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A Cannabis Pode Aliviar a Asma?

Embora pareça contraditório, há muitos casos documentados de pacientes que conseguiram interromper seus ataques de asma fumando cannabis. Há também evidências sugerindo que o sistema endocanabinoide desempenha um papel importante na atividade do sistema respiratório, modulando essa atividade de várias maneiras. 

Além disso, pesquisas pré-clínicas e clínicas mostram que a cannabis de uso medicinal tem o potencial de ajudar no tratamento da asma atuando como broncodilatador, efeito oposto ao do tabaco.

No entanto, os estudos realizados sobre os efeitos completos da cannabis medicinal na asma ou tiveram escopo limitado ou foram conduzidos em animais. Mais pesquisas são necessárias para confirmar se a planta é de fato útil para os asmáticos. Se você está pensando em experimentar cannabis para o seu caso de asma, consulte primeiro um médico especializado em canabinoides.

Como a Cannabis Atua Sobre a Asma 

Para entender como a cannabis atua no tratamento da asma, primeiro precisamos compreender como ela funciona em geral. A cannabis interage com nosso corpo principalmente através do sistema endocanabinoide, o qual mantém a homeostase ou o equilíbrio de muitas funções-chave como sono, fome, humor, resposta imune e memória. Este importante sistema do corpo humano é composto por três partes: endocanabinoides, receptores e enzimas. 

Nossos endocanabinoides são substâncias químicas naturais produzidas pelo organismo. Eles ativam ou modulam os receptores de endocanabinoides (como o CB1 e o CB2), acionando efeitos de equilíbrio do sistema. As enzimas então metabolizam os endocanabinoides, eliminando-os do corpo. 

Embora nossos endocanabinoides naturais geralmente ativem esse sistema, isso também pode ser desencadeado pelos canabinoides encontrados na planta de cannabis. Essas substâncias químicas também são capazes de interagir com o sistema endocanabinoide e, assim, ter efeito sobre muitas de suas importantes funções. É assim que a cannabis de uso medicinal impacta o corpo humano de tantas maneiras perceptíveis. 

Esses receptores endocanabinoides estão localizados em muitas partes do corpo humano, incluindo pulmões. Na verdade, quase todo tipo de célula presente nos pulmões humanos apresenta um receptor de endocanabinoides. Os receptores CB1 e CB2 podem ser encontrados ali e também no tecido brônquico – sendo que os níveis de CB1 são significativamente maiores do que os de CB2. Isso sugere que os pulmões são suscetíveis aos efeitos do sistema endocanabinoide e, portanto, podem ser afetados pela cannabis de uso medicinal. 

Em estudos que analisaram os efeitos dos canabinoides e endocanabinoides nesses receptores, foi constatado que eles podem ser potentes agentes anti-inflamatórios. Isso ajuda a explicar por que vemos muitos estudos e relatos sobre a cannabis medicinal (ou seus ingredientes mais comuns, o THC e o CBD) agindo como broncodilatadora, abrindo vias aéreas e reduzindo a produção de muco.

Estudos Médicos Sobre Cannabis e Asma

Nos estudos sobre a relação entre asma e cannabis, os pesquisadores preocuparam-se com a questão da fumaça, a qual poderia, assim como a do tabaco, aumentar os fatores de risco de crise. No entanto, as pesquisas sugerem que a cannabis é um broncodilatador bastante confiável. Em outras palavras, é capaz de abrir as vias aéreas contraídas durante um ataque de asma. Isso contrasta fortemente com a fumaça do tabaco, que é um notável broncoconstritor que fecha vias aéreas, provocando ataques de asma. 

Estudos sobre cannabis fumada com baixos níveis de THC (entre 1 e 2,6%) atestaram que a planta de uso medicinal pode atuar como broncodilatador. Um estudo descobriu que ela foi capaz de interromper o broncoespasmo e a hiperinsuflação pulmonar associada quase que imediatamente. Outro estudo também revelou que a fumaça da cannabis causou broncodilatação – com efeitos mais pronunciados ao usar mais THC –, observando que não veio acompanhada de depressão respiratória central. 

Embora essa pesquisa seja promissora, ambos os estudos foram limitados pelo tamanho relativamente pequeno da amostra. Eles também usaram cannabis medicinal com níveis muito mais baixos de THC do que os encontrados na maioria das cepas disponíveis da planta. Pesquisas futuras podem investigar quimiotipos mais comuns de cannabis, ou de THC isolado, para descobrir como eles influenciam a função pulmonar. 

Alguns estudos também se concentraram nos efeitos do CBD na asma. Eles têm sido promissores, mesmo que limitados, pois se basearam em modelos de asma em animais. Por exemplo, em modelos de roedores com asma, o CBD foi capaz de reduzir a inflamação das vias aéreas, os danos e as cicatrizes no tecido pulmonar associados à asma. Da mesma forma, modelos de porquinho-da-índia com asma mostraram que o CBD foi capaz de ajudar na redução da constrição das vias aéreas. Os pesquisadores de ambos os estudos acreditam que o CBD pode ser benéfico para o tratamento dessa doença, mas ainda são necessários estudos em humanos para confirmar esses resultados. 

Além desses dois canabinoides, que demonstraram potencial para auxiliar na asma, um dos terpenos da cannabis medicinal (as substâncias químicas da planta que conferem sabor, aroma e uma ampla gama de efeitos farmacológicos) também pode ajudar. O eucaliptol é um terpeno presente em muitas cepas de cannabis (embora não em todas), fazendo também parte de algumas outras plantas, como a árvore de eucalipto. Estudos sobre eucaliptol mostram que ele também pode ser útil para tratar inflamações das vias aéreas. Em um determinado estudo, pacientes de asma que tomaram suplementos de eucaliptol sentiram uma redução significativa nos sintomas relacionados à doença. Em outro estudo, os que ingeriram eucaliptol conseguiram reduzir o consumo de outros medicamentos para asma. Portanto, é altamente provável que cepas de cannabis com alto teor de eucaliptol (como Bubba Kush, Girl Scout Cookies e Super Silver Haze) possam oferecer benefícios adicionais para quem sofre de asma, mais do que outras variedades da planta. Pesquisas futuras podem investigar se, de fato, essas cepas oferecem esses benefícios. 

No geral, a pesquisa apoia a ideia de que a cannabis pode ajudar a tratar a asma atuando como broncodilatador e também de outras maneiras. Ainda assim, mais pesquisas são necessárias para confirmar e compreender melhor essas descobertas. Caso você esteja cogitando usar a cannabis medicinal para sua própria asma, consulte um médico especializado em canabinoides para descobrir se isso é adequado para seu caso.

Efeitos Colaterais

Enquanto alguns pacientes relataram melhora, isso não ocorre sem risco de efeitos colaterais. Em geral, eles incluem impacto temporário na função cognitiva, coordenação e memória, provoca olhos e boca secos, aumento da frequência cardíaca e ansiedade ou paranoia. Para a maioria das pessoas, esses eventos são raros, leves ou controláveis; mas, para algumas, limitam a funcionalidade, tornando o tratamento com a cannabis menos eficaz.

Talvez o efeito colateral mais importante para os que sofrem de asma sejam as alergias que a cannabis pode provocar. Em casos leves, elas podem causar aumento de congestão, coriza, olhos lacrimejantes, gotejamento pós-nasal e coceira nos olhos ou nariz. Estes podem ser angustiantes para quem sofre de asma e potencialmente prejudiciais para aqueles que sofrem do mal desencadeado por alergias. Em casos mais graves, as pessoas relatam erupções cutâneas como resultado do contato com a resina da cannabis, agravamento dos sintomas de asma ou mesmo choque anafilático. Se você tem alergia à cannabis medicinal, ela não poderá ser útil no seu tratamento da asma. 

Alguns também apontam o potencial impacto negativo da fumaça da cannabis nos pulmões como um efeito colateral indesejado. Estudos em animais sugerem que o consumo de cannabis medicinal está relacionado com mudanças nas células pulmonares e doenças do pulmão como bronquiolite. Ainda assim, um estudo longitudinal de 20 anos sobre cannabis medicinal fumada em humanos não encontrou nenhuma evidência de que seu uso esteja relacionado com o aumento de doenças pulmonares ou a redução da função pulmonar. Na verdade, esta pesquisa sugere que a cannabis pode aumentar a função pulmonar em alguns de seus usuários. 

Como a asma pode ser uma doença com risco de morte, é melhor buscar um médico com experiência em cannabis.

Sobre a Asma Visão Geral

Visão Geral

A asma é uma doença inflamatória de longo prazo das vias aéreas pulmonares que causa seu estreitamento, inchaço e produção de muco. O resultado é dificuldade em respirar, o que causa chiado, tosse e falta de ar.

Se você teve dificuldades para respirar uma ou duas vezes na vida, isso não significa necessariamente que sofra de asma. No entanto, se começou a ter esse tipo de dificuldade muito cedo ou sentiu que sua vida está em risco, é melhor consultar um médico o mais rápido possível. 

Embora a maioria dos casos de asma seja leve e relativamente fácil de controlar, a forma mais grave de episódios de asma é conhecida como “ataque”, podendo ocorrer várias vezes em um dia ou uma semana. A dificuldade em respirar também pode comprometer o exercício físico e torná-lo até mesmo extremamente difícil. Para alguns, a asma piora à noite.

Existem cinco tipos conhecidos de asma:

  • Asma alérgica, em que os sintomas pioram devido à exposição a alérgenos específicos, especialmente aqueles que se encontram no ar.
  • Sobreposição de asma e DPOC, caso em que a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), outra doença inflamatória que causa bloqueio do fluxo de ar, se sobrepõe à asma.
  • Broncoconstrição induzida por exercício (BIE), em que os sintomas se desenvolvem quando as vias aéreas se estreitam como resultado da atividade física.
  • Asma não alérgica, caso em que os sintomas da asma surgem como resultado de causas não alérgicas, como condições climáticas.
  • Asma ocupacional, em que os sintomas ocorrem quando o doente é exposto a vapores químicos, gases, poeira ou outras substâncias no local de trabalho.

Vários outros problemas de saúde ocorrem com mais frequência em pacientes asmáticos. Eles incluem doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), apneia obstrutiva do sono e rinossinusite, além de distúrbios psicológicos. Acredita-se que de 16 a 52% dos pacientes com asma têm transtornos de ansiedade, sendo que de 14 a 41% relatam transtornos de humor.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) estimam que 27 milhões de norte-americanos sofrem de asma, bem como uma em cada 12 crianças.

Sintomas

Sintomas

A asma é a doença crônica mais comum em crianças, sendo que seus sintomas geralmente aparecem por volta dos cinco anos. O chiado e a dificuldade de respirar geralmente são resultado de infecções regulares causadas por vírus. 

No entanto, nem todos os que têm asma experimentam os mesmos sintomas. A primeira indicação pode não ser um ataque real de asma, mas dificuldade de respirar ao fazer exercícios. Os sintomas também diferem de acordo com a causa da doença e seus desencadeadores. Por exemplo, uma pessoa que herdou a doença não terá os mesmos sintomas de uma pessoa com alergias.

Os sintomas mais comuns da asma incluem:

  • Tosse ao exercitar-se, à noite ou quando ri
  • Falta de ar
  • Produção de sons ao tentar respirar – como chiado ou apito
  • Aperto no peito
  • Fadiga

Esses sintomas podem causar outros problemas de saúde, como distúrbios do sono provocados por dificuldades respiratórias. Outras causas de dificuldades respiratórias, como resfriado ou gripe, também podem agravar os sintomas da asma.

Algumas causas ambientais também são conhecidas por desencadear sintomas de asma. Se você tiver dificuldade em respirar, causada ou não por asma, é recomendável evitar:

  • Substâncias irritantes como vapores químicos, gases ou poeira – especialmente no local de trabalho.
  • Substâncias em suspensão no ar, como esporos de mofo ou partículas de pele e saliva seca de animais de estimação que podem desencadear alergias.

Causas

Causas

A verdade é que existem muitos fatores, da composição genética às causas ambientais, que podem contribuir para o desenvolvimento da asma. Um deles é a alergia. Um estudo de 2013 encontrou uma forte ligação entre asma e alergias, constatando que mais de 65% dos adultos com asma acima de 55 anos de idade também sofrem de alergia. Entre os adultos entre 20 e 40 anos, esse número está mais próximo de 75%. Fontes comuns de alérgenos incluem proteínas animais, bem como ácaros e fungos.

Além de ser exposto a alérgenos e outros fatores de risco pela poluição, condições climáticas ou ambiente de trabalho, o uso de tabaco pode desencadear asma. Fumar piora os sintomas da asma, adicionando tosse, falta de ar e hiperprodução de muco. Segundo as pesquisas, esses fatores não apenas aumentam o risco de asma e infecções respiratórias, mas também o da morte. Mesmo os filhos de pais que fumam têm maior risco de desenvolver asma.

Os pesquisadores também apontam esses fatores de risco como desencadeadores da asma em potencial:

  • Genética: uma criança com um dos pais asmático tem 25% de chance de desenvolver a doença. Ter dois pais com asma aumenta o risco para 50%.
  • Atopia: pessoas com esse tipo de hipersensibilidade são propensas a reações alérgicas, nas quais o corpo produz mais anticorpos da imunoglobulina (IgE) do que o necessário, desencadeando sintomas asmáticos.
  • O ciclo menstrual: na asma perimenstrual (APM), os hormônios que circulam durante a menstruação desencadeiam uma ação imune que pode causar hipersensibilidade das vias aéreas.
  • Fumar durante a gravidez: mulheres que fumam durante a gravidez podem sofrer complicações durante o trabalho de parto, bem como diminuição do crescimento fetal. Os recém-nascidos também podem sofrer de asma se expostos a toxinas do tabaco através da placenta durante a gestação.  
  • Estresse: altos níveis aumentam a chance de asma, isso também porque as pessoas estressadas às vezes fumam para relaxar. No entanto, em alguns casos os níveis de estresse podem aumentar devido a traumas ou risos, desencadeando o desenvolvimento de asma.
  • Obesidade: alguns relatos relacionam obesidade com a asma, enquanto outros sugerem que o mecanismo inflamatório que causa asma também pode levar à obesidade.

Diagnóstico

Diagnóstico

Se o seu médico suspeitar que o motivo da dificuldade respiratória é a asma, ele perguntará sobre seu histórico médico, concentrando-se na infância. Posteriormente, deverá haver um exame físico para testar os pulmões em ação. O exame incluirá vários testes: 

  • Espirometria: um teste simples que mede a quantidade de ar que você pode soprar e a que velocidade.
  • Pico de fluxo: você pode até realizar esse teste em casa usando um medidor de pico de fluxo para ver o quanto de ar seus pulmões podem liberar.
  • Broncoprovocação por metacolina: esse teste é realizado principalmente em adultos, se não houver resultados claros nos dois testes anteriores. Neste, você será solicitado a inalar quantidades crescentes de névoa de metacolina, antes e após a conclusão do teste de espirometria. Este teste terminará com uma medicação para reverter os efeitos da metacolina, como dor de cabeça, náusea, vômito ou tontura.
  • Óxido nítrico exalado: um teste para medir a quantidade de óxido nítrico na respiração. Se as vias aéreas estiverem inflamadas, a leitura poderá ser alta.

Outros possíveis testes incluem:

  • Radiografia do tórax: este exame pode ser necessário para descartar outras causas dos sintomas. 
  • Tomografia computadorizada (TC): este exame apresenta uma série de raios-X para criar uma visão holística do interior do corpo. Ele se concentra principalmente nos pulmões e seios nasais para identificar possíveis problemas estruturais ou doenças (como uma infecção).
  • Testes de alergia: testes de sangue e/ou pele podem ser usados para identificar a fonte da alergia.
  • Eosinófilos no escarro: este exame concentra-se na mistura de saliva e muco que sai ao tossir em busca de altos níveis de glóbulos brancos.

Esses exames também podem ajudar os profissionais de saúde a descartar outras doenças com sintomas semelhantes, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), sinusite, tumores das vias aéreas, bronquite, disfunção das cordas vocais e insuficiência cardíaca congestiva. Também pode ser necessária uma visita a um especialista, caso o paciente apresente sintomas graves ou necessite de mais de um medicamento para alergias ou outras doenças associadas.

Após a realização dos testes, o médico irá diagnosticar o tipo de asma que causa os sintomas e determinar seu nível: leve, intermitente, moderado ou grave.

Tratamento

Tratamento

Não há cura para a asma, mas existem maneiras de controlar os sintomas com base em diagnóstico e tratamento precoces. Normalmente, esses consistem em tomar medicamentos e, se necessário,  usar inaladores, evitando desencadeadores que agravam os sintomas da asma. 

Em alguns casos, você será aconselhado a combinar corticosteroide inalado com um beta-agonista de ação prolongada (LABA, na sigla em inglês), um controlador de sintomas que ajuda na abertura das vias aéreas. No entanto, o uso de LABA pode ser considerado perigoso em certas circunstâncias, como tratamento não supervisionado e não indicado em pacientes cuja doença é instável.

Outra maneira de tratar a asma grave são os produtos biológicos, injeções ou fusões personalizadas destinadas a ajudar a lidar com a doença regularmente. Esse tipo de tratamento não é adequado para todos os tipos de asma, e exames de sangue adicionais podem ser necessários para determinar a relevância do tratamento para o problema do paciente. 

Além do tratamento médico, é recomendável manter um estilo de vida saudável, de forma a reduzir as chances de um ataque de asma. Algumas orientações nesse sentido são:

  • Manter alimentação saudável e equilibrada
  • Fazer exercícios regularmente, pois muito embora o exercício possa desencadear sintomas de asma, também pode reduzir o risco de problemas respiratórios
  • Evitar a obesidade, mantendo um peso saudável
  • Parar de fumar
  • Controlar o estresse

Se você é uma mulher asmática, é importante saber que deve continuar o seu tratamento mesmo durante a gravidez. Os sintomas da asma podem piorar, em alguns casos, durante o segundo e o terceiro trimestres. Se não for tratada, poderá haver complicações como pressão alta induzida pela gravidez, pré-eclâmpsia e até trabalho de parto prematuro. Além disso, bebês que não recebem oxigênio suficiente podem sofrer complicações de saúde.

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10 min

A Cannabis Pode Aliviar a Asma?

por Emily Earlenbaugh, PhD

Dec 17, 2019

Embora pareça contraditório, há muitos casos documentados de pacientes que conseguiram interromper seus ataques de asma fumando cannabis. Há também evidências sugerindo que o sistema endocanabinoide desempenha um papel importante na atividade do sistema respiratório, modulando essa atividade de várias maneiras. 

Além disso, pesquisas pré-clínicas e clínicas mostram que a cannabis de uso medicinal tem o potencial de ajudar no tratamento da asma atuando como broncodilatador, efeito oposto ao do tabaco.

No entanto, os estudos realizados sobre os efeitos completos da cannabis medicinal na asma ou tiveram escopo limitado ou foram conduzidos em animais. Mais pesquisas são necessárias para confirmar se a planta é de fato útil para os asmáticos. Se você está pensando em experimentar cannabis para o seu caso de asma, consulte primeiro um médico especializado em canabinoides.

Como a Cannabis Atua Sobre a Asma 

Para entender como a cannabis atua no tratamento da asma, primeiro precisamos compreender como ela funciona em geral. A cannabis interage com nosso corpo principalmente através do sistema endocanabinoide, o qual mantém a homeostase ou o equilíbrio de muitas funções-chave como sono, fome, humor, resposta imune e memória. Este importante sistema do corpo humano é composto por três partes: endocanabinoides, receptores e enzimas. 

Nossos endocanabinoides são substâncias químicas naturais produzidas pelo organismo. Eles ativam ou modulam os receptores de endocanabinoides (como o CB1 e o CB2), acionando efeitos de equilíbrio do sistema. As enzimas então metabolizam os endocanabinoides, eliminando-os do corpo. 

Embora nossos endocanabinoides naturais geralmente ativem esse sistema, isso também pode ser desencadeado pelos canabinoides encontrados na planta de cannabis. Essas substâncias químicas também são capazes de interagir com o sistema endocanabinoide e, assim, ter efeito sobre muitas de suas importantes funções. É assim que a cannabis de uso medicinal impacta o corpo humano de tantas maneiras perceptíveis. 

Esses receptores endocanabinoides estão localizados em muitas partes do corpo humano, incluindo pulmões. Na verdade, quase todo tipo de célula presente nos pulmões humanos apresenta um receptor de endocanabinoides. Os receptores CB1 e CB2 podem ser encontrados ali e também no tecido brônquico – sendo que os níveis de CB1 são significativamente maiores do que os de CB2. Isso sugere que os pulmões são suscetíveis aos efeitos do sistema endocanabinoide e, portanto, podem ser afetados pela cannabis de uso medicinal. 

Em estudos que analisaram os efeitos dos canabinoides e endocanabinoides nesses receptores, foi constatado que eles podem ser potentes agentes anti-inflamatórios. Isso ajuda a explicar por que vemos muitos estudos e relatos sobre a cannabis medicinal (ou seus ingredientes mais comuns, o THC e o CBD) agindo como broncodilatadora, abrindo vias aéreas e reduzindo a produção de muco.

Estudos Médicos Sobre Cannabis e Asma

Nos estudos sobre a relação entre asma e cannabis, os pesquisadores preocuparam-se com a questão da fumaça, a qual poderia, assim como a do tabaco, aumentar os fatores de risco de crise. No entanto, as pesquisas sugerem que a cannabis é um broncodilatador bastante confiável. Em outras palavras, é capaz de abrir as vias aéreas contraídas durante um ataque de asma. Isso contrasta fortemente com a fumaça do tabaco, que é um notável broncoconstritor que fecha vias aéreas, provocando ataques de asma. 

Estudos sobre cannabis fumada com baixos níveis de THC (entre 1 e 2,6%) atestaram que a planta de uso medicinal pode atuar como broncodilatador. Um estudo descobriu que ela foi capaz de interromper o broncoespasmo e a hiperinsuflação pulmonar associada quase que imediatamente. Outro estudo também revelou que a fumaça da cannabis causou broncodilatação – com efeitos mais pronunciados ao usar mais THC –, observando que não veio acompanhada de depressão respiratória central. 

Embora essa pesquisa seja promissora, ambos os estudos foram limitados pelo tamanho relativamente pequeno da amostra. Eles também usaram cannabis medicinal com níveis muito mais baixos de THC do que os encontrados na maioria das cepas disponíveis da planta. Pesquisas futuras podem investigar quimiotipos mais comuns de cannabis, ou de THC isolado, para descobrir como eles influenciam a função pulmonar. 

Alguns estudos também se concentraram nos efeitos do CBD na asma. Eles têm sido promissores, mesmo que limitados, pois se basearam em modelos de asma em animais. Por exemplo, em modelos de roedores com asma, o CBD foi capaz de reduzir a inflamação das vias aéreas, os danos e as cicatrizes no tecido pulmonar associados à asma. Da mesma forma, modelos de porquinho-da-índia com asma mostraram que o CBD foi capaz de ajudar na redução da constrição das vias aéreas. Os pesquisadores de ambos os estudos acreditam que o CBD pode ser benéfico para o tratamento dessa doença, mas ainda são necessários estudos em humanos para confirmar esses resultados. 

Além desses dois canabinoides, que demonstraram potencial para auxiliar na asma, um dos terpenos da cannabis medicinal (as substâncias químicas da planta que conferem sabor, aroma e uma ampla gama de efeitos farmacológicos) também pode ajudar. O eucaliptol é um terpeno presente em muitas cepas de cannabis (embora não em todas), fazendo também parte de algumas outras plantas, como a árvore de eucalipto. Estudos sobre eucaliptol mostram que ele também pode ser útil para tratar inflamações das vias aéreas. Em um determinado estudo, pacientes de asma que tomaram suplementos de eucaliptol sentiram uma redução significativa nos sintomas relacionados à doença. Em outro estudo, os que ingeriram eucaliptol conseguiram reduzir o consumo de outros medicamentos para asma. Portanto, é altamente provável que cepas de cannabis com alto teor de eucaliptol (como Bubba Kush, Girl Scout Cookies e Super Silver Haze) possam oferecer benefícios adicionais para quem sofre de asma, mais do que outras variedades da planta. Pesquisas futuras podem investigar se, de fato, essas cepas oferecem esses benefícios. 

No geral, a pesquisa apoia a ideia de que a cannabis pode ajudar a tratar a asma atuando como broncodilatador e também de outras maneiras. Ainda assim, mais pesquisas são necessárias para confirmar e compreender melhor essas descobertas. Caso você esteja cogitando usar a cannabis medicinal para sua própria asma, consulte um médico especializado em canabinoides para descobrir se isso é adequado para seu caso.

Efeitos Colaterais

Enquanto alguns pacientes relataram melhora, isso não ocorre sem risco de efeitos colaterais. Em geral, eles incluem impacto temporário na função cognitiva, coordenação e memória, provoca olhos e boca secos, aumento da frequência cardíaca e ansiedade ou paranoia. Para a maioria das pessoas, esses eventos são raros, leves ou controláveis; mas, para algumas, limitam a funcionalidade, tornando o tratamento com a cannabis menos eficaz.

Talvez o efeito colateral mais importante para os que sofrem de asma sejam as alergias que a cannabis pode provocar. Em casos leves, elas podem causar aumento de congestão, coriza, olhos lacrimejantes, gotejamento pós-nasal e coceira nos olhos ou nariz. Estes podem ser angustiantes para quem sofre de asma e potencialmente prejudiciais para aqueles que sofrem do mal desencadeado por alergias. Em casos mais graves, as pessoas relatam erupções cutâneas como resultado do contato com a resina da cannabis, agravamento dos sintomas de asma ou mesmo choque anafilático. Se você tem alergia à cannabis medicinal, ela não poderá ser útil no seu tratamento da asma. 

Alguns também apontam o potencial impacto negativo da fumaça da cannabis nos pulmões como um efeito colateral indesejado. Estudos em animais sugerem que o consumo de cannabis medicinal está relacionado com mudanças nas células pulmonares e doenças do pulmão como bronquiolite. Ainda assim, um estudo longitudinal de 20 anos sobre cannabis medicinal fumada em humanos não encontrou nenhuma evidência de que seu uso esteja relacionado com o aumento de doenças pulmonares ou a redução da função pulmonar. Na verdade, esta pesquisa sugere que a cannabis pode aumentar a função pulmonar em alguns de seus usuários. 

Como a asma pode ser uma doença com risco de morte, é melhor buscar um médico com experiência em cannabis.

Sobre a Asma

Visão Geral

A asma é uma doença inflamatória de longo prazo das vias aéreas pulmonares que causa seu estreitamento, inchaço e produção de muco. O resultado é dificuldade em respirar, o que causa chiado, tosse e falta de ar.

Se você teve dificuldades para respirar uma ou duas vezes na vida, isso não significa necessariamente que sofra de asma. No entanto, se começou a ter esse tipo de dificuldade muito cedo ou sentiu que sua vida está em risco, é melhor consultar um médico o mais rápido possível. 

Embora a maioria dos casos de asma seja leve e relativamente fácil de controlar, a forma mais grave de episódios de asma é conhecida como “ataque”, podendo ocorrer várias vezes em um dia ou uma semana. A dificuldade em respirar também pode comprometer o exercício físico e torná-lo até mesmo extremamente difícil. Para alguns, a asma piora à noite.

Existem cinco tipos conhecidos de asma:

  • Asma alérgica, em que os sintomas pioram devido à exposição a alérgenos específicos, especialmente aqueles que se encontram no ar.
  • Sobreposição de asma e DPOC, caso em que a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), outra doença inflamatória que causa bloqueio do fluxo de ar, se sobrepõe à asma.
  • Broncoconstrição induzida por exercício (BIE), em que os sintomas se desenvolvem quando as vias aéreas se estreitam como resultado da atividade física.
  • Asma não alérgica, caso em que os sintomas da asma surgem como resultado de causas não alérgicas, como condições climáticas.
  • Asma ocupacional, em que os sintomas ocorrem quando o doente é exposto a vapores químicos, gases, poeira ou outras substâncias no local de trabalho.

Vários outros problemas de saúde ocorrem com mais frequência em pacientes asmáticos. Eles incluem doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), apneia obstrutiva do sono e rinossinusite, além de distúrbios psicológicos. Acredita-se que de 16 a 52% dos pacientes com asma têm transtornos de ansiedade, sendo que de 14 a 41% relatam transtornos de humor.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) estimam que 27 milhões de norte-americanos sofrem de asma, bem como uma em cada 12 crianças.

Sintomas

A asma é a doença crônica mais comum em crianças, sendo que seus sintomas geralmente aparecem por volta dos cinco anos. O chiado e a dificuldade de respirar geralmente são resultado de infecções regulares causadas por vírus. 

No entanto, nem todos os que têm asma experimentam os mesmos sintomas. A primeira indicação pode não ser um ataque real de asma, mas dificuldade de respirar ao fazer exercícios. Os sintomas também diferem de acordo com a causa da doença e seus desencadeadores. Por exemplo, uma pessoa que herdou a doença não terá os mesmos sintomas de uma pessoa com alergias.

Os sintomas mais comuns da asma incluem:

  • Tosse ao exercitar-se, à noite ou quando ri
  • Falta de ar
  • Produção de sons ao tentar respirar – como chiado ou apito
  • Aperto no peito
  • Fadiga

Esses sintomas podem causar outros problemas de saúde, como distúrbios do sono provocados por dificuldades respiratórias. Outras causas de dificuldades respiratórias, como resfriado ou gripe, também podem agravar os sintomas da asma.

Algumas causas ambientais também são conhecidas por desencadear sintomas de asma. Se você tiver dificuldade em respirar, causada ou não por asma, é recomendável evitar:

  • Substâncias irritantes como vapores químicos, gases ou poeira – especialmente no local de trabalho.
  • Substâncias em suspensão no ar, como esporos de mofo ou partículas de pele e saliva seca de animais de estimação que podem desencadear alergias.

Causas

A verdade é que existem muitos fatores, da composição genética às causas ambientais, que podem contribuir para o desenvolvimento da asma. Um deles é a alergia. Um estudo de 2013 encontrou uma forte ligação entre asma e alergias, constatando que mais de 65% dos adultos com asma acima de 55 anos de idade também sofrem de alergia. Entre os adultos entre 20 e 40 anos, esse número está mais próximo de 75%. Fontes comuns de alérgenos incluem proteínas animais, bem como ácaros e fungos.

Além de ser exposto a alérgenos e outros fatores de risco pela poluição, condições climáticas ou ambiente de trabalho, o uso de tabaco pode desencadear asma. Fumar piora os sintomas da asma, adicionando tosse, falta de ar e hiperprodução de muco. Segundo as pesquisas, esses fatores não apenas aumentam o risco de asma e infecções respiratórias, mas também o da morte. Mesmo os filhos de pais que fumam têm maior risco de desenvolver asma.

Os pesquisadores também apontam esses fatores de risco como desencadeadores da asma em potencial:

  • Genética: uma criança com um dos pais asmático tem 25% de chance de desenvolver a doença. Ter dois pais com asma aumenta o risco para 50%.
  • Atopia: pessoas com esse tipo de hipersensibilidade são propensas a reações alérgicas, nas quais o corpo produz mais anticorpos da imunoglobulina (IgE) do que o necessário, desencadeando sintomas asmáticos.
  • O ciclo menstrual: na asma perimenstrual (APM), os hormônios que circulam durante a menstruação desencadeiam uma ação imune que pode causar hipersensibilidade das vias aéreas.
  • Fumar durante a gravidez: mulheres que fumam durante a gravidez podem sofrer complicações durante o trabalho de parto, bem como diminuição do crescimento fetal. Os recém-nascidos também podem sofrer de asma se expostos a toxinas do tabaco através da placenta durante a gestação.  
  • Estresse: altos níveis aumentam a chance de asma, isso também porque as pessoas estressadas às vezes fumam para relaxar. No entanto, em alguns casos os níveis de estresse podem aumentar devido a traumas ou risos, desencadeando o desenvolvimento de asma.
  • Obesidade: alguns relatos relacionam obesidade com a asma, enquanto outros sugerem que o mecanismo inflamatório que causa asma também pode levar à obesidade.

Diagnóstico

Se o seu médico suspeitar que o motivo da dificuldade respiratória é a asma, ele perguntará sobre seu histórico médico, concentrando-se na infância. Posteriormente, deverá haver um exame físico para testar os pulmões em ação. O exame incluirá vários testes: 

  • Espirometria: um teste simples que mede a quantidade de ar que você pode soprar e a que velocidade.
  • Pico de fluxo: você pode até realizar esse teste em casa usando um medidor de pico de fluxo para ver o quanto de ar seus pulmões podem liberar.
  • Broncoprovocação por metacolina: esse teste é realizado principalmente em adultos, se não houver resultados claros nos dois testes anteriores. Neste, você será solicitado a inalar quantidades crescentes de névoa de metacolina, antes e após a conclusão do teste de espirometria. Este teste terminará com uma medicação para reverter os efeitos da metacolina, como dor de cabeça, náusea, vômito ou tontura.
  • Óxido nítrico exalado: um teste para medir a quantidade de óxido nítrico na respiração. Se as vias aéreas estiverem inflamadas, a leitura poderá ser alta.

Outros possíveis testes incluem:

  • Radiografia do tórax: este exame pode ser necessário para descartar outras causas dos sintomas. 
  • Tomografia computadorizada (TC): este exame apresenta uma série de raios-X para criar uma visão holística do interior do corpo. Ele se concentra principalmente nos pulmões e seios nasais para identificar possíveis problemas estruturais ou doenças (como uma infecção).
  • Testes de alergia: testes de sangue e/ou pele podem ser usados para identificar a fonte da alergia.
  • Eosinófilos no escarro: este exame concentra-se na mistura de saliva e muco que sai ao tossir em busca de altos níveis de glóbulos brancos.

Esses exames também podem ajudar os profissionais de saúde a descartar outras doenças com sintomas semelhantes, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), sinusite, tumores das vias aéreas, bronquite, disfunção das cordas vocais e insuficiência cardíaca congestiva. Também pode ser necessária uma visita a um especialista, caso o paciente apresente sintomas graves ou necessite de mais de um medicamento para alergias ou outras doenças associadas.

Após a realização dos testes, o médico irá diagnosticar o tipo de asma que causa os sintomas e determinar seu nível: leve, intermitente, moderado ou grave.

Tratamento

Não há cura para a asma, mas existem maneiras de controlar os sintomas com base em diagnóstico e tratamento precoces. Normalmente, esses consistem em tomar medicamentos e, se necessário,  usar inaladores, evitando desencadeadores que agravam os sintomas da asma. 

Em alguns casos, você será aconselhado a combinar corticosteroide inalado com um beta-agonista de ação prolongada (LABA, na sigla em inglês), um controlador de sintomas que ajuda na abertura das vias aéreas. No entanto, o uso de LABA pode ser considerado perigoso em certas circunstâncias, como tratamento não supervisionado e não indicado em pacientes cuja doença é instável.

Outra maneira de tratar a asma grave são os produtos biológicos, injeções ou fusões personalizadas destinadas a ajudar a lidar com a doença regularmente. Esse tipo de tratamento não é adequado para todos os tipos de asma, e exames de sangue adicionais podem ser necessários para determinar a relevância do tratamento para o problema do paciente. 

Além do tratamento médico, é recomendável manter um estilo de vida saudável, de forma a reduzir as chances de um ataque de asma. Algumas orientações nesse sentido são:

  • Manter alimentação saudável e equilibrada
  • Fazer exercícios regularmente, pois muito embora o exercício possa desencadear sintomas de asma, também pode reduzir o risco de problemas respiratórios
  • Evitar a obesidade, mantendo um peso saudável
  • Parar de fumar
  • Controlar o estresse

Se você é uma mulher asmática, é importante saber que deve continuar o seu tratamento mesmo durante a gravidez. Os sintomas da asma podem piorar, em alguns casos, durante o segundo e o terceiro trimestres. Se não for tratada, poderá haver complicações como pressão alta induzida pela gravidez, pré-eclâmpsia e até trabalho de parto prematuro. Além disso, bebês que não recebem oxigênio suficiente podem sofrer complicações de saúde.

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