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A Cannabis Pode Ajudar na Dor Menstrual?

Visão Geral

A cannabis tem um longo histórico de uso no tratamento de males que afetam especificamente mulheres, tal como a dor menstrual. Esse fato não surpreende, uma vez que pesquisas sugerem que o sistema endocanabinoide regula grande parte dos processos relacionados às cólicas menstruais, tais como a dor e o funcionamento gastrointestinal.

Há fortes evidências de que a maconha alivia não apenas a dor da menstruação, como também sintomas associados comuns como náusea, perda de apetite e inchaço. Apesar de não existirem ainda evidências clínicas diretas que comprovem o benefício do uso da cannabis nesse campo, não é difícil entender como isso acontece, uma vez que que o sistema endocanabinoide é o principal agente envolvido no alívio desses males. É fato que a maconha é conhecida por mulheres afetadas por distúrbios relacionados à menstruação há milhares de anos, e temos dados suficientes para justificar seu uso – muito embora ainda sejam necessárias mais pesquisas antes que este tratamento seja mais disseminado.

O Sistema Endocanabinoide

O sistema endocanabinoide (SE) é formado por receptores de canabinoides, endocanabinoides e enzimas que os sintetizam e decompõem. O principal papel desse sistema é manter o equilíbrio do corpo humano, chamado homeostase. Para isso, o SE regula processos-chave, como dor, sono, apetite e função cognitiva, gastrointestinal e imunológica 

Até agora, os cientistas identificaram dois tipos de receptores de canabinoides: o CB1 e o CB2. Eles são encontrados em todo o corpo, mas o CB1 se concentra no sistema nervoso central e o CB2, nas células do sistema imunológico. Esses receptores são ativados pela anandamida e 2-AG (2-araquidonilglicerol), os dois principais endocanabinoides produzidos pelo nosso corpo.

Além disso, os canabinoides derivados de plantas (fitocanabinoides), como o THC e o CBD, também podem interagir com os receptores de canabinoides e enzimas relacionadas. Isso explica como os medicamentos à base de cannabis produzem efeitos terapêuticos.

Não há nenhuma pesquisa específica sobre a relação do SE com a dor menstrual e os sintomas associados à menstruação. No entanto, os receptores, endocanabinoides e enzimas do SE estão presentes no aparelho reprodutor feminino e desempenham um papel importante em seu funcionamento.

Além disso, o SE regula os processos relacionados aos sintomas da menstruação, como dor e funcionamento gastrointestinal. Ou seja, a administração de medicamentos à base de cannabis pode de fato oferecer alívio.

O sistema endocanabinoide desempenha um papel importante na regulação da dor. Isso é demonstrado pela presença e envolvimento dos receptores CB1, CB2 e endocanabinoides em todas as partes da chamada “via da dor” (os processos que resultam na sensação de dor). Por exemplo, o receptor CB1 se concentra em partes do sistema nervoso periférico e central relacionadas à detecção, envio e processamento de sinais de dor. Em paralelo, o receptor CB2 desempenha um papel maior na dor inflamatória por seu envolvimento na função imunológica. Também sabe-se que o 2-AG e a anandamida apresentam efeitos analgésicos. Essas descobertas sugerem que focar no SE é uma opção promissora para aliviar a dor e o desconforto abdominais característicos das cólicas menstruais.

Além disso, o sistema endocanabinoide é conhecido por regular o apetite e a ingestão de alimentos. Isso é demonstrado pelo fato de a ativação do receptor CB1 aumentar o apetite, razão pela qual os medicamentos sintéticos à base de THC são usados para combater a perda de peso associada a doenças. Desse modo, o SE também pode ser utilizado para combater a falta de apetite associada à dor menstrual.

O sistema endocanabinoide, ademais, desempenha um papel importante na regulação da função gastrointestinal, o que significa que ele pode aliviar a náusea, o inchaço e sintomas digestivos relacionados à menstruação. O mais incrível é que a ativação do receptor CB1 parece reduzir a motilidade gastrointestinal, a qual desempenha um papel central em sintomas como náusea, inchaço, diarréia e dor abdominal.

Enquanto isso, as pesquisas sugerem que a ativação do CB1 no sistema nervoso central também pode reduzir as ânsias de vômito, outro sintoma da menstruação. O papel do SE na regulação da função digestiva é destacado pela eficácia de medicamentos à base de THC, como o dronabinol, na redução de náuseas e vômitos.

Em conjunto, todas essas descobertas científicas revelam como podemos utilizar o SE para aliviar a dor menstrual e os sintomas relacionados à menstruação.

Cannabis e Dor Menstrual

Apesar do longo histórico de uso de cannabis para o combate do desconforto menstrual, atualmente há muitas evidências, mas não estudos, a respeito dos efeitos da cannabis no alívio da dor e dos sintomas relacionados à menstruação.

Para começar, o alívio da dor é sem dúvida o benefício com o maior respaldo de pesquisas na área. Um estudo de 2015, composto por 28 ensaios clínicos, concluiu que há “evidências suficientes” para embasar o uso na dor crônica. Mais importante, as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina declararam em 2017 que “há provas conclusivas ou substanciais de que a cannabis e os canabinoides são eficazes no tratamento da dor crônica em adultos”.

Além disso, há evidências de que canabinoides como o THC e o CBD reduzem náuseas e vômitos. Por exemplo, um estudo de 2007 revelou que o dronabinol à base de THC é tão eficaz quanto a medicação prescrita para pacientes em quimioterapia: 71% deles relataram não sentir mais nenhuma náusea após a utilização da cannabis. Ademais, uma revisão sistemática (2015) de 23 estudos clínicos concluiu que “medicamentos à base de cannabis podem ser úteis no tratamento de casos refratários de náuseas e vômitos provocados pela quimioterapia”.

Da mesma forma, todos sabem que o uso de maconha abre o apetite. O fato foi demonstrado por um estudo de 1995, em que 139 pessoas com perda de peso decorrente da AIDS usaram com sucesso o dronabinol para manter e até recuperar o peso. Esses efeitos são tão bem documentados que a cannabis em geral e o THC especificamente estão sendo agora bastante utilizados para ajudar pacientes com perda de peso associada a distúrbios crônicos.

Além disso, a maconha pode ajudar a aliviar a ansiedade e outros problemas mentais associados à dor menstrual. Por exemplo, um estudo de 2011 mostrou que o CBD, um canabinoide não psicoativo, atenua a ansiedade vinculada à necessidade de falar em público em pessoas com transtorno de ansiedade social, a chamada “fobia social”.

Outros dois estudos com pessoas que sofrem de doença inflamatória intestinal (DII) relataram que o uso de cannabis era comum para aliviar dores abdominais, diarreia, inchaço e perda de apetite, sintomas que também ocorrem junto com as cólicas menstruais.

Um estudo de 2002, realizado por um expert em cannabis medicinal, o Dr. Ethan Russo, apresentou registros milenares de uso de maconha para aliviar questões de saúde que afetam as mulheres, incluindo dores menstruais. De acordo com o estudo, até a rainha Victoria tomava doses mensais de cannabis, prescritas por seu médico, para reduzir o desconforto menstrual. O Dr. Russo concluiu sua pesquisa afirmando que a cannabis pode oferecer um tratamento alternativo seguro e eficaz para a dismenorreia (cólicas menstruais) e outros sintomas relacionados à menstruação.

Da mesma forma, uma pesquisa de 2018 apontou o uso da maconha para alívio de dores, e que canabinoides como THC e CBD têm propriedades relaxantes, as quais aliviam os espasmos musculares das cólicas menstruais.

Além disso, vários estudos apresentam relatórios informais sobre o alívio produzido pelo uso da cannabis em casos de cólicas menstruais, listando esse desconforto como uma das razões pelas quais as pessoas recorrem à cannabis medicinal. Por fim, pesquisas sobre adenomiose  e endometriose, duas patologias dolorosas que acometem o tecido que reveste o útero, sugerem que a cannabis pode ser uma opção terapêutica para o alívio da dor.

Em resumo, embora faltem estudos clínicos sobre a relação entre o uso da cannabis e o alívio da dor menstrual, há muitas evidências de que a cannabis pode ajudar na dor abdominal, náusea, inchaço, perda de apetite e outros sintomas da menstruação.

Efeitos Colaterais

Uma das principais barreiras ao uso medicinal da cannabis são seus efeitos colaterais psicoativos, que incluem perda de memória, euforia, ansiedade, paranoia e diminuição do tempo de reação.

A cannabis pode causar outros efeitos colaterais, como fadiga e boca seca, mas, de modo geral, trata-se de uma substância segura, com efeitos colaterais leves e transitórios. Além disso, o uso de preparados com alto teor de CBD, como o óleo de CBD, é uma maneira eficaz de evitar os efeitos psicoativos da cannabis.

Em comparação, os medicamentos comuns usados para aliviar a dor menstrual, como os AINEs (anti-inflamatórios não esteroides), estão associados a efeitos colaterais como úlceras estomacais, sangramentos gastrointestinais etc., e seu uso excessivo causa danos nos rins, fígado e coração.

Sobre a Dor Menstrual Visão Geral

Visão Geral

Dor menstrual, cólicas menstruais ou dismenorreia são diferentes nomes para a dor e o desconforto que muitas mulheres sentem antes ou durante o período de sangramento menstrual. Para algumas mulheres, não passa de um desconforto momentâneo, enquanto, para outras, a dor menstrual pode interferir em suas atividades diárias, afetar o relacionamento com os outros, agravar outros problemas de saúde e deixá-las incapacitadas vários dias por mês.

Mulheres com doenças como endometriose ou miomas uterinos geralmente têm cólicas menstruais muito mais fortes. A dor menstrual tende a começar um ou dois anos após a primeira menstruação, mas pode se tornar menos intensa ao longo do tempo. Algumas mulheres relatam que suas cólicas menstruais melhoram muito ou até desaparecem completamente depois do primeiro filho.

Cerca de 85% das mulheres e jovens têm cólicas dolorosas e desconforto antes ou durante o período menstrual, mas poucas conversam sobre isso com o médico, de modo que esse número pode ser maior. A porcentagem de mulheres e meninas com dor menstrual forte o suficiente para impedi-las de ir ao trabalho ou à escola pode chegar a 40%.

Sintomas

Sintomas

Os sintomas da dor menstrual geralmente são cólicas na parte inferior do abdômen acompanhadas, às vezes, de dor na parte inferior das costas, nos quadris ou na parte interna das coxas. Normalmente, os sintomas começam um ou dois dias antes do fim do ciclo menstrual ou no próprio dia da menstruação, e dura de dois a três dias. A maioria das mulheres diz que a dor menstrual é pior nas primeiras 24 horas da menstruação.

Em algumas mulheres, essa dor é tão intensa que elas não conseguem trabalhar ou estudar, e costuma ser acompanhada náuseas, diarreia, irritabilidade, fadiga, tontura, alterações no apetite e/ou dor de cabeça. Para outras, é uma dor mais leve, que pode ser controlada com analgésicos comuns, vendidos sem receita.

Quando Consultar o Médico

Quando Consultar o Médico

Muitas mulheres consideram a dor menstrual algo inevitável e não procuram tratamento, mas existem maneiras de atenuar os sintomas. Se você tiver cólicas ou dores menstruais que interfiram no seu dia a dia, converse com seu médico e busque ajuda.

Você também deve consultar um profissional caso os sintomas piorarem ou mudem repentinamente sem motivo aparente, se as cólicas durarem mais de três dias ou se você começar a ter cólicas menstruais pela primeira vez com mais de 25 anos.

Causas

Causas

A dor menstrual é causada essencialmente pela contração do útero para expulsar o revestimento uterino desnecessário. Seu corpo produz prostaglandina para provocar essas contrações, que também estão associadas a dor e inflamação.

Sua dor menstrual pode ser causada simplesmente pela contração do útero, mas existem também alguns distúrbios que produzem fortes dores e cólicas menstruais, como:

  • Miomas uterinos: tumores não cancerosos ao longo do revestimento do útero.
  • Endometriose: quando o tecido uterino se forma fora do útero, geralmente nas trompas de falópio, ovários ou tecido pélvico.
  • Doença inflamatória pélvica: infecção sexualmente transmissível nos órgãos reprodutivos.
  • Estenose cervical: quando a abertura do colo do útero é tão pequena que diminui o fluxo de sangue menstrual, aumentando a pressão dentro do útero.
  • Adenomiose: quando o tecido uterino cresce no músculo do útero.

As cólicas menstruais podem atingir qualquer mulher, mas é mais provável que você tenha esse tipo de cólica se:

  • Sua mãe ou outras familiares próximas sofrem de dores menstruais.
  • Seus ciclos menstruais começaram cedo, antes dos 12 anos.
  • Você tem ciclos menstruais mais intensos e/ou irregulares.
  • Você é fumante.

Tratamento

Tratamento

Existem vários tratamentos para a dor menstrual, de acordo com a gravidade do distúrbio. Encontrar o mais adequado para você envolve um processo de tentativa e erro. Se você tiver endometriose, miomas uterinos ou qualquer outro distúrbio que agrave sua dor menstrual, é importante consultar seu médico sobre um tratamento específico. Tratar a doença subjacente geralmente atenua ou elimina a dor menstrual.

Medicação para Dor Menstrual

Analgésicos

Muitos analgésicos que não precisam de prescrição são eficazes para a dor menstrual. O ibuprofeno, como Advil e Motrin, e o naproxeno sódico, como Flanax, podem ser comprados em qualquer farmácia, sem necessidade de receita. Talvez você precise de um analgésico mais forte, como anti-inflamatórios não esteroides.

Qualquer que seja o analgésico, você deve tomá-lo de acordo com as instruções previstas na bula por dois ou três dias, ou até que os sintomas tenham desaparecido completamente. Cuidado, no entanto, com possíveis efeitos adversos, mesmo no caso dos medicamentos não controlados.

Contraceptivos Hormonais

Métodos de controle de natalidade à base de hormônios, os quais controlam a ovulação e a menstruação, também podem reduzir a dor menstrual. Os métodos contraceptivos incluem:

  • Contraceptivos orais tomados todos os dias (pílulas anticoncepcionais).
  • Injeção contraceptiva tomada em intervalos de poucos meses.
  • Implante contraceptivo colocado sob a pele.
  • Dispositivo intrauterino (DIU) colocado dentro do útero.
  • Anel flexível inserido na vagina.

 

Mudanças no Estilo de Vida

Existem muitos remédios caseiros e mudanças no estilo de vida que podem fazer amenizar as cólicas menstruais, incluindo:

  • Atividades físicas regulares ajudam muitas mulheres. Incorpore-as à sua rotina diária. 
  • Aplique uma almofada elétrica, uma bolsa de água quente ou um emplastro térmico na parte inferior do abdômen. O calor geralmente alivia as cólicas. Um banho de banheira com água quente também pode ajudar.
  • Massagem na região lombar e na parte inferior do abdômen também alivia as dores menstruais.
  • Algumas mulheres afirmam que certos alimentos, como cafeína e alimentos ricos em sal, açúcar e gordura, pioram as cólicas. Portanto, tente evitá-los durante o ciclo menstrual. Álcool e tabaco também podem intensificar as cólicas.
  • Suplementos nutricionais como ácidos graxos ômega-3, vitaminas E, B1 e B6 e magnésio podem reduzir as cólicas menstruais.
  • Faça o possível para diminuir o estresse.

 

Terapias Alternativas

Existem muitas terapias alternativas que podem ajudar a aliviar a dor menstrual, mas nem todas têm sua eficácia comprovada cientificamente. Entre os mais populares estão:

  • Uso de neuroestimulação elétrica transcutânea (TENS, do inglês Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation). Os aparelhos TENS são pequenos dispositivos que se conectam à pele com eletrodos em adesivos. Os eletrodos produzem pequenas descargas elétricas, estimulando as terminações nervosas e incentivando o corpo a liberar endorfinas, as quais funcionam como analgésicos naturais.
  • A acupuntura e a acupressão usam agulhas afiadas e muito finas ou pressão suave para estimular pontos específicos do corpo que aliviam a dor.
  • Às vezes, remédios à base de plantas reduzem as cólicas menstruais. Sementes ou extrato de erva-doce, picnogenol, canela e cúrcuma (açafrão) são ervas populares para dores menstruais. Antes de tomar remédios à base de plantas, é importante verificar com seu médico se eles não interagirão com qualquer outro medicamento que você esteja tomando.
Home > Quadros Clinicos > Dor Menstrual
695
10 min

A Cannabis Pode Ajudar na Dor Menstrual?

por Gleb Oleinik

Sep 22, 2019

Visão Geral

A cannabis tem um longo histórico de uso no tratamento de males que afetam especificamente mulheres, tal como a dor menstrual. Esse fato não surpreende, uma vez que pesquisas sugerem que o sistema endocanabinoide regula grande parte dos processos relacionados às cólicas menstruais, tais como a dor e o funcionamento gastrointestinal.

Há fortes evidências de que a maconha alivia não apenas a dor da menstruação, como também sintomas associados comuns como náusea, perda de apetite e inchaço. Apesar de não existirem ainda evidências clínicas diretas que comprovem o benefício do uso da cannabis nesse campo, não é difícil entender como isso acontece, uma vez que que o sistema endocanabinoide é o principal agente envolvido no alívio desses males. É fato que a maconha é conhecida por mulheres afetadas por distúrbios relacionados à menstruação há milhares de anos, e temos dados suficientes para justificar seu uso – muito embora ainda sejam necessárias mais pesquisas antes que este tratamento seja mais disseminado.

O Sistema Endocanabinoide

O sistema endocanabinoide (SE) é formado por receptores de canabinoides, endocanabinoides e enzimas que os sintetizam e decompõem. O principal papel desse sistema é manter o equilíbrio do corpo humano, chamado homeostase. Para isso, o SE regula processos-chave, como dor, sono, apetite e função cognitiva, gastrointestinal e imunológica 

Até agora, os cientistas identificaram dois tipos de receptores de canabinoides: o CB1 e o CB2. Eles são encontrados em todo o corpo, mas o CB1 se concentra no sistema nervoso central e o CB2, nas células do sistema imunológico. Esses receptores são ativados pela anandamida e 2-AG (2-araquidonilglicerol), os dois principais endocanabinoides produzidos pelo nosso corpo.

Além disso, os canabinoides derivados de plantas (fitocanabinoides), como o THC e o CBD, também podem interagir com os receptores de canabinoides e enzimas relacionadas. Isso explica como os medicamentos à base de cannabis produzem efeitos terapêuticos.

Não há nenhuma pesquisa específica sobre a relação do SE com a dor menstrual e os sintomas associados à menstruação. No entanto, os receptores, endocanabinoides e enzimas do SE estão presentes no aparelho reprodutor feminino e desempenham um papel importante em seu funcionamento.

Além disso, o SE regula os processos relacionados aos sintomas da menstruação, como dor e funcionamento gastrointestinal. Ou seja, a administração de medicamentos à base de cannabis pode de fato oferecer alívio.

O sistema endocanabinoide desempenha um papel importante na regulação da dor. Isso é demonstrado pela presença e envolvimento dos receptores CB1, CB2 e endocanabinoides em todas as partes da chamada “via da dor” (os processos que resultam na sensação de dor). Por exemplo, o receptor CB1 se concentra em partes do sistema nervoso periférico e central relacionadas à detecção, envio e processamento de sinais de dor. Em paralelo, o receptor CB2 desempenha um papel maior na dor inflamatória por seu envolvimento na função imunológica. Também sabe-se que o 2-AG e a anandamida apresentam efeitos analgésicos. Essas descobertas sugerem que focar no SE é uma opção promissora para aliviar a dor e o desconforto abdominais característicos das cólicas menstruais.

Além disso, o sistema endocanabinoide é conhecido por regular o apetite e a ingestão de alimentos. Isso é demonstrado pelo fato de a ativação do receptor CB1 aumentar o apetite, razão pela qual os medicamentos sintéticos à base de THC são usados para combater a perda de peso associada a doenças. Desse modo, o SE também pode ser utilizado para combater a falta de apetite associada à dor menstrual.

O sistema endocanabinoide, ademais, desempenha um papel importante na regulação da função gastrointestinal, o que significa que ele pode aliviar a náusea, o inchaço e sintomas digestivos relacionados à menstruação. O mais incrível é que a ativação do receptor CB1 parece reduzir a motilidade gastrointestinal, a qual desempenha um papel central em sintomas como náusea, inchaço, diarréia e dor abdominal.

Enquanto isso, as pesquisas sugerem que a ativação do CB1 no sistema nervoso central também pode reduzir as ânsias de vômito, outro sintoma da menstruação. O papel do SE na regulação da função digestiva é destacado pela eficácia de medicamentos à base de THC, como o dronabinol, na redução de náuseas e vômitos.

Em conjunto, todas essas descobertas científicas revelam como podemos utilizar o SE para aliviar a dor menstrual e os sintomas relacionados à menstruação.

Cannabis e Dor Menstrual

Apesar do longo histórico de uso de cannabis para o combate do desconforto menstrual, atualmente há muitas evidências, mas não estudos, a respeito dos efeitos da cannabis no alívio da dor e dos sintomas relacionados à menstruação.

Para começar, o alívio da dor é sem dúvida o benefício com o maior respaldo de pesquisas na área. Um estudo de 2015, composto por 28 ensaios clínicos, concluiu que há “evidências suficientes” para embasar o uso na dor crônica. Mais importante, as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina declararam em 2017 que “há provas conclusivas ou substanciais de que a cannabis e os canabinoides são eficazes no tratamento da dor crônica em adultos”.

Além disso, há evidências de que canabinoides como o THC e o CBD reduzem náuseas e vômitos. Por exemplo, um estudo de 2007 revelou que o dronabinol à base de THC é tão eficaz quanto a medicação prescrita para pacientes em quimioterapia: 71% deles relataram não sentir mais nenhuma náusea após a utilização da cannabis. Ademais, uma revisão sistemática (2015) de 23 estudos clínicos concluiu que “medicamentos à base de cannabis podem ser úteis no tratamento de casos refratários de náuseas e vômitos provocados pela quimioterapia”.

Da mesma forma, todos sabem que o uso de maconha abre o apetite. O fato foi demonstrado por um estudo de 1995, em que 139 pessoas com perda de peso decorrente da AIDS usaram com sucesso o dronabinol para manter e até recuperar o peso. Esses efeitos são tão bem documentados que a cannabis em geral e o THC especificamente estão sendo agora bastante utilizados para ajudar pacientes com perda de peso associada a distúrbios crônicos.

Além disso, a maconha pode ajudar a aliviar a ansiedade e outros problemas mentais associados à dor menstrual. Por exemplo, um estudo de 2011 mostrou que o CBD, um canabinoide não psicoativo, atenua a ansiedade vinculada à necessidade de falar em público em pessoas com transtorno de ansiedade social, a chamada “fobia social”.

Outros dois estudos com pessoas que sofrem de doença inflamatória intestinal (DII) relataram que o uso de cannabis era comum para aliviar dores abdominais, diarreia, inchaço e perda de apetite, sintomas que também ocorrem junto com as cólicas menstruais.

Um estudo de 2002, realizado por um expert em cannabis medicinal, o Dr. Ethan Russo, apresentou registros milenares de uso de maconha para aliviar questões de saúde que afetam as mulheres, incluindo dores menstruais. De acordo com o estudo, até a rainha Victoria tomava doses mensais de cannabis, prescritas por seu médico, para reduzir o desconforto menstrual. O Dr. Russo concluiu sua pesquisa afirmando que a cannabis pode oferecer um tratamento alternativo seguro e eficaz para a dismenorreia (cólicas menstruais) e outros sintomas relacionados à menstruação.

Da mesma forma, uma pesquisa de 2018 apontou o uso da maconha para alívio de dores, e que canabinoides como THC e CBD têm propriedades relaxantes, as quais aliviam os espasmos musculares das cólicas menstruais.

Além disso, vários estudos apresentam relatórios informais sobre o alívio produzido pelo uso da cannabis em casos de cólicas menstruais, listando esse desconforto como uma das razões pelas quais as pessoas recorrem à cannabis medicinal. Por fim, pesquisas sobre adenomiose  e endometriose, duas patologias dolorosas que acometem o tecido que reveste o útero, sugerem que a cannabis pode ser uma opção terapêutica para o alívio da dor.

Em resumo, embora faltem estudos clínicos sobre a relação entre o uso da cannabis e o alívio da dor menstrual, há muitas evidências de que a cannabis pode ajudar na dor abdominal, náusea, inchaço, perda de apetite e outros sintomas da menstruação.

Efeitos Colaterais

Uma das principais barreiras ao uso medicinal da cannabis são seus efeitos colaterais psicoativos, que incluem perda de memória, euforia, ansiedade, paranoia e diminuição do tempo de reação.

A cannabis pode causar outros efeitos colaterais, como fadiga e boca seca, mas, de modo geral, trata-se de uma substância segura, com efeitos colaterais leves e transitórios. Além disso, o uso de preparados com alto teor de CBD, como o óleo de CBD, é uma maneira eficaz de evitar os efeitos psicoativos da cannabis.

Em comparação, os medicamentos comuns usados para aliviar a dor menstrual, como os AINEs (anti-inflamatórios não esteroides), estão associados a efeitos colaterais como úlceras estomacais, sangramentos gastrointestinais etc., e seu uso excessivo causa danos nos rins, fígado e coração.

Sobre a Dor Menstrual

Visão Geral

Dor menstrual, cólicas menstruais ou dismenorreia são diferentes nomes para a dor e o desconforto que muitas mulheres sentem antes ou durante o período de sangramento menstrual. Para algumas mulheres, não passa de um desconforto momentâneo, enquanto, para outras, a dor menstrual pode interferir em suas atividades diárias, afetar o relacionamento com os outros, agravar outros problemas de saúde e deixá-las incapacitadas vários dias por mês.

Mulheres com doenças como endometriose ou miomas uterinos geralmente têm cólicas menstruais muito mais fortes. A dor menstrual tende a começar um ou dois anos após a primeira menstruação, mas pode se tornar menos intensa ao longo do tempo. Algumas mulheres relatam que suas cólicas menstruais melhoram muito ou até desaparecem completamente depois do primeiro filho.

Cerca de 85% das mulheres e jovens têm cólicas dolorosas e desconforto antes ou durante o período menstrual, mas poucas conversam sobre isso com o médico, de modo que esse número pode ser maior. A porcentagem de mulheres e meninas com dor menstrual forte o suficiente para impedi-las de ir ao trabalho ou à escola pode chegar a 40%.

Sintomas

Os sintomas da dor menstrual geralmente são cólicas na parte inferior do abdômen acompanhadas, às vezes, de dor na parte inferior das costas, nos quadris ou na parte interna das coxas. Normalmente, os sintomas começam um ou dois dias antes do fim do ciclo menstrual ou no próprio dia da menstruação, e dura de dois a três dias. A maioria das mulheres diz que a dor menstrual é pior nas primeiras 24 horas da menstruação.

Em algumas mulheres, essa dor é tão intensa que elas não conseguem trabalhar ou estudar, e costuma ser acompanhada náuseas, diarreia, irritabilidade, fadiga, tontura, alterações no apetite e/ou dor de cabeça. Para outras, é uma dor mais leve, que pode ser controlada com analgésicos comuns, vendidos sem receita.

Quando Consultar o Médico

Muitas mulheres consideram a dor menstrual algo inevitável e não procuram tratamento, mas existem maneiras de atenuar os sintomas. Se você tiver cólicas ou dores menstruais que interfiram no seu dia a dia, converse com seu médico e busque ajuda.

Você também deve consultar um profissional caso os sintomas piorarem ou mudem repentinamente sem motivo aparente, se as cólicas durarem mais de três dias ou se você começar a ter cólicas menstruais pela primeira vez com mais de 25 anos.

Causas

A dor menstrual é causada essencialmente pela contração do útero para expulsar o revestimento uterino desnecessário. Seu corpo produz prostaglandina para provocar essas contrações, que também estão associadas a dor e inflamação.

Sua dor menstrual pode ser causada simplesmente pela contração do útero, mas existem também alguns distúrbios que produzem fortes dores e cólicas menstruais, como:

  • Miomas uterinos: tumores não cancerosos ao longo do revestimento do útero.
  • Endometriose: quando o tecido uterino se forma fora do útero, geralmente nas trompas de falópio, ovários ou tecido pélvico.
  • Doença inflamatória pélvica: infecção sexualmente transmissível nos órgãos reprodutivos.
  • Estenose cervical: quando a abertura do colo do útero é tão pequena que diminui o fluxo de sangue menstrual, aumentando a pressão dentro do útero.
  • Adenomiose: quando o tecido uterino cresce no músculo do útero.

As cólicas menstruais podem atingir qualquer mulher, mas é mais provável que você tenha esse tipo de cólica se:

  • Sua mãe ou outras familiares próximas sofrem de dores menstruais.
  • Seus ciclos menstruais começaram cedo, antes dos 12 anos.
  • Você tem ciclos menstruais mais intensos e/ou irregulares.
  • Você é fumante.

Tratamento

Existem vários tratamentos para a dor menstrual, de acordo com a gravidade do distúrbio. Encontrar o mais adequado para você envolve um processo de tentativa e erro. Se você tiver endometriose, miomas uterinos ou qualquer outro distúrbio que agrave sua dor menstrual, é importante consultar seu médico sobre um tratamento específico. Tratar a doença subjacente geralmente atenua ou elimina a dor menstrual.

Medicação para Dor Menstrual

Analgésicos

Muitos analgésicos que não precisam de prescrição são eficazes para a dor menstrual. O ibuprofeno, como Advil e Motrin, e o naproxeno sódico, como Flanax, podem ser comprados em qualquer farmácia, sem necessidade de receita. Talvez você precise de um analgésico mais forte, como anti-inflamatórios não esteroides.

Qualquer que seja o analgésico, você deve tomá-lo de acordo com as instruções previstas na bula por dois ou três dias, ou até que os sintomas tenham desaparecido completamente. Cuidado, no entanto, com possíveis efeitos adversos, mesmo no caso dos medicamentos não controlados.

Contraceptivos Hormonais

Métodos de controle de natalidade à base de hormônios, os quais controlam a ovulação e a menstruação, também podem reduzir a dor menstrual. Os métodos contraceptivos incluem:

  • Contraceptivos orais tomados todos os dias (pílulas anticoncepcionais).
  • Injeção contraceptiva tomada em intervalos de poucos meses.
  • Implante contraceptivo colocado sob a pele.
  • Dispositivo intrauterino (DIU) colocado dentro do útero.
  • Anel flexível inserido na vagina.

 

Mudanças no Estilo de Vida

Existem muitos remédios caseiros e mudanças no estilo de vida que podem fazer amenizar as cólicas menstruais, incluindo:

  • Atividades físicas regulares ajudam muitas mulheres. Incorpore-as à sua rotina diária. 
  • Aplique uma almofada elétrica, uma bolsa de água quente ou um emplastro térmico na parte inferior do abdômen. O calor geralmente alivia as cólicas. Um banho de banheira com água quente também pode ajudar.
  • Massagem na região lombar e na parte inferior do abdômen também alivia as dores menstruais.
  • Algumas mulheres afirmam que certos alimentos, como cafeína e alimentos ricos em sal, açúcar e gordura, pioram as cólicas. Portanto, tente evitá-los durante o ciclo menstrual. Álcool e tabaco também podem intensificar as cólicas.
  • Suplementos nutricionais como ácidos graxos ômega-3, vitaminas E, B1 e B6 e magnésio podem reduzir as cólicas menstruais.
  • Faça o possível para diminuir o estresse.

 

Terapias Alternativas

Existem muitas terapias alternativas que podem ajudar a aliviar a dor menstrual, mas nem todas têm sua eficácia comprovada cientificamente. Entre os mais populares estão:

  • Uso de neuroestimulação elétrica transcutânea (TENS, do inglês Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation). Os aparelhos TENS são pequenos dispositivos que se conectam à pele com eletrodos em adesivos. Os eletrodos produzem pequenas descargas elétricas, estimulando as terminações nervosas e incentivando o corpo a liberar endorfinas, as quais funcionam como analgésicos naturais.
  • A acupuntura e a acupressão usam agulhas afiadas e muito finas ou pressão suave para estimular pontos específicos do corpo que aliviam a dor.
  • Às vezes, remédios à base de plantas reduzem as cólicas menstruais. Sementes ou extrato de erva-doce, picnogenol, canela e cúrcuma (açafrão) são ervas populares para dores menstruais. Antes de tomar remédios à base de plantas, é importante verificar com seu médico se eles não interagirão com qualquer outro medicamento que você esteja tomando.

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