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A Cannabis Pode Ajudar na Síndrome das Pernas Inquietas?

Visão Geral

A cannabis pode ajudar no tratamento de diferentes tipos de distúrbios do movimento, inclusive a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), mas o número de pesquisas científicas sobre o assunto ainda é limitado. Embora existam evidências clínicas da eficácia da cannabis em casos isolados da síndrome, os dados são insuficientes para chegarmos a uma conclusão definitiva. Ainda assim, pesquisas sobre a relação da cannabis com os distúrbios motores sugerem que ela pode ajudar.

A causa da SPI ainda é um mistério, mas os pesquisadores acreditam que ela esteja relacionada a algum desequilíbrio de dopamina no cérebro. Como o THC e o CBD interagem diretamente com o sistema de dopamina e ajudam a regular os movimentos, os canabinoides podem ajudar a tratar a SPI.

Como a Cannabis Funciona no Caso da SPI

O sistema endocanabinoide (SE) existe em todos os vertebrados e ajuda a regular funções cruciais, como sono, dor e apetite. O corpo humano produz seus próprios canabinoides, que controlam e ativam suas várias funções. No entanto, como o próprio nome indica, o sistema endocanabinoide também pode ser controlado e ativado por canabinoides encontrados na planta de cannabis. Como todo o sistema só foi descoberto nos últimos 30 anos, os cientistas ainda têm muito a aprender sobre as inúmeras formas de atuação da cannabis no corpo humano.

No caso da Síndrome das Pernas Inquietas e outros distúrbios do movimento, os pesquisadores acreditam que a cannabis pode ajudar, entre outras razões, devido à ligação desses distúrbios com o SE.

Em primeiro lugar, há muitos receptores canabinoides nos gânglios da base, a principal parte do cérebro associada ao movimento. Certos distúrbios do movimento (como discinesias) estão associados diretamente a deficiências nesses receptores canabinoides.

Além disso, distúrbios do movimento, como a SPI, envolvem dopamina, e o tratamento geralmente se baseia em medicamentos que aumentam a dopamina. Os endocanabinoides têm a capacidade de influenciar os níveis de dopamina (um aspecto importante da SPI). Por exemplo, o THC (uma das substâncias mais comuns da cannabis) pode aumentar os níveis de dopamina e seu uso a longo prazo pode levar a níveis mais baixos de dopamina à medida que o sistema se ajusta à estimulação extra do THC.

Com todas essas evidências, chegamos à conclusão de que os canabinoides são realmente capazes de ajudar nos distúrbios do movimento como a SPI, mas precisamos verificar o que dizem os estudos médicos para determinar se isso também vale para os humanos.

Estudos Médicos sobre SPI e Cannabis

Infelizmente, não existem muitos estudos sobre a eficácia da cannabis em relação à SPI. Aliás, não há nenhum ensaio clínico oficial sobre o uso da maconha na Síndrome das Pernas Inquietas. O único estudo sobre o assunto é o caso de seis pacientes que conseguiram aliviar os sintomas da SPI com o uso da cannabis.

Em um estudo de 2017, os pesquisadores contam que os seis pacientes foram diagnosticados com SPI grave e não encontraram nenhum tratamento capaz de ajudá-los sem os intoleráveis efeitos colaterais desse tipo de tratamento. Os seis, então, resolveram usar a cannabis, relatando remissão total dos sintomas da SPI.

Esse incrível relato de remissão completa dos sintomas da SPI traz esperança de que a cannabis possa ajudar nessa área, e motivação para continuar pesquisando. Ainda assim, como se trata de um único estudo, os resultados não são conclusivos.

De qualquer maneira, a falta de comprovações científicas não depõe contra a eficácia da cannabis em relação à SPI, apontando apenas para a necessidade de mais pesquisas. Infelizmente, as restrições governamentais à pesquisa sobre cannabis dificultam a realização de estudos rigorosos em seres humanos. Portanto, embora a cannabis seja um tratamento promissor para muitos problemas de saúde, em muitos casos simplesmente não existem estudos suficientes para tirar conclusões sobre sua eficácia em uma direção ou outra.

CBD para a Síndrome das Pernas Inquietas

Além disso, foi demonstrado que o CBD, substância medicinal da cannabis produzida também a partir do cânhamo, pode ajudar em outros distúrbios do movimento, como Doença de Parkinson e Doença de Huntington. De acordo com os estudos, o CDB contribui para o alívio dos sintomas relacionados à distonia e ao transtorno comportamental do sono REM, mas, em alguns casos, ele pareceu aumentar os tremores dos pacientes, fazendo divergir as opiniões, já controversas, sobre o assunto.

Evidentemente, são necessárias mais pesquisas sobre a SPI e outros distúrbios do movimento para saber exatamente de que maneira e em que casos a cannabis pode ajudar.

Efeitos Colaterais

Quanto aos efeitos colaterais do uso de cannabis para distúrbios do movimento, eles geralmente são leves e toleráveis em comparação com os efeitos de outros medicamentos, e incluem náuseas, perda de memória a curto prazo, comprometimento cognitivo, boca seca, alucinações, tontura, fadiga, alterações do comportamento ou do humor, problemas motores e aumento da fraqueza, da frequência cardíaca e do apetite.

No estudo de caso que comprovou a eficácia da cannabis em relação à SPI, uma pessoa relatou náusea, mas continuou o tratamento em momentos de maior intensidade dos sintomas da SPI.

Alguns se dizem preocupados com os possíveis efeitos psicopatológicos da cannabis, como o risco de desenvolver esquizofrenia, que, de acordo com os estudos, acomete cerca de 1% dos usuários. Deve-se observar, porém, que cerca de 20,7% dos pacientes com SPI desenvolvem transtornos psicopatológicos de controle do impulso quando tomam os medicamentos prescritos para a síndrome.

Sobre a Síndrome das Pernas Inquietas

Visão Geral

A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), também chamada de Doença de Willis-Ekbom, é um distúrbio neurológico caracterizado pela necessidade incontrolável de mexer as pernas (ou outras partes do corpo), geralmente acompanhada ou causada por sensações desconfortáveis ou desagradáveis nesses membros. Depois de mexer as pernas, o desconforto desaparece por um tempo.

A SPI pode afetar qualquer pessoa, de qualquer idade, embora seja mais comum em mulheres do que em homens e apareça com mais frequência na meia-idade, piorando na velhice. Apesar de não ser muito conhecida, a síndrome é bastante comum. De acordo com as estimativas, cerca de 7 a 10% dos adultos do mundo inteiro têm SPI. Como muitos casos não são diagnosticados, esse número pode ser muito maior.

Mais de 80% das pessoas que sofrem de SPI também apresentam MPMS, movimentos periódicos dos membros durante o sono, distúrbio caracterizado pelo movimento involuntário das pernas, e às vezes dos braços, enquanto a pessoa dorme. Embora intimamente correlacionados, os dois distúrbios nem sempre se manifestam em conjunto.

Os sintomas da Síndrome das Pernas Inquietas são sentidos mais intensamente à noite, mas também podem se apresentar depois de um longo período de imobilidade, deitado ou sentado. Como acontece geralmente antes de dormir, pode interferir e prejudicar os padrões regulares de sono.

A SPI não é um distúrbio que envolva risco de vida, mas, como interfere no sono, pode afetar bastante a rotina. Pessoas com Síndrome das Pernas Inquietas costumam relatar fadiga e falta de coordenação durante o dia devido à falta de sono, dificultando a concentração na escola ou no trabalho, alterando o humor e prejudicando os relacionamentos. Estima-se que a SPI seja responsável por uma queda de produtividade de 20%, em média, contribuindo para casos de depressão e ansiedade.

As pessoas que sofrem de Síndrome das Pernas Inquietas raramente procuram ajuda médica, ou porque acham que não é importante, ou porque temem que o médico não as leve a sério. No entanto, a SPI é uma doença, que pode ser tratada com medicamentos e mudanças no estilo de vida.

Sintomas

O principal sintoma da Síndrome das Pernas Inquietas é o responsável pelo seu nome: uma necessidade incontrolável de mexer as pernas, geralmente acompanhada de sensações estranhas e desconfortáveis, como dor, fisgada, coceira ou a impressão de que algo está rastejando por elas. Cada um sente de maneira diferente.

Enquanto para alguns essas sensações sejam apenas desagradáveis ou irritantes, para outros elas podem ser bastante dolorosas. A maioria das pessoas com SPI tem sintomas somente nas pernas, embora os braços e, muito raramente, a cabeça e o peito também possam ser afetados. A SPI geralmente afeta as duas pernas, mas pode ser sentida em uma perna só ou alternada entre as duas.

A maioria das pessoas com SPI relata alívio da dor e do desconforto ao manter as pernas em movimento. Por isso, os portadores dessa síndrome estão sempre andando de um lado para o outro, balançando as pernas ou rolando na cama. Os sintomas costumam piorar à noite (diminuindo só de manhãzinha), o que prejudica a qualidade de sono.

Pessoas com Síndrome das Pernas Inquietas podem não ter sintomas todos os dias, apresentando desconforto uma ou duas vezes por semana (ou mais), com intensidade variável. Em alguns casos, a SPI entra em remissão, e o indivíduo fica meses ou anos sem nenhum sintoma. Para a maioria das pessoas, a síndrome piora com a idade, mas para quem desenvolve os sintomas desde muito cedo, a piora acontece lentamente.

Complicações

Como as pessoas com SPI normalmente não dormem o suficiente à noite, a síndrome pode causar dificuldade de concentração e transtornos de saúde mental. O sono ruim leva à depressão, ansiedade, sonolência diurna e baixa produtividade.

Diagnóstico

É difícil diagnosticar a Síndrome das Pernas Inquietas, porque não há um exame para confirmar ou descartar o quadro. Aliás, a doença muitas vezes é diagnosticada como depressão, resultado da típica má qualidade de sono característica da síndrome; a pessoa normalmente não menciona os sintomas das pernas inquietas e / ou o médico não tem experiência suficiente para reconhecer a doença.

Para o diagnóstico da Síndrome das Pernas Inquietas, o médico deverá realizar um exame clínico completo, além de fazer perguntas sobre o histórico do paciente, seus sintomas e hábitos de sono. O médico também deverá solicitar exames de sangue, para ajudar a descartar outras causas, como anemia por deficiência de ferro ou insuficiência renal, e possivelmente pedirá um estudo do sono, para verificar a existência de apneia ou algum outro distúrbio nessa área.

Existem quatro sintomas principais no diagnóstico de SPI:

  • Necessidade incontrolável de mexer as pernas, acompanhada de uma sensação desconfortável de coceira ou formigamento.
  • A necessidade de mexer as pernas começa ou piora ao descansar.
  • Os sintomas são parcial ou totalmente aliviados ao mexer as pernas.
  • Os sintomas começam ou pioram à noite.

Diagnosticar SPI é ainda mais difícil em crianças, pela dificuldade de descrever os sintomas. Nesses casos, a Síndrome das Pernas Inquietas geralmente é diagnosticada como “dores de crescimento” ou algum tipo de TDAH (transtorno de déficit de atenção / hiperatividade).

Causas

Na maioria das vezes, não há causa conhecida para a SPI. Esse tipo é chamado de SPI primária ou idiopática. As possíveis causas são:

  • Desequilíbrio nas vias dopaminérgicas: os cientistas acreditam que a SPI primária pode ser causada por um desequilíbrio na produção de dopamina no cérebro, a qual controla a suavidade do movimento muscular. Quem tem Doença de Parkinson corre mais risco de desenvolver SPI, e sabe-se que a Doença de Parkinson é um transtorno das vias dopaminérgicas.
  • Genética: acredita-se também que haja um elemento genético na Síndrome das Pernas Inquietas. Nas famílias com tendência à SPI, os sintomas sempre começam antes dos 40 anos de idade.
  • Ferro: também é possível que a falta de ferro contribua para os sintomas da SPI.

Alguns problemas de saúde e outros fatores podem aumentar o risco de desenvolver SPI, incluindo:

  • Doença renal em fase terminal e hemodiálise.
  • Neuropatia periférica, que pode ser causada por alcoolismo, diabetes ou doença crônica.
  • Afecções da medula espinhal, incluindo lesões ou bloqueio.
  • Alguns medicamentos, como antieméticos, antipsicóticos, antidepressivos, e alguns antigripais e antialérgicos.
  • O consumo de álcool, nicotina e café.
  • Gravidez, especialmente no último trimestre.

Muitas pessoas dizem que os sintomas pioram quando elas não dormem direito, o que pode levar a um círculo vicioso: a SPI afeta a qualidade do sono que, por sua vez, agrava os sintomas e prejudica ainda mais o sono.

Tratamento

O tratamento da SPI geralmente consiste em uma combinação de medicamentos e mudanças no estilo de vida. Às vezes, o tratamento da causa subjacente da SPI pode fazer com que os sintomas desapareçam, como a correção de uma deficiência de ferro ou neuropatia.

Medicação

Não existe um medicamento único que cure a síndrome. Pessoas com SPI geralmente precisam tomar diversos medicamentos diferentes, em um processo de tentativa e erro para encontrar os mais eficazes. Isso sem contar casos de tolerância, em que os medicamentos deixam de fazer efeito quando tomados por muito tempo, e devem portanto ser substituídos.

Alguns medicamentos que ajudam a aliviar a SPI são:

  • Agentes neuropáticos: gabapentina (Neurontin) e pregabalina (Lyrica) são os principais medicamentos para o tratamento da SPI. Eles diminuem os distúrbios sensoriais, como a impressão de que algo está rastejando pelas pernas, mas apresentam efeitos colaterais, como fadiga e ganho de peso.
  • Agonistas da dopamina: esses medicamentos aumentam os níveis de dopamina no organismo. Eles são usados, em geral, no tratamento da Doença de Parkinson, mas também podem ajudar a aliviar os sintomas da SPI quando tomados à noite. Exemplos: ropinirol e pramipexol. Os efeitos colaterais incluem sonolência, náuseas, dor de estômago e alucinações.
  • Opioides: às vezes, medicamentos como codeína, hidrocodona, metadona e oxicodona são prescritos para sintomas mais graves da SPI que não responde a outros tratamentos. Os opioides, no entanto, podem causar sonolência, abuso e dependência.
  • Benzodiazepínicos: podem ajudar as pessoas com SPI a ter uma noite de sono mais tranquila, mas pode agravar a apneia do sono.
  • Suplementação de ferro: às vezes, a suplementação de ferro pode ajudar a aliviar os sintomas da SPI, mas geralmente causa constipação.

Mudanças no Estilo de Vida

Algumas pessoas com SPI relatam melhora nos sintomas devido a mudanças no estilo de vida, entre elas:

  • Reduzir o consumo de álcool e cafeína
  • Manter um padrão de sono regular
  • Fazer exercícios moderados todos os dias
  • Massagem nas pernas
  • Parar de fumar
  • Terapia de calor e frio, como tomar um banho quente ou aplicar uma bolsa de gelo
Home > Quadros Clinicos > Síndrome das Pernas Inquietas
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10 min

A Cannabis Pode Ajudar na Síndrome das Pernas Inquietas?

por Emily Earlenbaugh, PhD

Jan 14, 2020

Visão Geral

A cannabis pode ajudar no tratamento de diferentes tipos de distúrbios do movimento, inclusive a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), mas o número de pesquisas científicas sobre o assunto ainda é limitado. Embora existam evidências clínicas da eficácia da cannabis em casos isolados da síndrome, os dados são insuficientes para chegarmos a uma conclusão definitiva. Ainda assim, pesquisas sobre a relação da cannabis com os distúrbios motores sugerem que ela pode ajudar.

A causa da SPI ainda é um mistério, mas os pesquisadores acreditam que ela esteja relacionada a algum desequilíbrio de dopamina no cérebro. Como o THC e o CBD interagem diretamente com o sistema de dopamina e ajudam a regular os movimentos, os canabinoides podem ajudar a tratar a SPI.

Como a Cannabis Funciona no Caso da SPI

O sistema endocanabinoide (SE) existe em todos os vertebrados e ajuda a regular funções cruciais, como sono, dor e apetite. O corpo humano produz seus próprios canabinoides, que controlam e ativam suas várias funções. No entanto, como o próprio nome indica, o sistema endocanabinoide também pode ser controlado e ativado por canabinoides encontrados na planta de cannabis. Como todo o sistema só foi descoberto nos últimos 30 anos, os cientistas ainda têm muito a aprender sobre as inúmeras formas de atuação da cannabis no corpo humano.

No caso da Síndrome das Pernas Inquietas e outros distúrbios do movimento, os pesquisadores acreditam que a cannabis pode ajudar, entre outras razões, devido à ligação desses distúrbios com o SE.

Em primeiro lugar, há muitos receptores canabinoides nos gânglios da base, a principal parte do cérebro associada ao movimento. Certos distúrbios do movimento (como discinesias) estão associados diretamente a deficiências nesses receptores canabinoides.

Além disso, distúrbios do movimento, como a SPI, envolvem dopamina, e o tratamento geralmente se baseia em medicamentos que aumentam a dopamina. Os endocanabinoides têm a capacidade de influenciar os níveis de dopamina (um aspecto importante da SPI). Por exemplo, o THC (uma das substâncias mais comuns da cannabis) pode aumentar os níveis de dopamina e seu uso a longo prazo pode levar a níveis mais baixos de dopamina à medida que o sistema se ajusta à estimulação extra do THC.

Com todas essas evidências, chegamos à conclusão de que os canabinoides são realmente capazes de ajudar nos distúrbios do movimento como a SPI, mas precisamos verificar o que dizem os estudos médicos para determinar se isso também vale para os humanos.

Estudos Médicos sobre SPI e Cannabis

Infelizmente, não existem muitos estudos sobre a eficácia da cannabis em relação à SPI. Aliás, não há nenhum ensaio clínico oficial sobre o uso da maconha na Síndrome das Pernas Inquietas. O único estudo sobre o assunto é o caso de seis pacientes que conseguiram aliviar os sintomas da SPI com o uso da cannabis.

Em um estudo de 2017, os pesquisadores contam que os seis pacientes foram diagnosticados com SPI grave e não encontraram nenhum tratamento capaz de ajudá-los sem os intoleráveis efeitos colaterais desse tipo de tratamento. Os seis, então, resolveram usar a cannabis, relatando remissão total dos sintomas da SPI.

Esse incrível relato de remissão completa dos sintomas da SPI traz esperança de que a cannabis possa ajudar nessa área, e motivação para continuar pesquisando. Ainda assim, como se trata de um único estudo, os resultados não são conclusivos.

De qualquer maneira, a falta de comprovações científicas não depõe contra a eficácia da cannabis em relação à SPI, apontando apenas para a necessidade de mais pesquisas. Infelizmente, as restrições governamentais à pesquisa sobre cannabis dificultam a realização de estudos rigorosos em seres humanos. Portanto, embora a cannabis seja um tratamento promissor para muitos problemas de saúde, em muitos casos simplesmente não existem estudos suficientes para tirar conclusões sobre sua eficácia em uma direção ou outra.

CBD para a Síndrome das Pernas Inquietas

Além disso, foi demonstrado que o CBD, substância medicinal da cannabis produzida também a partir do cânhamo, pode ajudar em outros distúrbios do movimento, como Doença de Parkinson e Doença de Huntington. De acordo com os estudos, o CDB contribui para o alívio dos sintomas relacionados à distonia e ao transtorno comportamental do sono REM, mas, em alguns casos, ele pareceu aumentar os tremores dos pacientes, fazendo divergir as opiniões, já controversas, sobre o assunto.

Evidentemente, são necessárias mais pesquisas sobre a SPI e outros distúrbios do movimento para saber exatamente de que maneira e em que casos a cannabis pode ajudar.

Efeitos Colaterais

Quanto aos efeitos colaterais do uso de cannabis para distúrbios do movimento, eles geralmente são leves e toleráveis em comparação com os efeitos de outros medicamentos, e incluem náuseas, perda de memória a curto prazo, comprometimento cognitivo, boca seca, alucinações, tontura, fadiga, alterações do comportamento ou do humor, problemas motores e aumento da fraqueza, da frequência cardíaca e do apetite.

No estudo de caso que comprovou a eficácia da cannabis em relação à SPI, uma pessoa relatou náusea, mas continuou o tratamento em momentos de maior intensidade dos sintomas da SPI.

Alguns se dizem preocupados com os possíveis efeitos psicopatológicos da cannabis, como o risco de desenvolver esquizofrenia, que, de acordo com os estudos, acomete cerca de 1% dos usuários. Deve-se observar, porém, que cerca de 20,7% dos pacientes com SPI desenvolvem transtornos psicopatológicos de controle do impulso quando tomam os medicamentos prescritos para a síndrome.

Sobre a Síndrome das Pernas Inquietas

Visão Geral

A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), também chamada de Doença de Willis-Ekbom, é um distúrbio neurológico caracterizado pela necessidade incontrolável de mexer as pernas (ou outras partes do corpo), geralmente acompanhada ou causada por sensações desconfortáveis ou desagradáveis nesses membros. Depois de mexer as pernas, o desconforto desaparece por um tempo.

A SPI pode afetar qualquer pessoa, de qualquer idade, embora seja mais comum em mulheres do que em homens e apareça com mais frequência na meia-idade, piorando na velhice. Apesar de não ser muito conhecida, a síndrome é bastante comum. De acordo com as estimativas, cerca de 7 a 10% dos adultos do mundo inteiro têm SPI. Como muitos casos não são diagnosticados, esse número pode ser muito maior.

Mais de 80% das pessoas que sofrem de SPI também apresentam MPMS, movimentos periódicos dos membros durante o sono, distúrbio caracterizado pelo movimento involuntário das pernas, e às vezes dos braços, enquanto a pessoa dorme. Embora intimamente correlacionados, os dois distúrbios nem sempre se manifestam em conjunto.

Os sintomas da Síndrome das Pernas Inquietas são sentidos mais intensamente à noite, mas também podem se apresentar depois de um longo período de imobilidade, deitado ou sentado. Como acontece geralmente antes de dormir, pode interferir e prejudicar os padrões regulares de sono.

A SPI não é um distúrbio que envolva risco de vida, mas, como interfere no sono, pode afetar bastante a rotina. Pessoas com Síndrome das Pernas Inquietas costumam relatar fadiga e falta de coordenação durante o dia devido à falta de sono, dificultando a concentração na escola ou no trabalho, alterando o humor e prejudicando os relacionamentos. Estima-se que a SPI seja responsável por uma queda de produtividade de 20%, em média, contribuindo para casos de depressão e ansiedade.

As pessoas que sofrem de Síndrome das Pernas Inquietas raramente procuram ajuda médica, ou porque acham que não é importante, ou porque temem que o médico não as leve a sério. No entanto, a SPI é uma doença, que pode ser tratada com medicamentos e mudanças no estilo de vida.

Sintomas

O principal sintoma da Síndrome das Pernas Inquietas é o responsável pelo seu nome: uma necessidade incontrolável de mexer as pernas, geralmente acompanhada de sensações estranhas e desconfortáveis, como dor, fisgada, coceira ou a impressão de que algo está rastejando por elas. Cada um sente de maneira diferente.

Enquanto para alguns essas sensações sejam apenas desagradáveis ou irritantes, para outros elas podem ser bastante dolorosas. A maioria das pessoas com SPI tem sintomas somente nas pernas, embora os braços e, muito raramente, a cabeça e o peito também possam ser afetados. A SPI geralmente afeta as duas pernas, mas pode ser sentida em uma perna só ou alternada entre as duas.

A maioria das pessoas com SPI relata alívio da dor e do desconforto ao manter as pernas em movimento. Por isso, os portadores dessa síndrome estão sempre andando de um lado para o outro, balançando as pernas ou rolando na cama. Os sintomas costumam piorar à noite (diminuindo só de manhãzinha), o que prejudica a qualidade de sono.

Pessoas com Síndrome das Pernas Inquietas podem não ter sintomas todos os dias, apresentando desconforto uma ou duas vezes por semana (ou mais), com intensidade variável. Em alguns casos, a SPI entra em remissão, e o indivíduo fica meses ou anos sem nenhum sintoma. Para a maioria das pessoas, a síndrome piora com a idade, mas para quem desenvolve os sintomas desde muito cedo, a piora acontece lentamente.

Complicações

Como as pessoas com SPI normalmente não dormem o suficiente à noite, a síndrome pode causar dificuldade de concentração e transtornos de saúde mental. O sono ruim leva à depressão, ansiedade, sonolência diurna e baixa produtividade.

Diagnóstico

É difícil diagnosticar a Síndrome das Pernas Inquietas, porque não há um exame para confirmar ou descartar o quadro. Aliás, a doença muitas vezes é diagnosticada como depressão, resultado da típica má qualidade de sono característica da síndrome; a pessoa normalmente não menciona os sintomas das pernas inquietas e / ou o médico não tem experiência suficiente para reconhecer a doença.

Para o diagnóstico da Síndrome das Pernas Inquietas, o médico deverá realizar um exame clínico completo, além de fazer perguntas sobre o histórico do paciente, seus sintomas e hábitos de sono. O médico também deverá solicitar exames de sangue, para ajudar a descartar outras causas, como anemia por deficiência de ferro ou insuficiência renal, e possivelmente pedirá um estudo do sono, para verificar a existência de apneia ou algum outro distúrbio nessa área.

Existem quatro sintomas principais no diagnóstico de SPI:

  • Necessidade incontrolável de mexer as pernas, acompanhada de uma sensação desconfortável de coceira ou formigamento.
  • A necessidade de mexer as pernas começa ou piora ao descansar.
  • Os sintomas são parcial ou totalmente aliviados ao mexer as pernas.
  • Os sintomas começam ou pioram à noite.

Diagnosticar SPI é ainda mais difícil em crianças, pela dificuldade de descrever os sintomas. Nesses casos, a Síndrome das Pernas Inquietas geralmente é diagnosticada como “dores de crescimento” ou algum tipo de TDAH (transtorno de déficit de atenção / hiperatividade).

Causas

Na maioria das vezes, não há causa conhecida para a SPI. Esse tipo é chamado de SPI primária ou idiopática. As possíveis causas são:

  • Desequilíbrio nas vias dopaminérgicas: os cientistas acreditam que a SPI primária pode ser causada por um desequilíbrio na produção de dopamina no cérebro, a qual controla a suavidade do movimento muscular. Quem tem Doença de Parkinson corre mais risco de desenvolver SPI, e sabe-se que a Doença de Parkinson é um transtorno das vias dopaminérgicas.
  • Genética: acredita-se também que haja um elemento genético na Síndrome das Pernas Inquietas. Nas famílias com tendência à SPI, os sintomas sempre começam antes dos 40 anos de idade.
  • Ferro: também é possível que a falta de ferro contribua para os sintomas da SPI.

Alguns problemas de saúde e outros fatores podem aumentar o risco de desenvolver SPI, incluindo:

  • Doença renal em fase terminal e hemodiálise.
  • Neuropatia periférica, que pode ser causada por alcoolismo, diabetes ou doença crônica.
  • Afecções da medula espinhal, incluindo lesões ou bloqueio.
  • Alguns medicamentos, como antieméticos, antipsicóticos, antidepressivos, e alguns antigripais e antialérgicos.
  • O consumo de álcool, nicotina e café.
  • Gravidez, especialmente no último trimestre.

Muitas pessoas dizem que os sintomas pioram quando elas não dormem direito, o que pode levar a um círculo vicioso: a SPI afeta a qualidade do sono que, por sua vez, agrava os sintomas e prejudica ainda mais o sono.

Tratamento

O tratamento da SPI geralmente consiste em uma combinação de medicamentos e mudanças no estilo de vida. Às vezes, o tratamento da causa subjacente da SPI pode fazer com que os sintomas desapareçam, como a correção de uma deficiência de ferro ou neuropatia.

Medicação

Não existe um medicamento único que cure a síndrome. Pessoas com SPI geralmente precisam tomar diversos medicamentos diferentes, em um processo de tentativa e erro para encontrar os mais eficazes. Isso sem contar casos de tolerância, em que os medicamentos deixam de fazer efeito quando tomados por muito tempo, e devem portanto ser substituídos.

Alguns medicamentos que ajudam a aliviar a SPI são:

  • Agentes neuropáticos: gabapentina (Neurontin) e pregabalina (Lyrica) são os principais medicamentos para o tratamento da SPI. Eles diminuem os distúrbios sensoriais, como a impressão de que algo está rastejando pelas pernas, mas apresentam efeitos colaterais, como fadiga e ganho de peso.
  • Agonistas da dopamina: esses medicamentos aumentam os níveis de dopamina no organismo. Eles são usados, em geral, no tratamento da Doença de Parkinson, mas também podem ajudar a aliviar os sintomas da SPI quando tomados à noite. Exemplos: ropinirol e pramipexol. Os efeitos colaterais incluem sonolência, náuseas, dor de estômago e alucinações.
  • Opioides: às vezes, medicamentos como codeína, hidrocodona, metadona e oxicodona são prescritos para sintomas mais graves da SPI que não responde a outros tratamentos. Os opioides, no entanto, podem causar sonolência, abuso e dependência.
  • Benzodiazepínicos: podem ajudar as pessoas com SPI a ter uma noite de sono mais tranquila, mas pode agravar a apneia do sono.
  • Suplementação de ferro: às vezes, a suplementação de ferro pode ajudar a aliviar os sintomas da SPI, mas geralmente causa constipação.

Mudanças no Estilo de Vida

Algumas pessoas com SPI relatam melhora nos sintomas devido a mudanças no estilo de vida, entre elas:

  • Reduzir o consumo de álcool e cafeína
  • Manter um padrão de sono regular
  • Fazer exercícios moderados todos os dias
  • Massagem nas pernas
  • Parar de fumar
  • Terapia de calor e frio, como tomar um banho quente ou aplicar uma bolsa de gelo

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