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A Cannabis Pode Ajudar na Lesão da Medula Espinhal?

Visão Geral

A cannabis é uma opção terapêutica cada vez mais popular para pessoas que sofrem lesão da medula espinhal, também chamada de lesão medular ou traumatismo raquimedular. Aliás, muitos pacientes relatam reduções significativas na dor e na espasticidade muscular, os dois principais sintomas dessa condição debilitante.

Pesquisas recentes revelam que a eficácia da cannabis no tratamento de ferimentos da medula espinhal se deve à interação com o sistema endocanabinoide do organismo (SE), o qual desempenha um importante papel em seu funcionamento e pode atuar como um mecanismo de proteção após a ocorrência de lesões.

Mas qual a relação entre o SE e a lesão da medula espinhal? Existe alguma evidência de que a cannabis possa aliviar seus sintomas e até acelerar a recuperação? Vejamos o que dizem as pesquisas.

Como a Cannabis Funciona no Caso de Lesões da Medula Espinhal

O sistema endocanabinoide existe em todos os vertebrados e ajuda a regular funções cruciais, como sono, dor e apetite. O corpo humano produz seus próprios canabinoides, que controlam e ativam suas várias funções. E como o próprio nome indica, o sistema endocanabinoide também pode ser controlado e ativado por canabinoides encontrados na planta de cannabis. Como todo o sistema só foi descoberto recentemente, os cientistas ainda têm muito a aprender sobre as inúmeras formas de atuação da cannabis no corpo humano.

Esse sistema está presente em todo o corpo, incluindo no sistema nervoso central (SNC). A medula espinhal é um importante componente do SNC, com alta concentração de receptores CB1, além de um número menor de receptores CB2.

Pesquisas indicam que o sistema endocanabinoide desempenha diferentes funções no funcionamento da medula espinhal, incluindo o controle de reflexos (como retirar o dedo de uma superfície muito quente) e a sensação de dor.

Estudos em ratos mostraram também que a lesão da medula espinhal provoca um aumento nos níveis de 2-AG e anandamida (os dois principais endocanabinoides) no local da lesão. Aumentos semelhantes ocorrem com os receptores CB1 e CB2.

Os pesquisadores também demonstraram que o bloqueio dos receptores canabinoides após a lesão da medula espinhal em ratos atrasa a recuperação; outros descobriram que a administração de uma forma sintética do endocanabinoide 2-AG acelera sua recuperação após a lesão cerebral. 

Esses resultados sugerem que, após uma lesão na medula espinhal e no cérebro, o sistema endocanabinoide atua como um mecanismo de defesa contra danos adicionais.

Portanto, o uso da cannabis promete não apenas aliviar os sintomas de lesões na medula espinhal, como a dor, mas influenciar diretamente em sua recuperação.

Em epecial, a cannabis tem o potencial de proteger a medula dos chamados danos secundários da lesão medular, causados ​​por inflamação, estresse oxidativo e excitotoxicidade.

Embora os danos imediatos sejam inevitáveis, esses danos secundários, que começam minutos após a lesão medular primária e podem durar várias semanas, respondem bem ao tratamento com cannabis.

Estudos Médicos Sobre Lesão Medular e Cannabis

Embora não haja muitas pesquisas sobre a relação da cannabis com as lesões da medula espinhal, os resultados atuais são promissores, indicando que a maconha pode aliviar a dor, a espasticidade muscular e outros sintomas desse tipo de lesão.

Um estudo de 2003 analisou os benefícios do extrato de cannabis em pessoas com lesão medular e problemas relacionados a danos nos nervos, como esclerose múltipla e lesão do plexo braquial. Comparada ao placebo, a cannabis produziu alívio significativo da dor, melhora no controle da bexiga e diminuição da espasticidade muscular, com menos efeitos colaterais. Vale lembrar que a cannabis tem aprovação médica em diversos países para uso contra espasticidade e dor crônica.

Um estudo de 2007 sobre os efeitos do THC na espasticidade causada por lesão da medula espinhal revelou que, comparado ao tratamento com placebo, o THC reduziu o índice de espasticidade (uma forma de medir sua gravidade) de 16,7 para 8,9, em média. Os pesquisadores concluíram que “o THC é um medicamento eficaz e seguro no tratamento da espasticidade”.

Em paralelo, um estudo de 2016 analisou os benefícios da cannabis vaporizada em pessoas com dor neuropática causada por lesão e doença da medula espinhal. Em comparação com o placebo, as pessoas que vaporizaram cannabis com 2,9% ou 6,7% de THC experimentaram um alívio significativo da dor.

Além disso, vários estudos observacionais confirmam a popularidade da cannabis no alívio da dor e da espasticidade causadas por lesão medular (LM):

  • Um estudo de 2018 realizado no Colorado mostrou que 48% dos respondentes ​​com LM usavam maconha para aliviar a espasticidade e melhorar o sono.
  • Um estudo de 2019 realizado na Nova Zelândia com oito pessoas que sofreram LM revelou bons resultados do uso da cannabis no alívio da dor em casos nos quais a medicação padrão havia se mostrado ineficaz e tenha causado sonolência.

Por fim, há evidências de que a maconha pode aliviar os sintomas da esclerose múltipla (EM), uma doença caracterizada por danos nos nervos semelhantes aos da lesão da medula espinhal. A cannabis é aprovada para o tratamento de sintomas associados à esclerose múltipla em muitos lugares nos quais ela é prescrita para uso medicinal.

Um estudo de 2018 analisou os resultados de várias pesquisas sobre o uso da cannabis no alívio dos sintomas da EM, revelando que os canabinoides foram eficazes na redução da dor neuropática e da espasticidade muscular, dois sintomas comuns à LM.

Em suma, não faltam evidências médicas de que a maconha pode aliviar a dor e a espasticidade associadas à LM. No entanto, são necessárias mais pesquisas para determinar se ela também pode acelerar a recuperação após esse tipo de lesão.

Efeitos Colaterais

A cannabis é um medicamento relativamente seguro, mas pode provocar alguns efeitos colaterais.

Estudos sobre o uso da cannabis no tratamento dos sintomas da LM em humanos revelaram efeitos colaterais psicoativos, como euforia, ansiedade, perda de memória e dificuldade de concentração, característicos da sensação de “high” da maconha. Esses efeitos, porém, foram bem tolerados pelos participantes do estudo, não sendo considerados graves.

Tais efeitos colaterais podem ser reduzidos ainda mais usando preparados de cannabis com alto teor de CBD, uma vez que ele não é intoxicante e pode neutralizar os efeitos psicotrópicos do THC, o principal canabinoide responsável pela sensação de “high” da cannabis.

A maconha também pode causar aumento da frequência cardíaca, olhos vermelhos, boca seca, sonolência, hipotensão e tontura, efeitos relativamente leves.

Sobre a Lesão da Medula Espinhal

Visão Geral

A lesão medular, ou LM, ocorre quando a medula espinhal ou os nervos na parte inferior da medula espinhal são danificados de alguma forma. A medula espinhal é uma corda macia de nervos que desce pelo centro da coluna, transmitindo mensagens do cérebro para o resto do corpo.

Lesão traumática da medula espinhal refere-se ao caso em que a medula espinhal é danificada por um incidente traumático, como um acidente de carro, lesão esportiva ou queda.

A lesão não traumática da medula espinhal refere-se ao caso em que o dano é causado por doença ou deterioração no organismo, como artrite, inflamação ou degeneração do disco, podendo ser um processo natural ou resultar de tensão ou esforço crônico.

Quando alguém tem uma lesão medular, as sequelas costumam ser permanentes, dependendo do local da lesão. Além disso, quanto mais alta a lesão (ou seja, mais perto do cérebro), maior o dano.

Estima-se que, a cada ano, entre 250.000 e 500.000 pessoas sofram lesão na medula espinhal, a maioria devido a causas traumáticas evitáveis, como quedas, violência e acidentes de trânsito. É mais provável que ocorra lesão medular em homens do que em mulheres, e pouco mais da metade das pessoas com LM têm entre 16 e 30 anos.

Sintomas

Os sintomas da lesão medular variam muito, mas dependem basicamente de dois fatores:

  • A localização da lesão na coluna vertebral: quanto mais alta a lesão na medula espinhal, mais graves os sintomas.
  • Se a lesão é completa ou incompleta.
  • A lesão é classificada como completa quando não há função motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão. Cerca de 50% das lesões na medula espinhal são completas.
  • A lesão é classificada como incompleta quando as funções motora e sensitiva estão preservadas abaixo do nível da lesão. Existem diferentes níveis de lesões incompletas.

Os sintomas de lesão medular aguda incluem:

  • Incapacidade de mover os braços, pernas ou peito voluntariamente.
  • Problemas respiratórios.
  • Perda de sensibilidade no peito, braços ou pernas.
  • Perda da função intestinal e do controle miccional.
  • Fraqueza muscular.
  • Dor, formigamento, queimação intensos no peito, braços ou pernas.

A LM pode causar quadriplegia (tetraplegia), quando há paralisia nos braços, pernas e tronco, ou paraplegia, quando há paralisia nas pernas e na parte inferior do corpo.

Outros sintomas de lesão medular são:

  • Alteração ou perda de sensibilidade, prejudicando o tato e a capacidade de sentir calor ou frio.
  • Reflexos exagerados ou movimentos musculares espasmódicos.
  • Alterações na sensibilidade sexual, função sexual ou fertilidade.
  • Dificuldade de tossir ou pigarrear.

É difícil determinar a gravidade da LM no momento em que ela ocorre, uma vez que a coluna entra em choque, diminuindo a capacidade sensitiva e motora dos músculos, além de reduzir as reações reflexas. Inchaço e sangramento também podem ser observados após a lesão, causando ou agravando os sintomas durante algum tempo depois do incidente.

Os sintomas restantes da LM podem levar alguns dias para aparecer, e por isso é importante consultar um médico se você tiver algum tipo de lesão na coluna vertebral, mesmo que não pareça, a princípio, nada sério.

Diagnóstico

Diante de uma suspeita de lesão medular, você deve ir direto para o pronto-socorro. Como parte do processo diagnóstico, o médico deverá:

  • Perguntar a causa dos sintomas apresentados.
  • Verificar seus reflexos.
  • Pedir-lhe que mova cuidadosamente diferentes partes do corpo.
  • Pedir um raio-X para verificar a existência de fraturas, tumores ou degeneração da coluna vertebral.
  • Verificar sua reação a alfinetadas, toques leves e pressão.
  • Solicitar uma tomografia computadorizada para verificar se há anormalidades na coluna vertebral.
  • Solicitar uma ressonância magnética para verificar a existência de coágulos sanguíneos, hérnias de disco ou massas que possam estar pressionando a medula espinhal.

Como todos os sintomas da LM podem levar algum tempo para aparecer, seu médico deverá mantê-lo em observação por alguns dias e repetir alguns ou todos os exames posteriormente.

Causas

O sistema nervoso central é composto pelo cérebro e pela medula espinhal, que envia mensagens para o resto do corpo para controlar o movimento muscular e a resposta sensorial. A medula espinhal é protegida pelas vértebras da coluna vertebral; quando as vértebras são esmagadas, fraturadas, comprimidas ou deslocadas, a medula espinhal pode ser danificada, provocando a lesão medular.

As causas mais comuns de lesão medular são, entre outras:

  • Acidentes de transporte: responsáveis por mais de 50% das novas lesões de medula espinhal a cada ano.
  • Quedas: a maioria das lesões da medula espinhal entre pessoas com mais de 65 anos e 35% de todas as lesões medulares se devem a quedas.
  • Violência: feridas de faca e tiros.
  • Acidentes esportivos: 10% das lesões medulares são causadas por acidentes em esportes como salto ornamental, mergulho e futebol americano.
  • Doença: incluindo câncer, artrite e infecções que afetam a medula espinhal, inflamando-a ou criando ali um abscesso.
  • Lesões de nascimento: geralmente afetam a medula espinhal na área do pescoço.

Tratamento

Não há como desfazer os danos causados à medula espinhal, mas o atendimento de emergência pode impedir o agravamento da lesão e a reabilitação pode ajudar o indivíduo a ter uma vida ativa e gratificante.

O atendimento de emergência inclui:

  • Imobilização do pescoço e da coluna.
  • Prevenção de choque.
  • Avaliação da função respiratória.
  • Prevenção de complicações secundárias, como coágulos sanguíneos.

Às vezes, é necessário realizar cirurgia após a LM, para remover fragmentos de osso, mover vértebras ou realinhar discos herniados que pressionam a medula espinhal.

Os médicos podem inserir um cateter para drenar a bexiga, um tubo de alimentação para garantir a nutrição e / ou conectar o paciente a aparelhos para ajudá-lo a respirar. Esses procedimentos podem ser intervenções de curto prazo, para o corpo se recuperar do choque do acidente e diminuir o inchaço da coluna, ou podem continuar a longo prazo.

Corticosteroides também são utilizados para ajudar a reduzir o inchaço na coluna vertebral.

A reabilitação, processo que ajuda o indivíduo a se adaptar à sua nova condição, inclui:

  • Fisioterapia, cujo objetivo é preservar o máximo de controle motor possível dos membros e apresentar novas maneiras de realizar as atividades do dia a dia, impedindo a tensão muscular, que pode causar fortes dores.
  • Psicoterapia, como ajuda para lidar com a perda de algumas funções fisiológicas.
  • Medicamentos, quando necessário, para manter a frequência cardíaca e a respiração, aliviar a dor, aumentar o controle do intestino e da bexiga e reduzir a espasticidade.
Home > Quadros Clinicos > Lesão da Medula Espinhal
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10 min

A Cannabis Pode Ajudar na Lesão da Medula Espinhal?

por Gleb Oleinik

Jan 14, 2020

Visão Geral

A cannabis é uma opção terapêutica cada vez mais popular para pessoas que sofrem lesão da medula espinhal, também chamada de lesão medular ou traumatismo raquimedular. Aliás, muitos pacientes relatam reduções significativas na dor e na espasticidade muscular, os dois principais sintomas dessa condição debilitante.

Pesquisas recentes revelam que a eficácia da cannabis no tratamento de ferimentos da medula espinhal se deve à interação com o sistema endocanabinoide do organismo (SE), o qual desempenha um importante papel em seu funcionamento e pode atuar como um mecanismo de proteção após a ocorrência de lesões.

Mas qual a relação entre o SE e a lesão da medula espinhal? Existe alguma evidência de que a cannabis possa aliviar seus sintomas e até acelerar a recuperação? Vejamos o que dizem as pesquisas.

Como a Cannabis Funciona no Caso de Lesões da Medula Espinhal

O sistema endocanabinoide existe em todos os vertebrados e ajuda a regular funções cruciais, como sono, dor e apetite. O corpo humano produz seus próprios canabinoides, que controlam e ativam suas várias funções. E como o próprio nome indica, o sistema endocanabinoide também pode ser controlado e ativado por canabinoides encontrados na planta de cannabis. Como todo o sistema só foi descoberto recentemente, os cientistas ainda têm muito a aprender sobre as inúmeras formas de atuação da cannabis no corpo humano.

Esse sistema está presente em todo o corpo, incluindo no sistema nervoso central (SNC). A medula espinhal é um importante componente do SNC, com alta concentração de receptores CB1, além de um número menor de receptores CB2.

Pesquisas indicam que o sistema endocanabinoide desempenha diferentes funções no funcionamento da medula espinhal, incluindo o controle de reflexos (como retirar o dedo de uma superfície muito quente) e a sensação de dor.

Estudos em ratos mostraram também que a lesão da medula espinhal provoca um aumento nos níveis de 2-AG e anandamida (os dois principais endocanabinoides) no local da lesão. Aumentos semelhantes ocorrem com os receptores CB1 e CB2.

Os pesquisadores também demonstraram que o bloqueio dos receptores canabinoides após a lesão da medula espinhal em ratos atrasa a recuperação; outros descobriram que a administração de uma forma sintética do endocanabinoide 2-AG acelera sua recuperação após a lesão cerebral. 

Esses resultados sugerem que, após uma lesão na medula espinhal e no cérebro, o sistema endocanabinoide atua como um mecanismo de defesa contra danos adicionais.

Portanto, o uso da cannabis promete não apenas aliviar os sintomas de lesões na medula espinhal, como a dor, mas influenciar diretamente em sua recuperação.

Em epecial, a cannabis tem o potencial de proteger a medula dos chamados danos secundários da lesão medular, causados ​​por inflamação, estresse oxidativo e excitotoxicidade.

Embora os danos imediatos sejam inevitáveis, esses danos secundários, que começam minutos após a lesão medular primária e podem durar várias semanas, respondem bem ao tratamento com cannabis.

Estudos Médicos Sobre Lesão Medular e Cannabis

Embora não haja muitas pesquisas sobre a relação da cannabis com as lesões da medula espinhal, os resultados atuais são promissores, indicando que a maconha pode aliviar a dor, a espasticidade muscular e outros sintomas desse tipo de lesão.

Um estudo de 2003 analisou os benefícios do extrato de cannabis em pessoas com lesão medular e problemas relacionados a danos nos nervos, como esclerose múltipla e lesão do plexo braquial. Comparada ao placebo, a cannabis produziu alívio significativo da dor, melhora no controle da bexiga e diminuição da espasticidade muscular, com menos efeitos colaterais. Vale lembrar que a cannabis tem aprovação médica em diversos países para uso contra espasticidade e dor crônica.

Um estudo de 2007 sobre os efeitos do THC na espasticidade causada por lesão da medula espinhal revelou que, comparado ao tratamento com placebo, o THC reduziu o índice de espasticidade (uma forma de medir sua gravidade) de 16,7 para 8,9, em média. Os pesquisadores concluíram que “o THC é um medicamento eficaz e seguro no tratamento da espasticidade”.

Em paralelo, um estudo de 2016 analisou os benefícios da cannabis vaporizada em pessoas com dor neuropática causada por lesão e doença da medula espinhal. Em comparação com o placebo, as pessoas que vaporizaram cannabis com 2,9% ou 6,7% de THC experimentaram um alívio significativo da dor.

Além disso, vários estudos observacionais confirmam a popularidade da cannabis no alívio da dor e da espasticidade causadas por lesão medular (LM):

  • Um estudo de 2018 realizado no Colorado mostrou que 48% dos respondentes ​​com LM usavam maconha para aliviar a espasticidade e melhorar o sono.
  • Um estudo de 2019 realizado na Nova Zelândia com oito pessoas que sofreram LM revelou bons resultados do uso da cannabis no alívio da dor em casos nos quais a medicação padrão havia se mostrado ineficaz e tenha causado sonolência.

Por fim, há evidências de que a maconha pode aliviar os sintomas da esclerose múltipla (EM), uma doença caracterizada por danos nos nervos semelhantes aos da lesão da medula espinhal. A cannabis é aprovada para o tratamento de sintomas associados à esclerose múltipla em muitos lugares nos quais ela é prescrita para uso medicinal.

Um estudo de 2018 analisou os resultados de várias pesquisas sobre o uso da cannabis no alívio dos sintomas da EM, revelando que os canabinoides foram eficazes na redução da dor neuropática e da espasticidade muscular, dois sintomas comuns à LM.

Em suma, não faltam evidências médicas de que a maconha pode aliviar a dor e a espasticidade associadas à LM. No entanto, são necessárias mais pesquisas para determinar se ela também pode acelerar a recuperação após esse tipo de lesão.

Efeitos Colaterais

A cannabis é um medicamento relativamente seguro, mas pode provocar alguns efeitos colaterais.

Estudos sobre o uso da cannabis no tratamento dos sintomas da LM em humanos revelaram efeitos colaterais psicoativos, como euforia, ansiedade, perda de memória e dificuldade de concentração, característicos da sensação de “high” da maconha. Esses efeitos, porém, foram bem tolerados pelos participantes do estudo, não sendo considerados graves.

Tais efeitos colaterais podem ser reduzidos ainda mais usando preparados de cannabis com alto teor de CBD, uma vez que ele não é intoxicante e pode neutralizar os efeitos psicotrópicos do THC, o principal canabinoide responsável pela sensação de “high” da cannabis.

A maconha também pode causar aumento da frequência cardíaca, olhos vermelhos, boca seca, sonolência, hipotensão e tontura, efeitos relativamente leves.

Sobre a Lesão da Medula Espinhal

Visão Geral

A lesão medular, ou LM, ocorre quando a medula espinhal ou os nervos na parte inferior da medula espinhal são danificados de alguma forma. A medula espinhal é uma corda macia de nervos que desce pelo centro da coluna, transmitindo mensagens do cérebro para o resto do corpo.

Lesão traumática da medula espinhal refere-se ao caso em que a medula espinhal é danificada por um incidente traumático, como um acidente de carro, lesão esportiva ou queda.

A lesão não traumática da medula espinhal refere-se ao caso em que o dano é causado por doença ou deterioração no organismo, como artrite, inflamação ou degeneração do disco, podendo ser um processo natural ou resultar de tensão ou esforço crônico.

Quando alguém tem uma lesão medular, as sequelas costumam ser permanentes, dependendo do local da lesão. Além disso, quanto mais alta a lesão (ou seja, mais perto do cérebro), maior o dano.

Estima-se que, a cada ano, entre 250.000 e 500.000 pessoas sofram lesão na medula espinhal, a maioria devido a causas traumáticas evitáveis, como quedas, violência e acidentes de trânsito. É mais provável que ocorra lesão medular em homens do que em mulheres, e pouco mais da metade das pessoas com LM têm entre 16 e 30 anos.

Sintomas

Os sintomas da lesão medular variam muito, mas dependem basicamente de dois fatores:

  • A localização da lesão na coluna vertebral: quanto mais alta a lesão na medula espinhal, mais graves os sintomas.
  • Se a lesão é completa ou incompleta.
  • A lesão é classificada como completa quando não há função motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão. Cerca de 50% das lesões na medula espinhal são completas.
  • A lesão é classificada como incompleta quando as funções motora e sensitiva estão preservadas abaixo do nível da lesão. Existem diferentes níveis de lesões incompletas.

Os sintomas de lesão medular aguda incluem:

  • Incapacidade de mover os braços, pernas ou peito voluntariamente.
  • Problemas respiratórios.
  • Perda de sensibilidade no peito, braços ou pernas.
  • Perda da função intestinal e do controle miccional.
  • Fraqueza muscular.
  • Dor, formigamento, queimação intensos no peito, braços ou pernas.

A LM pode causar quadriplegia (tetraplegia), quando há paralisia nos braços, pernas e tronco, ou paraplegia, quando há paralisia nas pernas e na parte inferior do corpo.

Outros sintomas de lesão medular são:

  • Alteração ou perda de sensibilidade, prejudicando o tato e a capacidade de sentir calor ou frio.
  • Reflexos exagerados ou movimentos musculares espasmódicos.
  • Alterações na sensibilidade sexual, função sexual ou fertilidade.
  • Dificuldade de tossir ou pigarrear.

É difícil determinar a gravidade da LM no momento em que ela ocorre, uma vez que a coluna entra em choque, diminuindo a capacidade sensitiva e motora dos músculos, além de reduzir as reações reflexas. Inchaço e sangramento também podem ser observados após a lesão, causando ou agravando os sintomas durante algum tempo depois do incidente.

Os sintomas restantes da LM podem levar alguns dias para aparecer, e por isso é importante consultar um médico se você tiver algum tipo de lesão na coluna vertebral, mesmo que não pareça, a princípio, nada sério.

Diagnóstico

Diante de uma suspeita de lesão medular, você deve ir direto para o pronto-socorro. Como parte do processo diagnóstico, o médico deverá:

  • Perguntar a causa dos sintomas apresentados.
  • Verificar seus reflexos.
  • Pedir-lhe que mova cuidadosamente diferentes partes do corpo.
  • Pedir um raio-X para verificar a existência de fraturas, tumores ou degeneração da coluna vertebral.
  • Verificar sua reação a alfinetadas, toques leves e pressão.
  • Solicitar uma tomografia computadorizada para verificar se há anormalidades na coluna vertebral.
  • Solicitar uma ressonância magnética para verificar a existência de coágulos sanguíneos, hérnias de disco ou massas que possam estar pressionando a medula espinhal.

Como todos os sintomas da LM podem levar algum tempo para aparecer, seu médico deverá mantê-lo em observação por alguns dias e repetir alguns ou todos os exames posteriormente.

Causas

O sistema nervoso central é composto pelo cérebro e pela medula espinhal, que envia mensagens para o resto do corpo para controlar o movimento muscular e a resposta sensorial. A medula espinhal é protegida pelas vértebras da coluna vertebral; quando as vértebras são esmagadas, fraturadas, comprimidas ou deslocadas, a medula espinhal pode ser danificada, provocando a lesão medular.

As causas mais comuns de lesão medular são, entre outras:

  • Acidentes de transporte: responsáveis por mais de 50% das novas lesões de medula espinhal a cada ano.
  • Quedas: a maioria das lesões da medula espinhal entre pessoas com mais de 65 anos e 35% de todas as lesões medulares se devem a quedas.
  • Violência: feridas de faca e tiros.
  • Acidentes esportivos: 10% das lesões medulares são causadas por acidentes em esportes como salto ornamental, mergulho e futebol americano.
  • Doença: incluindo câncer, artrite e infecções que afetam a medula espinhal, inflamando-a ou criando ali um abscesso.
  • Lesões de nascimento: geralmente afetam a medula espinhal na área do pescoço.

Tratamento

Não há como desfazer os danos causados à medula espinhal, mas o atendimento de emergência pode impedir o agravamento da lesão e a reabilitação pode ajudar o indivíduo a ter uma vida ativa e gratificante.

O atendimento de emergência inclui:

  • Imobilização do pescoço e da coluna.
  • Prevenção de choque.
  • Avaliação da função respiratória.
  • Prevenção de complicações secundárias, como coágulos sanguíneos.

Às vezes, é necessário realizar cirurgia após a LM, para remover fragmentos de osso, mover vértebras ou realinhar discos herniados que pressionam a medula espinhal.

Os médicos podem inserir um cateter para drenar a bexiga, um tubo de alimentação para garantir a nutrição e / ou conectar o paciente a aparelhos para ajudá-lo a respirar. Esses procedimentos podem ser intervenções de curto prazo, para o corpo se recuperar do choque do acidente e diminuir o inchaço da coluna, ou podem continuar a longo prazo.

Corticosteroides também são utilizados para ajudar a reduzir o inchaço na coluna vertebral.

A reabilitação, processo que ajuda o indivíduo a se adaptar à sua nova condição, inclui:

  • Fisioterapia, cujo objetivo é preservar o máximo de controle motor possível dos membros e apresentar novas maneiras de realizar as atividades do dia a dia, impedindo a tensão muscular, que pode causar fortes dores.
  • Psicoterapia, como ajuda para lidar com a perda de algumas funções fisiológicas.
  • Medicamentos, quando necessário, para manter a frequência cardíaca e a respiração, aliviar a dor, aumentar o controle do intestino e da bexiga e reduzir a espasticidade.

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