A 27 de abril de 2026, as autoridades do Sri Lanka anunciaram a maior apreensão de drogas alguma vez registada no Aeroporto Internacional Bandaranaike, em Colombo: 22 monges budistas detidos com aproximadamente 110 quilogramas (cerca de 242 libras) de cannabis escondidos em compartimentos falsos no interior das suas malas. O valor de mercado foi estimado em cerca de 1,1 mil milhões de rupias do Sri Lanka, equivalentes a aproximadamente 3,4 milhões de dólares norte-americanos. Um monge de hierarquia superior que esperava o grupo no aeroporto foi detido separadamente no dia seguinte, num subúrbio de Colombo. Os investigadores afirmaram que um grupo de WhatsApp coordenado por este monge serviu para organizar a operação.
O caso teve forte repercussão internacional, não apenas pela dimensão da apreensão, mas pela identidade dos detidos. Os monges budistas ocupam uma posição de autoridade religiosa e social extraordinária no Sri Lanka. Estas detenções são as primeiras do género no principal aeroporto internacional do país.
O que aconteceu
Os 22 monges — descritos pela polícia cingalesa como homens jovens recrutados em diferentes regiões do país — viajaram para a Tailândia a 22 de abril de 2026. Segundo declarações da polícia, a viagem foi financiada por um patrocinador cuja identidade faz parte da investigação em curso. Cada monge regressou com cerca de cinco quilogramas (aproximadamente 11 libras) de cannabis ocultos em malas modificadas com compartimentos especiais. A substância, identificada pelas autoridades como ‘Kush’ e haxixe, estava embalada juntamente com material escolar e doces, numa aparente tentativa de disfarçar o conteúdo na alfândega.
A Polícia de Estupefacientes do Sri Lanka indicou que está a investigar se a operação está ligada a redes locais de tráfico. A polícia salientou ainda que alguns dos monges detidos poderão não saber o que transportavam — um pormenor que provavelmente terá peso em sede de julgamento.
Porquê da Tailândia para Sri Lanka?
A rota geográfica não é casual. A Tailândia descriminalizou a cannabis em 2022 e abriu um dos mercados mais permissivos da Ásia. Em junho de 2025, porém, começou a reverter parte dessas políticas, restringindo as vendas para uso recreativo e endurecendo as regras sobre uso medicinal. Até fevereiro de 2026, mais de 7.000 das cerca de 18.400 lojas de cannabis do país tinham fechado. O resultado é um mercado em transição em que a cannabis continua mais acessível — e consideravelmente mais barata — do que em quase qualquer outro país da região.
Sri Lanka, em contraste, mantém algumas das leis mais rigorosas da Ásia em matéria de cannabis. Os crimes de tráfico podem implicar prisão perpétua e, em casos extremos, pena de morte (embora o país não execute ninguém por crimes de droga há décadas). A diferença de preços entre os dois mercados cria um forte incentivo económico ao tráfico, mesmo em distâncias curtas.
O que é ‘Kush’ neste contexto?
‘Kush’ é um termo coloquial que, em muitas regiões da Ásia e de África, designa de forma genérica cannabis de alta potência ou haxixe — resina de cannabis prensada em blocos. Não corresponde a uma variedade ou produto único. A cannabis apreendida neste caso, segundo os relatos, inclui tanto flor de alta potência como haxixe, embalada para distribuição a retalho e não para consumo pessoal.
O panorama mais amplo
A política sobre cannabis na Ásia é um mosaico. A Tailândia foi a única grande economia da região a legalizar o uso recreativo, e mesmo essa experiência está agora a ser revertida. A maioria dos outros países — incluindo Sri Lanka, Índia (com exceções para uso religioso), Indonésia, Malásia, Filipinas e Singapura — mantém uma proibição estrita com sanções criminais severas. O resultado é sempre o mesmo: grandes diferenciais de preço entre fronteiras, surgimento de rotas de tráfico que exploram essas lacunas, e processos judiciais que envolvem perfis surpreendentes.
O caso de Sri Lanka é também um lembrete de que a autoridade social de qualquer instituição — religiosa, educativa ou cívica — não a imuniza contra a exploração criminal. Figuras de hierarquia superior podem usar essa autoridade para recrutar e dirigir membros mais jovens. A linha editorial do The Cannigma sustenta há anos que a regulação assente na ciência, cadeias de fornecimento transparentes e consumidores informados são a forma como as democracias previnem estas dinâmicas. Onde a proibição é a política, os mercados criminais preenchem o vazio — e as pessoas arrastadas para esses mercados parecem-se muitas vezes muito pouco com a caricatura do traficante no imaginário público.
A investigação prossegue. Foi decretada prisão preventiva contra o monge de hierarquia superior, e as decisões processuais sobre os 22 monges mais jovens estão pendentes.
Fontes
- CNN
- CBS News
- Greek Reporter
- High Times
- Spokesman-Review
- Tailândia volta à proibição recreativa — Cannabis Science & Tech
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