Inscreva-se

Home > Quadros Clinicos > Estresse
529
9 min

Cannabis Pode Combater o Estresse?

por Jessica McKeil

Sep 22, 2019

Visão Geral

A cannabis é uma opção popular para pacientes que procuram relaxar e reduzir o estresse, mas quanto sabemos sobre como ela age? A pesquisa nos diz que os dois canabinoides mais prevalentes, o tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), reduzem o estresse e a ansiedade por meio da interação com o sistema endocanabinoide (SE).

O estresse é uma reação normal a situações desafiadoras ou ameaçadoras. Nosso corpo têm reações psicológicas e físicas para lidar com o estresse, liberando hormônios que aumentam a frequência cardíaca e a pressão sanguínea. Quando a situação estressante termina, de acordo com a Clínica Mayo, “o corpo deve retornar a um estado normal e relaxado. Infelizmente, as complicações da vida moderna fazem com que os sistemas de alarme de algumas pessoas raramente desliguem”. Quando os níveis de estresse não diminuem, o estresse crônico pode começar a causar problemas de saúde.

Para tornar as coisas mais complicadas, o estresse tem sido historicamente usado para descrever dezenas de diferentes fenômenos físicos e mentais, como frustração, excesso de trabalho, ansiedade, exaustão, angústia, medo, desespero, tensão pré-menstrual, foco excessivo, confusão e até luto.

Com os estudos clínicos sobre cannabis e estresse ganhando corpo, além da compreensão mais profunda do sistema endocanabinoide como um todo, parece altamente plausível que novas pesquisas ajudem a consolidar o papel da cannabis como um composto natural eficaz para a redução do estresse, especialmente quando combinado com outras terapias e métodos.

A pesquisa inicial sugere que o CBD é especialmente eficaz e, em alguns casos, doses mais baixas de THC também podem ser benéficas (enquanto doses mais altas de THC podem provocar desconforto). Considerando que a cannabis tem um perfil de segurança bem estabelecido, com efeitos colaterais leves, os pacientes podem considerá-la um recurso útil para o tratamento do estresse e da ansiedade.

O Sistema Endocanabinoide

O SE gerencia muitos processos fisiológicos e patológicos necessários para a vida humana. Isso inclui regulação do humor, controle do estresse, formação e retenção de memória, apetite, dor e inflamação. O sistema funciona através de uma rede de receptores e mensageiros químicos em todo o corpo. Ambos os conjuntos de moléculas endocanabinoides estão em fluxo constante, ativando e desativando respostas fisiológicas por todo o corpo.

Existem dois receptores endocanabinoides conhecidos: CB1 e CB2. O primeiro está concentrado no cérebro, no sistema nervoso central e nos principais órgãos como coração, pulmões e trato gastrointestinal. O segundo tipo é encontrado em todo o sistema imunológico, no baço, nos ossos e na pele. Existem também muitas áreas em que ambos coexistem.

O SE é melhor entendido como uma vasta rede de mensageiros, os endocanabinoides, os quais são enviados para os receptores endocanabinoides. Como resposta a estressores fisiológicos ou patológicos, o corpo humano tenta equilibrar o sistema enviando esses mensageiros endocanabinoides para os receptores necessários. Os endocanabinoides se encaixam perfeitamente nos receptores endocanabinoides, como uma chave na fechadura certa. Esses mensageiros entregam instruções que ativam ou desativam a atividade celular. Por exemplo, eles podem ativar uma resposta inflamatória ou intermediá-la.

Além dos canabinoides produzidos dentro do corpo, também existem fitocanabinoides (moléculas semelhantes produzidas pelas plantas), as quais também interagem com o SE. As plantas de cannabis são as que os produzem em maior quantidade – conhecem-se mais de 140 canabinoides. Quando esses compostos naturais entram no organismo, viajam pelo SE e imitam o comportamento de muitos dos endocanabinoides encontrados naturalmente no corpo.

Dois dos canabinoides mais comuns na cannabis são o THC e o CBD. Devido à maneira como eles interagem com o SE, eles são alvo de intensa pesquisa para o tratamento de doenças crônicas e enfermidades.

Como o SE desempenha um papel crucial na resposta interna ao estresse do corpo, ele é um alvo terapêutico óbvio. De acordo com uma análise de 2005 do SE, e da resposta ao estresse publicada no Journal of Neuropsychopharmacology, “a resposta ao estresse é uma cascata biológica de eventos que ocorre em resposta a uma ameaça real, ou percebida, à homeostase”. Quando entra em ação, “requer a ativação coordenada de uma constelação de sistemas fisiológicos que atuam para promover a sobrevivência do organismo”.

Os estresses agudo e crônico desencadeiam uma reação rápida dentro do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, de diferentes áreas do cérebro e das glândulas suprarrenais que regulam a resposta do corpo ao estresse. Primeiro, há uma redução imediata de dois endocanabinoides primários: anandamida (AEA) e 2-araquidonoil glicerol (2-AG). Normalmente, o AEA regula os níveis de dopamina e pode levar à redução da ansiedade, e o 2-AG está ligado a sentimentos agradáveis ​​e à redução da dor. No nível mais básico, as reduções provocadas por estresse no 2-AG e no AEA geralmente levam à diminuição do prazer.

Durante e após a exposição a estímulos estressantes, o aumento na sinalização endocanabinoide acaba afetando outras áreas controladas pelo SE, incluindo ansiedade, dor, memória e comportamento de recompensa social.

Estresse e Cannabis

Em pesquisas atrás de pesquisas, os pacientes que utilizam cannabis para uso medicinal listam o estresse como um dos principais motivadores para seu uso. O estresse pode significar diferentes coisas para cada pessoa, mas o enorme número de pacientes que o relatam é uma forte indicação de seu valor terapêutico. Pesquisas mostram que a cannabis tem o potencial de modular o estresse graças à sua interação com o SE.

São de particular importância os dois canabinoides mais comuns: o THC e o CBD. Apenas o primeiro é intoxicante. A molécula derivada da cannabis, o THC, é um agonista do CB1 o que significa que ela se liga perfeitamente aos receptores do CB1. Embora o CBD seja menos direto em seu mecanismo, os pesquisadores acreditam que é um antagonista dos receptores CB1 e CB2. Isso significa que não se liga diretamente a esses receptores, mas inibe suas atividades.

O Strainprint, um aplicativo móvel que rastreia o uso de marijuana para uso medicinal, analisou os números de 11.953 sessões de uso de cannabis medicinal. Isso incluiu 8.802 sessões especificamente para estresse e ansiedade. Um artigo publicado no Journal of Affective Disorders em 2018 concluiu que 58% dos usuários de maconha medicinal experimentaram a redução no estresse e na ansiedade após usá-la. Cepas de THC e CBD alto parecem especialmente úteis para o tratamento desses dois sintomas.

Em um famoso estudo realizado no Brasil e publicado na Neuropsicofarmacologia em 2011, os pesquisadores exploraram o impacto do CBD no estresse durante um discurso público simulado. O estudo analisou 24 pacientes com transtorno de ansiedade social sem tratamento prévio (ou seja, nunca haviam sido submetidos a tratamento para a doença), além de 12 participantes do grupo-controle. O estudo constatou que “o pré-tratamento com CBD reduziu significativamente a ansiedade, o comprometimento cognitivo e o desconforto no desempenho da fala [dos pacientes], diminuindo significativamente o estado de alerta pré-discurso“.

Em um estudo de 2017 publicado no Journal of Drug and Alcohol Dependence, os pesquisadores investigaram os efeitos do THC nas respostas emocionais ao estresse psicossocial agudo. Os pesquisadores submeteram os 42 participantes do estudo a níveis variados de THC, em combinação com o Teste de Estresse Social Trier (TSST). Os pesquisadores também realizaram um teste de controle. Eles descobriram que doses baixas de THC “reduziram significativamente o sofrimento subjetivo auto-relatado após o TSST e atenuaram as avaliações pós-tarefa do TSST como ameaçadoras e desafiadoras”. A dose mais alta teve um impacto negativo. O THC mais baixo atuou melhor durante este teste controlado.

Existem riscos do uso de marijuana medicinal para o estresse? A maioria dos especialistas concorda com as descobertas de Caroline A. MacCallum e Ethan B. Russo: “A cannabis tem um perfil de segurança superior em comparação a muitos outros medicamentos, sem mortes por overdose relatadas”. No entanto, a cannabis é uma planta psicoativa e deve ser sempre encarada com cautela. Por exemplo, crianças e jovens correm maior risco de reações adversas devido às variedades de THC. É importante que todos os pacientes conversem com seu médico antes de iniciar o uso de cannabis.

Conclusão

Historicamente, a cannabis tem sido uma opção terapêutica para muitas pessoas que buscam reduzir o estresse e regular a ansiedade. É sempre um dos principais motivadores relatados para o uso medicinal de cannabis, mesmo que não tenha sido considerada como uma condição qualificada para sua prescrição nos EUA, pelo menos por enquanto. Com o crescimentos de estudos clínicos sobre a relação entre cannabis e estresse, além da compreensão mais profunda do sistema endocanabinoide como um todo, parece altamente plausível que novas pesquisas ajudem a consolidar o papel da planta como um composto natural eficaz para a redução do estresse, especialmente quando combinado com outras terapias e métodos.

Pesquisas iniciais sugerem que o CBD é especialmente eficaz e, em alguns casos, doses mais baixas de THC também podem ser benéficas (enquanto doses mais altas de THC podem desencadear desconforto). Considerando que a cannabis tem um perfil de segurança bem estabelecido com efeitos colaterais leves, os pacientes podem considerá-la útil para o tratamento do estresse e da ansiedade.

Isenção de Responsabilidade

O conteúdo do site The Cannigma tem fins puramente informativos. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Sempre consulte um médico profissional experiente com conhecimento em cannabis antes de iniciar um tratamento.

Sobre a Estresse

Visão Geral

O estresse é a resposta física do corpo a situações desafiadoras. Quando você se sente estressado, seu corpo libera hormônios que permitem que ele se ajuste ao estresse. Esses hormônios incluem adrenalina, noradrenalina e cortisol.

O estresse pode ser positivo. Ele oferece uma explosão de energia focada que pode ajudá-lo a completar uma maratona ou terminar um trabalho. O estresse é também a maneira do corpo reagir rapidamente a ameaças físicas, como combater um agressor ou fugir de um predador. Mas se o estresse persistir por muito tempo, ele pode desgastar seu organismo e causar sérios problemas físicos a longo prazo. Esse tipo de estresse é chamado de “estresse de longo prazo” ou “crônico”.

O estresse afeta a todos de tempos em tempos, mas muitas pessoas hoje se sentem constantemente estressadas. Em 2018, um estudo constatou que 74% das pessoas do Reino Unido disseram sentir-se tão estressadas que definiram-se como “sobrecarregadas”.

Sintomas

O estresse crônico pode afetar todos os aspectos da sua vida, desde sua saúde física, seu humor até a maneira como você se comporta. Os sintomas físicos do estresse incluem:

  • Dores de cabeça
  • Náusea, indigestão e dor de estômago
  • Batimento cardíaco acelerado, aumento da pressão arterial, dor no peito ou palpitações
  • Hiperventilação ou a sensação de não conseguir recuperar o fôlego
  • Alterações na função sexual
  • Ganho ou perda de peso
  • Sudorese
  • Tontura
  • Dor e tensão muscular
  • Insônia

O estresse também pode piorar os distúrbios físicos existentes, como doenças cardíacas, pulmonares, câncer e dor crônica.

Pode ter um efeito severo no seu humor e na sua saúde mental, levando à depressão, ataques de pânico e transtornos de ansiedade.

Ignorar os sintomas do estresse a longo prazo pode fazer com que você desenvolva rotinas não saudáveis, como maus hábitos alimentares que levam à obesidade e diabetes, maus hábitos de sono que podem aumentar o risco de doenças cardíacas, e tiques nervosos como roer as unhas. Alguns dos distúrbios de saúde que podem ser causados ​​ou agravados pelo estresse incluem:

  • Arritmia (batimento cardíaco anormal)
  • Transtornos de depressão ou ansiedade
  • Doença cardíaca e ataques cardíacos
  • Aumento de ataques de asma e artrite
  • Síndrome do intestino irritável, problemas digestivos crônicos e úlceras estomacais
  • Problemas de fertilidade
  • Acne, eczema, psoríase e outros problemas de pele
  • Aterosclerose (endurecimento das artérias)

Quando Procurar um Médico

Todo mundo se sente estressado de tempos em tempos. Torna-se um problema quando você se sente estressado sempre ou na maioria do tempo, e nunca ou raramente se sente relaxado. Se seus sintomas de estresse parecerem estar fora de controle, é hora de visitar seu médico ou um terapeuta para aprender maneiras melhores de lidar com ele.

Causas

Há muitas situações na vida que nos causam estresse, chamadas estressores. Os estressores podem até ser acontecimentos bons ou felizes, como o nascimento de um bebê ou o casamento. Embora sejam considerados eventos positivos, ainda podem causar um grau significativo de estresse em muitas pessoas. Pessoas diferentes ficam estressadas por motivos diferentes, mas algumas das causas mais comuns incluem:

  • Eventos significativos de mudança de vida, como:
    1. Nascimento ou morte na família
    2. Casamento ou divórcio
    3. Mudança ou perda de emprego
    4. Mudança de residência
    5. Uma doença sua ou de um membro da família 
  • Eventos traumáticos, como abuso sexual, violência ou o enfrentamento de um desastre natural
  • Excesso de trabalho
  • Problemas familiares ou de relacionamento

Às vezes, não há causa externa específica para o seu estresse. Em vez disso, seus estressores são internos. O estresse está frequentemente associado à depressão e à ansiedade, com um alimentando o outro.

Tratamento

A melhor maneira de tratar o estresse é encontrar uma maneira de remover os estressores da sua vida. Se você estiver enfrentando estresse de curto prazo, provavelmente descobrirá que seus sintomas se dissiparão quando o evento motivador terminar. No entanto, não é tão fácil se livrar de estressores de longo prazo.

A boa notícia é que existem muitas maneiras de reduzir o impacto do estresse em sua vida e aliviar o impacto de seus sintomas. Algumas das principais estratégias incluem:

  • Adote uma dieta saudável. Evite fast food e alimentos processados, os quais aumentam seus sintomas de estresse. Tente comer refeições regulares em lugar de lanches. A ingestão de mais vegetais e menos carne é universalmente aceita como uma dieta mais saudável.
  • Durma o suficiente. Quando você se renova com uma boa noite de sono, acha fácil se libertar de algo que o estressa. A privação de sono a longo prazo aumenta os mesmos níveis hormonais que o estresse crônico.
  • Exercite-se regularmente. Quando seu corpo está saudável, é mais capaz de lidar com o estresse. O exercício também produz endorfinas, hormônios que elevam seu humor e fazem você se sentir mais feliz, para que você possa lidar com situações estressantes com mais facilidade.
  • Pratique técnicas de relaxamento. Práticas como yoga, meditação e tai chi ajudam a liberar o estresse e a superar dificuldades.
  • Evite álcool, drogas, substâncias viciantes e comportamentos compulsivos, como jogar ou comer demais. Esses comportamentos podem suprimir seus sintomas de estresse a curto prazo, mas fazem você se sentir pior no longo prazo.
  • Passe algum tempo com amigos e entes queridos. A socialização com pessoas que o apóiam e incentivam uma mentalidade positiva demonstrou ter efeitos positivos sobre o estresse.
  • Aprenda a estabelecer limites em sua vida. Isso pode ajudá-lo a evitar a sobrecarga com tarefas.
  • Domine exercícios de respiração profunda. Isso ajuda você a relaxar, a superar os sintomas do estresse e a se concentrar em aspectos positivos da vida.
  • Outras terapias para aliviar o estresse

Muitas pessoas com estresse crônico afirmam que não conseguem superar seus sintomas apenas através de mudanças no estilo de vida e estratégias auto-conduzidas. Eles recorrem a um, ou muitos, dos tratamentos e terapias alternativas populares para aliviar os sintomas do estresse:

  • Aromaterapia. O uso de poderosos óleos essenciais, como lavanda e cedro, pode estimular partes do cérebro que produzem hormônios “felizes” para combater os do estresse.
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC). A TCC pode reduzir o estresse, ensinando-lhe como interromper o ciclo de reações aos estressores. Geralmente é liderado por um conselheiro treinado, uma vez por semana, durante cerca de dois a três meses.
  • Suplementos herbários e nutricionais. Há poucas provas científicas, mas muitas pessoas acham que suplementos de ervas e nutricionais como o chá de camomila podem melhorar seus sintomas de estresse.
  • Acupuntura. A acupuntura é uma terapia alternativa chinesa que usa agulhas muito finas para realinhar o fluxo de energia em todo o corpo, ajudando a aliviar o estresse.
  • Antidepressivos e medicamentos ansiolíticos. Às vezes, seus sintomas de estresse estão ligados a outro problema crônico de saúde mental, como ansiedade ou depressão. Nesses casos, consulte um médico para saber se a medicação para ansiedade ou depressão é a correta para você.
  • Terapia. Consultar um psicólogo, psiquiatra ou outro tipo de terapeuta pode ser de grande ajuda para lidar com o estresse crônico.

Leave a comment

By clicking "Post Comment" you agree to our Privacy Policy and to joining The Cannigma mailing list.

Condition Index A-Z

X