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A Cannabis Pode Ajudar no Câncer de Pâncreas?

por Sarah Pritzker

Sep 25, 2019

Visão Geral

Os medicamentos à base de cannabis são utilizados há muito tempo para aliviar as reações adversas do câncer e da quimioterapia, como náusea, perda de peso e dor crônica.

Atualmente, as pesquisas indicam que o sistema endocanabinoide (SE), o sistema do corpo com o qual a cannabis interage, pode produzir efeitos que atacam diretamente o câncer de pâncreas, e também de outros tipos de câncer.

Aliás, alguns compostos à base de cannabis podem limitar o crescimento e até promover a morte de certas células cancerígenas. Vários estudos revelaram que os canabinoides e outros compostos encontrados na planta da cannabis podem garantir mais eficácia aos tratamentos tradicionais contra o câncer de pâncreas.

Embora sejam necessários mais ensaios clínicos para comprovar a segurança e a eficácia da cannabis nessa área, as pesquisas sobre esse tipo de tratamento são promissoras.

Como a Cannabis Funciona no Caso do Câncer de Pâncreas

O sistema endocanabinoide existe em todos os vertebrados e ajuda a regular funções cruciais, como sono, dor e apetite. O corpo humano produz seus próprios canabinoides, que controlam e ativam suas várias funções; mas, como o próprio nome indica, o sistema endocanabinoide também pode ser controlado e ativado por canabinoides encontrados na planta de cannabis.

Como todo o sistema só foi descoberto recentemente, os cientistas ainda têm muito a aprender sobre as inúmeras formas de atuação da cannabis no corpo humano.

Um dia, o SE poderá ser uma opção promissora para o tratamento direto do câncer de pâncreas. Vários estudos mostraram que o endocanabinoide anandamida tem propriedades anticancerígenas.

Um ponto crucial indicado pelas pesquisas é que os dois principais receptores endocanabinoides têm influência sobre a vida, a proliferação (aumento do número de células) e a apoptose celular (morte celular programada), processos essenciais para suprimir o câncer de pâncreas. Isso foi demonstrado em um estudo de 2013, no qual compostos que ativam os receptores inibiram o crescimento e promoveram a destruição das células cancerígenas do pâncreas.

Em especial, os canabinoides que atuam sobre esses receptores parecem aumentar a produção de ceramida, um composto biológico que promove a apoptose das células cancerígenas do pâncreas. Isso foi demonstrado em uma pesquisa, a qual revelou que a produção de ceramida está relacionada à apoptose de células cancerígenas pancreáticas induzida por THC, o principal canabinoide da maconha.

Tais efeitos podem explicar por que as células cancerígenas do pâncreas apresentam níveis mais altos de receptores canabinoides do que as saudáveis, indicando que o corpo tenta promover a morte dessas células ativando os receptores canabinoides, ao mesmo tempo que protege as células pancreáticas saudáveis ​​(que mantêm níveis normais de receptores canabinoides) da apoptose.

Além disso, os canabinoides que atuam através dos receptores canabinoides podem ter outros efeitos anticancerígenos que inibem a metástase, ou seja, a migração de células cancerígenas para outras partes do corpo, onde desenvolvem novos tumores. Em outras palavras, a ativação do SE pode reduzir o crescimento de novos vasos sanguíneos decorrente de tumores metastáticos e suprimir a migração de células cancerígenas.

Foi comprovado, também, que a ativação de receptores canabinoides estimula a resposta imune contra o câncer, promovendo o recrutamento de células imunes e diminuindo a migração de certas células envolvidas na inflamação relacionada ao câncer.

Em suma, de acordo com as evidências atuais, a ativação do sistema endocanabinoide produz efeitos antiproliferativos, proapoptóticos, antimetastáticos e outros efeitos anticancerígenos, que podem ser utilizados para suprimir e retardar o avanço do câncer de pâncreas e de outros tipos de câncer.

Estudos Médicos Sobre Cannabis e Câncer de Pâncreas

As pesquisas sobre o uso de medicamentos à base de cannabis para o tratamento do câncer de pâncreas e outros tipos de câncer estão em seus estágios iniciais e a maior parte das evidências se restringe à cultura de células e estudos com animais. No entanto, os resultados atuais são promissores.

  • Um estudo clínico de 2006 examinou os benefícios do THC em nove pessoas com tumores cerebrais recorrentes e agressivos (glioblastoma multiforme). De acordo com o estudo, o THC inibiu a proliferação de células tumorais em dois pacientes. Além disso, o tratamento foi considerado seguro e não produziu efeitos psicoativos significativos.
  • Um estudo de 2017 sobre o mesmo tipo de câncer revelou que o medicamento Sativex, à base de canabinoides, aumentou a eficácia do quimioterápico temozolomida.

Além desses estudos clínicos iniciais, existem muitos outros estudos pré-clínicos:

Além dos canabinoides, a cannabis contém outra classe de compostos que pode ter propriedades anticancerígenas: os flavonoides. Em estudo de 2013, por exemplo, foram examinadas as propriedades anticancerígenas da quercetina, composto flavonoide encontrado na cannabis e em outras plantas. Os pesquisadores constataram que a quercetina inibiu o crescimento de células cancerígenas pancreáticas isoladas e reduziu o crescimento de tumores em ratos.

Uma pesquisa mais recente, realizada pela Universidade de Harvard, revelou que, junto com a radioterapia, o flavonoide derivado da cannabis FBL-03G diminuiu o tempo de vida de células cancerígenas pancreáticas isoladas, retardou o avanço do tumor e prolongou a sobrevida de camundongos com câncer de pâncreas.

Outras pesquisas sugerem que a maior ingestão de flavonoides na dieta diminui o risco de desenvolver alguns tipos de câncer, embora as evidências relacionadas ao câncer de pâncreas especificamente continuem controversas, com alguns estudos relatando menor risco com alta ingestão, e outros, nenhuma correlação significativa.

Esse provável avanço da medicina vem complementar o alívio que os pacientes sentem com o uso da cannabis para lidar com os efeitos colaterais da quimioterapia e com os sintomas do câncer, como perda de apetite e náusea, entre outros.

Efeitos Colaterais

Preocupações relacionadas à segurança da cannabis têm sido a principal barreira para a popularização de seu uso medicinal no tratamento do câncer e outras doenças. Em especial, sabe-se que a maconha produz efeitos colaterais psicoativos, como perda de memória, paranoia, ansiedade e euforia, e também pode gerar cansaço, sonolência, boca seca etc.

Dito isto, os estudos iniciais em humanos sobre a cannabis para o tratamento de câncer e seus sintomas não relataram efeitos adversos significativos. Embora sejam necessários mais estudos clínicos, de forma geral considera-se que a cannabis tenha um bom perfil de segurança, com efeitos colaterais leves e transitórios.

Isenção de Responsabilidade

O conteúdo do site The Cannigma tem fins puramente informativos. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Sempre consulte um médico profissional experiente com conhecimento em cannabis antes de iniciar um tratamento.

Sobre a Câncer de Pâncreas

Visão Geral

O câncer de pâncreas é um tipo específico de câncer que começa nos tecidos do pâncreas. O pâncreas está localizado atrás do estômago, em frente à coluna vertebral, o que provê bastante espaço para os tumores se desenvolverem sem serem notados.

Na maioria dos casos de câncer de pâncreas, ele só é diagnosticado quando já está em estágio avançado, dificultando um tratamento eficaz. O câncer de pâncreas se espalha rapidamente para outros órgãos e logo se torna maligno.

A cada ano, cerca de 460.000 novos casos de câncer de pâncreas são diagnosticados. Mundialmente, o câncer de pâncreas é um pouco mais comum entre homens do que entre mulheres, com maior prevalência na Europa Central e Oriental.

O câncer de pâncreas tem uma das piores perspectivas em relação a diferentes tipos de câncer. Embora seja o 11º câncer mais comum em homens e o 12º câncer mais comum em mulheres em todo o mundo, é a sétima causa de mortes relacionadas ao câncer. Mundialmente, a taxa de sobrevivência em cinco anos é de apenas 9%. Todos os anos, 95.000 europeus morrem de câncer pancreático.

Sintomas

Ao contrário de muitos outros tipos de câncer, o câncer de pâncreas pode não apresentar nenhum sintoma até que já se encontre em um estágio relativamente avançado. Se começar perto da cabeça do pâncreas, ele pode bloquear uma estrutura chamada ducto biliar comum, levando à icterícia, afecção caracterizada por amarelamento da pele e dos olhos.

A maioria dos cânceres pancreático, no entanto, começa em outras partes do órgão e só apresenta sintomas quando se espalha para o ducto biliar ou para o fígado.

Os principais sintomas do câncer de pâncreas são:

  • Icterícia
  • Perda de peso repentina e inexplicável
  • Perda de apetite
  • Dor no abdômen e/ou região lombar
  • Diabetes de início recente
  • Cansaço e fadiga
  • CoágulosS
  • Depressão

Quando Consultar o Médico

Geralmente, a icterícia é o primeiro sintoma do câncer de pâncreas. No entanto, a icterícia ocorre em muitos outros casos, normalmente relacionados a doenças do fígado. Se você tiver icterícia, procure um médico para avaliar o motivo. Você também deve consultar seu médico se tiver perda de peso inexplicável, cansaço ou dor no abdômen, embora esses sintomas também possam estar relacionados a algo completamente diferente.

Diagnóstico

Em 44% dos casos, o câncer de pâncreas é diagnosticado somente nos estágios III e IV, quando o indivíduo já apresenta diversos sintomas e encontra-se em um “quadro de emergência”, ou seja, quando o câncer já se espalhou por outras partes do corpo.

Em raras ocasiões o câncer de pâncreas é detectado e diagnosticado em um estágio anterior, geralmente em um exame de rotina ou escaneamento realizado por outros motivos.

Para confirmar um diagnóstico de câncer de pâncreas, seu médico possivelmente realizará os seguintes exames:

  • Exames de imagem, incluindo tomografia computadorizada, PET scan e ressonância magnética, para visualizar o pâncreas e os órgãos ao redor e verificar a existência de tumores.
  • Ultrassonografia para produzir imagens de ultrassom do pâncreas e de áreas adjacentes.
  • Biópsia, que significa colher uma pequena amostra de tecido do pâncreas para verificar se existem células cancerígenas.
  • Exames de sangue, que mostram proteínas específicas chamadas de marcadores tumorais, liberadas pelas células cancerígenas do pâncreas. Esse exame nem sempre é confiável.

Causas

Não sabemos o que causa o câncer de pâncreas. Ele atinge mais homens do que mulheres no mundo inteiro (embora a diferença seja pequena) e é um pouco mais comum em pessoas muito altas.

Os cientistas observaram certos fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver câncer de pâncreas, entre eles:

  • Mutação genética hereditária nas células do pâncreas, revelada por histórico familiar de câncer de pâncreas.
  • Histórico familiar de síndromes que podem aumentar o risco geral de câncer, incluindo síndrome de Lynch, mutação no gene BRCA2 e síndrome familiar de melanoma associado a nevos atípicos (FAMMM, do inglês familial atypical mole-malignant melanoma).
  • Inflamação crônica do pâncreas (pancreatite)
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Diabetes
  • Idade: a maioria das pessoas diagnosticadas com câncer de pâncreas tem mais de 65 anos.

Tratamento

É quase impossível curar completamente o câncer de pâncreas. Nas raras ocasiões em que é detectado em estágio inicial, uma combinação de cirurgia, radiação e quimioterapia pode eliminar o câncer e prolongar a vida com saúde pelo maior tempo possível.

O tratamento para o câncer de pâncreas em estágio inicial inclui:

Cirurgia

Quem tem câncer de pâncreas em estágio inicial pode ser encaminhado para cirurgia para remover as partes cancerosas do pâncreas ou todo o órgão. O procedimento também pode envolver a remoção do duodeno (parte do intestino delgado), da vesícula biliar, dos linfonodos mais próximos, do baço e, às vezes, dos vasos sanguíneos da região. A quantidade removida depende da propagação e extensão do câncer.

Quimioterapia

Os medicamentos quimioterápicos são tomados por via oral ou injetados nas veias para matar as células cancerígenas. Às vezes, são combinados com terapia de radiação para aumentar sua eficácia. Quem tem câncer de pâncreas em estágio avançado pode fazer quimioterapia para diminuir a progressão do câncer.

Radioterapia

A radioterapia geralmente utiliza feixes de raios X (ou feixes de prótons, em alguns casos) para atingir e destruir as células cancerígenas. A radioterapia pode ser administrada com ou sem quimioterapia, e a radiação moderna é muito precisa.

Terapia Paliativa

Quando o câncer de pâncreas se encontra em estágio avançado, o tratamento geralmente se volta para o alívio da dor e a melhora da qualidade de vida. Ou seja, não procura-se a cura, sendo um tratamento paliativo.

Os tratamentos paliativos para o câncer de pâncreas incluem:

  • Alívio tradicional da dor, com uma combinação personalizada de analgésicos orais e, posteriormente, intravenosos.
  • O extrato de canabidiol (CBD) é um extrato da planta de cannabis que não intoxica e não causa dependência. O CBD ajuda a reduzir náuseas, vômitos e dores em pessoas com câncer de pâncreas. Também ajuda a diminuir o estresse, a ansiedade e o medo associados à convivência com esse tipo de câncer. Alguns novos estudos também mostraram que o CBD pode retardar ou destruir as células cancerígenas.
  • Técnicas de relaxamento: estratégias como meditação guiada, hipnose e exercícios de respiração profunda podem ajudar as pessoas com câncer de pâncreas a relaxar e aliviar o estresse, a dor e a ansiedade.
  • Suplementos nutricionais e fitoterápicos, como chá de gengibre e hortelã, podem ajudar a relaxar e aliviar sintomas como náuseas e vômitos.
  • A acupuntura ajuda  a relaxar e a fazer com que o corpo libere analgésicos naturais.
  • O biofeedback ensina a controlar funções corporais involuntárias, como respiração, sudorese e batimentos cardíacos, a fim de reduzir o estresse e a dor.
  • Terapias complementares como aromaterapia, arteterapia e musicoterapia podem aliviar o estresse e ajudar a relaxar.
  • A massagem terapêutica pode aliviar a dor dos músculos tensos, liberar dores nos nervos e ajudar a diminuir o estresse.
  • Exercícios mente-corpo, como tai chi e yoga, auxiliam no controle da dor e da ansiedade.

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