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Como é o processo de metabolização da cannabis no corpo?

Como é o processo de metabolização da cannabis no corpo?

Resumindo com enorme simplicidade: ao ser ingerida, a cannabis é primeiro transformada em uma substância que promove benefícios à saúde; mais tarde, ela torna-se um composto que pode ser naturalmente eliminado pelo corpo.

O processo de metabolização da cannabis e também de outros medicamentos refere-se à transformação e conversão bioquímica de substâncias desde o momento em que elas entram no organismo até serem eliminados.

Às vezes, a metabolização é explicada como um processo de “decomposição” de substâncias no corpo. Na maioria dos casos, no entanto, acontece exatamente o contrário: mais moléculas são adicionadas à estrutura química da substância ingerida. E, diferente do que se imagina, quanto maior a estrutura química, mais fácil eliminá-la do sistema.

Diferente do que se imagina, quanto maior a estrutura química, mais fácil é para o organismo eliminá-la.

Sendo assim, como ocorre esse processo de metabolização de medicamentos e também da cannabis? Ele  ocorre principalmente no fígado, devido à existência, ali, de uma grande variedade de enzimas. Mas isso não apenas ali ele acontece: a metabolização de medicamentos ocorre em todos os tecidos biológicos presentes no corpo humano. De qualquer maneira, a participação de outros tecidos no processo é bem mais limitada se comparada à atuação do fígado.

A metabolização de medicamentos ocorre em duas fases distintas:

Na fase 1, as enzimas iniciam uma reação química, adicionando uma molécula de oxigênio ao medicamento. Embora nessa fase sejam produzidos também compostos de fácil eliminação, a maioria deles ainda não está pronta para ser descartada pelo organismo.

Na fase 2, esses compostos químicos modificados passam por mais uma série de reações químicas, e outra molécula, maior, se liga à estrutura. Catalisada por outra classe de enzimas, chamadas transferases ou UGTs, essa transformação faz com que as substâncias químicas se tornem solúveis em água e, portanto, possam ser eliminadas do corpo através da urina.

Ativando a Cannabis no Corpo

Os dois principais canabinoides da cannabis, o THC e o CBD, começam sua vida na forma de ácido. Nas flores frescas de cannabis, como as usadas para fumar, vaporizar ou fazer produtos comestíveis de maconha, não há muito THC ou CBD, mas THC-A e CBD-A, seus precursores ácidos.

Como é o processo de metabolização da cannabis no corpo?

Embora esses precursores tenham efeitos medicinais ativos, eles são muito diferentes de suas conhecidas formas neutras. O THC-A, por exemplo, tem o mesmo potencial anti-inflamatório do THC, mas sem os efeitos psicoativos daquela substância.

O THC se torna ativo quando o THC-A é transformado por meio de um processo de descarboxilação, geralmente desencadeado pelo calor. Esse processo ocorre naturalmente quando o indivíduo queima ou aquece a maconha para fumá-la ou vaporizá-la. O mesmo se aplica ao CBD-A e a outros canabinoides menores.

Como Inicia-se a Metabolização da Cannabis

Depois que os canabinoides (as substâncias químicas ativas da cannabis, como o THC e o CBD) são absorvidos pela corrente sanguínea e depositados nos tecidos do corpo, eles começam a produzir os efeitos desejados. Mas como isso acontece?

Nesse momento, você já terá consumido e ativado os canabinoides importantes, os quais devem estar circulando pela sua corrente sanguínea. Como o seu corpo reage em seguida? Primeiro, o coração envia sangue para o fígado, e os canabinoides contidos no sangue são metabolizados pelas células de seu fígado.

Embora o processo de metabolização da cannabis ocorra principalmente nesse órgão (devido ao grande número de enzimas ali existentes), a metabolização dos canabinoides também pode ocorrer em outros tecidos. Por exemplo, foi demonstrado experimentalmente que o THC pode ser metabolizado no cérebro.

As células do fígado contêm a maior parte das enzimas metabolizadoras do corpo necessárias para o processo de transformação. A nova molécula produzida por esse processo é conhecida como metabólito.

Embora a metabolização dos canabinoides possa ocorrer de diversas maneiras, como no caso de outros medicamentos, ela geralmente envolve duas fases:

Fase 1

A metabolização da cannabis, em sua fase 1, compreende a hidroxilação e a oxidação. Nesta fase, determinadas enzimas hidroxilam parte do canabinoide, adicionando uma molécula de oxigênio e hidrogênio à sua estrutura.

Com o THC, isso leva à criação do 11-Hidroxi-THC, um metabólito muito ativo em termos farmacológicos, conhecido por seus efeitos sedativos e psicoativos.

Curiosamente, os níveis de 11-Hidroxi-THC no plasma sanguíneo são mais baixos quando a maconha é fumada em vez de ingerida. Isso ocorre, sobretudo, porque o THC passa pelo sistema digestivo quando ingerido; portanto, mais THC é processado pelo fígado e convertido em 11-Hidroxi-THC antes de entrar na corrente sanguínea.

Quando o 11-Hidroxi-THC é oxidado pela mesma família de enzimas, produz o metabólito inativo THC-COOH, um dos mais conhecidos produtos finais do uso da cannabis. Geralmente entre 30-45 minutos depois de fumar, as concentrações de THC-COOH, que tiveram um aumento gradativo, são mais altas do que as concentrações de THC. Isso indica que o THC está sendo metabolizado e transformado nesses derivados, que não são mais capazes de se ligar aos receptores de canabinoides e, portanto, não apresentam efeitos medicinais. O THC-COOH é a substância procurada em testes para detectar a presença de cannabis na urina.

Outros canabinoides, como o CBD, passam por processos semelhantes, transformando-se, por meio da metabolização, em uma série de metabólitos. Ainda assim, grande parte de qualquer quantidade de CBD passa inalterada pelo sistema e é eliminada nas fezes.

Curiosamente, as enzimas responsáveis ​​pela metabolização da fase 1 podem variar de pessoa para pessoa devido a fatores genéticos, o que significa que cada um metaboliza o THC e o CBD de maneira diferente. Alguns sentem os efeitos psicotrópicos por mais tempo do que outros ou têm mais chance de serem pegos em testes antidrogas devido ao maior acúmulo de canabinoides em seu sistema.

Fase 2

Na fase 2, o processo objetiva a preparação do medicamento para deixar o organismo. Nesta etapa, as enzimas UGT são capazes de conectar uma molécula de glicuronídeo ao THC-COOH, transformando-o em uma molécula de THC-COOH-glicuronídeo, fácil de ser eliminada do corpo pela urina ou pelas fezes. Uma vez transformado nesse metabólito, o medicamento está pronto para deixar o organismo.

No último estágio deste processo, os metabólitos de THC são eliminados pela urina ou pelas fezes.

Cerca de 80-90% do THC e seus metabólitos são expelidos: mais de 65% pelas fezes e 20% pela urina.

Nos próximos cinco dias a partir de então, cerca de 80-90% do THC e (principalmente) seus metabólitos são expelidos, mais de 65% pelas fezes e 20% pela urina. Mas esse não é o fim da história. Parte do THC (e seus metabólitos) permanece ligada ao tecido, sendo liberada mais lentamente. É por isso que os metabólitos de THC podem ser detectados semanas após o uso no caso de alguns usuários de cannabis.

Como podemos ver, os componentes ativos da marijuana fazem uma longa jornada desde a absorção até a eliminação do organismo, transformando-se em diferentes substâncias químicas no decorrer do processo. O THC absorvido provavelmente sairá do corpo na forma de uma substância totalmente diferente. De qualquer maneira, esse incrível processo permite que a cannabis entre em nosso sistema, produza uma série de efeitos impressionantes e saia dele sem se acumular no organismo, possibilitando seu uso medicinal.

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