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A Cannabis Pode Ajudar Pacientes com Neuropatia?

por Emily Earlenbaugh, PhD

Dec 26, 2019

Visão Geral

A cannabis pode ajudar no tratamento da neuropatia? As evidências parecem dizer que sim, e muitos Estados dos EUA, além de outros países, já aprovaram o uso da marijuana medicinal para seu tratamento. Fora isso, há muitas pesquisas sendo realizadas nesse momento, as quais sugerem que a cannabis é útil nesse caso em função de seu impacto no sistema endocanabinoide – o qual está diretamente envolvido na dor neuropática. Defende-se a eficácia da cannabis tanto na redução das dores associadas à doença quanto na promoção da neurogênese.

Como a Cannabis Atua na Neuropatia

O sistema endocanabinoide mantém a homeostase, ou seja, o equilíbrio natural do organismo. Está envolvido em processos humanos básicos, como memória, sono, inflamações, fome, humor e dor.

O corpo produz seus próprios canabinoides, os quais interagem com o sistema endocanabinoide; já aqueles encontrados na cannabis (como o THC e o CBD) também têm a propriedade de ativar os receptores de endocanabinoides no corpo humano. 

Há fortes evidências de que o sistema endocanabinoide (SEC) está envolvido na manifestação da neuropatia. Em modelos animais, uma disfunção no SE demonstrou relação com a dor neuropática. Um estudo apontou que quando a atividade do CB1 (o receptor primário do SE no sistema nervoso central) é excluída, os ratos apresentavam sinais de aumento da dor. Em outro estudo, a exclusão do receptor CB2, encontrado principalmente em nosso sistema imunológico, também provocou aumento da dor em ratos. 

Quanto mais receptores CB2 encontrarmos no sistema nervoso central, maior será a redução da dor neuropática. Em estudos animais da dor neuropática induzida pelo diabetes, juntamente com a induzida pela quimioterapia, a ativação dos receptores CB1 e CB2 também atuou como redutor da dor. Vale ressaltar que outros estudos, os quais utilizaram camundongos cujos receptores CB1 ou CB2 tinham sido bloqueados, não mostrou alterações no comportamento dos animais em relação à dor.

Modelos de ratos com dor neuropática também apresentaram respostas reduzidas à dor quando os CB1 e CB2 foram ativados. Esses pesquisadores descobriram que a ativação desses receptores antes de uma lesão poderia realmente impedir o desenvolvimento da dor. 

Além disso, verificou-se que a ativação dos receptores CB1 e CB2 promove a neurogênese — o processo pelo qual novos neurônios são formados no cérebro. Os ativadores CB1 e CB2 aumentaram a proliferação celular e a sobrevivência das células cerebrais, e até mesmo restauraram as alterações resultantes da idade do cérebro. Como a neurogênese é reduzida em pacientes com dor neuropática, é possível que seu aumento possa ser útil para seu tratamento. 

Alguns estudos também mostraram que a ativação de receptores de canabinoides permitiu que as pessoas se beneficiassem do alívio da dor com uma dose menor de opioides.

Estudos Médicos Sobre Cannabis e Neuropatia

Existe um grande número de pesquisas pré-clínicas que sugerem a eficiência da cannabis na redução da dor neuropática em roedores. Mas e em relação aos humanos? 

Felizmente, existem alguns estudos, e até mesmo algumas revisões sistemáticas com metanálise, que analisam a tese de que a cannabis pode ajudar na neuropatia. Os resultados são geralmente positivos.

Uma meta-revisão de 2015, abrangendo vários estudos clínicos, descobriu que vários deles demonstraram efeitos de alívio da dor da cannabis, particularmente naquela associada com diabetes, esclerose múltipla e quimioterapia, três fontes comuns de dor neuropática. 

Uma meta-revisão de 2017 sobre a planta também descobriu que havia evidências conclusivas de que a cannabis representa um tratamento eficaz para a dor crônica. Embora esta revisão tenha analisado estudos sobre uma gama de diferentes tipos de dor crônica (incluindo neuropatia), descobriu-se que a cannabis ajudou a todos aqueles estudados, independentemente do problema de saúde. No entanto, a dor aguda, como a experimentada durante cirurgia ou imediatamente após uma lesão, não foi amenizada pela cannabis. Ainda mais recentemente, uma meta-revisão de 2018, analisando especificamente a dor neuropática, descobriu que a cannabis teve um desempenho similar ao de outras opções farmacêuticas no alívio da dor. 

Um estudo descobriu que os pacientes que fumavam maconha medicinal com baixas doses de THC apresentaram melhorias na dor neuropática em relação ao placebo. Um estudo semelhante, usando cannabis em flor com baixas doses de THC, também apresentou alívio da dor relacionada à esclerose múltipla quando comparada ao placebo. Além disso, um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, usando cannabis inalada, mostrou um significativo efeito dependente da dose na dor em pacientes com neuropatia periférica diabética.

Tomar cannabis por via oral também pode ser útil. Estudos sobre o Sativex, um spray sublingual com partes iguais de THC e CBD, mostraram que ele pode proporcionar alívio da dor neuropática. Em um estudo em pacientes com esclerose múltipla, no prazo de dez semanas o Sativex levou ao alívio da dor quando comparado a um placebo. No entanto, passadas 14 semanas não havia mais diferença entre o placebo e o remédio, talvez sugerindo o desenvolvimento de tolerância aos efeitos analgésicos da cannabis. 

Estudos com nabilona, uma versão sintética do THC aprovada pelo FDA, também demonstraram resultados positivos. Um deles apontou que ela era significativamente mais eficaz no tratamento da neuropatia diabética do que o placebo. 

Embora o CBD não seja tão amplamente estudado como o THC no caso da dor neuropática, alguns estudos também mostraram que o CBD levou a reduções da neuropatia em pacientes com diabetes.

Efeitos Colaterais

Apesar do potencial positivo da cannabis no tratamento da neuropatia, o uso da planta é acompanhado por efeitos colaterais potenciais e que podem impedir seu uso por parte de alguns pacientes.

Em estudos de pacientes com neuropatia, os efeitos colaterais foram em geral modestos, mas incluíram sintomas como tontura, dificuldades leves de concentração e memória, taquicardia, boca seca, náusea e fadiga. Frequentemente, estes efeitos passam depois de algumas horas.

Isenção de Responsabilidade

O conteúdo do site The Cannigma tem fins puramente informativos. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Sempre consulte um médico profissional experiente com conhecimento em cannabis antes de iniciar um tratamento.

Sobre a Neuropatia

Visão Geral

A neuropatia periférica ocorre quando os nervos periféricos, externos ao cérebro e à medula espinhal, são danificados. Esses nervos realizam a circulação de informações entre o sistema nervoso central (no cérebro e na medula espinhal) e várias partes do corpo, como os dedos das mãos e dos pés, pulmões e sistema digestivo. 

Cada tipo de neuropatia periférica tem seus próprios sintomas, dependendo de quais nervos estão danificados e de quão graves são esses danos. Às vezes, a neuropatia periférica pode melhorar por conta própria, mas, outras, piora progressivamente.

A neuropatia periférica não costuma ser uma ameaça à vida, mas pode ser muito desconfortável e causar dor, fraqueza e perda de sensibilidade nas áreas afetadas do corpo. Também pode ser um dos primeiros sintomas de uma doença subjacente crônica ou progressiva. Portanto, é importante se submeter a uma avaliação médica.  

Existem muitas causas potenciais da neuropatia periférica, incluindo diabetes, infecções e lesões traumáticas. Existem mais de 100 tipos de neuropatia periférica e, juntos, formam um conjunto de problemas de saúde muito comuns, afetando mais de 20 milhões de norte-americanos. Conforme envelhecemos, ela se torna mais comum, e hoje afeta de 3 a 5% dos norte-americanos acima dos 55 anos; no Reino Unidos, eles somam 10% dessa faixa etária.

Sintomas

Os sintomas da neuropatia periférica podem variar muito, dependendo de quais nervos são afetados. Existem três tipos principais de nervos:

  •  Nervos sensoriais, que recebem e transmitem informações sobre sensações como calor e frio, toque e dor.
  • Nervos motores, que controlam o movimento muscular.
  • Nervos autonômicos, que controlam funções corporais involuntárias, como digestão, bexiga, pressão arterial e frequência cardíaca.

 

Os sintomas da neuropatia sensorial incluem:

  • Dormência e perda de sensação na parte afetada do corpo
  • Formigamento
  • Sensibilidade extrema ao toque 
  • Dor com queimação ou aguda
  • Perda de equilíbrio ou coordenação, porque você não percebe onde estão suas mãos ou pés

 

Os sintomas da neuropatia motora incluem:

  • Músculos fracos ou paralisados
  • Perda de massa muscular
  • Espasmos e cãibras musculares
  • Pé caído, com dificuldade para levantar os dedos e a parte anterior do pé

 

Os sintomas da neuropatia autonômica incluem:

  • Suor excessivo ou falta de capacidade de suar
  • Perda de controle sobre os intestinos e bexiga
  • Dificuldades digestivas que passam a sensação de doença ou inchaço
  • Frequência cardíaca acelerada (taquicardia)
  • Vertigens ou tonturas devido a alterações na pressão sanguínea

 

É possível ter mais de um tipo de neuropatia periférica ao mesmo tempo, como uma neuropatia sensório-motora, que é bastante comum. 

Finalmente, você pode ter mononeuropatia, que ocorre quando apenas um nervo é danificado, ou polineuropatia, quando dois ou mais nervos são afetados. A maioria das pessoas com neuropatia periférica tem polineuropatia; a síndrome do túnel do carpo é um exemplo comum de mononeuropatia.

Complicações

A perda de sensação por causa da neuropatia periférica aumenta o risco de sofrer queimaduras, cortes ou infecções, uma vez que perdemos a ciência do órgão. A neuropatia periférica também pode causar mais quedas devido a perda de equilíbrio e fraqueza. A neuropatia autonômica pode alterar a circulação e a frequência cardíaca.

Diagnóstico

A neuropatia periférica geralmente não é diagnosticada ou, então, o diagnóstico é incorreto, porque existem muitos tipos diferentes. O diagnóstico da neuropatia começa com um exame físico completo e análise do histórico médico. O seu médico também pode solicitar exames como:

  • Sangue, para verificar diabetes, deficiências vitamínicas, infecções, disfunção hepática ou renal, distúrbios metabólicos e função imunológica anormal, que podem causar neuropatia periférica.
  • Imagens de TC ou RM, em busca de hérnia de disco e outras anormalidades que possam causar neuropatia.
  • Testes de função nervosa, como um EMG (eletromiograma) ou um teste de condução nervosa, para detectar atividade elétrica e a força e a velocidade do sinal ao longo dos nervos.
  • Testes dos nervos autonômicos, para verificar seus níveis de suor, reação à temperatura e ao toque.
  • Biópsia do nervo, o exame de uma amostra de fibra nervosa para checagem de danos.
  • Biópsia da pele, em que se examina de uma pequena porção de pele para verificar as terminações das fibras nervosas.

Causas

A neuropatia periférica é causada por danos nos nervos que partem do sistema nervoso central para várias partes do corpo, mas existem muitas formas pelas quais esses danos podem ocorrer. Às vezes é genético, mas mais frequentemente é adquirido, o que significa que se desenvolve devido a uma doença ou lesão. Muitas vezes, a neuropatia periférica adquirida é idiopática, ou seja, de causa desconhecida. 

O diabetes é a causa mais comum de neuropatia periférica e afeta 25% das pessoas diabéticas. Se além disso você também fuma, bebe álcool em excesso ou tem mais de 40 anos, seu risco é aumentado.

Outras causas comuns incluem:

  • Distúrbios autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Guillain-Barré e vasculite.
  • Infecções como HIV, hepatite B e C, herpes-zóster, Doença de Lyme e outras infecções virais ou bacterianas.
  • Tumores que se desenvolvem ou pressionam os nervos; a quimioterapia também pode causar neuropatia periférica).
  • Excesso de bebida alcoólica.
  • Exposição a toxinas, como arsênio, chumbo ou mercúrio.
  • Lesão traumática no nervo por acidente de carro, lesão esportiva ou queda, ou lesão por esforço repetitivo (LER).
  • Deficiências de vitaminas, particularmente a B12.
  • Tireoide subativa (hipotireoidismo).
  • Doença hepática ou renal crônica.

·         Distúrbios da medula óssea, incluindo mieloma, linfoma, amiloidose e a presença de gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI), uma proteína rara no sangue.

Tratamento 

Existem muitas opções de tratamento para a neuropatia periférica, dependendo da causa, progressão e sintomas da sua doença.

A primeira abordagem é tratar a causa subjacente da neuropatia. Muitas vezes isso é suficiente para ajudar os nervos a se regenerarem e a se recuperarem por conta própria. Os tratamentos incluem:

  • Mudanças no estilo de vida para controlar o diabetes.
  • Parar de fumar.
  • Reduzir a ingestão de álcool.
  • Fazer mais exercícios físicos.
  • Tomar vitaminas para corrigir deficiências.
  • Evitar a exposição a toxinas.

 

Medicação

Os medicamentos usados para tratar a neuropatia incluem:

  • Agentes neuropáticos como Gabapentina (Neurontin), Pregabalina (Lyrica) e Duloxetina (Cymbalta) são frequentemente administrados para controlar os sintomas da neuropatia.
  • Anticonvulsivos, caso os medicamentos acima não forem eficazes o suficiente.
  • Antidepressivos como amitriptilina, doxepina, nortriptilina e, mais recentemente, inibidores da recaptação de serotonina-noradrenalina.
  • Aliviadores tópicos de dor como adesivos de lidocaína e creme de capsaicina.
  • Analgésicos sem receita ou prescrição, como AINEs ou opioides no caso da necessidade de alívio de dor muito forte.
  • Drogas imunossupressoras, como prednisona, ciclosporina e azatioprina, que controlam distúrbios inflamatórios e autoimunes.

 

Você pode ter outros medicamentos receitados para lidar com certos problemas de saúde causados por neuropatia periférica, como a constipação. 

Outras Terapias 

  • A fisioterapia pode fortalecer os músculos afetados pela neuropatia periférica.
  • Terapeutas ocupacionais podem fornecer aparelhos para as mãos e pernas, inserções ortopédicas, talas e outros acessórios que aliviam a pressão sobre os nervos. 
  • A estimulação elétrica nervosa transcutânea (EENT) envolve o uso de eletrodos que transmitem uma corrente elétrica leve ao corpo, o que pode ajudar no alívio da dor.
  • A plasmaférese ocorre quando o sangue é retirado do corpo, sendo devolvido depois de filtrado e limpo das células e anticorpos do sistema imunológico.

 

Cirurgia 

Alguns tipos de neuropatia periférica podem ser aliviados com cirurgia, como mover um disco protuberante ou tumores que pressionam nervos.

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