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A Cannabis Pode Ajudar na Osteoartrite?

Visão Geral

A osteoartrite (OA) é a principal causa de incapacidade em adultos mais velhos, provocando não apenas dor e mobilidade reduzida, mas uma série de outros problemas de saúde, incluindo aumento da ansiedade e depressão, prejudicando a qualidade de vida. Muitas pessoas recorrem à cannabis medicinal para controlar os sintomas da OA. Não há até agora ensaios clínicos que comprovem sua eficácia. No entanto, estudos que destacam o papel do sistema endocanabinoide, tanto na fisiopatologia da OA quanto como um possível alvo terapêutico para futuros medicamentos contra a doença, sugerem que o uso da cannabis como tratamento para osteoartrite pode estar mais próximo do que muitos pensam. Além disso, a cannabis tornou-se uma opção segura e comum para quem sofre de dor crônica, uma característica determinante da osteoartrite.

O Sistema Endocanabinoide

Evidências que destacam a íntima relação entre o  sistema endocanabinoide (SE) no desenvolvimento da osteoartrite e seu papel como potencial alvo terapêutico ampliaram o horizonte dos cientistas que pesquisam medicamentos para a doença.

O sistema endocanabinoide foi descoberto no início da década de 1990, quando os pesquisadores tentavam entender como o tetra-hidrocanabinol (THC), os compostos psicoativos da cannabis, afeta o corpo. Eles descobriram duas classes principais de receptores: os receptores canabinoides CB1, encontrados principalmente no cérebro e no sistema nervoso central, e os receptores CB2, concentrados no sistema imunológico, mas também nos terminais nervosos periféricos.

Unidos a esses receptores canabinoides há ligantes graxos chamados endocanabinoides. Os mais estudados são a anandamida e o 2-AG, mas também existem os compostos endógenos relacionados, como o ácido araquidônico (AA), N-palmitoiletanolamida (PEA) e N-oleo-olanolamina (OEA). Os endocanabinoides são produzidos quando há algum desequilíbrio no corpo, e depois são decompostos por enzimas especiais (FAAH e MAGL).

O SE é, por natureza, adaptável e dinâmico, tornando-se alterado na maioria das condições patológicas, incluindo a dor. Essas mudanças podem incluir alterações na expressão do receptor canabinoide ou em seus agonistas, a anandamida e o 2-AG. No entanto, acredita-se que isso seja um mecanismo de defesa, isto é, nosso corpo tentando impedir a progressão da doença.

Por enquanto, a maioria dos estudos sobre o papel do SE na osteoartrite foi realizada com animais, geralmente roedores. Embora esses estudos indiquem uma forte relação entre o SE e a osteoartrite, os resultados não são necessariamente válidos para seres humanos. Aliás, um dos únicos ensaios clínicos em humanos direcionados ao sistema endocanabinoide para combater a artrite (bloqueando a enzima responsável pela quebra da anandamida no organismo) não conseguiu repetir os resultados de alívio da dor observado em animais.

Ainda assim, os estudos em camundongos e ratos revelaram informações úteis sobre o papel do SE na osteoartrite. Níveis elevados de anandamida, 2-AG e os compostos relacionados PEA e OEA foram encontrados na medula espinhal de ratos com dor de OA no joelho induzida pelos pesquisadores. Outro estudo encontrou diminuição da expressão de CB1 e CB2 na medula lombar de camundongos com OA induzida, o que pode ser uma resposta ao aumento do tônus ​​do SE.

Mas e nos humanos? Embora seja muito mais fácil medir o tônus ​​endocanabinoide em roedores, um estudo revelou que pacientes com OA têm expressão suprarregulada de CB1 e CB2, assim como níveis elevados de 2-AG, sugerindo uma conexão entre o SE, a OA e o maior número de casos de depressão entre esses pacientes.

Será que a desregulação endocanabinoide se tornará o biomarcador da osteoartrite no futuro, alertando os médicos para a doença antes que ocorram muitos danos nas articulações?

Uma excitante área de pesquisa está no desenvolvimento de medicamentos direcionados ao SE como forma de reduzir a dor da OA.

O conhecido poder anti-inflamatório do receptor CB2, quando ativado, é promissor, sugerindo, de acordo com os cientistas, que ele pode desempenhar um papel crucial no controle da osteoartrite. Em um estudo, um aumento na expressão de CB2 provocou a redução da dor das articulações, enquanto a estimulação dos receptores CB2 em ratos osteoartríticos reduziu o comportamento associado à dor. Aliás, quando os cientistas criaram camundongos sem nenhum receptor de CB2, sua OA mostrou-se mais grave do que a do grupo de controle.

A ativação dos receptores CB1 também parece suprimir a dor nociceptiva da OA, algo que os cientistas descobriram usando um agonista CB1 sintético em roedores osteoartríticos.

Cannabis e Osteoartrite

O fato de o SE ser agora um alvo terapêutico aceito para desenvolver medicamentos contra osteoartrite é mais um motivo para a utilização dos compostos da planta de cannabis no controle dos sintomas da OA.

A planta de cannabis contém mais de 144 compostos chamados canabinoides, sendo o tetra-hidrocanabinol (THC) o mais estudado. O THC é um agonista parcial dos receptores CB1 e CB2, o que poderia explicar por que os pacientes relatam que a maconha medicinal ajuda nos sintomas de dor. Curiosamente, um estudo de neuroimagem em seres humanos revelou que o THC reduz o desconforto da dor, em vez de alterar as sensações de dor em si.

Como o THC nem sempre é facilmente tolerado devido ao seu efeito psicoativo, em alguns estudos sobre a dor em humano, ele foi combinado com canabidiol (CBD), um canabinoide não intoxicante.

Além de neutralizar a sensação de “high” causada pelo THC, o próprio CBD é analgésico e anti-inflamatório devido a mecanismos não relacionados ao SE. No entanto, acredita-se que o CBD influencie indiretamente no tônus ​​endocanabinoide, inibindo a enzima FAAH, responsável por quebrar a anandamida no organismo, o que pode causar um efeito anti-inflamatório adicional.

Aliás, um estudo pré-clínico em ratos revelou que o efeito anti-inflamatório do CBD evita a dor e danos nos nervos associados à OA.

Evidência Clínica

Até agora, os canabinoides têm demonstrado, em humanos, maior eficácia no tratamento da dor neuropática, embora relatórios informais do mundo inteiro sugiram que a planta de cannabis seja eficaz para a dor crônica em geral.

No caso da osteoartrite, a pesquisa clínica tem sido limitada, embora, no momento, estejam sendo realizados dois ensaios clínicos com canabinoides para OA

O primeiro, um estudo randomizado, de duplo placebo, está voltado para o uso de canabinoides vaporizados na artrite da articulação do joelho. Diferentes proporções de THC e CBD estão sendo testadas em 40 indivíduos quanto à segurança, eficácia e tolerabilidade das diferentes combinações de canabinoides.

Um segundo estudo, também randomizado e controlado por placebo, analisará o CBD como tratamento da osteoartrite nas mãos em 180 indivíduos.

Felizmente, é provável que mais pesquisas clínicas sobre canabinoides para osteoartrite ocorram em todo o mundo, à medida que diminuem as restrições aos estudos dos compostos presentes na cannabis.

Sobre a Osteoartrite

Visão Geral

Embora a artrite ocorra de diferentes formas, na verdade mais de 100, a osteoartrite (OA) é a mais comum, afetando cerca de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro. Todos os tipos de artrite provocam dor e inflamação nas articulações, mas eles têm diferentes causas e afetam as pessoas de maneiras diferentes. Inevitavelmente, à medida que envelhecemos, nossas articulações passam por um processo degenerativo que pode levar a alterações osteoartríticas.

Osteoartrite é o processo de degenerativo de nossas articulações pelo próprio desgaste da vida. As articulações mais afetadas são geralmente aquelas que mais foram utilizadas ao longo da vida, como as articulações de sustentação de peso, embora a osteoartrite possa ocorrer em qualquer articulação do corpo.

A osteoartrite geralmente ocorre nos joelhos, quadris, coluna vertebral e mãos, mas pode afetar qualquer articulação do corpo. A osteoartrite do joelho é a mais comum, afetando 50% dos adultos em algum momento da vida, seguida de OA nos quadris, afetando uma em cada quatro pessoas aos 85 anos de idade, enquanto uma em cada 12 pessoas com mais de 60 anos desenvolve osteoartrite nas mãos.

Sintomas

Os principais sintomas da osteoartrite são dores e rigidez nas articulações, que doem mais com o movimento. Às vezes, a área em volta das articulações fica inchada e sensível ao mais leve toque.

Muitas pessoas com osteoartrite não conseguem realizar movimentos completos com as articulações. Em alguns casos, o indivíduo pode sentir as pontas dos ossos roçando umas contra as outras, especialmente no joelho, e ouvir estalos quando a articulação se move. Algumas pessoas também apresentam esporões, que são excrescências ósseas que se formam ao redor da articulação afetada.

Quando Consultar o Médico

Se você sentir dor e rigidez nas articulações que não desaparecem por várias semanas, consulte seu médico. Existem maneiras de aliviar a dor e o desconforto, e de ajudar a preservar sua mobilidade e independência.

Diagnóstico

Para diagnosticar a osteoartrite, seu médico fará perguntas sobre seus sintomas e seu histórico médico, além de um exame físico completo, de modo a verificar a rigidez, dor, inchaço e amplitude de movimento / flexibilidade de cada uma das articulações.

Os médicos também costumam pedir alguns ou todos dos exames a seguir:

  • A IRM (imagem por ressonância magnética) produz uma imagem detalhada dos ossos e tecidos moles, revelando áreas de dano precoce da osteoartrite.
  • Os raios X mostram deformidades ósseas e podem identificar perda de cartilagem, que faz com que haja um espaço mais estreito entre os ossos das articulações.
  • A análise do líquido sinovial envolve o anestesiamento da articulação afetada e, em seguida, o uso de uma agulha para extrair um pouco de líquido do espaço articular. O médico examinará o líquido em busca de cristais ou deterioração das articulações e testará sinais de inflamação, para ajudar a descartar outras doenças, como gota ou infecção.
  • Os exames de sangue não revelam osteoartrite, mas ajudam a descartar outras doenças, como artrite reumatoide e outros problemas que afetam as articulações.

Causas

As articulações estão localizadas entre os ossos, e servem para nos garantir flexibilidade e a capacidade de mover os dedos, membros e coluna. Essas articulações são amortecidas por uma camada de cartilagem ao redor da extremidade de cada osso, para que ele deslize suavemente. Com o tempo, essa cartilagem se desgasta e / ou se decompõe, e começa a haver atrito entre as extremidades dos ossos, causando inchaço, dor e dificuldade de mover a articulação.

Pedaços de osso ou cartilagem podem se romper e ficar flutuando ao redor da articulação. A inflamação resultante do atrito dos ossos produz proteínas, chamadas citocinas, e enzimas, que danificam a cartilagem ainda mais, até que os ossos passam a se roçar diretamente.

Esse atrito direto, de osso contra osso, afeta os próprios ossos, os tecidos conjuntivos responsáveis pela coesão da articulação, a ligação dos músculos aos ossos e o revestimento em torno de toda a articulação.

Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver osteoartrite ou aceleram o processo, entre eles:

  • Obesidade: quanto maior o peso da pessoa, maior a pressão nas articulações de sustentação, especialmente joelhos e quadris. O tecido adiposo também produz proteínas que causam inflamação nas articulações e em seu entorno, danificando ainda mais a cartilagem.
  • Esforço repetitivo: esportes ou trabalhos que exigem um esforço repetitivo das articulações aceleram os danos à cartilagem dessa articulação.
  • Hereditariedade: quem possui histórico familiar de osteoartrite tem maior probabilidade de desenvolver a doença.
  • Idade: quanto mais velho, maior a probabilidade de desenvolver osteoartrite.
  • Gênero: as mulheres são mais propensas a ter osteoartrite do que os homens, embora os cientistas não saibam exatamente por quê.
  • Doenças metabólicas: diabetes, hemocromatose (distúrbio que ocorre quando o corpo produz muito ferro) e alguns outros distúrbios metabólicos podem aumentar a probabilidade de osteoartrite.
  • Lesões nas articulações: mesmo que a lesão tenha ocorrido há muitos anos e já esteja completamente curada, essa articulação tem maior probabilidade de desenvolver osteoartrite.
  • Malformações ósseas: quem nasceu com malformação nas articulações ou problemas de cartilagem tem maior probabilidade de desenvolver osteoartrite.
  • Imobilidade: períodos prolongados de inatividade podem levar à progressão da artrite e à degeneração articular e óssea.

Tratamento

A osteoartrite é uma doença crônica e geralmente progressiva, o que significa que ela não pode ser curada, mas existem maneiras de aliviar seus sintomas. Muitas pessoas ignoram sua osteoartrite ou não procuram tratamento, porque pensam que não há nada a fazer para melhorar. Na verdade, é importante fazer o máximo possível para reduzir os sintomas da osteoartrite e não perder a mobilidade.

Se não tratada, a dor e o desconforto da osteoartrite podem levar ao ostracismo, à interrupção precoce da vida profissional e a um estilo de vida sedentário, que provoca outros problemas de saúde, como doenças cardíacas ou diabetes.

Fisioterapia e Exercícios

Embora a dor nas articulações possa fazer com que você queira ficar o mais parado possível, é importante se movimentar. Os exercícios de baixo impacto, combinados à fisioterapia, ajudam a fortalecer os músculos que sustentam as articulações e amenizam a pressão sobre a articulação. Alongamentos e exercícios leves para melhorar a amplitude de movimento aliviam a rigidez das articulações, mantendo-as mais flexíveis, na medida do possível. Tai chi e yoga são particularmente recomendados para osteoartrite.

Terapia Ocupacional

Os terapeutas ocupacionais ajudam a encontrar dispositivos auxiliares para facilitar a execução de tarefas diárias que causam dor e desconforto, além de sugerir ajustes em termos de movimento para que o paciente continue independente por mais tempo.

Perda de Peso

Se você estiver acima do peso, emagrecer ajudará a reduzir a pressão nas articulações, diminuindo a dor e o desconforto.

Medicação

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como Aspirina, Advil (ibuprofeno) e Flanax (naproxeno) ajudam a reduzir a inflamação e aliviar a dor da osteoartrite. Você pode tomá-los como comprimidos ou aplicá-los diretamente na articulação dolorosa na forma de gel.

Analgésicos são qualquer tipo de remédio para a dor que ajuda a controlar os sintomas dolorosos da osteoartrite, de modo que o indivíduo não deixe de viver sua vida normal.

Se os medicamentos orais não funcionarem, o médico poderá prescrever injeções de corticosteroide ou ácido hialurônico. Os corticosteroides são poderosos anti-inflamatórios que suprimem o sistema imunológico, reduzindo o inchaço e proporcionando um alívio significativo da dor. No entanto, eles também geram reações adversas, como perda óssea, elevação do açúcar no sangue e uma série de outros problemas, de modo que só serão prescritos três ou quatro vezes por ano, no máximo. O ácido hialurônico é uma substância lubrificante presente nas articulações, mas que falta em pessoas com osteoartrite.

Cirurgia

Quando a osteoartrite progride para estágios mais avançados, muitas vezes a cirurgia pode proporcionar benefícios e melhorar a qualidade de vida.

Se as articulações estiverem gravemente danificadas, a cirurgia de substituição articular pode ser uma opção viável. A articulação danificada é substituída por uma nova, feita de plástico e metal, que desliza mais suavemente contra o resto da articulação. A cirurgia também envolve riscos e complicações, e raramente é a única solução. As articulações de substituição podem se soltar ou se desgastar.

Terapias Naturais e Alternativas

Existem várias terapias alternativas naturais, à base de plantas, para aliviar a dor da osteoartrite, entre elas:

  • Calor e frio: calor ajuda no relaxamento dos músculos e no alívio da rigidez. Já o frio atenua dores nos músculos após o exercício.
  • Acupuntura e massagem ajudam a reduzir a dor e a rigidez nas articulações.
  • Técnicas de relaxamento e meditação podem ajudar a melhorar seu estado de espírito, o que aumenta a tolerância à dor da osteoartrite.
  • A capsaicina é um extrato de pimenta a ser aplicado diretamente na articulação dolorida para reduzir a inflamação e a dor, mas algumas pessoas relatam irritação na pele como reação adversa.
Home > Quadros Clinicos > Osteoartrite
322
350
10 min

A Cannabis Pode Ajudar na Osteoartrite?

por Mary Biles

Sep 22, 2019

Visão Geral

A osteoartrite (OA) é a principal causa de incapacidade em adultos mais velhos, provocando não apenas dor e mobilidade reduzida, mas uma série de outros problemas de saúde, incluindo aumento da ansiedade e depressão, prejudicando a qualidade de vida. Muitas pessoas recorrem à cannabis medicinal para controlar os sintomas da OA. Não há até agora ensaios clínicos que comprovem sua eficácia. No entanto, estudos que destacam o papel do sistema endocanabinoide, tanto na fisiopatologia da OA quanto como um possível alvo terapêutico para futuros medicamentos contra a doença, sugerem que o uso da cannabis como tratamento para osteoartrite pode estar mais próximo do que muitos pensam. Além disso, a cannabis tornou-se uma opção segura e comum para quem sofre de dor crônica, uma característica determinante da osteoartrite.

O Sistema Endocanabinoide

Evidências que destacam a íntima relação entre o  sistema endocanabinoide (SE) no desenvolvimento da osteoartrite e seu papel como potencial alvo terapêutico ampliaram o horizonte dos cientistas que pesquisam medicamentos para a doença.

O sistema endocanabinoide foi descoberto no início da década de 1990, quando os pesquisadores tentavam entender como o tetra-hidrocanabinol (THC), os compostos psicoativos da cannabis, afeta o corpo. Eles descobriram duas classes principais de receptores: os receptores canabinoides CB1, encontrados principalmente no cérebro e no sistema nervoso central, e os receptores CB2, concentrados no sistema imunológico, mas também nos terminais nervosos periféricos.

Unidos a esses receptores canabinoides há ligantes graxos chamados endocanabinoides. Os mais estudados são a anandamida e o 2-AG, mas também existem os compostos endógenos relacionados, como o ácido araquidônico (AA), N-palmitoiletanolamida (PEA) e N-oleo-olanolamina (OEA). Os endocanabinoides são produzidos quando há algum desequilíbrio no corpo, e depois são decompostos por enzimas especiais (FAAH e MAGL).

O SE é, por natureza, adaptável e dinâmico, tornando-se alterado na maioria das condições patológicas, incluindo a dor. Essas mudanças podem incluir alterações na expressão do receptor canabinoide ou em seus agonistas, a anandamida e o 2-AG. No entanto, acredita-se que isso seja um mecanismo de defesa, isto é, nosso corpo tentando impedir a progressão da doença.

Por enquanto, a maioria dos estudos sobre o papel do SE na osteoartrite foi realizada com animais, geralmente roedores. Embora esses estudos indiquem uma forte relação entre o SE e a osteoartrite, os resultados não são necessariamente válidos para seres humanos. Aliás, um dos únicos ensaios clínicos em humanos direcionados ao sistema endocanabinoide para combater a artrite (bloqueando a enzima responsável pela quebra da anandamida no organismo) não conseguiu repetir os resultados de alívio da dor observado em animais.

Ainda assim, os estudos em camundongos e ratos revelaram informações úteis sobre o papel do SE na osteoartrite. Níveis elevados de anandamida, 2-AG e os compostos relacionados PEA e OEA foram encontrados na medula espinhal de ratos com dor de OA no joelho induzida pelos pesquisadores. Outro estudo encontrou diminuição da expressão de CB1 e CB2 na medula lombar de camundongos com OA induzida, o que pode ser uma resposta ao aumento do tônus ​​do SE.

Mas e nos humanos? Embora seja muito mais fácil medir o tônus ​​endocanabinoide em roedores, um estudo revelou que pacientes com OA têm expressão suprarregulada de CB1 e CB2, assim como níveis elevados de 2-AG, sugerindo uma conexão entre o SE, a OA e o maior número de casos de depressão entre esses pacientes.

Será que a desregulação endocanabinoide se tornará o biomarcador da osteoartrite no futuro, alertando os médicos para a doença antes que ocorram muitos danos nas articulações?

Uma excitante área de pesquisa está no desenvolvimento de medicamentos direcionados ao SE como forma de reduzir a dor da OA.

O conhecido poder anti-inflamatório do receptor CB2, quando ativado, é promissor, sugerindo, de acordo com os cientistas, que ele pode desempenhar um papel crucial no controle da osteoartrite. Em um estudo, um aumento na expressão de CB2 provocou a redução da dor das articulações, enquanto a estimulação dos receptores CB2 em ratos osteoartríticos reduziu o comportamento associado à dor. Aliás, quando os cientistas criaram camundongos sem nenhum receptor de CB2, sua OA mostrou-se mais grave do que a do grupo de controle.

A ativação dos receptores CB1 também parece suprimir a dor nociceptiva da OA, algo que os cientistas descobriram usando um agonista CB1 sintético em roedores osteoartríticos.

Cannabis e Osteoartrite

O fato de o SE ser agora um alvo terapêutico aceito para desenvolver medicamentos contra osteoartrite é mais um motivo para a utilização dos compostos da planta de cannabis no controle dos sintomas da OA.

A planta de cannabis contém mais de 144 compostos chamados canabinoides, sendo o tetra-hidrocanabinol (THC) o mais estudado. O THC é um agonista parcial dos receptores CB1 e CB2, o que poderia explicar por que os pacientes relatam que a maconha medicinal ajuda nos sintomas de dor. Curiosamente, um estudo de neuroimagem em seres humanos revelou que o THC reduz o desconforto da dor, em vez de alterar as sensações de dor em si.

Como o THC nem sempre é facilmente tolerado devido ao seu efeito psicoativo, em alguns estudos sobre a dor em humanos, ele foi combinado com canabidiol (CBD), um canabinoide não intoxicante.

Além de neutralizar a sensação de “high” causada pelo THC, o próprio CBD é analgésico e anti-inflamatório devido a mecanismos não relacionados ao SE. No entanto, acredita-se que o CBD influencie indiretamente no tônus ​​endocanabinoide, inibindo a enzima FAAH, responsável por quebrar a anandamida no organismo, o que pode causar um efeito anti-inflamatório adicional.

Aliás, um estudo pré-clínico em ratos revelou que o efeito anti-inflamatório do CBD evita a dor e danos nos nervos associados à OA.

Evidência Clínica

Até agora, os canabinoides têm demonstrado, em humanos, maior eficácia no tratamento da dor neuropática, embora relatórios informais do mundo inteiro sugiram que a planta de cannabis seja eficaz para a dor crônica em geral.

No caso da osteoartrite, a pesquisa clínica tem sido limitada, embora, no momento, estejam sendo realizados dois ensaios clínicos com canabinoides para OA

O primeiro, um estudo randomizado, de duplo placebo, está voltado para o uso de canabinoides vaporizados na artrite da articulação do joelho. Diferentes proporções de THC e CBD estão sendo testadas em 40 indivíduos quanto à segurança, eficácia e tolerabilidade das diferentes combinações de canabinoides.

Um segundo estudo, também randomizado e controlado por placebo, analisará o CBD como tratamento da osteoartrite nas mãos em 180 indivíduos.

Felizmente, é provável que mais pesquisas clínicas sobre canabinoides para osteoartrite ocorram em todo o mundo, à medida que diminuem as restrições aos estudos dos compostos presentes na cannabis.

Sobre a Osteoartrite

Visão Geral

Embora a artrite ocorra de diferentes formas, na verdade mais de 100, a osteoartrite (OA) é a mais comum, afetando cerca de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro. Todos os tipos de artrite provocam dor e inflamação nas articulações, mas eles têm diferentes causas e afetam as pessoas de maneiras diferentes. Inevitavelmente, à medida que envelhecemos, nossas articulações passam por um processo degenerativo que pode levar a alterações osteoartríticas.

Osteoartrite é o processo de degenerativo de nossas articulações pelo próprio desgaste da vida. As articulações mais afetadas são geralmente aquelas que mais foram utilizadas ao longo da vida, como as articulações de sustentação de peso, embora a osteoartrite possa ocorrer em qualquer articulação do corpo.

A osteoartrite geralmente ocorre nos joelhos, quadris, coluna vertebral e mãos, mas pode afetar qualquer articulação do corpo. A osteoartrite do joelho é a mais comum, afetando 50% dos adultos em algum momento da vida, seguida de OA nos quadris, afetando uma em cada quatro pessoas aos 85 anos de idade, enquanto uma em cada 12 pessoas com mais de 60 anos desenvolve osteoartrite nas mãos.

Sintomas

Os principais sintomas da osteoartrite são dores e rigidez nas articulações, que doem mais com o movimento. Às vezes, a área em volta das articulações fica inchada e sensível ao mais leve toque.

Muitas pessoas com osteoartrite não conseguem realizar movimentos completos com as articulações. Em alguns casos, o indivíduo pode sentir as pontas dos ossos roçando umas contra as outras, especialmente no joelho, e ouvir estalos quando a articulação se move. Algumas pessoas também apresentam esporões, que são excrescências ósseas que se formam ao redor da articulação afetada.

Quando Consultar o Médico

Se você sentir dor e rigidez nas articulações que não desaparecem por várias semanas, consulte seu médico. Existem maneiras de aliviar a dor e o desconforto, e de ajudar a preservar sua mobilidade e independência.

Diagnóstico

Para diagnosticar a osteoartrite, seu médico fará perguntas sobre seus sintomas e seu histórico médico, além de um exame físico completo, de modo a verificar a rigidez, dor, inchaço e amplitude de movimento / flexibilidade de cada uma das articulações.

Os médicos também costumam pedir alguns ou todos dos exames a seguir:

  • A IRM (imagem por ressonância magnética) produz uma imagem detalhada dos ossos e tecidos moles, revelando áreas de dano precoce da osteoartrite.
  • Os raios X mostram deformidades ósseas e podem identificar perda de cartilagem, que faz com que haja um espaço mais estreito entre os ossos das articulações.
  • A análise do líquido sinovial envolve o anestesiamento da articulação afetada e, em seguida, o uso de uma agulha para extrair um pouco de líquido do espaço articular. O médico examinará o líquido em busca de cristais ou deterioração das articulações e testará sinais de inflamação, para ajudar a descartar outras doenças, como gota ou infecção.
  • Os exames de sangue não revelam osteoartrite, mas ajudam a descartar outras doenças, como artrite reumatoide e outros problemas que afetam as articulações.

Causas

As articulações estão localizadas entre os ossos, e servem para nos garantir flexibilidade e a capacidade de mover os dedos, membros e coluna. Essas articulações são amortecidas por uma camada de cartilagem ao redor da extremidade de cada osso, para que ele deslize suavemente. Com o tempo, essa cartilagem se desgasta e / ou se decompõe, e começa a haver atrito entre as extremidades dos ossos, causando inchaço, dor e dificuldade de mover a articulação.

Pedaços de osso ou cartilagem podem se romper e ficar flutuando ao redor da articulação. A inflamação resultante do atrito dos ossos produz proteínas, chamadas citocinas, e enzimas, que danificam a cartilagem ainda mais, até que os ossos passam a se roçar diretamente.

Esse atrito direto, de osso contra osso, afeta os próprios ossos, os tecidos conjuntivos responsáveis pela coesão da articulação, a ligação dos músculos aos ossos e o revestimento em torno de toda a articulação.

Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver osteoartrite ou aceleram o processo, entre eles:

  • Obesidade: quanto maior o peso da pessoa, maior a pressão nas articulações de sustentação, especialmente joelhos e quadris. O tecido adiposo também produz proteínas que causam inflamação nas articulações e em seu entorno, danificando ainda mais a cartilagem.
  • Esforço repetitivo: esportes ou trabalhos que exigem um esforço repetitivo das articulações aceleram os danos à cartilagem dessa articulação.
  • Hereditariedade: quem possui histórico familiar de osteoartrite tem maior probabilidade de desenvolver a doença.
  • Idade: quanto mais velho, maior a probabilidade de desenvolver osteoartrite.
  • Gênero: as mulheres são mais propensas a ter osteoartrite do que os homens, embora os cientistas não saibam exatamente por quê.
  • Doenças metabólicas: diabetes, hemocromatose (distúrbio que ocorre quando o corpo produz muito ferro) e alguns outros distúrbios metabólicos podem aumentar a probabilidade de osteoartrite.
  • Lesões nas articulações: mesmo que a lesão tenha ocorrido há muitos anos e já esteja completamente curada, essa articulação tem maior probabilidade de desenvolver osteoartrite.
  • Malformações ósseas: quem nasceu com malformação nas articulações ou problemas de cartilagem tem maior probabilidade de desenvolver osteoartrite.
  • Imobilidade: períodos prolongados de inatividade podem levar à progressão da artrite e à degeneração articular e óssea.

Tratamento

A osteoartrite é uma doença crônica e geralmente progressiva, o que significa que ela não pode ser curada, mas existem maneiras de aliviar seus sintomas. Muitas pessoas ignoram sua osteoartrite ou não procuram tratamento, porque pensam que não há nada a fazer para melhorar. Na verdade, é importante fazer o máximo possível para reduzir os sintomas da osteoartrite e não perder a mobilidade.

Se não tratada, a dor e o desconforto da osteoartrite podem levar ao ostracismo, à interrupção precoce da vida profissional e a um estilo de vida sedentário, que provoca outros problemas de saúde, como doenças cardíacas ou diabetes.

Fisioterapia e Exercícios

Embora a dor nas articulações possa fazer com que você queira ficar o mais parado possível, é importante se movimentar. Os exercícios de baixo impacto, combinados à fisioterapia, ajudam a fortalecer os músculos que sustentam as articulações e amenizam a pressão sobre a articulação. Alongamentos e exercícios leves para melhorar a amplitude de movimento aliviam a rigidez das articulações, mantendo-as mais flexíveis, na medida do possível. Tai chi e yoga são particularmente recomendados para osteoartrite.

Terapia Ocupacional

Os terapeutas ocupacionais ajudam a encontrar dispositivos auxiliares para facilitar a execução de tarefas diárias que causam dor e desconforto, além de sugerir ajustes em termos de movimento para que o paciente continue independente por mais tempo.

Perda de Peso

Se você estiver acima do peso, emagrecer ajudará a reduzir a pressão nas articulações, diminuindo a dor e o desconforto.

Medicação

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como Aspirina, Advil (ibuprofeno) e Flanax (naproxeno) ajudam a reduzir a inflamação e aliviar a dor da osteoartrite. Você pode tomá-los como comprimidos ou aplicá-los diretamente na articulação dolorosa na forma de gel.

Analgésicos são qualquer tipo de remédio para a dor que ajuda a controlar os sintomas dolorosos da osteoartrite, de modo que o indivíduo não deixe de viver sua vida normal.

Se os medicamentos orais não funcionarem, o médico poderá prescrever injeções de corticosteroide ou ácido hialurônico. Os corticosteroides são poderosos anti-inflamatórios que suprimem o sistema imunológico, reduzindo o inchaço e proporcionando um alívio significativo da dor. No entanto, eles também geram reações adversas, como perda óssea, elevação do açúcar no sangue e uma série de outros problemas, de modo que só serão prescritos três ou quatro vezes por ano, no máximo. O ácido hialurônico é uma substância lubrificante presente nas articulações, mas que falta em pessoas com osteoartrite.

Cirurgia

Quando a osteoartrite progride para estágios mais avançados, muitas vezes a cirurgia pode proporcionar benefícios e melhorar a qualidade de vida.

Se as articulações estiverem gravemente danificadas, a cirurgia de substituição articular pode ser uma opção viável. A articulação danificada é substituída por uma nova, feita de plástico e metal, que desliza mais suavemente contra o resto da articulação. A cirurgia também envolve riscos e complicações, e raramente é a única solução. As articulações de substituição podem se soltar ou se desgastar.

Terapias Naturais e Alternativas

Existem várias terapias alternativas naturais, à base de plantas, para aliviar a dor da osteoartrite, entre elas:

  • Calor e frio: calor ajuda no relaxamento dos músculos e no alívio da rigidez. Já o frio atenua dores nos músculos após o exercício.
  • Acupuntura e massagem ajudam a reduzir a dor e a rigidez nas articulações.
  • Técnicas de relaxamento e meditação podem ajudar a melhorar seu estado de espírito, o que aumenta a tolerância à dor da osteoartrite.
  • A capsaicina é um extrato de pimenta a ser aplicado diretamente na articulação dolorida para reduzir a inflamação e a dor, mas algumas pessoas relatam irritação na pele como reação adversa.

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