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A Cannabis Pode Ajudar nas Enxaquecas?

Visão Geral

As pessoas têm usado há milênios a cannabis para aliviar as dores de cabeça típicas da enxaqueca. Atualmente, essa continua uma prática popular, pois os medicamentos padrão nem sempre oferecem alívio e, por outro lado, causam  efeitos colaterais significativos.

Pesquisas médicas recentes já fornecem evidências sobre os efeitos benéficos da cannabis e do envolvimento do sistema endocanabinoide nas enxaquecas.

Descobertas inovadoras sugerem que um sistema endocanabinoide deficiente pode ser a causa subjacente da enxaqueca e de algumas outras doenças de difícil tratamento. Por essa razão, o uso de preparados de cannabis na moderação dessa deficiência oferece uma maneira natural de evitar as enxaquecas em si em vez de apenas aliviar seus sintomas. Mais importante: a cannabis pode fazê-lo sem muitos dos efeitos colaterais significativos.

Embora sejam necessárias mais pesquisas clínicas que explorem a eficácia da cannabis de uso medicinal no tratamento da enxaqueca, há suficientes evidências para recomendar o seu uso.

O Sistema Endocanabinoide

O sistema endocanabinoide é um sistema biológico importante envolvido na manutenção do equilíbrio do corpo, chamado homeostase. 

Composto por receptores de canabinoides, endocanabinoides e enzimas que sintetizam e decompõem esses endocanabinoides, esse sistema ajuda a regular muitos processos críticos, como função cognitiva, humor, metabolismo, imunidade e dor. 

Até agora, os pesquisadores identificaram dois receptores de canabinoides, CB1 e CB2. Embora estejam espalhados por todo o corpo, o CB1 é particularmente abundante no sistema nervoso central, enquanto o CB2 é comumente encontrado nas células imunológicas. Esses receptores são ativados por dois endocanabinoides produzidos pelo corpo humano: anandamida e 2-AG. 

Da mesma forma, os fitocanabinoides (derivados de plantas), como o THC e o CBD, também são capazes de interagir com os receptores de canabinoides.

Pesquisas indicam que o sistema endocanabinoide pode interagir com vários processos envolvidos na enxaqueca. Um deles é a liberação da serotonina química do cérebro pelas plaquetas, pequenos fragmentos de células encontrados no sangue. Estudos sugerem que os endocanabinoides podem evitar essa liberação e que indivíduos com enxaqueca crônica apresentam níveis reduzidos de anandamida e 2-AG em suas plaquetas.

Mais importante: os endocanabinoides foram relacionados a uma parte do cérebro chamada sistema trigeminovascular, o qual desempenha um papel central na causa dos ataques de enxaqueca. Pesquisas sugerem que os endocanabinoides regulam esse sistema através do receptor CB1.

Por exemplo, um estudo de 2004 descobriu que a anandamida inibe os neurônios trigêmeos, sugerindo um mecanismo que poderia levar os endocanabinoides a evitar a enxaqueca.

Mais significativo: um estudo de 2011 suplementar relatou que a administração de anandamida em ratos com dores de cabeça do tipo da enxaqueca reduziu a ativação de neurônios no sistema trigeminovascular e a dor a ela associada. 

Descobertas semelhantes foram relatadas por um estudo de 2015 sobre a enzima FAAH, responsável pela decomposição da anandamida. Os pesquisadores conseguiram aliviar quase completamente uma dor semelhante à enxaqueca em camundongos pela exclusão dessa enzima ou a administração de compostos que impedem seu funcionamento.

Achados como esses levaram os pesquisadores a sugerir que um sistema endocanabinoide disfuncional pode até ser responsável por enxaquecas.

Essa ideia foi proposta pela primeira vez pelo Dr. Ethan B. Russo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Internacional de Cannabis e Canabinoides (ICCI, na sigla em inglês) e um dos principais especialistas em cannabis medicinal, ao apresentar sua teoria da deficiência clínica de endocanabinoides (DCE) em 2001.

De acordo com essa teoria, níveis insuficientes de endocanabinoides podem ser a causa de uma grande variedade de doenças difíceis de tratar, incluindo síndrome do intestino irritável, fibromialgia e enxaqueca.

A evidência mais forte dessa hipótese veio de um estudo de 2007, que descobriu que indivíduos com enxaqueca crônica possuem níveis mais baixos de anandamida no líquido cefalorraquidiano do que as pessoas saudáveis. Os pesquisadores do estudo acreditam que esses níveis insuficientes podem resultar na falha do sistema endocanabinoide em inibir a ativação trigeminovascular que produz enxaquecas.

Por último, há evidências de que certas variações genéticas do receptor CB1 podem predispor uma pessoa a ter enxaquecas, o que apoia ainda mais a teoria do DCE, uma vez que a anandamida trabalha principalmente por meio desse receptor.

Enxaquecas e Cannabis

Apesar da longa história de uso de cannabis em enxaquecas, não há muita pesquisa nessa área. No entanto, as descobertas atuais são extremamente positivas e apoiam a teoria de que a deficiência de endocanabinoides é a causa subjacente das enxaquecas.

Um estudo de 2016 produzido pela Universidade do Colorado examinou a eficácia da cannabis medicinal em 121 pessoas com enxaqueca. O tratamento foi eficaz em 85,1% dos pacientes, reduzindo o número de crises de uma média de 10,4 para 4,6 ataques por mês. Observou-se que a cannabis não apenas reduziu o número de enxaquecas, mas também as interrompeu quando consumida no momento do ataque.

Depois disso, um estudo de 2019 analisou os efeitos da cannabis medicinal em 316 pacientes com enxaqueca crônica. No total, 88,3% dos pacientes relataram melhora nas crises, com uma redução média de 42,1% em sua frequência mensal. Alguns pacientes tiveram uma redução ainda maior (50% ou mais), sendo que muitos relataram melhorias no sono, na ansiedade e humor. 

Curiosamente, o estudo também descobriu que a cannabis com uma proporção de 20:1 de THC para CBD resultou em mais benefícios do que aquela em que a proporção era de 1:1. Essa descoberta pode ser explicada pelo fato de que, diferentemente do CBD, o THC se assemelha à anandamida em sua função e efeitos.

Além disso, um estudo controlado com animais, em 2018, descobriu que o THC isolado reduzia a dor da enxaqueca em ratos fêmeas, dando apoio à sugestão de que os canabinoides podem ser úteis no tratamento da enxaqueca nos humanos.

Adicionalmente, um documento de acompanhamento de 2001, do já mencionado Dr. Ethan Russo, debateu registros históricos de milhares de anos sobre o uso bem-sucedido de cannabis nas enxaquecas. Essa análise incluiu relatos de casos particularmente detalhados, escritos por médicos ocidentais entre 1842 e 1942, quando a cannabis se tornou um remédio popular para enxaquecas. O Dr. Russo concluiu que “com base na análise acima, de maneira convincente a “cannabis medicinal” merece escrutínio científico formal para o tratamento da enxaqueca”.

Além disso, há evidências de que a cannabis de uso medicinal atenua os dois principais sintomas da enxaqueca: dor e náusea. Os efeitos da planta no alívio da dor foram demonstrados por dezenas de estudos, e como resultado as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina divulgaram a seguinte declaração em 2017: “Há evidências conclusivas ou substanciais de que a cannabis ou os canabinoides são eficazes para o tratamento da dor crônica em adultos”. 

Enquanto isso, os efeitos antináusea da cannabis também têm embasamento na pesquisa, e medicamentos farmacêuticos derivados da planta, como Marinol, já são usados para aliviar tipos específicos de náusea. 

No geral, embora ainda sejam necessários mais estudos de qualidade alta, as evidências existentes demonstram que a cannabis de uso medicinal pode aliviar a enxaqueca. Importante ressaltar que ela apresenta alguns efeitos colaterais indesejados.

Em particular, a principal barreira ao aumento do uso medicinal da cannabis são seus efeitos colaterais psicoativos, que incluem euforia, comprometimento da memória e ansiedade. Além disso, a planta pode provocar boca seca, sonolência e fadiga.

No entanto, em última análise, a cannabis é considerada uma substância segura. Isso é especialmente relevante quando comparamos com medicamentos farmacêuticos usados para tratar enxaquecas, como os AINEs (anti-inflamatórios não-esteroides). Um benefício relacionado à cannabis é sua ajuda na redução do uso de opioides muitas vezes prescritos para enxaquecas crônicas, apesar de suas propriedades viciantes e sua capacidade de induzir à cefaleia por uso excessivo de medicamentos (CEM).

Sobre a Enxaquecas

Visão Geral

Muitas pessoas pensam que as enxaquecas são apenas dores de cabeça. No entanto, aqueles que dela sofrem sabem que é muito mais do que isso. A enxaqueca é uma doença neurológica incapacitantes; é, aliás, uma das principais causas de incapacitação no mundo. Os pacientes sofrem de náusea grave e debilitante, vômito e uma série de outros sintomas, muitas vezes impossibilitando-os de lidar com suas atividades diárias. 

A enxaqueca é considerada a terceira doença mais comum em todo o mundo, afetando 11% das pessoas globalmente. Estima-se que 6 milhões de pessoas no Reino Unido sofram de enxaquecas, somando 190.000 crises diárias. Em toda a Europa e América do Norte, cerca de 6% dos homens e 15-18% das mulheres têm enxaquecas todos os anos. A maioria dos que sofrem tem seus primeiros acesso por volta dos 10 anos de idade, com sua frequência tendendo a diminuir após atingirem os 45-50 anos.

Sintomas

As enxaquecas são geralmente divididas em dois tipos:

  • Enxaquecas com aura 
  • Enxaquecas sem aura

Embora o principal sintoma da enxaqueca seja uma forte dor de cabeça, ela também apresenta um conjunto único de sintomas que a diferencia de outros tipos de cefaleia. Frequentemente, incluem:

  • Uma dor latejante na cabeça, geralmente apenas de um lado
  • Extrema sensibilidade à luz, a ponto de ser necessário encerrar-se em um quarto escuro
  • Náusea e vômito
  • Vertigens, tonturas e sensação de desmaio
  • Vista embaçada
  • Sensibilidade extrema à estimulação sensorial, como olfato, tato e paladar

 

Os ataques de enxaqueca geralmente duram entre 4 e 72 horas. Algumas pessoas experimentam uma “aura” antes ou durante a crise. A aura é geralmente visual, embora também possa incluir outras sensações. Os sintomas da aura tendem a aumentar gradualmente e duram de 10 a 30 minutos, podendo chegar a até 60 minutos. Uma aura pode incluir:

  • Ver flashes ou pontos de luz, zigue-zagues ou linhas onduladas
  • Perder a visão
  • Sentir um formigamento fraco, entorpecido ou como se fossem alfinetes e agulhas num braço ou perna em uma das laterais do corpo
  • Dificuldade em falar e controlar movimentos
  • Ouvir sons inexistentes

 

Algumas pessoas que sofrem de enxaqueca passam por um estágio de alerta, chamado “pródromo”, antes do início da enxaqueca, que pode acontecer até um ou dois dias antes da crise em si. Seus sinais podem incluir:

  • Mudanças de humor
  • Desejo por determinados alimentos
  • Prisão de ventre
  • Sentir muita sede, mas também urinar mais do que o normal
  • Rigidez no pescoço
  • Bocejar frequente
  • Irritabilidade 
  • Problemas para dormir

Muitas vezes, as pessoas têm um “pós-dromo” ao encerrar a crise, na qual se sentem exaustos, confusos e esgotados.

Quando Consultar um Médico?

É difícil saber quando procurar um médico por causa de uma dor de cabeça que teoricamente pode ser uma enxaqueca. Se você tem dores de cabeça regulares e/ou acompanhadas de náusea e vômito, auras visuais ou outros sinais da doença, converse com seu médico.

Diagnóstico

Geralmente, um neurologista com experiência na identificação de enxaquecas fará o diagnóstico com base nos sintomas e no histórico médico que você compartilhar com ele, juntamente com um exame físico e neurológico.

O seu médico também pode fazer uma avaliação para descartar outras possíveis causas de suas dores de cabeça. Isso pode incluir exames de sangue para certas doenças que provocam cefaleias ou pioram as enxaquecas. O seu médico também deve solicitar imagens da sua cabeça, pescoço ou vasos sanguíneos adjacentes. Pode ser uma tomografia computadorizada, ressonância magnética ou ambos. 

Causas

A enxaqueca é causada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Definitivamente, a genética tem o seu papel – um dos pais têm aproximadamente 50% de chance de transmitir enxaquecas aos filhos. As chances aumentam para 75% quando ambos sofrem desse mal. 

Uma enxaqueca geralmente é causada por células nervosas hiperativas que acionam o nervo trigêmeo, o qual controla as sensações na cabeça e no rosto. Esse nervo libera substâncias químicas que incham vasos sanguíneos no cérebro, causando a inflamação e a dor comum à enxaqueca. É um processo complexo que envolve diferentes partes do cérebro e neurotransmissores, como o PRGC (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), serotonina e outros. 

Muitas coisas podem deflagrar enxaquecas. No entanto, nem todas elas são desencadeadas pelos mesmos problemas. Os gatilhos da enxaqueca frequentemente incluem:

  • Estresse: faz com que os vasos sanguíneos do cérebro se inchem.
  • Cafeína: quando é muita e você não está acostumado, ou quando seu cérebro está acostumado com grande quantidade e se ressente de sua falta.
  • Mudanças hormonais: particularmente nas mulheres. Muitas mulheres com enxaqueca tendem a ter crises quando os níveis de estrogênio mudam, como antes ou durante o período menstrual, na gravidez e na menopausa. Existe até um problema de saúde chamado “enxaqueca menstrual”, que as mulheres a experimentam todos os meses.
  • Alimentos: algumas pessoas acham que queijo maturado, alimentos salgados e processados, álcool (especialmente o vinho) e certos aditivos alimentares, como aspartame e glutamato monossódico, desencadeiam enxaqueca. Pular refeições ou jejuar também pode causá-la.
  • Alterações nos seus padrões de sono: seja falta de sono, jet lag (descompensação horária) devido a viagens ou até muitas horas de sono.
  • Forte estimulação sensorial: como cheiros fortes, fumaça do cigarro de outra pessoa, luz solar intensa e ruído alto.
  • Esforço físico que leve seu corpo a extremos.
  • Mudanças no clima ou na pressão barométrica.
  • Medicamentos: como contraceptivos orais e vasodilatadores, a exemplo da nitroglicerina.

Tratamento

Não há como curar enxaquecas. No entanto, muitas pessoas afirmam que é possível diminuir sua frequência promovendo alterações na sua dieta e no estilo de vida geral. Algumas das principais recomendações neste sentido incluem:

  • Desenvolver uma rotina fixa em relação a comida e sono, sem comer ou dormir demais ou de menos. 
  • Manter-se bem hidratado.
  • Fazer exercícios regularmente. O exercício aeróbico é particularmente recomendado porque alivia a tensão e o estresse. Certifique-se de fazer um aquecimento lento, porque exercícios súbitos e intensos podem desencadear enxaquecas. Manter o peso corporal equilibrado também ajuda a preveni-las, pois a obesidade é um fator de risco.
  • Praticar relaxamento e controle do estresse por meio de técnicas que reduzam o estresse em sua vida e ajudem a controlar sua reação a ele. 
  • Manter um diário com detalhes das dores de cabeça, para que você possa encontrar padrões de comportamento, ambiente ou atividades que indiquem o que causa sua enxaqueca.
  • Higiene do sono. Desenvolver hábitos que contribuam para melhorar o sono, como dormir no mesmo horário todas as noites, evitar luzes LED antes de dormir, manter um ambiente escuro, tranquilo e silencioso, evitar refeições pesadas antes de se deitar e outros.

Também existem medicamentos para ajudar a reduzir a frequência das enxaquecas e diminuir sua respectiva dor.

Medicamentos para Interrupção de Crises

Praticamente todos os que sofrem de enxaqueca precisam de medicação para interromper a crise quando ela começa. Muitas vezes é necessário tomá-la assim que a dor de cabeça aparece, caso contrário não será eficaz. Existem muitos tipos de medicamentos usados para interromper a enxaqueca. Eles geralmente não funcionam perfeitamente; outras vezes, são usados combinados a outras drogas que podem causar efeitos colaterais importantes. 

  • AINEs ou anti-inflamatórios não esteroides são medicamentos que reduzem a inflamação. Eles podem ser tomados em pílulas, supositórios, pós, sprays ou injeções. Os mais comuns incluem Advil (ibuprofeno) e Aleve (naproxeno). 
  • Triptanos são medicamentos que atuam no neurotransmissor serotonina, específicos para a dor de cabeça da enxaqueca. 
  • Antieméticos são medicamentos frequentemente prescritos quando náuseas e vômitos fazem parte do seu ataque de enxaqueca.
  • Analgésicos como Tylenol (acetaminofeno, paracetamol).
  • Combinação de terapias como um AINE, Analgésico e Cafeína. Eles também podem ter a enxaqueca incluída em seus nomes, como Excedrin Enxaqueca. 
  • Di-hidroergotaminas (D.H.E. 45, Migranal) são as mais eficazes para pessoas cujas enxaquecas geralmente duram mais de 24 horas – mas podem piorar os vômitos e as náuseas. Esses medicamentos geralmente são usados quando os anteriores falham. 
  • Opioides com codeína e outros medicamentos opiáceos podem ser uma solução para pessoas que não podem fazer outros tratamentos ou tomar outros medicamentos, mas, por serem altamente viciantes, são usados apenas quando as outras opções falham. Eles também causam enjoo e outros efeitos colaterais, tornando-os uma solução menos atraente para enxaquecas em que a náusea é um sintoma muito comum. Eles geralmente não são recomendados para o tratamento de enxaquecas.

 

Medicamentos Preventivos para Enxaquecas

Os medicamentos preventivos geralmente são prescritos quando a enxaqueca se torna um elemento significativo na vida de alguém. Podem ser enxaquecas com frequência superior a uma vez por semana, as que não respondem a medicamentos ou aquelas que podem durar dias a fio. Esses medicamentos são tomados regularmente, com a intenção de reduzir a frequência e a gravidade das crises. 

  • Betabloqueadores e outros medicamentos que baixam a pressão sanguínea.
  • Alguns antidepressivos podem ajudar a reduzir a frequência das enxaquecas.
  • Remédios anticonvulsivos tais como ácido valpróico (Depakote) e topiramato (Topamax).
  • Injeções de botox, quando a toxina botulínica é injetada em de 31 a 39 locais na parte posterior do pescoço, uma vez a cada 12 semanas. 
  • Inibidores de PRGC (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), um novo tipo de terapia, administrados por injeção uma vez por mês, impedindo a liberação de PRGC, uma proteína que contribui significativamente para o processo que causa as dores de cabeça da enxaqueca. 

 

Tratamentos Alternativos para Enxaqueca

Dependendo dos sintomas e desencadeadores, vários tratamentos alternativos podem ajudar a aliviar a enxaqueca:

  • Biofeedback é uma maneira de reconhecer e controlar sua reação a situações estressantes, para que não chegue a provocar uma enxaqueca total.
  • Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) é um dispositivo que você coloca na parte de trás da cabeça quando sente que uma enxaqueca com aura está por começar. Ele aciona um pulso de energia magnética para uma parte do cérebro que pode interromper ou reduzir a dor de uma enxaqueca.
  • Acupuntura pode reduzir o estresse, incentivar seu corpo a produzir hormônios que ajudam a relaxar e diminuir as enxaquecas.
  • Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) pode ajudar a controlar sua reação ao estresse, para que não leve à enxaqueca.
  • Suplementos de Ervas e Nutricionais. Os suplementos de matricária, magnésio e riboflavina (vitamina B2) podem evitar ou reduzir a frequência das enxaquecas.
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10 min

A Cannabis Pode Ajudar nas Enxaquecas?

por Dr. Roni Sharon, MD

Sep 22, 2019

Visão Geral

As pessoas têm usado há milênios a cannabis para aliviar as dores de cabeça típicas da enxaqueca. Atualmente, essa continua uma prática popular, pois os medicamentos padrão nem sempre oferecem alívio e, por outro lado, causam  efeitos colaterais significativos.

Pesquisas médicas recentes já fornecem evidências sobre os efeitos benéficos da cannabis e do envolvimento do sistema endocanabinoide nas enxaquecas.

Descobertas inovadoras sugerem que um sistema endocanabinoide deficiente pode ser a causa subjacente da enxaqueca e de algumas outras doenças de difícil tratamento. Por essa razão, o uso de preparados de cannabis na moderação dessa deficiência oferece uma maneira natural de evitar as enxaquecas em si em vez de apenas aliviar seus sintomas. Mais importante: a cannabis pode fazê-lo sem muitos dos efeitos colaterais significativos.

Embora sejam necessárias mais pesquisas clínicas que explorem a eficácia da cannabis de uso medicinal no tratamento da enxaqueca, há suficientes evidências para recomendar o seu uso.

O Sistema Endocanabinoide

O sistema endocanabinoide é um sistema biológico importante envolvido na manutenção do equilíbrio do corpo, chamado homeostase. 

Composto por receptores de canabinoides, endocanabinoides e enzimas que sintetizam e decompõem esses endocanabinoides, esse sistema ajuda a regular muitos processos críticos, como função cognitiva, humor, metabolismo, imunidade e dor. 

Até agora, os pesquisadores identificaram dois receptores de canabinoides, CB1 e CB2. Embora estejam espalhados por todo o corpo, o CB1 é particularmente abundante no sistema nervoso central, enquanto o CB2 é comumente encontrado nas células imunológicas. Esses receptores são ativados por dois endocanabinoides produzidos pelo corpo humano: anandamida e 2-AG. 

Da mesma forma, os fitocanabinoides (derivados de plantas), como o THC e o CBD, também são capazes de interagir com os receptores de canabinoides.

Pesquisas indicam que o sistema endocanabinoide pode interagir com vários processos envolvidos na enxaqueca. Um deles é a liberação da serotonina química do cérebro pelas plaquetas, pequenos fragmentos de células encontrados no sangue. Estudos sugerem que os endocanabinoides podem evitar essa liberação e que indivíduos com enxaqueca crônica apresentam níveis reduzidos de anandamida e 2-AG em suas plaquetas.

Mais importante: os endocanabinoides foram relacionados a uma parte do cérebro chamada sistema trigeminovascular, o qual desempenha um papel central na causa dos ataques de enxaqueca. Pesquisas sugerem que os endocanabinoides regulam esse sistema através do receptor CB1.

Por exemplo, um estudo de 2004 descobriu que a anandamida inibe os neurônios trigêmeos, sugerindo um mecanismo que poderia levar os endocanabinoides a evitar a enxaqueca.

Mais significativo: um estudo de 2011 suplementar relatou que a administração de anandamida em ratos com dores de cabeça do tipo da enxaqueca reduziu a ativação de neurônios no sistema trigeminovascular e a dor a ela associada. 

Descobertas semelhantes foram relatadas por um estudo de 2015 sobre a enzima FAAH, responsável pela decomposição da anandamida. Os pesquisadores conseguiram aliviar quase completamente uma dor semelhante à enxaqueca em camundongos pela exclusão dessa enzima ou a administração de compostos que impedem seu funcionamento.

Achados como esses levaram os pesquisadores a sugerir que um sistema endocanabinoide disfuncional pode até ser responsável por enxaquecas.

Essa ideia foi proposta pela primeira vez pelo Dr. Ethan B. Russo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Internacional de Cannabis e Canabinoides (ICCI, na sigla em inglês) e um dos principais especialistas em cannabis medicinal, ao apresentar sua teoria da deficiência clínica de endocanabinoides (DCE) em 2001.

De acordo com essa teoria, níveis insuficientes de endocanabinoides podem ser a causa de uma grande variedade de doenças difíceis de tratar, incluindo síndrome do intestino irritável, fibromialgia e enxaqueca.

A evidência mais forte dessa hipótese veio de um estudo de 2007, que descobriu que indivíduos com enxaqueca crônica possuem níveis mais baixos de anandamida no líquido cefalorraquidiano do que as pessoas saudáveis. Os pesquisadores do estudo acreditam que esses níveis insuficientes podem resultar na falha do sistema endocanabinoide em inibir a ativação trigeminovascular que produz enxaquecas.

Por último, há evidências de que certas variações genéticas do receptor CB1 podem predispor uma pessoa a ter enxaquecas, o que apoia ainda mais a teoria do DCE, uma vez que a anandamida trabalha principalmente por meio desse receptor.

Enxaquecas e Cannabis

Apesar da longa história de uso de cannabis em enxaquecas, não há muita pesquisa nessa área. No entanto, as descobertas atuais são extremamente positivas e apoiam a teoria de que a deficiência de endocanabinoides é a causa subjacente das enxaquecas.

Um estudo de 2016 produzido pela Universidade do Colorado examinou a eficácia da cannabis medicinal em 121 pessoas com enxaqueca. O tratamento foi eficaz em 85,1% dos pacientes, reduzindo o número de crises de uma média de 10,4 para 4,6 ataques por mês. Observou-se que a cannabis não apenas reduziu o número de enxaquecas, mas também as interrompeu quando consumida no momento do ataque.

Depois disso, um estudo de 2019 analisou os efeitos da cannabis medicinal em 316 pacientes com enxaqueca crônica. No total, 88,3% dos pacientes relataram melhora nas crises, com uma redução média de 42,1% em sua frequência mensal. Alguns pacientes tiveram uma redução ainda maior (50% ou mais), sendo que muitos relataram melhorias no sono, na ansiedade e humor. 

Curiosamente, o estudo também descobriu que a cannabis com uma proporção de 20:1 de THC para CBD resultou em mais benefícios do que aquela em que a proporção era de 1:1. Essa descoberta pode ser explicada pelo fato de que, diferentemente do CBD, o THC se assemelha à anandamida em sua função e efeitos.

Além disso, um estudo controlado com animais, em 2018, descobriu que o THC isolado reduzia a dor da enxaqueca em ratos fêmeas, dando apoio à sugestão de que os canabinoides podem ser úteis no tratamento da enxaqueca nos humanos.

Adicionalmente, um documento de acompanhamento de 2001, do já mencionado Dr. Ethan Russo, debateu registros históricos de milhares de anos sobre o uso bem-sucedido de cannabis nas enxaquecas. Essa análise incluiu relatos de casos particularmente detalhados, escritos por médicos ocidentais entre 1842 e 1942, quando a cannabis se tornou um remédio popular para enxaquecas. O Dr. Russo concluiu que “com base na análise acima, de maneira convincente a “cannabis medicinal” merece escrutínio científico formal para o tratamento da enxaqueca”.

Além disso, há evidências de que a cannabis de uso medicinal atenua os dois principais sintomas da enxaqueca: dor e náusea. Os efeitos da planta no alívio da dor foram demonstrados por dezenas de estudos, e como resultado as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina divulgaram a seguinte declaração em 2017: “Há evidências conclusivas ou substanciais de que a cannabis ou os canabinoides são eficazes para o tratamento da dor crônica em adultos”. 

Enquanto isso, os efeitos antináusea da cannabis também têm embasamento na pesquisa, e medicamentos farmacêuticos derivados da planta, como Marinol, já são usados para aliviar tipos específicos de náusea. 

No geral, embora ainda sejam necessários mais estudos de qualidade alta, as evidências existentes demonstram que a cannabis de uso medicinal pode aliviar a enxaqueca. Importante ressaltar que ela apresenta alguns efeitos colaterais indesejados.

 

Em particular, a principal barreira ao aumento do uso medicinal da cannabis são seus efeitos colaterais psicoativos, que incluem euforia, comprometimento da memória e ansiedade. Além disso, a planta pode provocar boca seca, sonolência e fadiga.

No entanto, em última análise, a cannabis é considerada uma substância segura. Isso é especialmente relevante quando comparamos com medicamentos farmacêuticos usados para tratar enxaquecas, como os AINEs (anti-inflamatórios não-esteroides). Um benefício relacionado à cannabis é sua ajuda na redução do uso de opioides muitas vezes prescritos para enxaquecas crônicas, apesar de suas propriedades viciantes e sua capacidade de induzir à cefaleia por uso excessivo de medicamentos (CEM).

Sobre a Enxaquecas

Visão Geral

Muitas pessoas pensam que as enxaquecas são apenas dores de cabeça. No entanto, aqueles que dela sofrem sabem que é muito mais do que isso. A enxaqueca é uma doença neurológica incapacitantes; é, aliás, uma das principais causas de incapacitação no mundo. Os pacientes sofrem de náusea grave e debilitante, vômito e uma série de outros sintomas, muitas vezes impossibilitando-os de lidar com suas atividades diárias. 

A enxaqueca é considerada a terceira doença mais comum em todo o mundo, afetando 11% das pessoas globalmente. Estima-se que 6 milhões de pessoas no Reino Unido sofram de enxaquecas, somando 190.000 crises diárias. Em toda a Europa e América do Norte, cerca de 6% dos homens e 15-18% das mulheres têm enxaquecas todos os anos. A maioria dos que sofrem tem seus primeiros acesso por volta dos 10 anos de idade, com sua frequência tendendo a diminuir após atingirem os 45-50 anos.

Sintomas

As enxaquecas são geralmente divididas em dois tipos:

  • Enxaquecas com aura 
  • Enxaquecas sem aura

Embora o principal sintoma da enxaqueca seja uma forte dor de cabeça, ela também apresenta um conjunto único de sintomas que a diferencia de outros tipos de cefaleia. Frequentemente, incluem:

  • Uma dor latejante na cabeça, geralmente apenas de um lado
  • Extrema sensibilidade à luz, a ponto de ser necessário encerrar-se em um quarto escuro
  • Náusea e vômito
  • Vertigens, tonturas e sensação de desmaio
  • Vista embaçada
  • Sensibilidade extrema à estimulação sensorial, como olfato, tato e paladar

 

Os ataques de enxaqueca geralmente duram entre 4 e 72 horas. Algumas pessoas experimentam uma “aura” antes ou durante a crise. A aura é geralmente visual, embora também possa incluir outras sensações. Os sintomas da aura tendem a aumentar gradualmente e duram de 10 a 30 minutos, podendo chegar a até 60 minutos. Uma aura pode incluir:

  • Ver flashes ou pontos de luz, zigue-zagues ou linhas onduladas
  • Perder a visão
  • Sentir um formigamento fraco, entorpecido ou como se fossem alfinetes e agulhas num braço ou perna em uma das laterais do corpo
  • Dificuldade em falar e controlar movimentos
  • Ouvir sons inexistentes

 

Algumas pessoas que sofrem de enxaqueca passam por um estágio de alerta, chamado “pródromo”, antes do início da enxaqueca, que pode acontecer até um ou dois dias antes da crise em si. Seus sinais podem incluir:

  • Mudanças de humor
  • Desejo por determinados alimentos
  • Prisão de ventre
  • Sentir muita sede, mas também urinar mais do que o normal
  • Rigidez no pescoço
  • Bocejar frequente
  • Irritabilidade 
  • Problemas para dormir

Muitas vezes, as pessoas têm um “pós-dromo” ao encerrar a crise, na qual se sentem exaustos, confusos e esgotados.

Quando Consultar um Médico?

É difícil saber quando procurar um médico por causa de uma dor de cabeça que teoricamente pode ser uma enxaqueca. Se você tem dores de cabeça regulares e/ou acompanhadas de náusea e vômito, auras visuais ou outros sinais da doença, converse com seu médico.

Diagnóstico

Geralmente, um neurologista com experiência na identificação de enxaquecas fará o diagnóstico com base nos sintomas e no histórico médico que você compartilhar com ele, juntamente com um exame físico e neurológico.

O seu médico também pode fazer uma avaliação para descartar outras possíveis causas de suas dores de cabeça. Isso pode incluir exames de sangue para certas doenças que provocam cefaleias ou pioram as enxaquecas. O seu médico também deve solicitar imagens da sua cabeça, pescoço ou vasos sanguíneos adjacentes. Pode ser uma tomografia computadorizada, ressonância magnética ou ambos. 

Causas

A enxaqueca é causada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Definitivamente, a genética tem o seu papel – um dos pais têm aproximadamente 50% de chance de transmitir enxaquecas aos filhos. As chances aumentam para 75% quando ambos sofrem desse mal. 

Uma enxaqueca geralmente é causada por células nervosas hiperativas que acionam o nervo trigêmeo, o qual controla as sensações na cabeça e no rosto. Esse nervo libera substâncias químicas que incham vasos sanguíneos no cérebro, causando a inflamação e a dor comum à enxaqueca. É um processo complexo que envolve diferentes partes do cérebro e neurotransmissores, como o PRGC (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), serotonina e outros. 

Muitas coisas podem deflagrar enxaquecas. No entanto, nem todas elas são desencadeadas pelos mesmos problemas. Os gatilhos da enxaqueca frequentemente incluem:

  • Estresse: faz com que os vasos sanguíneos do cérebro se inchem.
  • Cafeína: quando é muita e você não está acostumado, ou quando seu cérebro está acostumado com grande quantidade e se ressente de sua falta.
  • Mudanças hormonais: particularmente nas mulheres. Muitas mulheres com enxaqueca tendem a ter crises quando os níveis de estrogênio mudam, como antes ou durante o período menstrual, na gravidez e na menopausa. Existe até um problema de saúde chamado “enxaqueca menstrual”, que as mulheres a experimentam todos os meses.
  • Alimentos: algumas pessoas acham que queijo maturado, alimentos salgados e processados, álcool (especialmente o vinho) e certos aditivos alimentares, como aspartame e glutamato monossódico, desencadeiam enxaqueca. Pular refeições ou jejuar também pode causá-la.
  • Alterações nos seus padrões de sono: seja falta de sono, jet lag (descompensação horária) devido a viagens ou até muitas horas de sono.
  • Forte estimulação sensorial: como cheiros fortes, fumaça do cigarro de outra pessoa, luz solar intensa e ruído alto.
  • Esforço físico que leve seu corpo a extremos.
  • Mudanças no clima ou na pressão barométrica.
  • Medicamentos: como contraceptivos orais e vasodilatadores, a exemplo da nitroglicerina.

Tratamento

Não há como curar enxaquecas. No entanto, muitas pessoas afirmam que é possível diminuir sua frequência promovendo alterações na sua dieta e no estilo de vida geral. Algumas das principais recomendações neste sentido incluem:

  • Desenvolver uma rotina fixa em relação a comida e sono, sem comer ou dormir demais ou de menos. 
  • Manter-se bem hidratado.
  • Fazer exercícios regularmente. O exercício aeróbico é particularmente recomendado porque alivia a tensão e o estresse. Certifique-se de fazer um aquecimento lento, porque exercícios súbitos e intensos podem desencadear enxaquecas. Manter o peso corporal equilibrado também ajuda a preveni-las, pois a obesidade é um fator de risco.
  • Praticar relaxamento e controle do estresse por meio de técnicas que reduzam o estresse em sua vida e ajudem a controlar sua reação a ele. 
  • Manter um diário com detalhes das dores de cabeça, para que você possa encontrar padrões de comportamento, ambiente ou atividades que indiquem o que causa sua enxaqueca.
  • Higiene do sono. Desenvolver hábitos que contribuam para melhorar o sono, como dormir no mesmo horário todas as noites, evitar luzes LED antes de dormir, manter um ambiente escuro, tranquilo e silencioso, evitar refeições pesadas antes de se deitar e outros.

Também existem medicamentos para ajudar a reduzir a frequência das enxaquecas e diminuir sua respectiva dor.

Medicamentos para Interrupção de Crises

Praticamente todos os que sofrem de enxaqueca precisam de medicação para interromper a crise quando ela começa. Muitas vezes é necessário tomá-la assim que a dor de cabeça aparece, caso contrário não será eficaz. Existem muitos tipos de medicamentos usados para interromper a enxaqueca. Eles geralmente não funcionam perfeitamente; outras vezes, são usados combinados a outras drogas que podem causar efeitos colaterais importantes. 

  • AINEs ou anti-inflamatórios não esteroides são medicamentos que reduzem a inflamação. Eles podem ser tomados em pílulas, supositórios, pós, sprays ou injeções. Os mais comuns incluem Advil (ibuprofeno) e Aleve (naproxeno). 
  • Triptanos são medicamentos que atuam no neurotransmissor serotonina, específicos para a dor de cabeça da enxaqueca. 
  • Antieméticos são medicamentos frequentemente prescritos quando náuseas e vômitos fazem parte do seu ataque de enxaqueca.
  • Analgésicos como Tylenol (acetaminofeno, paracetamol).
  • Combinação de terapias como um AINE, Analgésico e Cafeína. Eles também podem ter a enxaqueca incluída em seus nomes, como Excedrin Enxaqueca. 
  • Di-hidroergotaminas (D.H.E. 45, Migranal) são as mais eficazes para pessoas cujas enxaquecas geralmente duram mais de 24 horas – mas podem piorar os vômitos e as náuseas. Esses medicamentos geralmente são usados quando os anteriores falham. 
  • Opioides com codeína e outros medicamentos opiáceos podem ser uma solução para pessoas que não podem fazer outros tratamentos ou tomar outros medicamentos, mas, por serem altamente viciantes, são usados apenas quando as outras opções falham. Eles também causam enjoo e outros efeitos colaterais, tornando-os uma solução menos atraente para enxaquecas em que a náusea é um sintoma muito comum. Eles geralmente não são recomendados para o tratamento de enxaquecas.

 

Medicamentos Preventivos para Enxaquecas

Os medicamentos preventivos geralmente são prescritos quando a enxaqueca se torna um elemento significativo na vida de alguém. Podem ser enxaquecas com frequência superior a uma vez por semana, as que não respondem a medicamentos ou aquelas que podem durar dias a fio. Esses medicamentos são tomados regularmente, com a intenção de reduzir a frequência e a gravidade das crises. 

  • Betabloqueadores e outros medicamentos que baixam a pressão sanguínea.
  • Alguns antidepressivos podem ajudar a reduzir a frequência das enxaquecas.
  • Remédios anticonvulsivos tais como ácido valpróico (Depakote) e topiramato (Topamax).
  • Injeções de botox, quando a toxina botulínica é injetada em de 31 a 39 locais na parte posterior do pescoço, uma vez a cada 12 semanas. 
  • Inibidores de PRGC (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), um novo tipo de terapia, administrados por injeção uma vez por mês, impedindo a liberação de PRGC, uma proteína que contribui significativamente para o processo que causa as dores de cabeça da enxaqueca. 

 

Tratamentos Alternativos para Enxaqueca

Dependendo dos sintomas e desencadeadores, vários tratamentos alternativos podem ajudar a aliviar a enxaqueca:

  • Biofeedback é uma maneira de reconhecer e controlar sua reação a situações estressantes, para que não chegue a provocar uma enxaqueca total.
  • Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) é um dispositivo que você coloca na parte de trás da cabeça quando sente que uma enxaqueca com aura está por começar. Ele aciona um pulso de energia magnética para uma parte do cérebro que pode interromper ou reduzir a dor de uma enxaqueca.
  • Acupuntura pode reduzir o estresse, incentivar seu corpo a produzir hormônios que ajudam a relaxar e diminuir as enxaquecas.
  • Terapia Comportamental Cognitiva (TCC) pode ajudar a controlar sua reação ao estresse, para que não leve à enxaqueca.
  • Suplementos de Ervas e Nutricionais. Os suplementos de matricária, magnésio e riboflavina (vitamina B2) podem evitar ou reduzir a frequência das enxaquecas.

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