides.

A capacidade do SE de interagir com o microbioma intestinal, as células imunes e o epitélio funcional permitem que ele participe do processo de inflamação gastrointestinal (IG).

Os estudos sobre animais e a pesquisa observacional destacaram a importância da desregulação do SE na doença inflamatória intestinal (DII), como a Doença de Crohn (DC). Também elucidaram os benefícios obtidos com a suplementação de canabinoides, os quais atuaram como anti-inflamatórios. 

Crohn e Cannabis

A cannabis é conhecida há muito tempo por seu valor terapêutico no tratamento de vários sintomas e doenças, muitos dos quais relacionados ao trato gastrointestinal. Os efeitos da planta são devidos a canabinoides que atuam como um suplemento externo e exercem um efeito inibitório em muitos processos metabólicos, como a supressão de náusea, regulação da motilidade intestinal, redução da contração muscular involuntária e no controle da acidez de secreções. 

A ideia de que a cannabis pode combater a inflamação na DC decorre de experimentos pré-clínicos que investigaram o efeito da perda de receptores canabinoides, a atividade de antagonistas dos receptores de canabinoides (bloqueadores) e o efeito do número reduzido de endocanabinoides. Todos provocaram o aumento da atividade do sistema imunológico relacionada à inflamação gástrica.

Uma série de estudos pré-clínicos demonstraram os efeitos protetores da cannabis na inflamação intestinal.

  • Embora se acredite que os receptores canabinoides “padrão” sejam exclusivamente os receptores CB1 e CB2, agora há evidências de que os canabinoides também podem interagir com outros receptores, como por exemplo o GPR55, responsável pela inflamação intestinal. 
  • A cannabis demonstrou ter efeito protetor contra a inflamação intestinal, pois atua como um inibidor desses importantes reguladores da inflamação intestinal. 
  • Os canabinoides ajudam a manter a integridade da barreira intestinal, tornando-a menos permeável a elementos estranhos.

A cannabis também mostrou sua eficácia em estudos clínicos; infelizmente, no entanto, a maioria deles é insignificante em termos estatísticos devido ao número pequeno de participantes. 

Crianças e Cannabis

Um artigo de 2019 publicado pela Associação Canadense de Gastroenterologia fez uma forte recomendação contra o uso de cannabis no tratamento da DC em casos pediátricos. Segundo especialistas, embora a cannabis esteja associada a vários benefícios no tratamento dessa doença, a evidência foi inconclusiva. Além disso, os riscos associados ao uso de cannabis durante a adolescência e seus efeitos sobre o cérebro em desenvolvimento superam o benefício potencial em crianças.

Sobre a Doença de Crohn

Visão Geral

A doença de Crohn é um tipo elevado e mais intenso de Doença Inflamatória Intestinal (DII), a qual causa inflamação no trato digestivo. A inflamação causada pela doença de Crohn pode afetar qualquer área do trato digestivo do corpo, desde o ânus até a área da boca. Os sintomas variam de leve a grave, provocando desde pequenos incômodos digestivos e dores crônicas até cirurgias e completa incapacidade digestiva. 

Também chamada de ileíte ou enterite, a Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do intestino. Na maioria dos casos, no entanto, atinge a área inferior do intestino delgado, denominada íleo. Essa doença pode afetar todas as camadas do tecido intestinal, da superficial à profunda. Outro problema de saúde da família dos DII é chamado colite ulcerativa (UC), e afeta apenas o intestino grosso.

Uma nova estimativa divulgada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) afirma que cerca de 780 mil norte-americanos sofrem de Crohn nos Estados Unidos. Prevê-se que dois em cada três indivíduos com Crohn serão diagnosticados antes dos 40 anos. A doença é tão predominante nos homens quanto nas mulheres, mas os fumantes têm duas vezes mais chances de serem acometidos por ela. Cerca de 11% dos pacientes com Crohn experimentam sintomas ativos e crônicos, o que significa que sofrerão sintomas graves por um longo período.

Sintomas

A Doença de Crohn apresenta uma grande variedade de sintomas, variando de leve a grave, os quais se desenvolvem com o passar do tempo. Os sintomas mais comuns são a dor abdominal, a diarreia e a constipação. Outros sinais e sintomas da doença são:

  • Diarreia
  • Febre
  • Fadiga
  • Aftas
  • Apetite reduzido
  • Sangue nas fezes

 

Em casos graves, os pacientes também podem desenvolver:

  • Inflamação hepática ou nos ductos biliares
  • Inflamação da pele, olhos ou articulações
  • Nas crianças, crescimento retardado

Indivíduos com a Doença de Crohn são mais propensos a desenvolver infecções intestinais por vírus, bactérias e fungos, o que pode resultar em mais complicações de seu problema de saúde. Além disso, infecções fúngicas são comuns e podem ter um efeito negativo no trato intestinal e nos pulmões. 

O sangramento retal causado por Crohn pode levar a fissuras anais, além de anemia. Os doentes também podem experimentar perda de peso como resultado da redução do apetite e diarreia, além de outras inflamações (nos olhos, pele, fígado ou ducto biliar). Muitas vezes, as pessoas com Crohn também apresentam doenças autoimunes concomitantemente.  

Você deve consultar um médico após qualquer mudança persistente em sua rotina intestinal ou em caso de dor abdominal, sangue nas fezes, febre inexplicável que dura mais de um dia ou diarreia contínua que não responde a medicamentos vendidos sem prescrição.

Causas

Nenhuma das teorias sobre o que causa a Doença de Crohn foi comprovada. No entanto, os cientistas associam esse problema de saúde a um certo gene envolvido no modo como o corpo reage a alguns micróbios. Se o gene “se enganar” na reação devido a uma mutação ou outro tipo de alteração, o corpo poderá reagir aos micróbios de maneira anormal. De acordo com as pesquisas, o gene mutado ocorre duas vezes mais em doentes de Crohn do que nas outras pessoas. No entanto, não está claro se o mal afeta o gene ou se o gene defeituoso contribui para o seu desenvolvimento. 

Os cientistas acreditam que a Doença de Crohn é causada por uma combinação de fatores:

  • Problemas do sistema imunológico, segundo os quais o organismo elimina acidentalmente micróbios considerados úteis para a digestão como se fossem infecções. A resposta causa inflamação na área “infectada”, a qual pode ser crônica e levar a úlceras e outras lesões no intestino.
  • Genética, já que um ou dois em cada 10 indivíduos com Crohn têm pelo menos um membro da família com a mesma doença. As chances aumentam para 70% no caso de gêmeos idênticos. Este problema de saúde é mais comum entre judeus e, geralmente, é mais prevalente em caucasianos.
  • Fatores ambientais, uma vez que elementos comestíveis ou respiráveis, bem como o fumo, podem ser desencadeadores em potencial de um surto de Crohn. Outros possíveis causadores podem ser micróbios infecciosos, como bactérias ou vírus (a exemplo do E. coli).

Diagnóstico

Nenhum exame isolado pode diagnosticar Crohn com segurança, mas existem testes que indicam se você tem a doença. Caso o médico considere essa opção, ele começará excluindo outras causas possíveis para seus sintomas e procurará sinais reveladores da doença. O processo inclui testes como: 

  • Exame de sangue: verifica anemia, infecção, deficiências de vitaminas, anormalidades metabólicas ou outros problemas de saúde. 
  • Exame de sangue oculto nas fezes: usado para verificar se há sangue nas fezes.
  • Colonoscopia: permite ao médico visualizar o final do íleo (íleo terminal), bem como o cólon. Este procedimento pode incluir uma biópsia (tecido de amostra) para confirmar o diagnóstico. 
  • Endoscopia superior: semelhante a uma colonoscopia, só que realizada apenas através da boca, permite a visualização do esôfago, estômago e início do intestino delgado.
  • Tomografia computadorizada (TC): um aparelho de raios-X mais orientado a detalhes, a tomografia computadorizada mostra mais  detalhes importantes de todo o intestino do que um raio-X comum. Também pode visualizar tecidos que estão fora do intestino.  
  • Ressonância magnética (RM): um scanner de ressonância magnética cria imagens detalhadas de órgãos e tecidos, usando um campo magnético e ondas de rádio.
  • Cápsula de endoscopia – o paciente engole uma cápsula com uma câmera mínima, a qual faz fotos do intestino delgado. As imagens capturadas são exibidas em uma tela e inspecionadas. 
  • Enteroscopia com balão: o médico poderá examinar o intestino delgado até onde os endoscópios padrão não alcançam. Isso é feito com um endoscópio que contém um balão em sua extremidade.

O médico também examinará cuidadosamente seu histórico médico, prestando atenção especial à árvore genealógica e à ocorrência de doenças com sintomas semelhantes e que podem ser hereditárias.

Tratamento

Atualmente, não há cura conhecida para Crohn e, portanto, não existe um tratamento padrão. O método atual busca reduzir a inflamação que desencadeia os sintomas e a supressão do sistema imunológico.

Os tratamentos médicos incluem:

  • Drogas anti-inflamatórias, incluindo corticosteroides e 5-aminossalicilatos orais.
  • Supressores do sistema imunológico, cujo objetivo é reduzir a inflamação e atingir o sistema imunológico como um todo, uma vez que é ele quem produz as substâncias que causam a inflamação.
  • Terapias biológicas imunossupressoras, que geralmente são ministradas por injeção e infusão. Elas visam trabalhar sobre as vias imunológicas específicas envolvidas na doença de Crohn.  
  • Antibióticos, que são usados para reduzir a necessidade de drenagens, e que por vezes pode curar fístulas e abscessos. 
  • Outros medicamentos – os médicos podem recomendar antidiarreicos, analgésicos (não o ibuprofeno ou naproxeno sódico, que provavelmente agravam os sintomas), suplementos de ferro, doses de vitamina B-12 (no caso de anemia), suplementos de cálcio e vitamina D (para reduzir o risco da osteoporose).

Além do exposto acima, os médicos costumam recomendar uma dieta pobre em fibras, a fim de reduzir o risco de obstrução intestinal. Os médicos também recomendam evitar alimentos que possam causar inflamação. Isso inclui condimentados, álcool e possíveis alérgenos. Recomenda-se evitar produtos lácteos devido à intolerância à lactose, que é bastante comum e que pode agravar os sintomas.

Cirurgia 

Se os sintomas continuarem ou piorarem apesar de todos os tratamentos citados acima, a cirurgia pode ser indicada para reparar ou remover o tecido digestivo doente. Quase metade dos portadores da Doença de Crohn necessitará de cirurgia em algum momento. Com ela, busca-se remover a porção danificada do trato digestivo e reconectar as áreas saudáveis. Infelizmente, às vezes a doença permanece nas seções do tecido adjacente ao local onde a cirurgia foi realizada. O risco de recorrência após a cirurgia pode ser minimizado com medicação. 

Mudanças no estilo de vida e hábitos saudáveis são a base da vida de que sofre com a Doença de Crohn. Há outros hábitos que podem ajudar significativamente a lidar com a doença: 

  • Controle do estresse: evite situações estressantes o máximo possível e use exercícios, em especial os respiratórios, para controlar os níveis de estresse.
  • Beba bastante água 
  • Considere a medicina alternativa: embora sua eficiência não seja apoiada pela ciência, muitos pacientes com Crohn se beneficiam de suplementos de ervas e nutricionais, probióticos, óleo de peixe, acupuntura e prebióticos.
  • Exercício: exercícios moderados podem ajudar a lidar com praticamente todas as doenças crônicas, incluindo Crohn.
  • Grupos de apoio: aprender e se comunicar com outras pessoas que sofrem de Crohn também pode ajudar a lidar com a doença e melhorar a qualidade de vida.
  • Procure ajuda: mesmo que seus sintomas sejam leves, a doença de Crohn é uma doença difícil de ser controlada. Mantenha-se informado sobre a pesquisa, participe de um grupo de apoio e converse com um terapeuta, se necessário.

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